
Quem, ainda na adolescência, descobrindo o rock, nunca brincou de formar a banda dos sonhos na própria imaginação? Os mais metaleiros colocavam os vocais poderosos de Bruce Dickinson num pedestal, outros preferiam o desleixo de Kurt Cobain, enquantos alguns eram um pouco mais sensatos e percebiam a qualidade do Thom Yorke também nos microfones. Nas guitarras, Jimi Hendrix reinava, enquanto na bateria John Bohan, do Led Zeppelin e Keith Moon, do The Who, degladiavam nas escalações mentais.
De vez em quando projetos unem grandes nomes em uma mesma banda, como o Them Croocked Vultures, com Dave Grohl, do Foo Fighters, John Paul Jones, do Led Zeppelin e Josh Homme, do Queens of the Stone Age. Mas e na música independente nacional, existe alguma “banda dos sonhos”?
Exageros a parte, o novo grupo de Chuck Hipolitho – e não projeto, como o Love Bazucas -, surge promissora na escalação e nas primeiras sete músicas lançadas. Reunindo o ex-Forgotten Boys, Mauro Motoki (Ludov), Thadeu Meneghini (Banzé) e o Mike Vontobel (Videohists e Bidê ou Balde), o Vespas Mandarinas acaba de debutar com canções recheadas de riffs de guitarra, melodias vocais sedutoras, piano e até metais.
O projeto, que já nasce com os holofotes apontados, era pra ser mais uma novidade da carreira solo de Chuck. Em entrevista ao Rock ‘n’ Beats, ele falou sobre a escolha a dedo da sua banda dos sonhos. “Era para ser um projeto solo meu. O Mauro e o Mike se ofereceram para serem meus “músicos”, aí resolvi que eu não segurava a onda sozinho e com um time desse teríamos que ser uma banda de verdade. Por fim, chamamos o Thadeu. Todos irmãos do coração e que eu admiro MUITO. A banda dos meus sonhos”, revelou o guitarrista.

De acordo com Chuck, a saudade da estrada e a empatia com os músicos da nova banda, foram as principais razões para a criação do Vespas Mandarinas. Mas esse saudosismo não quer dizer que ele sinta falta do Forgotten Boys. “Não tenho saudade nenhuma. Mas, tenho muito orgulho de ter feito parte da banda e de tudo que fiz e fizemos juntos. E tenho uma admiração muito grande por eles”, disse.
Enquanto a sua ex-banda seguiu o caminho do rock independente de Nova Iorque, com toques de grupos como Ramones, New York Dolls e o chamado “bom e velho rock and roll”, o Vespas Mandarinas, segundo o própio músico, flerta com o PowerPop. “Nao esse, aquele. Power + Pop”, decreta. E ainda elege uma banda a ser emulada. “Se pudéssemos, seríamos o Wilco”.
Enquanto eles olham para uma das melhores bandas das últimas décadas e nos deixam esperançosos com essa influência, podemos conferir as sete primeiras músicas do Vespas Mandarinas, com destaque para Da Don Ron Ron, (cover de The Crystals) inundada de alegria e com pianos, metais e coros vocais lembrando gente como o genial Warren Zevon, o hit revisitado do Banzé, Cobra de Vidro e Retroceder Nunca, além da energia vagando entre Supersuckers e Hellacopters de Sem Nome. Uma estréia, felizmente, pretensiosa – na qualidade. No meu caderno de anotações? Já nasce me agrandando mais que o Forgotten Boys.
OBS: os Vespas Mandarinas abrem o show do lendário Mudhoney, na sexta-feira (21/05), a partir das 21h00, no Clash Club, em São Paulo.
Vespas Mandarinas – Da Doo Ron Ron (The Crystals) by VespasMandarinas
Vespas Mandarinas – Cobra de Vidro by VespasMandarinas
Vespas Mandarinas – Retroceder Nunca (Render-se Jamais) by VespasMandarinas
Vespas Mandarinas – Sem Nome by VespasMandarinas
Confira todas as outras músicas aqui.













agosto 15, 2010 às 09:14
Boa banda. O Chuck é um cara gente fina. Muito sucesso para ele neste nova grupo.
Abs
Nelson