
Se você acompanha o Rock ‘n’ Beats religiosamente, já deve ter notado que nós criamos a coluna What Did You Expect? para resenhar alguns lançamentos bastante esperados pelo público. Foi assim com Angles, do Strokes, e com Suck It And See, do Arctic Monkeys.
O legal, dessa vez, é que tivemos a oportunidade de ouvir em primeira mão o novo álbum do duo francês Justice, Audio, Video, Disco, que chega às lojas oficialmente no dia 25 de outubro. Nos juntamos, escrevemos nossas opiniões pessoais e o resultado você vê no post abaixo!
Ouça aqui “Audio, Video, Disco”

Em uma entrevista recente à Pitchfork, Xavier de Rosnay, uma das metades do duo francês Justice, afirmou que não acompanha ou se importa com tendências, moda e o “cool”. Nada mais natural. Afinal, o duo que um dia conquistou o mundo com uma frase como “No need to ask my name to figure out how cool I am” não segue tendências. Cria tendências. Então, abram espaço pois Xavier e Gaspar já rolaram os dados: se no bombástico álbum de estreia, o cool era o pop, é o rock de arena e progressivo que comanda as batidas de Audio, Video, Disco.
O poder do Justice de encher uma pista de dança não foi nem um pouco diluído, como prova a instântanea Civilization. Mas o que transforma Audio, Video, Disco em um álbum excelente é que ele dá continuidade à tendência francesa (Phoenix, Daft Punk, Air, outros mestres na arte) de criar obras primas eletrônicas que funcionam e convidam o ouvinte em qualquer ocasião. O álbum, que já começa revelando seu estilo, toma fôlego na levemente cansativa Ohio para então começar uma sequência quase impecável de faixas. O rock instrumental recebe o synthpop na festa de Canon, que evolui para o pop irresistível de On’n'On. Parade traz toques claros de Queen e Arcade Fire,e New Lands, destaque do disco, remete a uma introdução quase AC/DCiana.
Audio, Video, Disco, o título, parece relembrar a relação que a banda tem com seus clipes, com seu logotipo, com a estética. É esse Justice que está de volta: O Justice adotado nas pistas, nas passarelas, nos clipes influentes. O Justice que continua um sinônimo sólido do tal de “cool”.
Melhor música: New Lands
Pior Música: Audio, Video, Disco
Em Cross, o Justice estava pronto para as pistas, mas agora parece querer dominar os estádios. Se Civilization já lhe parecia distante do clássico hit D.A.N.C.E., prepare-se para sentir a mesma levada do single durante todo o segundo álbum do duo.
As batidas de Audio, Video, Disco são marcantes ao extremo, e logo na primeira faixa, o álbum parece querer te levar para uma viagem. Para onde? Você escolhe: cai bem tanto com um final de tarde preguiçoso, para colocar os fones no ouvido e não fazer mais nada, quanto com festas, luzes e efeitos mil para celebrar com garrafas na mão – afinal, essa é uma das funções primordias da música eletrônica, e o Justice mostra que sabe cumpri-las com maestria.
Nem tudo é tão distante do debut, mas Audio, Video, Disco é, sem sombra de dúvidas, um dos destaques de 2011 até então. Músicas incríveis como New Lands, que junto com Helix casa com a disco music, a quase-baladinha On ‘n’ On, o riff de guitarra cativante de Brianvision e a arcadefireiana Parade são o tempero do disco, que, ironicamente, encontra seu pior momento na faixa título, uma peça de dez minutos com uma letra repetitiva, quase insuportável. Mas fora isso, se você está ansioso pra ouvir o que o Justice traz de novo, um alerta: fique ansioso em dobro.
Melhor música: New Lands
Pior música: Audio, Video, Disco
Confira a tracklist de “Audio, Video, Disco”
Um dia, assistindo vídeos do Justice ao vivo no Youtube, me deparei com um comentário. Era algo mais ou menos assim: “Na música eletrônica, Daft Punk = Deus e Justice = Jesus”. Como os Dafts estão de férias depois do lançamento da trilha sonora do filme Tron: Legacy, preparando uma mega turnê mundial para os anos que virão, eu diria que o Justice é o que temos de melhor na música eletrônica alternativa hoje.
