O atual hiato do Bloc Party passa a impressão que está sofrendo do mesmo mal que atingiu o The Strokes. As duas bandas lançaram discos de estréia geniais, mas ainda que tenham mantido o sucesso, os álbuns seguintes não foram tão criativos. Mesmo a critica tendo feito vistas grossa e o público idem, a crise foi instaurada. Resultado: dar um tempo depois do fim da turnê, cuidar da vida, priorizar os projetos paralelos, enfim se distanciar do problema.
Assim fez Albert Hammond Jr. e seus companheiros de banda. Se isso realmente deu certo veremos quando o 4º trabalho do Strokes sair. Enquanto isso o Bloc Party está no inicio desse processo, e conscientes ou não, os ingleses estão seguindo a formula dos nova-iorquinos.
Já faz um tempo que o baterista Matt Tong não dá as “caras”, o guitarrista Russell Lissack lançou o 1º disco do projeto Pin Me Down, o baixista Gordon Moakes formou o Young Legionnaire com integrantes do The Automatic e La Roux, e finalmente Kele Okereke, que se lança em carreira solo com o álbum The Boxer.
Tudo neste 1º trabalho solo de Kele parece libertador. A começar pelo sobrenome Okereke que foi deixado de lado. Desde o single Banquet a música eletrônica sonda o ambiente, em Hunting For Witches e The Prayer do disco A Weekend in the City esta atmosfera também está presente e em Intimacy, a veia electro do Bloc Party parece prestes a explodir, mas essa explosão ocorre em The Boxer através exclusivamente de Kele.
A mudança para Nova Iorque, se assumir gay, a forma de encarar a imprensa e de levar a vida são reflexos dessa libertação. A opção pelo lançamento de um disco solo em si não demonstra ser uma escolha, mas uma necessidade. Até a guitarra limpa e funkeada de The Other Side chega ser metaforicamente freudiana.
A linha vocal previsível de Walk Tall não chega a comprometer a música, mas tira um pouco do brilho, mas logo a candidata a hit On the Lam e Tenderoni (o hit) permitem que o ouvinte abaixe a guarda ou controle a ansiedade pelo que está por ouvir. Os “sons” que abrem The Boxer ditam a variedade de ritmos do disco, ainda que envoltos em formulas gastas da dance music.
Sim! É possível notar o Bloc Party em vários momentos e isso se deve porque o Bloc Party tem muito de kele Okereke. Mas em The Boxer, o que se sobressai é apenas Kele.














julho 31, 2010 às 10:09
Nossa, achei que este álbum não tem absolutamente nada a ver com Bloc Party… bem diferente de alguns que se lançaram solo, como Marcelo Camelo, que tem um “quê” de Los Hermanos em suas músicas