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Resenha: Shadows – Teenage Fanclub é o tipo de banda que todos os discos são perfeitamente iguais

Postado por Rafael Martins. Posted in Resenhas

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Publicado em 10 julho, 2010 - Nenhum Comentário

As melodias assoviáveis do Teenage Fanclub pouco foram executadas no século XXI. Sem contar Words Of Wisdom And Hope gravado ao lado de Jad Fair, tanto Howdy! de 2000 e Man-Made de 2005 tem vários momentos que faz o ouvinte balança a cabeça para cima e para baixo dizendo sim enquanto deixa escapar um leve sorriso, mas inspirados, os escoceses estavam no período de 90 a 97 em que A Catholic Education e Songs from Northern Britain foram respectivamente lançados. Em Shadows a boa e velha forma é retomada, agora menos urgente é certo, isso talvez porque Gerard Love, Norman Blake, Raymond McGinley e Francis MacDonald (formação original que nunca havia gravado um disco completo) já estão na casa dos 40, provavelmente casados e com a vida estável. Definitivamente, esta é o tipo de banda que entra na prateleira em que todos os discos são perfeitamente iguais.

Certa vez li uma resenha, não lembro se foi do álbum Thirteen ou do Grand Prix, escrita pelo Alexandre Matias (não tenho certeza) que afirmava que a critica britânica “desceu o pau” no Teenage Fanclub porque a banda nunca sairia do Love Me Do e que jamais faria um disco como Revolver até chegar a um Stg. Peppers. A referencia a Beatles faz todo sentido, mas reafirmando o que foi escrito no final do primeiro parágrafo, a utilização da mesma formula é um dos atrativos do Teenage Fanclub. Além disso, evolução e renovação nem sempre andam ou precisem andar juntos.

Ao lado de Love Me Do é justo incluir The Byrds fase Mr. Tambourine Man, Buffalo Springfield e Big Star, do falecido Alex Chilton. Os escoceses já foram catalogados como Class of 86, Shoegaze, Bripop, mas no fundo eles sempre foram folkrock, às vezes com o volume das guitarras mais alto e em outros momentos açucarados demais.

Por toda parte há arranjos de cordas e metais que devem pegar de cheio alguns dos seguidores do Belle & Sebastian. O som nostálgico do teclado hammond, a simplicidade das levadas ao violão, as linhas de vozes quase ingênuas e até a guitarra haviana em Today Never Ends soam compactos e contidos no ponto certo para que as canções de Shadows causem o efeito ideal que não vai muito além daquele momento, em que como uma brisa, a paz toma o individuo sem um grande por que.

O grande mérito de Blake, Love e McGinley é permanecerem juntos por mais de duas décadas sem que a vaidade interfira e apague a sutileza de músicas que não almejam atingir mais que um punhado de pessoas. Este não é um disco para angariar novos fãs, essa preocupação em ser hype, o Teenage Fanclub deve ter deixado lá pelos tempos do disco que ilustrava na capa um saco de dinheiro sob fundo rosa (Bandwagonesque).

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