Há quem diga que não é tão fácil assim fazer um trabalho de qualidade compondo em português, uma língua rica e complicada que, por ventura do destino, falamos por aqui. É preciso sensibilidade para combinar as palavras e os versos de modo que nada soe fora do lugar, que estes se acomodem de maneira confortável nas melodias, que sejam, afinal, uma literatura a ser escutada, uma história a ser contada com cuidado, um retrato fiel da vida real nas mãos do artista.
Neste ano tudo isso apareceu em diversos formatos por aqui. E tem gente que não se contenta com uma coisa só: busca influências em estilos que tinham ficado no passado, chuta as barreiras e, de repente, está sendo ouvida por 65 mil pessoas, como Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci, que tiveram faixas executadas no Estádio do Morumbi antes do primeiro show de Paul McCartney em São Paulo.
O Rock ‘n’ Beats elegeu cinco nomes que fizeram de seus discos de estreia uma porta aberta para o que há de vir, se doando em faixas que é praticamente imperdoável não ter escutado – mas corre que ainda tem tempo até os fogos estourarem!

5º Do Amor

Classificar o álbum de estreia dos cariocas do Do Amor é tão improvável – e inútil – quanto esperar lucidez em discussões sobre política, religião e futebol no Brasil. Gravado nos últimos dois anos graças às diversas turnês das diversas bandas dos integrantes (eles foram músicos de Caetano Veloso, Los Hermanos, entre outros) e com a produção de Chico Neves (Skank), o disco é um rock vigoroso em Chalé, um pop açucarado em Vem me Dar e Morena Russa, e uma micareta sem abadá em Perdizes e Pepeu Baixou em Mim. Esquizofrenia ou falta de coesão? Não, na verdade o Do Amor só faz música boa, não importa como. (Junior Passini)
Do Amor – Vem Me Dar
4º Garotas Suecas

Eles não surgiram agora, a mistura de rock com música negra e ritmos brasileiros não é exclusividade deles, mas o disco de estreia traz as faixas mais dançantes de todo o ano no Brasil. Tão difícil como contar a quantidade de misturas de ritmos e influências presentes em Escaldante Banda, é tentar passar incólume pelas dez canções do álbum sem bater o pé, ensaiar um air guitar, ou pior (ou melhor), esquecer que você está no trabalho, na faculdade, ou em qualquer lugar, com o corpo inquieto te sabotando por um pouco mais de swing do Garotas Suecas. (Junior Passini)
Garotas Suecas – Tudo Bem
3º Apanhador Só
Com dois EP’s no case de guitarra e respeitado em Porto Alegre e nos ouvidos mais atentos do país, o Apanhador Só começou este ano com um verdadeiro pé na porta, apresentando um disco inteiro pela primeira vez. Talvez a expressão “pé na porta” não combine com a sensibilidade e a criatividade da banda gaúcha e as suas letras inventivas, emocionantes e exageradamente versossímeis quando revira as tralhas de amores passados com o auxílio dos mais improváveis elementos da música brasileira. Uma roda de bicicleta, uma máquina registradora, uma furadeira ou o que for preciso para subverter qualquer influência. Esse é o caminho da estreia do Apanhador Só. (Junior Passini)
Apanhador Só – Prédio
2º Tulipa Ruiz

Tulipa é efêmera. Mas é Efêmera só em seu álbum de estreia. Não é sem sentido todo o destaque dado à ela durante todo o ano de 2010. Combinando sua voz aveludada, que não precisa alcançar as grandes notas para mostrar todo o seu poder, com a sensibilidade pop indiscutível de todas as suas onze faixas, faz-se soar autobiográfica, sincera, criando peças para serem cantaroladas por aí por quem ouve. E deixa nestes um desejo por mais, o que também garante um longo caminho que tem a trilhar na música brasileira – e ela já está tratando de fazê-lo. (Izadora Pimenta)
Tulipa Ruiz – Às Vezes
1º Marcelo Jeneci

Enquanto Tulipa Ruiz fez um burburinho durante todo o ano, o primeiro lugar unânime do Rock ‘n’ Beats passou tímido em uma ou outra lista de promessas (foi parar até no nosso Descobertas) e por suas apresentações – sendo uma delas abrindo o Festival Natura Nós – até o lançamento de seu álbum, Feito Pra Acabar, no mês passado. Desde então, ele vem resgatando o gosto por um romantismo quase brega, aqui modernizado, somado a uma delicadeza impecável construída por uma orquestra aqui, por uma sanfona que parece sentir saudades do que ainda não passou ali, por seu vocal calmo e inocente combinado à voz penetrante de sua parceira, Laura Lavieri dando o ultimato. Assim, Jeneci se firmou em 2010 com uma música que ultrapassa os limites e pede para ser sentida e degustada também. E muito, muito mais de uma vez. (Izadora Pimenta)
Marcelo Jeneci – Por Que Nós?














dezembro 7, 2010 às 15:21
[...] This post was mentioned on Twitter by Breno Oliveira, Izadora Pimenta, Izadora Pimenta, Rock 'n' Beats, Rodrigo Laurentino and others. Rodrigo Laurentino said: Fui o único que não achou nada demais esse Marcelo Jeneci? RT @rocknbeats As 5 Melhores Estreias Nacionais de 2010 http://bit.ly/dK4QgT [...]
dezembro 9, 2010 às 02:37
[...] em duas delas: “50 melhores discos” (que reúne artistas do mundo todo) e “5 melhores estreias nacionais” – nesta última, as bandas encontram-se com Tulipa, Do Amor e Marcelo Jeneci. Este post [...]
dezembro 10, 2010 às 09:44
Esse cd da Tulipa Ruiz, é muito bom. Digno.
dezembro 15, 2010 às 22:03
[...] pelo Rock ‘n’ Beats a melhor estreia nacional de 2010, Jeneci já tem muito tempo de estrada, na verdade. O paulistano acompanhou nomes como Chico César [...]
janeiro 19, 2012 às 18:17
[...] 2012 – Nenhum Comentário Nesta madrugada foi ao ar a participação de Tulipa Ruiz (uma das melhores estreias de 2010) no Agora é Tarde, programa comandado por Danilo [...]