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SXSW: bandas brasileiras contam detalhes do festival no Texas | Rock 'n' Beats

SXSW: bandas brasileiras contam detalhes do festival no Texas

Postado por Izadora Pimenta. Posted in Rock 'n' Beats

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Publicado em 30 novembro, 2010 - Nenhum Comentário

A Sexta Avenida de Austin, no Texas, em clima de South By Southwest (foto: Popload)

por Izadora Pimenta e Ana Clara Matta

Em um passado não muito distante, juntava-se uns quatro amigos, uns instrumentos baratos e alimentava-se o sonho praticamente impossível de virar uma grande banda e tocar no exterior. Hoje, com o advento da globalização virtual, a música de todos está disponível para todos. Aquela banda que só você e seu grupo de amigos conhecem por serem próximos pode ser a nova descoberta surpreendente de um passeio de um garoto de Istambul pelo MySpace.

O impacto, claro, já não é mais o mesmo que fez, por exemplo, a beatlemania gritar pelo mundo quando os quatro garotos de Liverpool pisaram nos Estados Unidos, mas justifica o cenário musical atual, onde bandas até então desconhecidas do grande público acabam se apresentando em grandes festivais ao lado de gigantes – no Brasil, este ano, tivemos Planeta Terra e SWU mostrando isso com seus palcos – e, claro, rompendo as barreiras virtuais e adquirindo seus vistos para atravessar as fronteiras físicas.

Tem banda hoje em dia que fica famosa primeiro lá fora para despontar (ou não) por aqui – a exemplo do Mickey Gang, que saiu de umas demos divertidas para uma viagem a Londres, ou então do Cansei de Ser Sexy, que já virou praticamente gringo.

E nessa nova realidade do mundo musical, na qual o hype cria grandes sucessos da noite para o dia, um pequeno passo dado através de iniciativas de divulgação própria de uma banda pode ganhar impulso facilmente e em uma velocidade inimaginável. Se nos anos 60, uma turnê internacional dos então iniciantes The Beatles consistia em noites mal-dormidas em bares do distrito bôemio de Reeperbahn, Hamburgo, hoje as novidades musicais de todo o mundo ganham um espaço bem mais organizado, uma babel de riffs e idiomas localizada na cidade de Austin, Texas: O South by Southwest Festival, ou, simplesmente, SXSW.

Chegando a sua vigésima quinta edição entre 10 e 20 de março de 2011, o festival é um dos mais importantes criadores de hype do planeta, e suas mostras de música e cinema são vitrines que expoem todas as bandas e filmes que você pode não conhecer, mas deveria. De acordo com a organização, o evento recebe mais de 13.000 representantes da indústria musical, 2.000 representantes da mídia e muitos fãs ávidos por música e diversão. É um lugar para ver e ser visto, um espaço que une pessoas influentes e incentiva negócios, além de trocas culturais entre as próprias bandas. Entre os artistas que despontaram no SXSW, a organização cita The White Stripes, Yeah Yeah Yeahs, Norah Jones e Cold War Kids.

Na última edição, mais de 500 artistas de 49 nacionalidades diferentes tomaram as ruas de Austin, entre eles, vários representantes brasileiros. O The Name, banda do interior paulista, esteve por lá e descreveu o funcionamento do festival: “O SXSW é algo surreal. São dezenas de ruas no centro de Austin fechada para trânsito e rolando shows em todos os lugares: meio da rua, terrenos, bares, restaurantes e até igrejas.”

Enquanto os shows oficiais tomam conta das noites texanas, unindo bandas de diferentes portes, a programação diurna oficial inclui palestras e discussões relacionadas à indústria musical. Mas se você acha que os shows param, está enganado: é nesse período que acontecem os showcases não-oficiais.

Para conquistar um espaço no festival e uma chance de ter sua carreira impulsionada, a banda deve se inscrever através do site Sonicbids e pagar uma taxa que varia entre 30 e 40 verdinhas, o que é pouco se comparado com a exposição adquirida. É arriscar e ser surpreendido, como fizeram os membros do Rosie and Me, que foram convocados para a edição de 2011 do festival: “Nós ficamos muito felizes com a notícia, porque fizemos a inscrição sabendo que muitas bandas boas estariam na disputa para tocar no SXSW” disse a vocalista Rosanne Machado, que também ressaltou a importância do festival na divulgação do grupo e na tentativa de conquistar um espaço no mercado exterior.

