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Entrevista: Apanhador Só

Postado por Christian Camilo. Posted in Rock 'n' Beats

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Publicado em 27 maio, 2010 - 2 Comentários

matéria de Christian Camilo

Um dos álbuns que deve constar na lista  de melhores lançamentos do ano é o disco da banda porto alegrense Apanhador Só. O grupo, que já há algum tempo é referência dos críticos que escrevem sobre música alternativa nacional, conseguiu alcançar este rápido reconhecimento graças a dois ótimos EPs e também aos shows com uma abordagem experimental.

Pra começar sem muitos rodeios justificando o grau de experimentalismo destes gaúchos vou descatar pra vocês algumas invenções poéticas, musicais e até instrumentais do Apanhador Só. O grupo, que é liderado por Alexandre Kumpinski, é dono de algumas sacadas dignas de enciclopédias e até de atualizações do dicionário da língua portuguesa. Afinal, vocês já ouviram falar de alguma banda que toca bicicleta como percussão? E o que significaria a palavra ou expressão “Balão-de-vira-mundo?”

Este é um daqueles casos em que a arte e a poesia criam um universo a parte. Onde o som de uma bicicleta, tocada como percussão, é um destes elementos que  agregam fantasia e uma dimensão que vai além do real. Dá um tom de estranheza que nossos sonhos tem.

A entrevista que publico abaixo é justamente com o Alexandre Kumpinski, o figura que dá voz, guitarras e algumas das idéias que compõem o criativo ambiente  da banda porto alegrense. Ambiente que resultou  em dois EPs e agora o álbum “Apanhador Só”, disco que com o nome do grupo deve abrir muitas portas, conquistar muitos ouvidos e  perdurar como uma das melhores referências do rock brasileiro.

1 -- Quais as referências que a banda sente presente ao longo das canções deste primeiro álbum?

Alexandre Kumpinski: É sempre muito difícil pra gente falar de referências já que a banda num geral é muito eclética. A gente ouve muita coisa diferente e não temos certeza de exatamente o quê a gente acaba usando na hora de compor as músicas e os arranjos. E a tarefa fica ainda mais difícil se pensarmos que esse primeiro álbum tem músicas feitas entre os anos de 2003 e 2008, o que é tempo suficiente pra abarrotar um quinquarel de referências e fazer a gente mesmo perder de alguma forma o norte do nosso próprio disco.

2 -- De onde vem inspiração para achar temas e este linguajar tão peculiar da música de vocês? Os temas, o linguajar  e as melodias  misturam simplicidade com muita articulação. Me fale também  como é a vida do Alexandre Kumpinski? Que sobrenome é esse?

Alexandre Kumpinski: A inspiração vem muito do dia-a-dia, de conversas com amigos, de fatos corriqueiros. Tem vezes que alguém diz uma frase interessante, que soa bem, daí eu roubo aquilo pra uma música e trabalho em cima. Às vezes é difícil, porque o processo de se chegar a algo simples é trabalhoso, apesar do aparente paradoxo que isso pode representar. Por exemplo, acabei de escrever uma frase complicada e pedante: “apesar do aparente paradoxo que isso pode representar.” Esse tipo de linguajar chato não faz sentido numa letra de música, e transformar essa frase em um verso simples, de fácil absorção, mas que tenha uma idéia minimamente interessante por trás, pode ser muito complicado. Num geral, penso que uma música deve ser boa de se ouvir, sem que se precise pegar a letra dela escrita. Às vezes imagino um sujeito num show da Apanhador tentando entender as letras que eu cuspo no microfone no meio dos decibéis jorrados pelos amplificadores e penso que uma letra ideal é aquela que tem o potencial de causar identificação imediata nesse sujeito que tá ali com uma cerveja na mão, pensando se vai ou não vai conversar com aquela guria que volta e meia olha pra ele. Essa imagem me ajuda a compor. Se me parece que pelo menos parte da letra vai fazer sentido pra esse sujeito, então fico satisfeito com a música.

Quanto à vida de Alexandre Kumpinski, bem…acho que é uma vida normal pra um sujeito de vinte e poucos anos, recém formado e que acha estranho falar de si mesmo na terceira pessoa. “Kumpinski” é um sobrenome judaico-polonês e só tem 6 pessoas que carregam ele de nascença no mundo, todos homens. O que parece ser uma espécie de piada cósmica, com o perdão da expressão.

Formação do Apanhador Só que produziu o álbum laçado este ano

crédito da foto: Rafael Rocha


3 -- O que você gosta de fazer em Porto Alegre? A banda tem momentos de discontração, fora a reunião para ensaios, shows e gravações?

Alexandre Kumpinski: Eu gosto de caminhar na rua. Principalmente no Bom Fim, que é o bairro onde eu nasci e passei a minha infância. Todos da banda tem outros compromissos além da Apanhador, o que faz com que a gente não se encontre tanto quanto a gente gostaria. Volta e meia jogamos bola juntos ou nos encontramos na noite (inclusive sem querer), mas as turnês acabam sendo o momento de maior descontração e entrosamento pra nós. As viagens são sempre ótimas e ter uma “rotina” igual pra todos faz com que nos aproximemos mais como grupo.

