(Por Vinícius Cunha)

Na noite chuvosa do dia 06 de agosto o Circo Voador recepcionou mais uma vez os capitães do cerrado, o Móveis Coloniais de Acaju. A banda trouxe como novidade a participação de Mallu Magalhães – bem mais madura do que quando a conhecemos -- e ainda contou com a abertura do Sobrado 112 nitidamente influenciado pela high life, estilo que reverbera na produção do Vampire Weekend, ou por própria denominação da banda, o estilo Skapolca.
Chovia em boa parte da cidade, quando as pessoas começavam a esperar na fila que dava acesso à casa. A ansiedade pela entrada fez com que se esquecesse a chuva e apenas se pensasse na liberação da entrada. Com o acesso liberado era hora de curtir a sexta-feira de diversão que estava por vir.
O Sobrado 112 iniciou os trabalhos e sem dificuldade já entusiasmou a platéia que já se aglomerava e com dança espantava os estragos da chuva. Faixas como Café e Grajaú são cartões de visita para os que não conheciam a banda. A mistura do ritmo jamaicano com a polca, adicionado às distorções dos instrumentos, que se mesclam a efeitos nos vocais compartilhados pelo guitarrista Victor Gottardi e por Leandro Joaquim, trompetista, surpreendeu o público. Pode-se notar referências do Fino Coletivo e Cidadão Instigado na sonoridade da banda, o que forma um entusiástico panorama para o estilo.
Enfim era hora de Móveis Coloniais de Acaju. Com uma espera razoável e a platéia já aquecida, a feijoada búlgara ganhou o palco. E em Café com leite, faixa de abertura, o jogo já estava ganho. O grupo combina facilmente música e dança, e coloca a platéia no papel principal pela interação, mesmo que o som prejudicasse desde o início do espetáculo a troca.
Luzes que respondiam ao chamado do vocalista André Gonzales marcavam o ritmo de raridades como Cego e Menina Moça (de Idem, álbum de estréia da banda), que há tempos andavam perdidas nas apresentações. As coreografias de André ditavam o ritmo e iam desde a dança do ventre típica de Perca Peso até as inesperadas brincadeiras com o igualmente hiperativo Xande Bursztyn, trombonista dos brasilienses.
No miolo da apresentação a execução de Cão Guia os levou à já clássica Copacabana e sua roda – o ápice da troca entre banda e público- formando uma mistura caótica de músicos e pessoas.
A banda aproveitou a “pausa para a ordem” para chamar a convidada, Mallu Magalhães, que foi desrespeitosamente recepcionada pelos presentes. Prontamente ela agradeceu a “calorosa” entrada em meio a pedidos de palmas da banda. O alvoroço se conteve e Shine Yellow, faixa de sua autoria entrou meio cambaleante, pois seu violão não estava equalizado adequadamente e acabou perdendo destaque em meio ao som grave produzido pelos metais e o baixo do Móveis.
Dando sequência a participação de Mallu, veio uma justa homenagem aos 100 anos de Adoniran Barbosa, com a execução de Tiro ao Álvaro. Um bom momento que passeia em campos mais conhecidos da cantora paulista e que foi tão prontamente desconstruído com Aluga-se Vende-se. Via-se uma Mallu impactada e deslocada com a fidelidade dos fãs dos meninos de Brasília, mas que arriscou alguns backing vocals.
Ainda houve tempo para os novos rumos produzidos em C_mpl_te com sua melhor faixa – O Tempo – que, além de um refrão-chiclete, revela os metais suntuosos feitos pela banda e que conseguem equilíbrio no vocal de André.
No bis, Mallu foi novamente convidada a subir ao palco e cantar Adeus e Sessarua, cantiga popular que frequentemente está no repertório do conjunto, e fechar os trabalhos que mostram que independentemente de quem for o convidado da vez, o Móveis Coloniais de Acaju é a mistura em si.
A fuga dos clichês marca a cara da banda que encerra a turnê de seu segundo disco já esperando o lançamento do Dvd, que será lançado em setembro. Mas antes disso, eles tocam na Calourada da UFF, em Niterói com a banda Tereza, Os Clodoaldos e Los Leleskitos dia 12 de agosto com entrada franca. Confira aqui informações sobre esse projeto do Ponte Plural.
(Créditos de vídeos e fotos: Flavio Caveira)














agosto 10, 2010 às 15:16
adorei o show como sempre, mas achei uma falta de respeito tremendo da galera vaiar a Mallu Magalhães. Não curto o trabalho dela e não achei a participação dela legal, tendo em vista o desconforto evidente dela. O que me envergonhou um pouco foi estar no meio de uma galera que não respeita o trabalho dela e nem dos meninos do Móveis Coloniais de Acaju que se deram ao trabalho de ensaiar e preparar algo para agradar o público, mesmo que sem muito êxito. Adorei o show, mas fiz questão de aplaudir a Mallu Magalhães com força para mostrar que não concordei com as vaias infantis e desrespeitosas. O público de um grupo que valoriza e propõe uma mistura de ritmos e estilos deveria saber respeitar outros artistas.
agosto 25, 2010 às 15:58
[...] Beats fez com o Móveis antes de uma apresentação da banda no Circo Voador (RJ), e, também, a resenha [...]