Mas até esse paraíso indie tem suas falhas. De acordo com depoimentos da banda Lucy and the Popsonics, que durante a última edição do South by Southwest relatou suas experiências através de um diário, aqui mesmo no Rock ‘n’ Beats, a qualidade do som nas apresentações de bandas menos estabelecidas deixa a desejar, enquanto as bandas maiores, que também dão as caras no festival em menor número, levam seus técnicos de som e conseguem resultados melhores. Uma pequena falha em uma experiência incrívelmente recompensadora para qualquer banda, qualquer gravadora ou qualquer pessoa que quer, como o garoto de Istambul que busca novos sons através do MySpace, se surpreender com a pluralidade de sons que o mundo oferece.

Como é tocar no SXSW?

The Name foi uma das bandas a se apresentar em 2010

“O público é fantástico. Tem gente de todos os lugares dos EUA e do mundo. Conhecemos muita gente e encontramos vários brasileiros, como os Copas, Lúcio Ribeiro, Lucy and The Popsonics, Dago (Neu Club) e outros, com quem fomos ainda assistir a alguns shows! Vale muito a pena estar lá e vivenciar isso”, diz Andy, guitarrista e vocalista do The Name, que se apresentou em três showcases (um oficial e dois não-oficiais), aproveitando também a esticadinha para marcar presença no estado de Arkansas, no VOV, e em um festival na cidade de Toronto, no Canadá, o Canadian Music Week.

Andy revela ainda que a banda deseja adquirir um pouco mais de estrada para voltar ao festival, visando um maior destaque na imprensa. Como são quase duas mil bandas  tocando, tudo vira uma grande bola de neve interessante para os críticos e frequentadores.  “Fica difícil escolher. Você sempre perde alguma coisa”, conta. Mas estas pessoas que ficam em dúvida em meio a tantos shows, segundo ele, compõem um público fantástico.  “Tem gente de todos os lugares dos Estados Unidos e do mundo. Mesmo pra quem não toca, mas está envolvido com o cenário musical, vale as economias pra estar lá, com certeza.”

Holger embarca pela segunda vez para Austin em 2011

A divulgação na mídia a partir do festival foi bastante importante para o Holger, que volta a Austin em 2011 após um ano meteórico no Brasil, com lançamento do álbum Sunga e apresentação no Planeta Terra Festival. A banda, que na época (2009) carregava a fama recém-conquistada com o EP Green Valley, define o SXSW como uma grande experiência. “Ter participado mudou a maneira como vemos música, mercado e palco”, dizem.

Tendo a passagem pelo Texas como primeira visita ao exterior, os paulistanos estiveram de volta recentemente para uma turnê que passou por algumas cidades do país e pelo Canadá, mais experientes e com a música em uma singularidade mais definida.

Expectativas

"As expectativas são sempre uma coisa meio aleatória, mas, ainda sim, são as melhores possíveis" (Some Community)

Além do Holger, outros nomes da cena independente brasileira também estão arrumando as malas para a terra dos filmes de faroeste. A Rosie And Me e a Some Community, que combinam nos vocais femininos em inglês, são duas que já estão se preparando de todas as maneiras possíveis.

A Some Community, que tem o EP Rino Rino na bagagem, foi atrás dos vistos e dos preparativos legais, e aproveita a oportunidade para fazer uma turnê lá fora, passando também pelo Canadá, no Canadian Music Fest. “As expectativas são sempre uma coisa meio aleatória, mas, ainda sim, são as melhores possíveis”, afirmam.

De Curitiba, a Rosie And Me não esconde o nervosismo. “Nunca participamos de um evento tão grande. Tudo agora exige planejamento e ação”, declara Rosanne.

"Nunca participamos de um evento tão grande. Tudo agora exige planejamento e ação" (Rosie and Me)

A sonoridade na qual as duas apostam pode ser um fator que facilitará a assimilação de suas músicas. Isso acontece com frequência no já citado espaço ilimitado da internet, mas vale citar um fator praticamente unânime: veja uma banda ao vivo e conheça como ela é de verdade.

E é nessa levada que elas vão. “Estamos abertos pra qualquer negócio”, declara o Some Community.

Quem estará no SXSW em 2011?

Até então, cinco nomes brasileiros receberam as suas convocações: Thiago Pethit, Tiê, Rosie and Me, Some Community e Holger. Entre os nomes gringos, já figuram nas listas alguns velhos-novos conhecidos do hype, como o Bombay Bicycle Club, que esteve recentemente no Brasil, Toro Y Moi, The Dears, Those Dancing Days e Jon Fratelli, vocalista e guitarrista dos então extintos The Fratellis. Em casa, Erykah Badu também deverá levar seu soul alternativo para o festival.

Confira a lista completa (até então) aqui.

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