Continuando nossa busca por cenas obscuras (ou nem tanto) vamos falar do college rock e do shoegaze. Começando pelo college rock, que nos anos 80 estabeleceu nos Estados Unidos uma forma diferente de fazer e vender música oposta às grandes gravadoras. Para entender essa cena é necessário deixar o estilo musical um pouco de lado. Pouco importa se é hardcore, pós punk, new wave, o fator determinante é a forma como os discos eram distribuídos e divulgados.
Enquanto hoje temos as facilidades da internet, na década de 1980 gravar e lançar um disco era muito caro. E mais uma vez o faça-você-mesmo do punk rock foi a saída. Esse “espírito” ganhou ares de ideologia quando cada vez mais bandas se opunham ao mainstream em prol da liberdade artística.
O surgimento de gravadoras dispostas a bancar essas bandas foi natural. Na verdade, muitas das bandas criaram gravadoras justamente para lançar seus discos e de seus amigos. Assim fez Jello Biafra do Dead Kennedys ao abrir a Alternative Tentacles e Greg Ginn do Black Flag com a SST.
Porém, o que realmente disseminou este novo conceito de pensar música foram as rádios universitárias ou college radios, que inclusive até hoje são muito influentes nos Estados Unidos. Daí o nome college rock.
Conforme esse mercado “alternativo” foi ganhando sustentabilidade, bandas como R.E.M, Sonic Youth, Hüsker Dü foram se tornando clássicas, porém, ao assinarem com grandes gravadoras foram chamadas de traidores, no entanto, foram justamente elas as responsáveis por levar essa cena para um publico maior, mas que após o disco Nevermind do Nirvana foi massificada ao ponto de ser descaracterizada ao receber os nomes de rock independente ou indie rock, rock alternativo, grunge. Entretanto, após o The Strokes, já nos anos 2000, o que era uma cena na década de 80, se estabeleceu como nicho de mercado.
Vamos ouvir alguns nomes fundamentais, ainda que pouco badalos pela mídia de massa como Butthole Surfers e Throwing Muses, mas também Lemonheads e Dinosaur Jr., entre outras.
1º Bloco:
R.E.M – These Days
Sonic Youth – (I Got A) Catholic Block
The Replacements – We’re Coming Out
Butthole Surfers – Ricky
Hüsker Dü – Ice Cold Ice
Lemonheads – Out
Dinosaur Jr. – Kracked
Throwing Muses – Soap And Water
Fugazi – Waiting Room
A cena shoegaze surgiu na Grã Bretanha na virada dos anos 80 para os 90, também com raízes no mercado independente. A influencia de bandas de rock psicodélico dos anos 60 é gritante. Porém, com as guitarras muito mais altas e distorcidas e certa melancolia herdada do pós punk. Bandas como Jesus and Mary Chain, My Bloody Valentine, Cocteau Twins também são grandes influencias.
O termo shoegaze, algo como olhando para os próprios pés, foi usado pela primeira vez numa resenha de um show da banda Moose, em que o vocalista Russel Yates e o guitarrista K.J McKillop ficaram boa parte do show olhando para baixo. O vocalista porque colocou as letras das músicas no chão e o guitarrista por possuir vários pedais de distorção. Entretanto, a atitude foi encarada como arrogância e desdém, o que deu certo “estilo” à banda.
Logo, a NME e Melody Maker passaram a usar o termo Shoegaze para definir a geração de novas bandas que surgiram naquele período, que a partir daí passaram a ter a mesma postura de palco. Algumas destas são as que nós vamos ouvir hoje, como Ride, Blur e Adorable.
2º Bloco:
Chapterhouse – Breather
Ride – Like A Daydream
Blur – Slow Down
Moose – Boy
Heart Throbs – She’s in a Trance
Revolver – Venice
Adorable – Sistine Chapel Ceiling
Lush – Deluxe
Clique e ouça nesta terça-feira, a partir das 16h00, com reprise nesta quarta-feira, a partir das 8h00.















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