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Entrevista: Daniel Peixoto

Postado por Carlos Henrique Caetano. Posted in Entrevistas, Nacionais, Rock 'n' Beats

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Publicado em 28 julho, 2010 - Nenhum Comentário

Por Carlinhos (Descontrole)

Contribuíram Maíra Baccaro e Gustavo Bregalda (Kitnet)

Daniel Peixoto está com a corda toda em sua carreira solo. Divulgou algumas músicas novas na internet, acabou de lançar o single de Come To Me por meio de um clipe e um disco com 15 diferentes remixes feitos por algumas das maiores figuras da música eletrônica brasileira (que estarão também participando do álbum que será lançado no final de agosto) e está bombando na MTV. O artista, que já fez parte do Montage (ao lado de Leco Jucá), veio a Campinas mais uma vez no último fim de semana para participar da comemoração dos dois anos do Kitnet Bar (onde já havia se apresentado outras duas vezes). Daniel conta na entrevista. feita com exclusividade para o Rock’n’Beats, que Campinas faz parte de sua história. Acompanhe a seguir:

Rock’n’Beats: Larry Tee está no Brasil. Você contou a ele sobre o significado do Flei?

Daniel Peixoto: O Larry vai lançar o meu disco pelo selo dele. Quando eu fiz a música, primeiro eu mandei para todos os artistas que eu cito pra ver se eles topavam. Ele adorou a música, mas nunca quis saber o que era e eu também nunca me preocupei em explicar o que era, ficou por isso mesmo (risos).

Ele vai gostar mais quando ele souber, com certeza! Conheci o Larry em 2005, quando ele foi a São Paulo pela primeira vez a convite da Lalai, amiga minha. Ele viu um show do Montage na Casa dos Criadores e assim que acabou ele foi lá cumprimentar, disse que tinha adorado…

Quando a gente começou a gravar o segundo disco do Montage a idéia era lançar pelo selo do Larry. Mas aí o Montage acabou e, no ano passado, a gente passou dez dias juntos na casa de uma amiga no Rio. Eu disse pra ele: ‘estou começando a gravar o meu disco só, quando eu terminar vou te mandar e se tiver interesse você lança’. Há uns dez dias atrás eu mandei o disco e ele respondeu em vinte minutos dizendo que tinha adorado, que iria lançar o disco, sim. Essa vinda dele foi mais pra selar isso. Ele está aqui em Campinas essa semana, a gente vai tocar no Rio quarta (28/julho) e voltamos pra São Paulo pra tocar no sábado.

Então vai ser massa ele viajar comigo, ver o show com repertório novo, porque, por mais que ele tenha ouvido o disco, a coisa do ao vivo é onde o bicho pega, né? Eu queria ter os mesmos contatos que ele. Lá de São Paulo ele vai pro Japão e era o que eu queria pra mim. O disco já vai ser lançado mundialmente no dia 28 de Agosto pelo I-Tunes Store e em Setembro a gente lança as cópias físicas.

(também não sabe o significado de Flei? O Rock’n'Beats publicou aqui)

Recentemente você lançou o single de Come To Me?

Foi. Esse single foi lançado de forma independente, não teve gravadora. Como o disco era pra ter saído em maio, a galera fica cobrando muito e eu tenho essa dívida de honra com os fãs, então eu chamei quinze pessoas pra remixar, mandei prensar mil cópias do disco (que já está na segunda prensagem, vai pra duas mil), fiz as camisetas,enfim, está rolando super! O clipe está na MTV, a faixa está entrando em coletâneas do mundo todo. Essa semana sai uma coletânea chilena.

O Flei também está rodando o mundo, né?

O Flei entrou na Tropicaos, uma coletânea alemã e na semana que vem sai em outra, também da Alemanha. O pessoal fez o funk bombar na gringa e agora é o tecnobrega do Pará.

Você tem outros tecnobregas?

Eu gravei mais duas, mas não é pro meu repertório. É para a Gabi Amarantos, diva do tecnobrega lá no Pará. Ela está bombada, assinou com a Som Livre. Eu adoro! Acho que a nova história do Brasil pro mundo é o tecnobrega. Com certeza, a partir do momento em que as pessoas entenderem o que é que se canta, aí é que a coisa vai ficar mais forte.

Como foi estar a frente de um carro na Parada Gay deste ano?

