Asobi Seksu – Fluorescence (Polyvinyl Records)
Asobi Seksu, segundo a própria banda, quer dizer algo como “sexo divertido”, em japonês. O quinteto estadunidense chega ao quarto disco disposto a fazer exatamente isso: divertir e atingir um público mais amplo. Nos trabalhos anteriores, o shoegaze priorizou cada sulco do vinil. Agora, embora as guitarras ainda formem uma muralha de som, a banda procurou deixá-las num plano atrás da bela voz de Yuki Chikudate. Se a intenção era deixar tudo mais “audível”, a diferença pouco se fez perceber. O DNA do Asobi Seksu é essa chiadeira, não tem jeito.
Mas não é para assustar. Trails é um bom exemplo disso. É uma das melhores de Fluorescence, embora não defina o estilo do disco. O produtor Chris Zane (de trabalhos com o Walkmen e o Tokyo Police Club) deu uma camada de FM em Coming Up, My Baby (que termina soando como uma enceradeira) e principalmente em Perfectly Crystal. É possível que o Asobi Seksu tenha feito o seu trabalho mais acessível. Se será o melhor e mais divertido, só o tempo poderá dizer.
Asobi Seksu – Trails
Bright Eyes – The People’s Key (Saddle Creek Records)
The People’s Key, 8º disco do Bright Eyes, tem o mesmo lado místico apresentado em Cassadaga. Todos os elementos do movimento Rastafari estão presentes no disco, mas não espere Bright Eyes tocando reggae, apesar do folk ter menos presença no álbum, a banda agora assume o rock e até mesmo o eletrônico e o pop.
Com participação de vários músicos, em especial do Cursive e do Faint, o convidado que mais se destaca é Randy Brewer que antes de várias faixas aparece com falas como um guru previndo o que irá seguir.
Qualquer fã do Conor Oberst deve reconhecer que até mesmo a data de lançamento do disco apresenta uma simbologia, basta se lembrar de Happy Birthday to me (Feb 15). Ele mostra o seu crescimento pessoal no novo trabalho, não é mais o menino pródigio que cantava em Water, aos 14 anos. Agora é um homem feito e que finalmente encontrou o seu lugar que sempre procurou em seus trabalhos anteriores.
Bright Eyes - Firewall
Drive-by Truckers – Go-go Boots (ATO)
A continuação oficial do The Big To-Do de 2010, o Drive-By Truckers classifica seu 9º disco de estúdio, Go-Go Boots, como um R&B Murder. Patterson Hood depois foi além e disse que o disco é como um filme noir e a banda ainda insiste que é uma tentativa de soar como o Muscle Shoals, e para isso até gravaram dois covers do Eddie Hinton no disco.
Quando o próprio grupo já assume quatro explicações para o disco, antes mesmo dele ser gravado é impossível contradizer. O álbum é o exato som que a banda procurou fazer e tanto tentou nomear, algumas vezes parece até ser alguma obra perdida no Alabama na década de 60. O southern rock do Drive-By Truckers aparece com o seu melhor na faixa título e em Used to be a cop.
Drive-By Truckers - Go-Go Boots
Hey Rosetta! – Seeds (Sonic Records)
Os canadenses do Hey Rosetta! plantaram suas sementes na música em agosto de 2007 quando lançaram seu primeiro álbum, Plan Your Scape. Cultivaram bem seu público em 2008 com o premiado Into Your Lungs (and around in your heart, and on through your blood). Em 2011 chegou à hora de colher os frutos com a melhor safra de músicas lançadas pela banda.
Seeds é o florescimento dos canadenses, com o álbum mais completo de sua carreira. O vocalista Tim Baker com sua voz poderosa – que em muitos momentos lembra Glen Hansard, vocal do The Frames – comanda canções emblemáticas sobre a as várias estações da vida, como em Yer Fall e Yer Spring. O livro Franny e Zooey de J.D Salinger, serviu como inspiração para a canção Young Glass, uma das mais belas do álbum.
