web analytics

ENTREVISTA: CHARME CHULO E O SEU ROCK FEITO COM VIOLA

Postado por Leandro Filippi. Posted in Entrevistas

Tags: , ,

Publicado em 14 setembro, 2009 - 2 Comentários

Charme Chulo

São poucas as bandas que podemos descrever, com segurança, com o adjetivo “original”. Sair do comum, inovar, é um trabalho que exige uma criatividade acima da média, uma vontade de fugir do que já foi feito. Nos seus dois discos, o quarteto curitibano Charme Chulo consegue tudo isso.

Imagine algo aparentemente pouco provável: um rock onde o instumento que o norteia é uma viola. É assim que o Charme Chulo surpreende aqueles que ouvem suas músicas pela primeira vez, fazendo um rock dançante em que um instrumento que só é imaginado na música caipira ganha força e uma sonoridade pouco comum.

Não é a toa que a banda é comparada com os ingleses do The Smiths. Se Johnny Marr fazia um violão ganhar uma importância impensável no rock, tomando o espaço da guitarra, o Charme Chulo consegue, com extrema competência, fazer com que a viola seja o centro da sua música.

Charme Chulo é Leandro Delmonico (viola caipira e guitarra), Igor Filus (vocal), Rony Jimenez (bateria) e Marano (baixo). O quarteto toca em Campinas, no Rock ‘n’ Beats, no próximo dia 19. E mais: vai lançar seu novo cd, “Nova Onda Caipira”, que foi disponibilizado na semana passada. Para ouvir, é só acessar o MySpace do Charme Chulo.

O novo álbum teve participação na produção de Alexei Leão. Carlos Eduardo Miranda, que já produziu bandas como Cansei de Ser Sexy e Cordel do Fogo Encantado também contribuiu, possibilitando a gravação de parte do novo disco do Charme Chulo na Toca do Bandido, um dos estúdios mais requisitados entre as bandas de rock do país.

Confira a entrevista, respondida por Leandro e Igor.

Como surgiu a ideia de fazer rock com uma inserção tão presente de viola?

Leandro: O Igor tocava comigo numa banda de garagem (literalmente). Na época tínhamos influencia de punk e pós punk, algo que não nos abandonou até hoje, só que chegou o dia em que decidimos levar mais a sério o nosso som, a nossa intenção era fazer algo o mais real e próximo da gente possível, para poder evoluir e construir uma carreira. Nós somos do Paraná e percebemos que assim como São Paulo ou Minas gerais a presença da música caipira/sertaneja é muito forte, logo passamos a olhar mais para isso. A partir daí descobrimos a genialidade de Tião Carreiro, a versatilidade de Almir Sater e porque não, o brega de Leandro & Leonardo. Misturamos isso com The Clash, The Smiths e R.E.M e deu no começo da banda.

Uma das banda que é usada para descrever o som do Charme Chulo, é o The Smiths. Mas, afinal, quais são os artistas que inspiram a banda a fazer um trabalho tão original?

Leandro: No começo o The Smiths era forte, mas isso na época do nosso EP, na verdade o lado pós-punk da banda tem muito a ver com as letras, lembro que o Igor falava que o principal sentido dele estar numa banda era poder se expressar nas letras. Diria que a música caipira é o centro das coisas, no resto somos uma banda de influencias variadas, o Rony gosta muito de Rockabilly e Folk, por exemplo, eu sempre curti anos 80 e bandas atuais como: The Killers e The Thrills, já o Igor vai de Ramones a Sinead o`Connor , apesar disso temos algo forte em comum que e a paixão por uma música catártica, sincera e emotiva.

Rock e música caipira são estilos que tem uma relação quase conflitante. Em geral, fãs do rock torcem o nariz pra moda de viola e o contrário também é verdadeiro. Quando vocês nem tinham gravado as primeiras músicas ainda, e falavam sobre a ideia musical do Charme Chulo, qual era a reação das pessoas? E entre vocês, depois de compor as primeiras músicas, a sensação era de que aquilo podia dar certo mesmo ou foi uma grande aposta?

Leandro: Quando descobrimos a possibilidade de misturar os dois gêneros ficamos muito contentes, tanto que nem pensamos direito no que as pessoas iriam achar. O fato é que achávamos aquilo real, o grande lance era chocar ao contrario, mostrando da onde realmente veio tudo, depois de um tempo comecei a pensar que a música caipira é o nosso folk e que deveríamos nos orgulhar disso como os americanos roqueiros se orgulham de Bob Dylan e Johnny Cash, acontece que a elite acha a música de raiz constrangedora, dificilmente vemos um artista como o Tinoco sendo homenageado num premio Multishow da vida.

Quando fizemos as primeiras músicas a sensação era de que estávamos no caminho certo, aprendemos muitas coisas com o passar do tempo mas estamos ai, no segundo disco oficial da banda.