O novo álbum Audio, Video, Disco está excelente. Intenso, trabalhado, épico. Desta vez, Xavier e Gaspar, os dois produtores franceses por trás do Justice, nos apresentam um álbum repleto de influencias vindas do Rock, e não do Pop, como em seu primeiro disco Cross. Mas isso sem perder a sonoridade singular e pessoal que o duo possui.
Já de início, em Horsepower, temos sons de bateria e guitarra, que acompanharão as batidas e os graves destruidores da dupla. Temos referências à Queen em Parade e à AC/DC em New Lands. Temos a ótima e já conhecida Civilization. Temos a épica Canon, que até introdução tem. Temos a quase-um-hino-rock Brianvision. Enfim, temos em mãos um álbum excelente, muito bem produzido, que ao meu ver supera seu antecessor. Com certeza, estará na minha lista dos melhores álbuns de 2011. E provavelmente entre os 5 primeiros.
Melhor Música: Brianvision
Pior Música: Ohio
Logo de cara o novo disco do Justice pode soar um pouco familiar em relação ao primeiro trabalho da dupla. A surpresa é que o mais do mesmo evoluiu e se transformou em um ótimo trabalho dos franceses Gaspard Augé e Xavier de Rosnay. As canções com e sem vocais continuam com a manjada marca Justice de ser nos teclados e na bateria alta. Uma das diferenças do Justice que todos estávamos acostumados a ouvir com certeza são as guitarras marcantes, determinando assim a já declarada influência do rock’n’roll de monstros dos anos 70 como Led Zeppelin e The Who.
Lembrou de Wake Up, do Arcade Fire, ou de We Will Rock You, do Queen? As duas se fundiram na bem boa Parade, que tem literalmente uma paradinha no meio da canção, só para dar um fôlego. Porém, como nem tudo é perfeito, a quebra destas fontes não foi legal, por isso pode pular Ohio na sua segunda audição. A faixa, que tem uma pegada mais R&B, não conquista nem quem estava super empolgado com Audio, Video, Disco. O single homônimo, que chega até a ter um flash house escondido, não agrada.
Agora, se você acha que gosta de electro, mas não suporta repetições, jura que eletrônico pode casar muito bem com o rock do Yes, só que não quer saber de misturar os acordes de Steve Howe com algo computadorizado, fuja enquanto há tempo.
Melhor música: New Lands
Pior música: Ohio
A faixa Civilization ganhou um clipe do Justice no primeiro semestre do ano. O vídeo mostra a destruição de grandes monumentos junto ao desespero de búfalos correndo de um lado ao outro, um tanto quanto apocalíptico. Essa foi apenas uma prévia do que havia de vir no novo álbum Audio, Video, Disco. O apocalipse do bem veio em forma de batidas ritmadas e com influências claras do rock setentista, ainda assim o duo francês ainda se aplica com precisão ao som eletrônico que se propõe.
Gaspard Auger e Xavier de Rosnay proporcionam bons momentos nas seguintes faixas: New Lands abre os baús do rock, especificamente do AC/DC e mostra claramente a influência do rock nessa faixa, com riffs bem executados de guitarras e que certificam que a mistura de estilos é possível se bem aplicada. Helix traz pra perto o dance dos anos 80, uma intro que lembra bem os saudosos filmes adolescentes da sessão da tarde, unido a um synthpop bem do atual.
No entanto, que me desculpem os produtores, mas 4 minutos são fundamentais (o suficiente numa faixa), o faroeste caboclismo da faixa título Audio, Video,Disco vai além do necessário. A faixa começa bem, com uma intro agradável, mas ao final dos três minutos, já não há mais novidade, o repeteco prossegue até quase onze minutos.
O balanço geral dos franceses traz um saldo positivo e mostra que ainda sim é possível despertar a vivacidade entre suas percurssões eletrônicas e teclados.
Melhor Música: New Lands
Pior Música: Audio, Video, Disco
Se em 2007 o Justice causou nas pistas de dança pelo mundo, a expectativa era a mesma para segundo disco do grupo. ‘Civilization’, foi sabiamente escolhida como primeiro single-música-que-gruda-na-cabeça. Deu a impressão de que algo bem bom estava a caminho, com o disco inteiro, essa impressão foi confirmada.
