Em um álbum, um artista se doa por inteiro, corta aqui, corta acolá, transforma sensações em riffs, as piores fases em hits, trabalhando quase que de uma forma científica – como se estivesse selecionando os melhores genes para gerar um filho. Um filho que será solto no mundo para ser bem sucedido.
Neste ano, filhos de diversos sotaques, personalidades e criações invadiram o cenário musical nacional tentando conquistar seus espaços e se tornarem inesquecíveis nas mentes de quem para para escutá-los. E dez deles, daqueles que não precisam nem de exame de DNA para provarem suas paternidades, acabaram por chegar à lista que o Rock ‘n’ Beats criou para eleger os melhores – aos progenitores está permitido sentir orgulho de suas crias e fotografar o momento, porque elas foram muito bem educadas.

10 – Venus Volts – Venus Volts Is Dead
Em apenas um ano os campineiros do Venus Volts ganharam o Brasil todo, tocando nos principais festivais independentes e sendo trilha sonora de um seriado da MTV, anunciaram o velório e, logo depois, pra surpresa de todos, lançaram um álbum renascendo como banda. Uma história intensa para tão pouco tempo. E é exatamente esse o clima do disco. Intenso, vibrante e coeso em todas as suas faixas, Venus Volts is Dead? é preenchido em todos os seus canais com vocais poderosos, riffs grudentos e constrói o momento mais rock and roll da nova música brasileira em 2010.
Venus Volts – The Lover Was a Faker
9º Mombojó – Amigo do Tempo
O retrato do amadurecimento pode ser chamado de Amigo do Tempo. Felipe S e companhia conceberam esta obra durante três anos e lidaram com os mais diversos obstáculos, o mais grave deles, o falecimento do flautista Rafael Torres. Ao primeiro contato, um disco hermético dada as circunstâncias, mas que surpreende da ensolarada Papapa até a singela Entre a União e a Saudade, esta que resume bem o clima do álbum – a contemplação do trabalho que desde a formação em 2001 gera ganhos e perdas. Um registro das mudanças, que por mais dolorosas que sejam, podem resultar num bom trabalho.
Mombojó – Entre a União e a Saudade
8º Sabonetes – Sabonetes
Hit seguido de hit. É assim que se define o álbum de estreia do Sabonetes, que começou o ano de forma enérgica, bateu à porta do mainstream e entrou, sendo relançado no final deste. Não há aqui preocupação em se prender às tendências ou momentos: os curitibanos pegam tudo o que têm, botam na bagagem e partem para a viagem com a intenção de mergulhar no mar da música pop e vivenciar novas histórias para contar.
Sabonetes – Hora de Partir
7º Do Amor – Do Amor
Insistentemente rotulados como uma banda de brincadeira ou uma grande tirada sarcástica de renomados músicos cariocas, o Do Amor botou tudo isso por terra com o lançamento do seu primeiro álbum. Do Amor (2010) reforça o prazer dos seus integrantes de fazerem música livremente, sem amarras, com sonoridades de todas as partes do Brasil, mas é, essencialmente, um grande disco de rock. Guitarras estourando os amplificadores se misturam harmoniosamente com percussões e ritmos nordestinos e você nem liga mais de estar nessa montanha russa sonora que é ouvir Chalé e Perdizes num mesmo trabalho. Assim com a banda, você apenas se diverte com boa música.
Do Amor – Chalé
6º Garotas Suecas – Escaldante Banda
O album de estreia de uma das bandas nacionais mais bem sucedidas no exterior é feito para dançar como se ninguém estivesse lhe espiando. Escaldante Banda traz arranjos com influência de música soul, funk, tropicália, e outra dezena de ritmos, em uma linha empolgante e crescente durante as suas dez canções, mas ainda sim esbarra na falta de letras mais inspiradas.
Garotas Suecas – Tudo Bem
5º Cérebro Eletrônico – Deus e o Diabo no Liquidificador
Inquieto e experimental como o seu frontman (Tatá Aeroplano), o Cérebro Eletrônico é capaz de – parafraseando os piores letristas da MPB – acertar errando ou errar acertando em muito pouco tempo. Deus e o Diabo no Liquidificador tem momentos inspirados em Decência, Sóbrio e Só, Os Dados Estão Lançados e a brilhante e radiofônica Cama, mas derrapa em músicas como O Fabuloso Destino do Chapeleiro Louco, Desestabelecerei e Desquite.