Foi ótimo! Ano passado esse carro já existia e eu também fiz a parte de organização com o pessoal da Crew, indiquei o line up. É um pouco difícil porque envolve muita coisa burocrática, Abramos, Ecad, essas coisas de direito autoral, alvará. A galera acha que é só chegar com o trio e tocar mas tem uma parte muito chata e que talvez eu não tivesse feito se soubesse que iria ter esse tanto de trabalho. Mas a resposta foi linda! Eu nunca tinha cantado pra três milhões de pessoas. A música tema fui eu que gravei e ela tinha a obrigatoriedade de ser repetida um número X de vezes em todos os carros.

Quando a parada acabou a galera tinha passado o dia inteiro ouvindo a música e eu cantei, foi massa. O line up desse ano eu escolhi a dedo, só amigos, a idéia era misturar os gêneros, inexplicável, só quem estava lá é quem sabe mesmo como foi. Talvez eu não fosse pra parada se fosse pra ficar lá em baixo, lá de cima a gente vê muita coisa bizarra, ao mesmo tempo eu adoro essa coisa de multidão, de coletivo, porque todo mundo ali está vibrando numa mesma sintonia, como num jogo de futebol, como no réveillon que, por mais que a pessoa tenha uma índole ruim, ali todo mundo está querendo a mesma coisa, acaba que a energia vira uma coisa só que, no caso da parada, há um intuito político e um pouco de carnaval, também, todos com a mesma idéia.

O que você acha das críticas que a organização recebe pelo fato de sua realização se dar na Avenida Paulista e pela distribuição gratuita de camisinhas?

Isso é ridículo! Isso é coisa de gente homofóbica. A Parada, pela visão político-empresarial, só trás benefícios pra cidade. Eu moro na avenida paulista e não escutei ninguém reclamando no meu prédio sobre aquilo. O evento acontece em horário comercial e todos os dias da vida às cinco horas da manhã começa a putaria, com Parada Gay ou sem Parada Gay, é a mesma zoada. Os hotéis, todos, ficam cheios, há aquecimento nas vendas do comércio e há a promoção da democracia! Todo mundo que chia com essa coisa da distribuição do lubrificante ou da camisinha faz o mesmo que apoiar a transmissão de DSTs. Pelo amor de Deus! Esse povo que fala isso não faz sexo? É porque não tem o que falar então pegam ganchos do tipo ‘essa grana é dinheiro público’.

Que bom que ainda há uma parte desse dinheiro que utilizada em algo positivo pro coletivo! Não é porque é gay: nas micaretas e no carnaval todo mundo está ali pra se comer do mesmo jeito. O número de gravidez e transmissão de doenças pode ser maior quando as pessoas não tem preservativo de graça. É coisa de gente com a cabeça vazia que quer achar problema onde não existe.

Num programa da MTV, uma vez, você recomendou a um jovem homossexual que fosse a uma balada e bebesse um pouco para ter coragem de se soltar e começar a se relacionar com homens. Você acha que o álcool esteja ligado ao universo homossexual?

Tem duas coisas que ajudam muito nas relações humanas: a internet e o álcool. Eu não acho que isso esteja limitado ao mundo gay, não, todo mundo é assim. Eu também não levanto a bandeira do álcool, não acho que seja necessário. Eu bebo porque não quero ficar de cara, mas eu conheço muita gente que também funciona muito bem sem álcool (risos). Isso vai de pessoa pra pessoa!

Uma vez você deu uma entrevista dizendo que o lugar mais estranho que você tocou foi dentro de um armário. Esse lugar era em Campinas!

Foi! Cara, eu tenho um carinho enorme pelo histórico do Clube Informal. Eu tinha acabado de chegar em São Paulo, meu trabalho ainda não tinha abrangido o número de pessoas que é o meu público hoje. O Matheus, o Alcides e a Carol foi a primeira galera que apostou, mesmo! Há um mês atrás eu toquei com a Love Foxxx, desde que o Cansei havia estourado na gringa nunca mais eu havia me encontrado com ela, aí eu falei: ‘Luiza, lembra de um show que a gente fez que o palco era dentro de um armário?’. Ela é daqui de Campinas e não lembrava de ter feito esse show! Ela tocou no Informal no mesmo dia que nós, eu falei ‘Como não lembra, gata? Aquilo teve um valor histórico tão grande pra mim porque, como artista, eu tive como testar onde eu consigo arrasar, mesmo que seja dentro do armário’. Aí eu acabei saindo do armário (risos) e fui pra platéia!

Ouça as músicas de Daniel Peixoto mo MySpace e baixe no TramaVirtual. Siga o @danipeixoto e ouça o single de Come To Me na Oi Novo Som.

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