Qual foi a primeira música da banda, que abriu o caminho pro “rock caipira”?

Leandro: O Igor compôs no violão “Polaca Azeda”, a música que a gente mais gravou na vida e uma das preferidas do público. A vontade era fazer um pagode de viola, ela tem uma introdução clássica mas no final das contas virou uma música pop de bateria country e alguns elementos caipiras, mas aquilo era o começo. Hoje temos no segundo disco uma música chamada “Brasil Sacanagem”, ela demonstra uma evolução do que queríamos fazer lá começo, mesmo sendo uma canção simples.

Como tem sido o lançamento do “Nova Onda Caipira”? Vem com quantas faixas?

Leandro: Nova onda caipira vem sendo lançado aos poucos, fizemos algumas cópias especiais para a imprensa e colocamos o disco inteiro (de 11 faixas) para ouvir no myspace da banda, nosso show de Campinas já pode ser considerado “show de lançamento” o problema é que as primeiras 1000 copias deram uma pequena atrasada e só devem chegar no começo de outubro, esse foi o principal motivo da gente colocar tudo na net para ouvir, resumindo o lançamento está acontecendo nesse exato momento.

A primeira faixa que vocês liberaram do novo álbum, “Fala comigo, Barnabé!”, caberia perfeitamente no primeiro cd da banda. O que os fãs podem esperar do novo trabalho? Vai seguir a mesma linha do anterior?

Leandro: “Nova onda caipira” é um disco mais resolvido, nele conseguimos expressar melhor a mistura que a banda faz, “Fala comigo Barnabé!” é o lado Pop do disco, só que a primeira faixa é uma moda de viola por exemplo, usei mais violão no disco, o que deixou tudo mais homogêneo, apesar disso o CD não chega a chocar, é o mesmo Charme Chulo com o caipira mais aflorado.

Como é o processo de criação do Charme Chulo? Vocês compõem as letras primeiro? Começam uma nova faixa a partir de uma inspiração? Como funciona?

Igor: As músicas do Charme Chulo surgem muito a partir de imagens, de títulos e de temas ou assuntos que combinam com o universo artístico e estético da banda. Geralmente o Leandro compõe uma harmonia ou um rife, seja na viola ou na guitarra, daí desenvolvemos um pouco o instrumental com a banda, já aparecendo mais a cara da música, e em cima disso, por fim, crio a melodia e a letra. Em outros casos eu ou o Leandro fazemos músicas e letras inteiras sozinhos, mas como o universo do Charme Chulo é bem definido, nós dois assinamos a autoria de todas as músicas juntos.

Os integrantes do Charme Chulo tem alguma atividade ligada à música, fora a banda?

Igor: Eu e o Leandro produzimos e tocamos apenas no Charme Chulo desde de o início de nossas carreiras musicais, apenas o Rony, baterista, toca em outras duas bandas de punk rock estilo 1977, chamadas Subproduto e UTI.

Indiquem algumas bandas independentes brasileiras que vocês gostam.

Fast Food Brasil (Sorocaba), Os Pamonheiros (Piracicaba, outra banda da cena do rock caipira) e Dimitri Pellz (Campo Grande).

Indiquem blogs musicais que recomendam a leitura, se tiver algum.

Conhecemos vários, mas em especial citaremos o site Mondo Bacana, do jornalista Abonico Smith de Curitiba.

———————————————————————————--

LEIA TAMBÉM:

Resenha do primeiro álbum do Charme Chulo

 

Sobre Leandro Filippi

Veja outros artigos de Leandro Filippi

Comente usando o Facebook!

2 Comentários

Existem atualmente 2 Comentários no ENTREVISTA: CHARME CHULO E O SEU ROCK FEITO COM VIOLA. Deixe seu comentário

  1. Essa já é a terceira vez que o Charme Chulo vem a Campinas (a primeira no Woodstock, a segunda na Casa São Jorge e agora, finalmente, no Bar do Zé), não consigo perder o show deles. O primeiro disco da banda foi o meu preferido de 2007 e o segundo está muito bonito (MySpace). Entre os dois trabalhos, a banda chegou a lançar um “ao vivo” pela “grande garagem que grava”. Se, nos discos, a banda soa tão bem, ao vivo consegue provocar uma catarse coletiva. Igor tem uma presença de palco especialíssima e deixa a banda ainda mais charmosa com sua performance. A qualidade instrumental da banda vem à tona quando se vê os quatro juntos no palco. Não vejo a hora!

  2. [...] Enrevista com a banda Charme Chulo [...]

  3. [...] – Entrevista com o Charme Chulo [...]

  4. [...] – Entrevista com o Charme Chulo [...]

Deixe seu comentário

RocknBeats