Cérebro Eletrônico – Cama
4º Apanhador Só – Apanhador Só
As já folclóricas comparações com os Los Hermanos ficaram no passado, e com o disco de estreia, os gauchos do Apanhador Só trazem uma obra melódica com arranjos originais de fundo. Para completar, a banda entrega a mais bela e latente canção de amor do ano em Nescafé.
Apanhador Só – Nescafé
3º Holger – Sunga
Com indie rock e Luiz Caldas no liquidificador, somados a um sol escaldante de verão, os paulistanos do Holger lançaram seu disco de estreia, Sunga, se reinventando, deixando praticamente no passado o EP Green Valley, que os colocou entre os nomes mais falados da música independente internacional, e arrancando a roupa da galera pelo Brasil afora. Além da já manjada Let ‘Em Shine Below, músicas como Toothless Turtles, a curiosa Beaver e a contagiante She Dances ajudam a construir uma das peças nacionais mais experimentais dos últimos tempos.
Holger – Toothless Turtles
2º Tulipa Ruiz – Efêmera
Em seu disco de estreia, Tulipa Ruiz destila faixas de temáticas simples e com um grande apelo pop, perfeitas para serem cantaroladas da cadeira do computador à cadeira do dentista, sem precisar esbarrar nas manjadas influências internacionais – Efêmera soa inteiro como coisa nossa, peça de garota urbana com cheiro de capital paulista direto para os ouvidos mais atentos. Cada faixa guarda seu quê de especial, uma história que merece atenção – tudo embalado por uma voz indiscutível e um grande time de parcerias.
Tulipa Ruiz – Brocal Dourado
1º Marcelo Jeneci – Feito Pra Acabar
![]()
Feito para acabar. Só se for acabar bem o ano. Aliás, por que Jeneci não promete a sua própria música em Dar-te-ei? Essa ficaria.
O que foi construido aqui é uma obra-prima da música brasileira que resgata elementos há muito esquecidos e/ou subestimados no cenário atual. Todo o brega romântico, as sanfonas rebuscadas que floreiam as músicas sertanejas, a inserção de uma orquestra, tudo isso mostrando a presença de bons professores na vida desse paulistano. E desses bons professores, não se precisa ir muito longe para achá-los – dá para imaginar, por exemplo, Roberto Carlos cantarolando Quarto de Dormir em um especial de Natal.
E Jeneci, um cara recheado com parcerias e currículo invejáveis, sabe muito bem trazer todas essas influências para o momento atual. Quando se pensa que o álbum poderia ser escutado tanto hoje quanto há duas décadas, com Felicidade, logo vem Copo D’Água falando surpreendentemente de “orkut, mail, skype, net, messenger”.
É música para ouvir, mas também para sentir, desgustar, destrinchar, acabar com os preconceitos e se jogar nas levadas. Jeneci conquistou por unanimidade o primeiro lugar da lista por sua graça e impecabilidade. E se você ainda não ouviu este álbum, ah, pense duas vezes antes de esquecer.
Marcelo Jeneci – Copo D’Água













dezembro 10, 2010 às 15:40
Senti falta de Bárbara Eugênia nessa lista! Mas todos esses discos são ralmente bons.
dezembro 10, 2010 às 15:43
A partir do 7° colocado, concordo com tudo – mas mudaria a ordem. Eu incluiria aí Gulivers, Lucy & the Popsonics e Dead Lover’s Twisted Heart =)
dezembro 10, 2010 às 15:52
cadê nevilton? o.O
dezembro 10, 2010 às 15:54
Nevilton não lançou disco =)
dezembro 10, 2010 às 16:10
[...] This post was mentioned on Twitter by Breno Oliveira, gafieiras, Sabonetes, Izadora Pimenta, Izadora Pimenta and others. Izadora Pimenta said: melhores discos nacionais rnb: @venusvolts, @mombojo, @sabonetes, @doamor, @garotas_suecas, @cerebrais @apanhador_so http://bit.ly/hvcloV [...]
