ENTREVISTA: FERNANDA POPSONIC FALA O QUE É ESTAR NO FESTIVAL SOUTH BY SOUTHWEST 11 March 2010
Lucy and The Popsonics em uma apresentação no South by Southwest
Amanha começa o South by Southwest, festival que talvez seja o mais vanguardista organizado hoje. E um dos mais antigos que ainda perduram, já que a primeira edição foi produzida em 1987.
O SXSW tem características pouco comuns para um festival de música. É realizado no centro da cidade de Austin, no Texas. As ruas são bloqueadas e a região respira o ar de um evento que além de shows, reúne conferências de cinema e tecnologia e, claro, música.
Há também a programação paralela ao festival, que acontece em casas de show e outros espaços, e pode ser organizada por qualquer um que esteja afim de fazer uma festa fora do line-up oficial. Por esses detalhes, o South by Southwest é um evento diferente, que rende muitas histórias.
Em 2010, mais de 20 bandas brasileiras foram convidadas para tocar no festival que começa amanhã. Nem todas puderam embarcar, por problemas com visto, por exemplo. Mas é certo que este ano a música brasileira vai estar bem representada. Uma das bandas que vai estar em terra texana é Lucy and The Popsonics, que já esteve no SXSW e conhece bem o festival.
E é sobre o South by Southwest que Fernanda Popsonic, a vocalista da banda, conversou com o Rock ‘n’ Beats.
Rock ‘n’ Beats: Como é a experiência de tocar e estar no South by Southwest? Dê um noção do que rola lá. A cidade para mesmo, vive em função da música?
Fernanda Popsonic: A cidade passa a viver em função do festival, diferente de outros festivais que a gente foi. Ele é bem parecido com o de Printemps des Bourges na França. Tem a mesma vibe.
O centro da cidade é interrompida para carros. Os únicos carros a andarem por lá são ambulâncias e a polícia, lógico. Então todos ficam nas ruas como Recife no carnaval. É o verdadeiro carnaval do rock. Eu nunca vi algo tão sensacional na minha vida. Com a Wristband você entra em qualquer casa que você quiser. Nós vimos o Fleet Foxes sem querer antes de eles lançarem o disco. Entramos em uma casa que eles estavam lá tocando. Não tinha público, apenas jornalistas filmando e fotógrafos tirando fotos. De público deveria ter umas 5 pessoas mais eu e o Pil [Popsonic] apenas. Todos chorando, claro! A banda é muito foda ao vivo.
Nós assistimos Raveonettes também em um esquema muito legal. Eles estavam tocando em um Pubzinho. Claro que lotado, né? Mas, nada muito absurdo. Eles tocaram em um palco que todas as bandas tocam igual. Claro, cada casa tem sua festa. Umas mais bombadas que outras.
O SXSW pode ser comparado a algo que é feito no Brasil, nem que minimamente? Os festivais de música que acontecem por aqui lembram de alguma maneira os dias no Texas? Pergunto pois me parece que lá rola uma bagunça organizada, digamos, que festas além do line-up oficial são armadas durante os dias de festival. Rola isso mesmo, como é?
Rola. No dia depois do Raveonettes, escutamos os caras tocando num terreno baldio do lado do lugar que paramos para almoçar. Almoçamos escutando várias bandas legais tocando ali do nosso ladinho.
Eu bem que queria tocar nestas festas. É super legal! Você entra for free e ainda pode comer cachorro quente e tomar refrigerante. Com certeza com vários patrocínios bem óbvios.
É possível identificar artistas que geram um burburinho por lá e que já dão a pinta que vão estourar? Afinal, alguns nomes bem conhecidos hoje já tocaram no SXSW quando eram quase desconhecidos.
Óbvio! As bandas que irão tocar no SXSW são as apostas para o ano. As gravadoras bancam ou arrumam quem banca as bandas para tocarem lá quando são grandes. Quando não tão grandes, as gravadoras que fazem todo o serviço de marketing do show daquela banda lá no SXSW. Acredito que além das gravadoras, tem as marcas que apoiam determinadas bandas.
Você sabe exatamente quem pode estourar ou não. No ano que fomos nem conseguimos assistir The Ting Tings, MGMT, Vampire Weekend, Santogold, etc. Com tantas opções porque existem filas tão imensas naquele show? Obviamente, trabalharam para que aquilo lá acontecesse. Se a banda for bem a chance dela estourar de vez é bem grande.
Vocês tem alguma história bacana de quando foram? Foi uma única vez além de 2010?
Várias histórias. Temos boas histórias no SXSW e outras sensacionais na turnê que fizemos para pagar nossas passagens. Na época estávamos muito quebrados financeiramente. Foi tipo uma aposta que fizemos e ainda bem que deu bem certo. Quando você está no SXSW tudo pode acontecer, pode ter certeza! hehehe. Se eu for contar por minúcias aqui tudo que acontece por lá, eu não conseguiria. hehe.
E indico que para quem for manter um diário por perto. Acontecem coisas super legais o tempo inteiro. Tem muita coisa ruim misturada ali também. Inclusive, há muitas coisas cômicas. Mas, o SXSW é bem isso. Música para todos os lados e gostos.
No SXSW vimos uma banda de mendigos tocando do lado de fora com dois cachorros pedindo para vc jogar moedinhas no case. hehe. Todos eles fediam há quilômetros de distância. hehe.
Quando chegamos em Chicago, por exemplo, havia uma platéia que nos esperava porque comentaram na comunidade mexicana nos EUA que haviam assistido nosso show e que tinha sido super legal. Apesar de sermos brasileiros e falarmos e cantarmos em português, os mexicanos estavam lá para nos assistirem. hehe.
Alguém leva algo peculiar na mala, além do básico? Um amuleto, enfim?
Não somos superticiosos. Eu levo meu travesseiro de pescoço de pelúcia pendurado no case do baixo. Inclusive, o Pil morre de inveja e sempre o rouba quando não estou usando. Mas, a ideia é levar o menos possível. Algumas coisas, pode ter certeza, você vai querer comprar por lá. Tem de levar isso em consideração também.
E pra ler ou ouvir, o que acompanha a viagem?
Na última tour na Europa levamos o livro do Renato Russo do Carlos Marcelo. Para esse, eu ainda não sei o que nós levaremos.
Para escutar, a gente leva o computador do Pil que tem tudo que você pode imaginar. Do AC/DC a Lee Scratch Perry, de Angela Ro Ro a Suicide.







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