Seeds é repleto de momentos emocionantes, marcados pelo uso do violoncelo marcante do indiano Romesh Thavanathan. A mistura de guitarras, piano e violino deixam o clima do disco ainda mais épico, deixando um gosto que na próxima colheita, talvez o Hey Rosetta! possa estar ao lado do Arcade Fire na topo do indie rock canadense.
Hey Rosetta! – Yer Spring
La Sera – La Sera (Hardly Art)
Katy Goodman é a baixista das Vivian Girls. Mas não se engane em achar que o La Sera compromete-se musicalmente com essa ligação. O que Goodman entrega é um dream pop com inspirações sessentistas, na doçura, ingenuidade e travessura dos girls groups da época. Never Come Around e Devils Hearts Grow Gold, na sonoridade, são quase isso, com um tanto de pedal na guitarra. Eis que, então, a voz doce de Goodman e as melodias singelas ajudam a fazer desse primeiro disco do La Sera um petisco imperdível para o verão.
O apuro pop acabou sendo tão bem sucedido que as Vivian Girls, no seu mais recente disco, Share The Joy, a ser lançado em 12 de abril próximo, aproximam-se do que o La Sera apresenta aqui, no seu álbum de estreia. Não, as coisas não se inverteram. É só uma ideia do poder dessa pequena pérola: nasceu influenciando, embora sem pretensão. O que quer que o futuro reserve para essa banda, ela já deixou sua marca. Pode até sumir se quiser.
La Sera – Devils Hearts Grow Gold
Mogwai – Hardcore will never die, but you will (Sub Pop)
O título é impagável. De longe, um dos melhores de todos os tempos. Sim, o hardcore jamais morrerá e isso é uma constatação calcada na ironia para uma banda que foi acondicionada no slot daquelas que fazem o tal post-rock. O Mogwai, com suas sinfonias para a mente, cheias de guitarras, altas doses de microfonia e loopings, aguentou o tranco dos anos, ganhou sobrevida, adiando a morte certa que a urgência por novidades que assola o mercado imporia; e entregou o primeiro disco do novo contrato com a conhecida “casa do grunge”, a Sub Pop, com a mesma força de trabalhos anteriores. Se há alentos pop, como em Mexican Grand Prix, ainda há viagens inesgotáveis, como White Noise e Too Ranging To Cheers, barulhos como Rano Pano e San Pedro, e delírios como You’re Lionel Ritchie.
Sim, o Mogwai tem bom humor e sua ironia é capaz de provocar aqueles sorrisos internos. Os títulos são impagáveis. Mas a música vai além. O Mogwai é mais do que piadas, rótulos, vídeos ou histórias. É uma banda cuja importância da música jamais vai morrer. Você é que vai.
Mogwai – White Noise
PJ Harvey – Let England Shake (Vagrant)
Discos sempre refletem o momento pelo qual a banda passa enquanto o grava. Em seu oitavo álbum, Let England Shake, a inglesa PJ Harvey mostra que passa por uma fase mais politizada de suas composições. Sem ser piegas ou chata, PJ protesta e lembra de momentos tensos da história da Inglaterra, principalmente em Written On The Forehead e The Glorious Land.
Sonoramente, PJ apresenta trabalho impactante, com pitadas de blues e folk, prevalecendo o experimentalismo. O álbum foi gravado numa igreja e teve uma harpa como base para todas suas composições. Let England Shake é um dos discos mais maduros e interessantes de sua carreira. Não tão perfeito e, ao mesmo tempo, fácil de assimilar quanto Stories From the City, Stories From the Sea, que inclusive também teve uma cidade como tema, no caso, Nova York.
PJ Harvey – Let England Shake
Telekinesis – 12 Desperate Straight Lines (Merge Records)
Em algum momento da história da música, o termo “pop” deixou de identificar um gênero para identificar, para alguns preconceituosos, um tipo de música menor, menos autoral e até mesmo vazia. Michael Lerner, sob o nome de Telekinesis, traz em seu segundo CD aquele velho significado do Pop, ocultando suas dores e seu coração partido com canções aparentemente alegres, agitadas e “inofensivas”.
