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RESENHA: CHARME CHULO – CHARME CHULO

Postado por Junior Passini. Posted in Nacionais, Resenhas, Rock 'n' Beats

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Publicado em 13 julho, 2009 - Nenhum Comentário

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Existe uma linha nada tênue que divide bandas autorais, de bandas puramente comerciais. As primeiras precisam fazer música, já as outras, precisam que os outros vejam que elas fazem música.

Ter um grupo, fazer shows e gravar discos, muitas vezes, mesmo não sendo sinônimo de dinheiro, representa uma imagem sedutora. Isso incentiva a criação e também a pré-fabricação, de grupos que pensam, hoje, primeiro no visual de cada membro, na divulgação que vão preparar no orkut, no twitter, no facebook ou em outra mídia social – no período pré-Myspace a preocupação era chegar às rádios e às televisões – e esquecem do principal: a música. O principal vira só um detalhe, algo a ser cumprido no meio de tantas outras coisas.

O processo criativo de uma boa música, de um bom álbum, não pode se confundir e se desviar dessa forma. Sem espaço e liberdade para criar musicalmente, a sensibilidade e, principalmente, a sinceridade e a personalidade nas composições são sufocadas e não conseguem respirar por muito tempo. Fôlego, sinceridade e personalidade, não faltam para uma das principais bandas de Curitiba, o Charme Chulo.

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Desde que lançou o primeiro EP, Você Sabe Muito Bem Onde Eu Estou, eles convivem com os rótulos de Rock-Caipira ou The Smiths-da-Roça. Apesar da viola caipira e até uma gaita regional estarem presentes em diversas canções do grupo escritas pelo vocalista Igor Filus, ou os riffs agudos e apoteóticos de Leandro Delmonico lembrarem muito Johnny Marr, a banda merece destaque pela personalidade do som criado por eles. Não existe o medo e a hesitação de assumirem que o som é um recorte de referências e bagagem acumulada da vida de cada um dos membros do grupo, transformando tudo isso em música original e autoral. Um processo de criação natural e fluído.

Eles não rejeitam as raízes, e nem poderiam. Desde o início do álbum homônimo (Charme Chulo), com a melódica Mazzaroppi Incriminado, a viola caipira é protagonista. Imersa nas batidas oitentistas do baixo e da bateria, e na letra simples e honesta em uma interpretação cheia de momentos de união cristalina entre a voz e o sentido das palavras, a faixa é um cartão de visitas da montanha-russa de canções melancólicas e urgentes na sua intenção, mas explosivas no resultado final.

O Charme Chulo não precisa de esforços para fazer canções apoteóticas. A Caminho Das Luzes Essa Noite é um dos pontos altos da banda. Menos regional e inundada pelo baixo e pela bateria em uma marcha agressiva, a música cria um clima sombrio e sério, mostrando a versatilidade na composição da grupo que, logo em seguida, com Polaca Azeda, recria uma moda de viola na introdução, abusando de efeitos de teclados e apostando no ressentimento de uma letra repleta de uma autopiedade irônica.

As três melhores canções do álbum Piada Cruel, Não Deixa a Vida te Levar e Apaixonante Na Tristeza podem ser pinçadas para mostrar o que é o Charme Chulo. Piada Cruel deixa os vestígios caipiras um pouco de lado e assume a influência Smithiana usando de forma incisiva a mistura de riffs e batidas rápidas em um refrão viciante e crescente sobre a sarcástica história de uma menina de bordel – sem pretensões boêmias.

Não Deixa a Vida Te Levar mantém as influências regionais surgindo naturalmente, numa escalada sonora digna da melhor, e única, fase brilhante do U2 no meio da década de 80, marchando sem piedade até cada entrada do refrão mais empolgante da música brasileira nos últimos anos. Aqui, a explosão sonora do Charme Chulo colocaria estádios abaixo. A banda é segura, precisa, forte e consegue deixar a sua marca impressa do início ao fim.

E, para quem poderia achar que não passava de um golpe de sorte, Apaixonante Na Tristeza emula a sensação de que estamos diante de uma grande banda e engole os nossos ouvidos com viola caipira, guitarras R.E.M e ataques contra a bateria, unidos com o que a banda tem de melhor: a sinceridade do som feito por eles. Nada soa como pastiche em exageros de referências à década de 80 e à música caipira, ou então como experimentalismo oportunista, buscando ser excessão.

Igor, Leandro, Peterson e Rony possuem algo que a música brasileira busca há muito tempo: personalidade. Eles não precisam soar bregas ou se isolarem nas raízes nacionais para serem sinceros e originais, e não precisam assumir uma imagem internacional e deixar todas as influências regionais de lado para afastarem qualquer vestígio de rock brasileiro.

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Charme Chulo – Piada Cruel

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Charme Chulo – Não Deixa a Vida Te Levar

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Charme Chulo – A Caminho das Luzes Essa Noite

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