
Dorgas, este é o nome de um quarteto carioca com pouco mais de nove meses de existência e que recentemente lançou seu primeiro EP chamado “Verdeja Music”. Esta estreia já emplacou algumas boas resenhas em importantes blogs e sites dedicados a música alternativa – a ” onda de atenção” partiu do dedicado jornalista Claudio Szynkier do Tramavirtual.
A sonoridade do Dorgas nestas primeiras faixas impressiona pelo experimentalismo. Os arranjos e a estrutura musical podem causar estranheza ao ouvinte menos criterioso e que ainda assim se julga alternativo.
Citar referências ou nomes de outras bandas que possam ter influenciado o primeiro registro em estúdio do Dorgas também soa um grande desafio. Parece haver na personalidade da banda uma liberdade muito produtiva – sinal otimista de que o futuro do grupo é artisticamente promissor.
Em entrevista ao Rock ‘n’ Beats o Dorgas contou um pouco de sua curta carreira, como foi a produção deste primeiro EP e a visão que o grupo tem da sonoridade que criaram.
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1 – Em todas as entrevistas do “Descobertas” começo com uma pergunta sobre a escolha do nome. No caso de vocês parece óbvio a brincadeira com a palavra “Drogas”. Contudo, ainda assim, gostaria de saber de vocês como rolou essa escolha.
Lucas Freire: Algumas pessoas bebadas, indiezinhos bêbados, em festas terríveis, nos renderam o nome. ‘Dorgas’ era o que se dizia ao vê-los.
Gabriel Guerra: É um bom nome, todo mundo tem pelo menos um tipo de reação ao ouvir, e ainda pensam que nós somos algum tipo de piada…
2 – Quanto tempo de banda vocês tem? E como foi o processo de produção das faixas do EP “Verdeja Music”?
Gabriel Guerra: A banda tem, mais ou menos, 9 meses de vida. A atmosfera que rolava durante as gravações do Verdeja Music eram excelentes, muito porque estavamos em um estúdio/sítio/chalé com um clima bem pacifico em Santa Tereza e contavamos com a ajuda do nosso querido e talentoso mestre Pedro Garcia (baterista do Rockz). Mas mesmo assim, ainda não existia um sentimento de banda, eramos apenas 4 amigos gravando umas canções bem complexas para serem de um primeiro lançamento, nunca tinhamos feito show etc. Essa falta de sentimento e experiência trouxe um certo problema para nós…acabamos entrando em estúdio sem controle total das canções e sem atenção nos detalhes e isso levou a erros (que podem ser ouvidos ao longo do EP), o que é bacana até, pois dá um toque de humanidade e caracter-iniciante a banda, mas acaba batendo uma certa angústia de que poderiamos ter feito algo melhor, quero dizer, a idéia geral tá ali, e nós conseguimos mostrar ela, mas não sei se foi executada da melhor maneira, mas é algo que nos orgulhamos bastante.
Eduardo Verdeja: Bom, quando o Gabriel me apresentou a ideia que ele tinha de “Bruff” e “Salisme” eu fiquei um pouco com o pé atras, achando que não ia dar muito certo, que aquilo não era minha praia, etc. Felizmente, ao frequentar muito o corredor do prédio (com 2 amps cuzentos e um reverb lindo) dele e de ter longas horas de jams, eu passei a ter uma confiança maior no potencial das músicas.Quando o Lucas entrou na banda foi muito bom. Uns 2 ensaios depois eu ja tinha confiança total na banda. No entanto, o processo de gravação foi um pouco bagunçado, mas divertido. A gente achava que as músicas estavam 100% prontas ao entrar em contato com o Pedro. Bem, não foi bem assim, e as músicas acabaram mudando aqui e ali no meio da gravação, e os tais erros surgiram por conta disso. Mas mesmo assim, fiquei muito contente com o resultado, e muito feliz com a repercussão. É engraçado notar que o processo de produção das novas faixas é totalmente diferente, estamos com outras ideias na cabeça.
Gabriel Guerra: Mais concisas, mais minimalistas, mais sensuais, mais feministas, mais românticas, mais ritmicas, mais confessionais, e com muito mais espaço.
3 – Falar em referências a partir do som de vocês é bem dificil. Eu por exemplo citaria duas bandas de post-rock como Toe (do Japão) e Morde o Rabo (banda de BH que já acabou). Pra vocês, estas três faixas do primeiro EP remetem a alguma influência? Ou a alguma referência inesperada que vocês descobriram somente após a produção do EP?
Eduardo Verdeja: A influência do EP não está basicamente ligada a um artista ou a um estilo, visto que, individualmente, as nossas influências não tem uma ligação muito direta… entre nós 4.
