
Preguiça digital, falta de tempo ou comodismo mesmo, chame como quiser, o fato é que entrevistas por e-mail têm o lado bom e o lado ruim. Lado bom: não é necessário edita-las, as distâncias são minimizadas e saem por um custo praticamente zero. Lado ruim: não tem o “olho no olho” e se o entrevistado não cooperar a entrevista perde o porquê.
Enfim, este não foi o caso em que a informação se perdeu, ainda que não tenha o calor de respostas imediatas, Pellê expôs um pouco da intimidade da Venus Volts em entrevista exclusiva para o Rock n´Beats, mas acima de tudo deixou a duvida sobre o futuro da banda.
Esteja ele “jogando verde” ou exercitando seu lado marketeiro, não é o ponto principal da questão, parece sim que as circunstâncias levaram a VV a esse momento de incógnitas, mas fica para cada um a interpretação que mais lhe convém.
Mas para evitar qualquer possível lacuna em algumas respostas, siga o conselho do Pellê: “Acabou? Tem certeza? Melhor você ir ao show sábado, hein!”

Rock n´Beats -- Como foi o processo de gravação do Venus Volts is Dead?
Pellê - Foi um processo bem tranquilo. Algumas reformulações nas músicas que já tocávamos há algum tempo e que iriam entrar no disco e trabalho em cima das novas composições. Tentamos dar uma uniformidade ao disco. Acho que alcançamos esse objetivo.
Em VV is Dead tive a impressão das músicas estarem mais dançantes do que ao vivo, vocês de fato injetaram mais groove ou é apenas impressão?
Não é só impressão, não. Realmente, alteramos um pouco o estilo das músicas, pois a nossa tendência atual é essa: algo mais dancefloor. Além disso, é mais fácil segurar o Du (batera) no estúdio do que ao vivo hahahahahah. Com isso, como eu disse acima, as músicas, digamos, mais antigas ganharam roupagem nova e entraram nessa linha que o disco tomou.
Você é o principal compositor, certo? Como é esse processo, você criou algum método ou a inspiração vem do acaso?
Sim, sou o principal compositor. Na realidade, nesse disco, o único compositor, dividindo algumas letras com a Trinity. Não tenho um processo eleito para compor. Acho que fica mais ao acaso mesmo ou ao sabor do momento que estou vivendo. Apenas tenho uma tendência a gostar mais do que é mais melódico e, por vezes, mais melancólico. Dou ênfase às melodias dos vocais em primeiro lugar. De resto, é ao acaso mesmo.
Em VV is Dead é possível notar um cuidado com arranjos, na hora de trabalhá-los é algo que você faz sozinho ou em banda? E como funciona, é diferente, por exemplo, de como compor uma canção e a letra?
O processo desse disco rolou da seguinte forma: eu compunha as músicas, com as melodias de vocal, e, normalmente, com as letras. Mostrava para todos e, partindo dessa concepção inicial pronta, cada um podia dar suas contribuições para a música e, nesse aspecto, acho que quem mais desenvolveu novidades dentro das músicas foi o Filipe, que encaixou suas guitarras perfeitamente, acrescentando muito à uma boa parte delas. Houve, também, a participação do produtor que contratamos que deu alguns bons toques na produção final das composições, especialmente, nas levadas de algumas bateras.
Ainda em relação ao disco, notei algumas influencias como New Wave e Queens of the Stone Age. A banda conseguiu chegar no som que queria?
Para esse disco, sim: chegamos onde nós queríamos. Mas as coisas acontecem rápidas e as idéias novas já estão com outras direções. Não que estejam fora do que esse disco trouxe, mas há concepções novas aparecendo e sendo trabalhadas. O mais engraçado é que muita gente fala do QOTSA quando se refere à gente, mas é uma banda que, apesar de gostarmos, conhecemos pouco para dizer que é referência. Eu compus essas músicas sem nem conhecer o som deles. Conheci depois que ouvi muita gente dizendo que, de alguma forma, lembrava QOTSA. Aí, fui ver o que era com mais calma.
Quanto à new wave, eu diria que há mais referência 80′s remodeladas da forma que encontramos para encaixar no nosso som.