dezembro 10, 2010 às 18:44
Faltou o Quase, do Ecos Falsos, hein…
dezembro 11, 2010 às 15:08
Pô, mas nem ferrando que o do Holger é melhor que o da Apanhador Só. E tá faltando Lestics e Giancarlo Rufatto nessa lista fácil fácil.
dezembro 12, 2010 às 05:47
Faltou D Mingus http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/d_mingus um grande disco que vai passar batido pq D Mingus é de Recife e não faz parte de nenhum tipo de hype (mídia, parentes influêntes, etc) uma pena, podem ouvir e descobrir. D Mingus.
dezembro 13, 2010 às 14:34
na minha opinião as únicas bandas que mereciam estar nessa lista é APANHADOR SÓ e MONBOJÓ!
dezembro 14, 2010 às 00:13
[...] estreias nacionais” – aqui, encontram-se com Tulipa, Do Amor e Marcelo Jeneci – “10 melhores discos nacionais” e “10 melhores músicas nacionais“. Ufa! Este post foi publicado emFalaram por [...]
dezembro 20, 2010 às 10:10
Senti falta da Karina Buhr tambem…
dezembro 21, 2010 às 16:47
Cadê o INI nessa parada? A Caixa do Macaco saiu como um dos melhores discos da década na Revista Cult e não consta num blog na região. Pra falar bem a verdade, cadê o Rock na lista da Rock n’ Beats?
dezembro 27, 2010 às 18:46
dêem uma olhada nesse projeto: http://www.myspace.com/tagore2
janeiro 9, 2011 às 13:08
Lendo estes dez nomes concluo que estamos marchando a todo vapor em direção a um abismo de mediocridade, limitação e falta de ousadia. Penso em Jimi Hendrix. A seguir em Marcelo Jeneci. Me vem uma vontade de morrer. Ou de mudar de país. Ou ambos.
janeiro 9, 2011 às 13:36
O cd do Marcelo Jeneci parece trilha para baile da terceira idade estágio esclerose…é muito chato!!!!!
fevereiro 1, 2011 às 16:52
Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz, Thiago Petit e Léo Cavalcanti : este quarteto representa o que há de mais conservador, careta, tacanho e sem talento na música (argh!) brasileira. É o quarteto do bom mocismo reacionário procurando uma uma saída num beco sem saída : MPB is dead!
Quanto à lista : o país está tão dominado pelo jabá e outras práticas levianas que prefiro deixar para o leitor pensar como o cara chegou a esta lista ridícula.
Há por detrás desta gentinha ignorante – devidamente representada por esta lista ridícula – uma evidente intenção ( rárárá!!!) de assassinar o rock’n’roll por aqui. Mas aviso que tentar paralisar o rock’n’roll aqui ou no mundo é o mesmo que tentar segurar o vento com as mãos.
fevereiro 9, 2011 às 20:03
[...] lançaram o 4º melhor álbum nacional do ano, grandes canções e ainda encontram tempo para praticar a milenar arte do Taco Bola. Para divulgar [...]
março 2, 2011 às 10:30
E o “Quase certeza absoluta”, do Cartolas, cadê?
março 16, 2011 às 10:27
Fusile e Dead Lovers Twisted Heart… ambas de Belo Horizonte.
março 17, 2011 às 11:10
[...] aliás, foi um dos álbuns mais elogiados de 2010. Aqui no Rock ‘n’ Beats, só perdeu para Feito Pra Acabar, de Marcelo Jeneci, na votação dos melhores álbuns nacionais. [...]
abril 7, 2011 às 12:39
[...] This Top 10, with reviews of the albums, can be found HERE. [...]
abril 13, 2011 às 12:21
[...] nacionais de 2010 em várias listas, como a da Rolling Stone, do Scream & Yell e do próprio Rock ‘n’ Beats (leia resenha [...]
abril 24, 2012 às 14:05
[...] Em 2010, a banda “morreu” e lançou o álbum Venus Volts Is Dead?, que figurou na nossa lista de melhores do ano. Mas agora a Venus Volts, mais viva do que nunca, reaparece com Mini Cult Super Underground, um [...]