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Descobertas N#30 – Valentinos

Postado por Christian Camilo. Posted in Rock 'n' Beats

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Publicado em 06 agosto, 2010 - Nenhum Comentário

crédito da foto: Felipe Neves

Quem já ouviu falar de um ator chamado Rodolfo Valentino? A história por trás deste personagem envolve uma trajetória de muitos osbtáculos e dificuldades até a ascenção como primeiro simbolo sexual do cinema norte-americano. A popularidade  e o reconhecimento de público e crítica veio graças a uma soma de talento, sorte e persistência. Aliás, no ramo da cultura e da arte persistência, coragem e sorte são componentes indispensáveis ao talento. E pode parecer bobeira mas não é – a força de um nome  ou sobrenome também pode fazer toda diferença na ventura e personalidade de uma pessoa.

Inspirados na história de Rodolfo Valentino, nasceu os Valentinos. Banda que surgiu em 2008 em Porto Alegre e que no início deste ano lançou seu primeiro álbum chamado “Avante” – um disco com muita personalidade e forte influência do rock britânico dos anos 90 de bandas como Supergrass, Oasis… no caso, a comparação com esta última chega a ser inevitável em algumas faixas como “Plano de Vôo” e “Mais que Nunca”.

Foi em conversa com a banda que descobri essa história tão bacana que envolve a escolha do nome “Valentinos“. Publico a baixo a entrevista com Jonts (voz/guitarra) e Froppa (guitarra) onde ambos dão mais detalhes da produção do “Avante”: influências e a mentalidade que marcam o som do grupo.
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1 – Qual a história desse nome, “Valentinos”?

Foppa: Valentinos vem de uma homenagem ao Rodolfo Valentino, um grande ator dos anos 20. Dizem que foi o primeiro símbolo sexual do cinema, teve um início complicado, ralou muito até chegar aonde queria. Quando li sobre o cara, vi uma relação muito forte entre o passado dele e o começo de uma banda, tipo, ele passou por “poucas e boas”, igual qualquer banda de rock botando o pé na estrada pela primeira vez.

Jonts: Tem também o lance do significado da palavra que a gente acabou pesquisando depois, do latim: valente, valoroso, forte. Essas são características que a gente acredita que uma banda de rock deve ter. Além do mais, soa bem pra caramba.

2 – A banda é de Porto Alegre? O “gauchês” é bem forte na banda.

Foppa: A banda é de Porto Alegre, sim, e sobre a questão do forte “gauchês”, certamente é uma coisa marcante na banda. Temos pais com um envolvimento muito grande com a música nativista, nos criamos com esse estilo de vida. Churrascada, chimarrão, gaita e violão com certeza esse espírito sempre estará presentes nos Valentinos.

3 – Além de Oasis, que outras referências vocês sentem bem presentes no álbum de vocês? Como o rock nacional contribuiu para a produção desse disco?

Foppa: Bom, existem muitas bandas que usamos de referência pro disco, Supergrass é uma delas. Ian Brown, também… Mas o mais legal no lance das referências é que não ficamos só com a parte sonora, também tentamos criar uma energia “de um primeiro disco” sem perder o romantismo. Gosto das bandas que tem um primeiro disco mais “pegado” em relação à discografia subseqüente, por isso exploramos ao máximo esse momento mais jovem da banda junta gravando um disco. E nada como usar todas aquelas bandas que nos marcaram na década de 90.

A influência nacional também é grande. Rola muito de Mutantes e aquela pilha de gravar com equipamentos diferentes, ligar pedal de guitarra no teclado, essas coisas a gente costuma fazer bastante. Gostamos muito dos primeiros discos dos Titãs, dos Paralamas, e por ai vai uma lista enorme.

Jonts: Os Raconteurs nos influenciaram bastante. Supergrass também, como o Foppa comentou. Temos muitas influências, cada integrante traz algo diferente. Acabamos no britrock por causa da forte influência que a cena roqueira inglesa dos anos 90 trouxe pra todos nós e influenciou nossas vidas e, por isso, nossas canções. Mas podemos dizer que toda e qualquer influência é importante pra banda, desde as músicas que ouvíamos quando eramos crianças até os dias de hoje. Prova disso é a faixa Vinhos e Trovões. Praticamente um jazz no meio do disco, que destoa completamente do rock britânico de Manchester.

4 – Como foi a produção do Avante? Quanto tempo levou? As canções já existiam antes do processo de gravação?

Foppa: Fizemos uma pré-produção em um sítio, só a banda, pra só depois entramos em estúdio com o nosso produtor Ray Z. Até mandarmos para a master que foi nos Estados Unidos, foram uns 10 meses. O álbum saiu um ano depois do dia que entramos em estúdio pela primeira vez.

Jonts: Em relações às canções, cada uma teve seu tempo. Algumas foram compostas durante a pré-produção, outras assim que a banda se formou, e algumas delas, como é o caso de Verão, eu compus durante a minha adolescência, muito antes de sequer ter uma banda. O fato é que nunca existiu uma ordem. As músicas foram entrando pro repertório naturalmente, enquanto outras acabaram saindo. Tivemos tempo de experimentar bastante antes de fecharmos as onze faixas do disco.

5 – Os músicos da banda estão envolvidos com outros projetos ligados à música? Como vocês avaliam o atual cenário do rock gaúcho?

Foppa: A gente ta sempre envolvido com música. Atualmente, ninguém tem outro projeto sério, paralelo, além da banda. Os Valentinos exigem muito da gente no momento. A demanda ta grande e isso é legal por um lado.

O lance de falar sobre uma cena é sempre complicado. As coisas aqui no sul estão mudando bastante, mudando pra melhor. Tem várias bandas legais cada vez mais próximas uma das outras e do grande público. Produtores e casas noturnas também estão cada vez mais ligados nas bandas de rock. Dá pra sentir que, se continuar assim, muitas dessas bandas farão história.

Jonts: Sempre estamos ligados à música, dentro e fora dos Valentinos. É sempre bom conviver e tocar com pessoas diferentes, de fora da banda, porque isso traz novas idéias, novas influências. Um belo exemplo é o Império da Lã: uma banda sem formação fixa aqui de Porto Alegre, que junta todos os músicos roqueiros que pode a cada show e faz uma festa em cima do palco, e onde a gente adora tocar de vez em quando. Sobre o cenário, concordo com o Foppa, o momento é bom pro rock gaúcho.

6 – Poderiam me indicar alguma banda ‘recem descoberta’ por vocês?

O EP da WannaBe Jalva já é bem conhecidinha nos blogs, mas os shows da banda só pintaram agora por aqui, por isso, ela se encaixa entre as boas “recém descobertas”. Aliás, baita show!

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Myspace dos “valentes” Valentinos: www.myspace.com/valentinosrock
E a minha preferida por lá é a faixa “Tardes Frias”.

Sobre Christian Camilo

Jornalista, editor do Rock 'n' Beats, produtor cultural do Espaço MOG e fotógrafo. sites umafotopordia.com // www.instiga.com // @chriscamilo80 // @fiznocometa

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