Em 12 Desperate Straight Lines, o Telekinesis ganhou peso nas letras, nem tão otimistas quanto antes, e nas guitarras, que chegam, em 50 Ways, a lembrar a Seattle da década de 90. Outra década, a de 80, é reverenciada com linhas de baixo que lembram o The Cure em Please Ask For Help. Algumas faixas esquecíveis se aglomeram no fim do álbum, mas é em seu bloco intermediário que Michael aprimora a fórmula, e mostra a capacidade que o bom pop tem de encantar a qualquer um.
Telekinesis – Please Ask For Help
The Twilight Singers – Dynamite Steps (Sub Pop)
Na época do Afghan Whigs, Greg Dulli fora até mesmo escalado para ser o vocalista da Backbeat Band, responsável pela trilha sonora de Backbeat, filme sobre o quinto beatle Stuart Sutcliffe e considerada a banda dos sonhos de 1994. E é ele o grande responsável pelo The Twilight Singers, banda que, depois de cinco anos, volta com o álbum Dynamite Steps.
Sem tirar o pé dos anos 90, Dynamite Steps tem um ar atormentado que, de novo, não tem nada. É uma sobrevivência ao tempo que passeia por letras e melodias penetrantes de um modo tão prazeroso, quase cinematográfico, que deve ser escutado ao menos uma vez. Destaque para a faixa de abertura, Last Night In Town, que nos mostra as primeiras cenas. Passando por faixas como Waves e o single On The Corner, chega-se em Blackbird And The Fox, com sua introdução extremamente convidativa e a participação de Ani DiFranco, e, logo mais, no clímax The Beggining of The End – que representa com classe seu título ao se unir com harmonia à faixa-título, que encerra o álbum com a maior cara de créditos finais.
The Twilight Singers Feat. Ani DiFranco – Blackbird And The Fox
Yuck – Yuck (Fat Possum Records)
Quando se ouve Rubber, no explendor dos seus sete minutos, imagina-se que o Yuck seja uma banda modulada para a composição de peças viajantes, densas e enigmáticas. Não, ao destrinchar o primeiro disco, Yuck, o ouvinte perceberá que há muita viagem, sim, mas que o indie-rock simples, no estilão guitarra-baixo-bateira, impera. Há aqui mais sabor Dinosaur Jr. e Teenage Fanclub do que Mogwai ou Sonic Youth, embora as mais significativas estejam atreladas a essas duas últimas influências (como a mogwainiana Rose Gives A Lilly).
Esse é um dos discos que o “boca-a-boca internético” anda celebrando com mais intensidade no início de 2011. Os ouvintes e críticos mais atentos só falam nele. Não é pra menos. Maravilhas como Get Away, Holing Out, Suicide Policeman e Georgia, pra não citar uma a uma, todas as faixas do álbum, fazem a alegria de qualquer fã de música alternativa, com guitarras sujas e distorcidas, vocal desafinado e simplicidade melódica. É provável que quem se aventurar pelo mundo caótico de referências do Yuck se depare com um dos melhores disco de 2011.
Yuck – Georgia













fevereiro 15, 2011 às 17:55
Poxa! Bem que ‘Car Crash’ do Telekinesis poderia ter entrado no comentário. Se encaixaria perfeitamente no dito “…aparentemente alegres, agitadas e “inofensivas”.” Pra mim a melhor do disco!
fevereiro 15, 2011 às 18:15
[...] This post was mentioned on Twitter by Izadora Pimenta, Rock 'n' Beats, hype collective, Marina Bastos, Vinícius Cunha and others. Vinícius Cunha said: 10 discos no Lançamentos da semana do @rocknbeats com Yuck,Twilight Singers,PJ Harvey,Mogwai,Bright Eyes e muito mais. http://bit.ly/hLL80h [...]
fevereiro 16, 2011 às 17:09
[...] você ainda não conferiu o resultado desse novo trabalho de Conor Oberst e Cia., um dos melhores lançamentos da semana, não perca a oportunidade. O álbum está disponível para streaming no site da Spinner e é uma [...]
maio 23, 2011 às 06:23
ponham exenplos audivel