Com um quê oitentista e a barulheira de um bom synthpop, o duo está de volta mantendo a boa reputação característica da música eletrônica francesa, pronta para conquistar de novo algumas boas pistas de dança por aí. Destaques para Ohio, On’n'On, Brianvision, Parade, New Lands e o single já citado.
O disco tem cara e potencial para tocar na íntegra na balada, que abririá a pista com a bela introdução com a música “Horsepower”, conquistaria todo mundo em cheio com Civilization e manteria o nível da galera por todo o disco. O longo encerramento da faixa ‘Audio, Video, Disco’ faixa título dá um pouco de preguiça. Daquelas que você sai da balada antes de terminar de tocar.
Impossível, ao mínimo, não bater os pés ao ouvir “Audio, Video, Disco”. Mas a ideia não é essa, o ideal é ouvi-lo em altíssimo e bom som, na balada, com muita gente na pista.
Melhor Música – New Lands
Pior Música – Audio, Video, Disco















setembro 1, 2011 às 16:19
Vejo o “Audio, Video, Disco” como o “Human After All” dos Justice. Depois de um disco bombástico como Cross, que seria o Discovery…eles estão pouco cagando para explodir ou não, e se deram mais liberdade para fazer música sem compromisso. Não vejo esse álbum como via o Cross: irreverente, fresco e cheio de energia. Vejo ele como uma passagem cansativa, com boas faixas, que cumpre o papel como segundo álbum. Não quero um novo Cross, mas achei que o trabalho ficou bem aquém de todo hype em cima dele. Civilization é uma boa prova do novo Justice, e ao mesmo tempo, sua tragédia: o duo fica preso a ele de tal forma que não consegue achar um clímax para todo o álbum. Existem boas faixas, mas não há uma linearidade, um conceito. Bom, mas apenas regular.
setembro 6, 2011 às 11:19
[...] Nós já ouvimos o novo álbum do Justice e elegemos a versão completa do single Audio, Video, Disco como a pior faixa do excelente disco inédito da dupla francesa. Mas Xavier e Gaspar reduziram a faixa de 10 minutos para cativantes 4 minutos e lançaram um clipe caprichado (como todos os já lançados pelo Justice) para Audio Video Disco, que você pode conferir agora mesmo. [...]
setembro 12, 2011 às 22:27
cheguei a uma conclusão pelo menos. a trap de botar A,V,D com repetição com o intuio de coloca os patos todos elegendo-a como a pior do disco funcionou, afinal eles são produtores e sabem que sites especializados SEMPRE escolhem duas. A melhor e a pior.
Quando vocês tão indo eles tão indo também, na segunda volta.
outubro 8, 2011 às 17:47
[...] Lands, aliás, foi eleita pela nossa equipe como a melhor do álbum, ao qual já tivemos acesso e escrevemos sobre na coluna What Did You Expect? Leia Também:Ouça: Red Hot Chili Peppers – The Adventures of Rain Dance MaggieOuça [...]
outubro 13, 2011 às 00:04
Discordo que o duo não siga tendências e crie tendências… Na verdade é o contrário, eles seguiram praticamente a tendência rock arena e old school nesse álbum.
O álbum é legal, mas o tempo passou e principalmente na França existem diversos outros artistas fazendo um som melhor e mais cativante que o novo Justice. A diferença é que esses outros artistas ficam apagados nos blogs obscuros.
outubro 30, 2011 às 12:32
[...] A equipe do Rock ‘n’ Beats também ouviu The Whole Love e você pode conferir as nossas opiniões sobre o álbum em mais uma edição da série What did you expect…?, que já acompanhou os lançamentos de álbuns do The Strokes, Arctic Monkeys e Justice. [...]
outubro 31, 2011 às 11:44
[...] de um mês antes de seu lançamento, e a nossa opinião completa você pode ver aqui, na coluna What did you expect?. Ouça a eleita como melhor faixa do [...]
abril 18, 2012 às 13:33
[...] resolveu botar os ouvidos pra trabalhar assim que ele apareceu na rede, como fizemos com Wilco, Justice, Strokes, Lana Del Rey e Arctic Monkeys. White lançou mais uma obra prima? Teria ele chegado ao [...]