Lucas Freire: Nunca foi fácil achar uma conclusão entre a gente. Se bem que agora, parece existir um interesse geral da banda por música eletrônica como dubstep, chill-out, minimal techno e deep house.
Gabriel Guerra: E além do mais “Post-rock” é um termo meio pedido e muito subjetivo, na tese, nós usamos diversos elementos não-comuns no rock, como diz a Wikipedia, mas não soamos como as bandas rotuladas nesse subgenêro. O post-rock parece ter virado uma extensão para o “rock cabeçudo”, e nós somos exatamente ao contrário disso, somos jovens, emocionais, hedonistas com os corações saindo pela boca e totalmente anti-apaziguadores. Além do mais, nós nunca tivemos menor intenção de participar de qualquer tipo de grupo, nós sempre tentamos assumir um espírito meio outsider em relação a eles. E a influência do EP não está basicamente ligada a um artista, e sim a estética de você fazer música que pudesse mostrar nossa fragilidade e ao mesmo tempo abrindo caminho para nossas idéias mais intrigantes, ao longo do EP você pode perceber isso, essas melodias bonitas e relaxantes sobreposta por arranjos e estruturas esquisitas em um formato “bandinha de rock com guitarra de garotos”… é essa a tônica do disco.
4 – Como você sentem a cena carioca no momento? Há uma geração mais experimental e alternativa? Vocês se sentem parte do contexto que tem como principais referências o Moptop, Autoramas e mais recentemetne Rockz e R.Sigma?
Gabriel Guerra: Não da para acreditar que exista uma cena por aqui. O Rio de Janeiro não oferece estrutura para bandas e artistas, não dá para se formar nichos e achar que pode viver deles, nós, os independentes, estamos todos no mesmo barco. Não creio que exista uma geração mais experimental e alternativa, por sinal, eu acho que o maior problema das bandas brasileiras são esses, grande parte delas parecem ser muito baseadas, padronizadas e pensando em música de forma tão fragmentada… pelo menos as boas que tem por ai, são muito boas. Mas com certeza, os blogs (sim, vai rolar uma pelação de saco) como o Move That Jukebox!, Bloody Pop, o próprio Rock’n'Beats estão dando maior visibilidade, e o brasileiro parece se interessar mais. Eu tava vendo a comunidade de umas bandas independentes mais famosas, como o Copacabana Club e Macaco Bong, elas já tem algum “sucesso”, coisa que há 5 anos, jamais seria possivel de se proclamar.
5 – Gostaria de saber se vocês tem alguma “Descoberta” para indicar – alguma banda nacional que tenha surpreendido vcs e que também esteja nos primeiros passos.
Gabriel Guerra: Bem, não são tão desconhecidos, tem o Burro Morto, que é um conjunto impressionante da Paraíba que parecem englobar o mundo inteiro nas suas improvisações. O Inverness, esses sim, verdadeiros “shoegazers/dreampoppers” (sem fugir nenhum momento dessa categoria). Tem o meu querido quase-padrinho Zé Nogueira, que lançou um dos discos mais lindos do ano passado, “Carta de Pedra”, só de reinterpretações do Guinga… E há um DJ brasileiro (apesar do nome) muito bom e interessante chamado Kenzo Tominaga, algum dos sets deles podem ser encontrados neste link. Esse eu garanto! E tem aquela galera foda como Pullovers, Ecos Falsos, Stella-viva… mas ai não é novidade pra ninguem.
Lucas Freire: The Lost Mornings, Buon Giorno Luomada, e nossos queridos amigos do Puta.
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O primeiro EP do Dorgas está disponível para download gratuito em nossa seção discos. Caso queira escutar em stream acesso o myspace da banda:
www.myspace.com/dorgasdorgasdorgas
Tem uma banda? Ou conhece alguma boa?
A coluna ‘Descobertas’ do Rock ‘n’ Beats destaca somente bandas que estejam divulgando seu primeiro EP, álbum ou demo.
Mande seu material: rocknbeats@rocknbeats.com.br














agosto 25, 2010 às 14:14
muito bom o som! Nunca ouvi nada igual antes
agosto 26, 2010 às 22:53
Que lindos os meninos da Dorgas. Vocês são incríveis!
junho 16, 2011 às 00:57
[...] lançava seu primeiro EP. Pouco depois, a banda carioca já era vista nos blogs amigos Bloody Pop e Rock ‘n’ Beats. Aqui no Move, o quarteto apareceu na 22ª edição da nossa mixtape – e voltam, agora, em [...]