Muitas das bandas que estão em destaque na mídia hoje são ligadas a agências, vocês pretendem fazer isso? E como trabalham a divulgação da banda já que desde o Fluid vocês têm alcançado resultados excelentes, de participar de trilha sonora de filme gringo a ser tema de abertura de programa na MTV?
Pois é… isso é quase um slogan nosso (o fato de não termos nenhum tipo de apoio efetivo). Sempre digo que chegamos até aqui por conta do som/música, não por contatos ou amigos que temos. Claro, com o tempo surgiram alguns parceiros como o Rock ‘n Beats, mas isso se situa mais na parte da divulgação final do que já foi feito.
A verdade é que eu sou uma espécie de produtor da banda. Então, tudo que conseguimos foi através da apresentação do som e de conversas minhas (na maior parte). E eu não sou um cara que está na noite direto. Raramente saio. E, ainda assim, as coisas acontecem para nós.
Não ficamos planejando se vamos ou não nos ligar a uma agência/selo/coletivo/gravadora/whatever. Não temos absolutamente nada contra. MUITO pelo contrário: deve facilitar bem uns trâmites e seria muito bem-vindo.
Vamos ver se com o lançamento do disco surgem propostas por aí.

Qual foi o momento mais marcante nesses dois anos de VV e qual você prefere esquecer?
Respondendo muito pessoalmente a pergunta, para mim o momento mais marcante foi a nossa participação no Motomix, em 2008. Aquilo foi absolutamente fora do normal para uma banda independente. Infelizmente, naquele momento, o Filipe ainda não estava na banda (seria a cereja do bolo), mas, ainda assim, foi por demais especial.
Mas tivemos muitos outros ótimos momentos. A esmagadora maioria deles. Grandes festivais independentes pelo país, nossa passagem bem expressiva pela MTV. Enfim. Os momentos que eu prefiro esquecer já foram esquecidos…rs Não são dignos de menção! hahahahah
Certa vez vi vocês se abraçando antes de subir ao palco, como é essa relação entre os integrantes, existe um sentimento que vai além da música ou é algo focado apenas na banda?
Acho difícil você produzir algo efetivo numa banda se não houver mais do que profissionalismo entre os integrantes. Sim, sempre fomos muito ligados uns aos outros. Du e Dinho estão comigo há 8 anos (é quase uma década). Somos, antes de mais nada, grandes amigos. A Carol (Trinity) foi acolhida que nem criança na banda (já que ela é pequena e toda frágil) e Filipe é um cara nota mil. O abraço antes de subir no palco e antes de descer, também (você perdeu essa parte??? rsrsrsr) é reflexo disso. Não tenho nenhum interesse em estar numa banda exclusivamente “profissional”.
A banda alcançou o que desejava nesses dois anos?
Eu diria que 90%, sim. Faltou exterior. Mas, foi mais o acaso que (ainda) não nos levou para lá do que falta de perspectivas.
Como pessoa e como musico, o que vocês levam desses nesses anos de VV?
Acho que o “do it yourself” foi, mais do que nunca, aplicado nesses dois anos de banda. Isso nos traz orgulho! Fora isso, a gente deu risada “prá caceta”, conheceu o Brasil todo e realizamos vários de nossos sonhos como banda. Precisa algo mais?
A banda pretende fazer algum trabalho de divulgação ou vão apenas disponibilizar o CD?
Vamos apenas disponibilizar o disco através de diversos sites e blogs. Depois de tudo que falei acima, é fácil perceber que a gente confia nas músicas. Então, por ora, é o suficiente para nós.
Qual a sensação de lançar um disco de uma banda que já acabou? E o que você senti em relação ao fim do VV?
Acabou? Tem certeza? Melhor você ir ao show sábado, hein!! Quem sabe vc não tem uma surpresa!!! rsrsrsrsrs
Difícil dizer se a banda vai acabar mesmo. Há dois meses atrás eu dizia que sim. Talvez acabe para os palcos. Talvez não. O fato é que vou continuar fazendo músicas para a VV (e para projetos paralelos, seja solo, seja em banda nova). Então, de alguma forma, acabar não acaba.