Apanhador Só -- foto do quarteto que lançou o primeiro álbum em 2010

4 -- O apanhador tem dois EPs que antecederam este disco. Gostaria de saber qual o critério para a escolha das canções que entraram no álbum.

O nosso disco foi financiado pelo Fumproarte, que é o fundo municipal de apoio à cultura aqui de Porto Alegre. A gente usou o “Embrulho pra Levar”, nosso primeiro EP, como demo pro primeiro disco que seria financiado. Isso fez com que ficássemos, de certa forma, presos às músicas do Embrulho. Então pedimos permissão pra mudar 2 dessas 5 músicas, pra que pudéssemos gravar mais músicas novas no disco. A permissão foi concedida e basicamente, então, a escolha do repertório foi norteada pela forma como inscrevemos o projeto nesse edital e pelo nosso gosto em relação às nossas próprias músicas. O Marcelo Fruet, produtor do disco, nos ajudou bastante na hora de tomar as decisões que definiram o repertório.

ASSISTA O APANHADOR SÓ TOCANDO A MÚSICA “NESCAFÉ”

5 -- Como está a cena musical em Porto Alegre? O que é relevante aí pra vocês de música alternativa produzida por aí? Tem alguma banda nova nascendo que vocês podem nos antecipar?

Alexandre Kumpinski: Me parece que deveriam aparecer mais bandas novas com gana de ganhar espaço na cidade. Tivemos um pequeno estouro de bandas novas entre os anos de 2003 e 2006, mas de lá pra cá me parece que seguem tocando sempre as mesmas. Claro que temos gente nova, mas me parece que tá na hora de aparecer um bando de bandas furioso, competente e sedento pra desbancar quem já tá “estabelecido” e chacoalhar um pouco as coisas no cenário. Enquanto isso não acontece, uma banda que está renascendo depois de uma aparição rápida e gloriosa pela cidade em 2005 -- e que por isso pode ser considerada uma banda “nova” -- é a Procura-se Quem Fez Isso.

6 -- E a bicicleta? Como vocês tiveram a idéia de usar a bicicleta como um artigo de percussão? Que símbolo charmoso pra vocês….

Alexandre Kumpinski: Foi tudo meio por acaso. Sempre gostamos dessas experimentações de tirar sons de objeto. Acho que conhecemos isso a partir do Hermeto, do Tom Zé. E tinha também o Felipe, que hoje é nosso guitarrista, mas que na época tinha uma banda genial que se chamava Verde Vilastra. Ele tocava ralador de queijo com uma antena de carro nessa banda e a gente curtia muito. Também tinha uma bateria numa música do disco “Longes”, do Vitor Ramil, que na verdade era uma gaiola de passarinho e uma chapa de bronze sendo percutidas. Todas essas e outras referências foram crescendo dentro da gente e chegou o dia em que a Carina veio aqui em casa ver um ensaio da banda. A gente ensaiava na garagem, onde tinha um monte de cacarecos guardados. Numa espécie de transe coletivo, começamos a batucar por tudo, tirando som de tudo quanto era objeto. A bicicleta tava no meio desse monte de tralha e acabou que a Carina entrou na banda como percussionista, naquele ensaio mesmo, já encaixando os sons das sucatas nos arranjos da banda. Antes disso éramos um power-trio de baixo, guitarra e bateria e mais tarde o Felipe iria completar o quinteto com uma segunda guitarra. Passamos, então, a levar essa percussão-sucata pros palcos e vimos como as pessoas gostavam especialmente da bicicletinha, que acabou virando o nosso símbolo.

7 -- Vem algum vídeoclipe por aí? ou um single em breve?!

Alexandre Kumpinski: Ainda não posso adiantar muitos detalhes (sob a pena de passar por mentiroso caso os planos não se concretizem), mas a idéia é lançar um clipe ao vivo, um clipe “gravado” e um DVD do show de lançamento do disco aqui em Porto Alegre, que foi um momento muito especial, felizmente gravado com grande competência pela Sofá Verde Filmes, que é quem tá produzindo esse material todo.

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O primeiro álbum do Apanhador Só está disponível para download gratuito no site oficial da banda: www.apanhadorso.com

Sobre Christian Camilo

Jornalista, editor do Rock 'n' Beats, produtor cultural do Espaço MOG e fotógrafo. sites umafotopordia.com // www.instiga.com // @chriscamilo80 // @fiznocometa

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2 Comentários

Existem atualmente 2 Comentários no Entrevista: Apanhador Só. Deixe seu comentário

  1. que gracinha… a entrevista hahaha

    como diria hebe

  2. esse site aqui é bom, viu?!

  3. [...] na capital gaúcha, quais os planos do quarteto para o segundo semestre, entre outros assuntos. Dá um olhada. Tags: 2010, Apanhador Só, Campinas, Entrevista, Porto Alegre, Rock 'n' [...]

  4. [...] é a segunda entrevista desses gaúchos para o Rock ‘n’ Beats. Desde então, a banda tocou em diversas partes [...]

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