
Por Carlinhos (Descontrole)
Desde o modernismo que se fala sobre cultura antropofágica aqui nas terras tupiniquins. A mistura presente na música brasileira teve seu o ápice com o movimento tropicalista, quando a juventude intransigente ocupou os palcos dos festivais e revolucionou a MPB. Caetano, Gil, Tom Zé e Mutantes estavam a frente de sua geração e são, até hoje, referência do pop nacional. Esse movimento manteve-se fértil no chamado Rock Brasil dos anos oitenta quando grupos como Asdrúbal Trouxe o Trombone e Titãs levavam a antropofagia para os palcos e discos. Guitarra elétrica, poesia concreta, macumba, baião, urbanidade e política se reuniram nas obras de artistas que objetivaram por meio de seu trabalho os anseios de seu tempo.
Nos anos noventa Karnak e Pato Fu são os mais relevantes representantes dessa mistura que foi responsável por universalizar a música brasileira e fazer com que ouvidos atentos do exterior se voltassem para a Terra de Santa Cruz. David Byrne, Beck, Devendra Banhart, Sean Lennon e Manu Chao são alguns dos que fazem campanha pela música brasileira lá do lado de fora.
A década que acabou de terminar abriu com Los Hermanos e o boom de excelentes bandas independentes cantando em português. Ludov, Pullovers e Cérebro Eletrônico continuam levantando a bandeira da antropofagia e um destaque do ano passado, fechando o ciclo de excelentes produções, chama a atenção por reavivar um estilo que manteve-se hibernado desde quando os Titãs começaram a trilhar um caminho mais grunge e noveleiro e se afastaram da poesia concreta: o disco A Passeio, da banda mineira Porcas Borboletas, figurou entre as listas de melhores do ano e chegou a marcar presença em discussões sobre os melhores da década.
A criatividade e a irreverência do Porcas Borboletas surpreendeu o cenário independente que, até aqui, vinha percorrendo uma linha mais séria (exceções como Vídeo Hits não seguiram adiante). Com o disco Um Carinho com os Dentes (2005), a banda criou hits marcantes para o circuito independente, como Cerveja (que pode ser ouvida aqui).
Em 2009 a banda gravou a música tema do filme Nome Próprio (Murilo Salles) que entrou para o set de seu segundo disco, A Passeio, elogiadíssimo pela crítica musical. Em 2010 a banda esteve no Festival Brazil, em Londres, e tocou para o público que aguardava a apresentação d’Os Mutantes. Banzo escreveu no blog da banda: “a reação das pessoas vai muito além do que imaginávamos. Teatro é olho no olho, não tem mentira. E os olhares nos transmitiam espanto, beleza, susto, prazer. Não sabíamos ali quem era brasileiro quem era gringo. Fato é que a nossa sensação era de falar para o desconhecido. E o desconhecido se deliciava com nossa linguagem. E a gente se deliciava com o desconhecido”.
Além de Enzo Banzo (voz e violão), a banda conta com Danislau Também (voz), Moita (guitarra e voz), Rafa (baixo), Ricardim (barulhos, sopros e teclados), Vi (bateria) e Jack (percussão), uma formação que também lembra a supracitada oitentista Titãs. Essas referências não são deslocadas. A banda musicou um poema de Arnaldo Antunes e o tem como um de seus fãs. Leandra Leal, estrela do filme Nome Próprio, e Arrigo Barnabé participam do disco que a banda lançou em 2009 (se você ainda não ouviu o álbum, clique aqui para baixá-lo).
Ricardim filmou e editou o clipe da música que dá título ao último trabalho da banda:
“Tem gente que lê Thomas Hobbes, gente que fuma cannabis, gente que ora pro nobis, gente que dá o forevis” e gente que ouve Porcas Borboletas. Acompanhe o trabalho da banda pelo site oficial e pelo MySpace. Não deixe de conhecer um pouco da trajetória dos mineiros em seu antigo blog. Explore A Passeio.













agosto 26, 2010 às 14:18
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setembro 25, 2010 às 09:09
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