Tudo vai depender da repercussão do lançamento do disco. Se não houver repercussão nenhuma, é provável que acabe, e acabará com a sensação de que fizemos o que tinha que ser feito.
Mesmo com um futuro promissor para a banda a Trinity não vai continuar a tocar com vocês. Essa foi uma opção dela? E qual o motivo?
Foi uma opção dela, sim. Total. Por conta de questões particulares dela, relacionadas à saúde. Ainda bem que agora ela já está recuperada e querendo cantar de novo. Seja na VV (mais uma dúvida para vc, hein…rsrsrs), seja em outra banda ou sozinha mesmo, espero que ela continue cantando sempre!
A Trinity vai participar do ultimo show?
Ela está com vontade de participar, sim. Para a VV seria ótimo. Para nós, pessoalmente, nem se fale. Vamos ver o que acontece. Esse show de sábado vai ser foda!! hahahah
Como a banda lidou com esse processo de transição do VV para nova banda?
Pois é… como eu disse acima, nem a VV sabemos se transitou mesmo para algum lugar ainda…rs
Mas a banda nova, encabeçada pelo Filipe, tem ótimas composições, numa linha até que a VV estava começando a seguir, só que, como é uma banda nova, já saiu do ponto que queria, sem precisar de uma transição. O Filipe fez músicas excelentes!!! Aí eu comecei a fazer algumas naquela linha e saiu mais uma, que mandei para ele e ele deu o corpo para a coisa. Ao todo, devem ter umas 5 músicas prontas.
Esta é a terceira vez que você, Dinho e Du iniciam uma banda, qual é a motivação?
A motivação (do lado musical da coisa) é, em primeiro lugar, pessoal de cada um. Ou seja: fazemos e tocamos as músicas porque gostamos de ouvir! Então, qualquer projeto novo já parte de uma premissa ótima para funcionar.
Além disso, a amizade é primordial para essa sequência. Como eu disse, são quase 10 anos juntos. Rola nem que seja para tomar cerveja…!!rsrsr
Para você a nova banda já existe ou passa a existir a partir de agora com o show da VV?
A nova banda é independente da VV. O fim ou continuação da VV não afeta a nova banda. Podem existir juntas.
Você já adiantou a nova banda é uma incógnita, mas há algo que você possa adiantar?
Ainda é um projeto em desenvolvimento. Não dá para falar muito. Nem mesmo sabemos quem vai ficar ou quem vai sair. Precisamos parar, descansar, sentar e discutir o que cada um pretende com essa nova banda. Música, tem!!
Download -- VENUS VOLTS IS DEAD?

Álbum: Venus Volts – Is Dead? (2010)
1. Venus Volts – Crucify and Burn Me (4:03)
2. Venus Volts – The Lover Was a Faker (2:47)
3. Venus Volts – Sputter, Sam and Jô (2:25)
4. Venus Volts – In Gold We Trust (3:15)
5. Venus Volts – Outta Vision (4:28)
6. Venus Volts – I’m a Liar (3:34)
7. Venus Volts – Butterflies (3:09)
8. Venus Volts – These Kids (3:58)
9. Venus Volts – Black Corvette (2:57)
10. Venus Volts – Paper Boards (3:33)
11. Venus Volts – Emily Robot (3:10)
12. Venus Volts – Hopeless Days (2:57)
O download contém o encarte do álbum e as letras das músicas.
* Confira a página de dowload com detalhes sobre o álbum clicando aqui!













julho 23, 2010 às 16:00
[...] This post was mentioned on Twitter by Izadora Pimenta, Rock 'n' Beats, Mylla Fox, VENUS VOLTS, Filipe Consoline and others. Filipe Consoline said: RT @rocknbeats: Entrevista: Venus Volts acabou? Tem certeza? http://bit.ly/bSWbfU [...]
outubro 15, 2010 às 15:34
[...] alegria dos fãs o Venus Volts não acabou, lançou o seu belo primeiro álbum poucos meses atrás e agora promete novidades até o final do [...]