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What did you expect from Wilco? – A equipe do Rock ‘n’ Beats opina sobre “The Whole Love” | Rock 'n' Beats

What did you expect from Wilco? – A equipe do Rock ‘n’ Beats opina sobre “The Whole Love”

Postado por Ana Clara Matta. Posted in Resenhas, What Did You Expect

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Publicado em 05 setembro, 2011 - Nenhum Comentário

Se você passou parte da sua tarde de sábado, dia 3 de setembro, nas redes sociais como o Twitter e o Facebook, você percebeu o impacto causado pelo lançamento do novo álbum do Wilco, The Whole Love. O álbum, um dos mais aguardados do ano e o oitavo da carreira da banda de Chicago, EUA, foi liberado para streaming oficial neste fim de semana e está, desde então, em repeat em muitas caixas de som e fones de ouvido por aí.

A equipe do Rock ‘n’ Beats também ouviu The Whole Love e você pode conferir as nossas opiniões sobre o álbum em mais uma edição da série What did you expect…?, que já acompanhou os lançamentos de álbuns do The Strokes, Arctic Monkeys e Justice.

Ana Clara Matta

O título da coluna indica a questão: o que você esperava do Wilco? Com uma carreira sólida e madura como nenhuma outra da atualidade e nenhum tropeço significativo, a resposta é simples: aprendemos a esperar grandes feitos de Jeff Tweedy e cia. A ótima notícia é que, com produção e técnica impecáveis, emoção, classe e um equilíbrio de gêneros impressionante, The Whole Love cumpre todas as expectativas.

A Radioheadiana Art of Almost, melhor faixa do ano, é difícil de definir. Sua experiência auditiva é indescritível e torna impossível calcular a importância de Nels Cline para a atual formação do Wilco. Cada rosnado de sua Jazzmaster e cada pio suave de sua slide guitar dividem o álbum em gêneros: o rock alternativo, o power-pop experimental e o alt-country sutil. Outro destaque surge na extremidade oposta, One Sunday Morning, cujos 12 minutos passam com a agilidade de segundos, convidando para o repeat. Pontos fracos verdadeiros não encontram lugar na meticulosa tracklist.

Existe sempre o fantasma das comparações com Yankee Hotel Foxtrot. Comparar é inútil, mas se parece inevitável, é simples: The Whole Love, um grande álbum, não é melhor que o disco de 2002. Mas como culpá-lo? Afinal, quantos discos da última década o são?

Melhor música: Art of Almost
Pior música: Standing O
-

Fernando Lopes

Há com o Wilco uma certa predisposição da mídia em geral. Claro, a banda dá motivos de sobra. Summerteeth, de 1999; e Yankee Hotel Foxtrot, de 2003; são daqueles discos que você precisa colocar em qualquer lista de melhores da vida. Mas é preciso entender que o Wilco derrapa às vezes, como qualquer mortal. No caso, esse The Whole Love, que nem é uma enorme derrapada, porém é bastante sonolento no seu miolo.

Começa promissor, com a instigante e ruidosa Art Of Almost, se torna quase-pop e bastante palatável com I Might, e depois cai de vez, pra só se reerguer na odisséia de One Sunday Morning (Song For Jane Smiley’s Boyfriend) e seus épicos 12 minutos. Há Sunloathe, que faz bonito, mas seria melhor se estivesse num disco do Flaming Lips ou, veja só que depressão, do Pink Floyd. Dawned On Me mete umas distorções ferozes no meio, mas é uma canção descartável. Boa parte do resto é cura pra insônia.

The Whole Love serve pra mostrar que o Wilco é bonito quando é Wilco: fazendo um folk-experimental-barulhento, sem se preocupar com a audiência. Parece que a banda optou pelo mais fácil, embora esteja claro no próprio disco que ainda pode fazer o fino. Aliás, como o Wilco no mundo há poucos. Mas um disco como esse não faz jus a sua história, mesmo que seja melhor que grande parte do apresentado por aí este ano – um ano, portanto, desastroso.

Melhor música: One Sunday Morning (Song For Jane Smiley’s Boyfriend)
Pior música: Capitol City
-

Izadora Pimenta

Quando começaram a sair os primeiros pedaços do novo disco do Wilco, a banda ainda não estava me empolgando muito. Parecia que faltava uma coisa aqui, uma coisa ali. E após ouvir The Whole Love, descobri o que era que estava faltando: o disco em si. The Whole Love é um trabalho para ouvir de uma vez só, ao nível do excelente Yankee Hotel Foxtrot, e funciona perfeitamente como uma válvula de escape do resto do mundo – e é isso que a maioria dos fãs de música buscam, afinal.

Uma obra pop da primeira a última música, daquelas que inspirariam fácil um personagem do Nick Hornby. Ou seja: o Wilco traz no álbum nada mais nada menos do que o próprio Wilco, e seu séquito de fãs fiéis estão neste momento delirando faixa a faixa, como tinha de ser. Para o resto dos ouvintes, um bom álbum digno de figurar nas listas de melhores do ano.

O ouvinte é carregado para o álbum ao som de Art of Almost, que possui uma introdução de se parar e prestar atenção, e assim vai passeando pelos caminhos do folk pop, tendo logo em seguida a já conhecida I Might, que ficou bem melhor em todo o contexto e sendo presenteado por outras como Dawned On Me, Born Alone e Capitol City. O Wilco só peca um pouco em inserir ao final, depois de um álbum plenamente conciso, a sonolenta One Sunday Morning (Song For Jane Smiley’s Boyfriend), que seria apenas um pouco mais tragável se tivesse seus 12 minutos encurtados – mas destoa na maneira em que foi colocada, ainda mais precedida pela faixa-título contagiante.

Melhor música: Dawned On Me
Pior Música: One Sunday Morning (Song For Jane Smiley’s Boyfriend)
-

Marina Bastos

A outra vez que o Wilco mudou de gravadora, fomos presenteados com um dos melhores discos já feitos, Yankee Hotel Foxtrot: portanto, já era de se esperar que The Whole Love também viesse como uma ruptura entre a banda agora e seus álbuns anteriores, mesmo que sem tanto impacto que em YHF. Quando as primeiras entrevistas surgiram, Jeff Tweedy até prometeu um disco “chocante, irreverente e pop”.

Logo na faixa de abertura, Art of Almost – forte candidata a melhor música do ano – o Wilco mostra que, apesar da nova identidade, suas caracteristicas mais marcantes, o experimentalismo e o lirismo, estão bem presentes. A música também é um indicador de que a guitarra de Nels Cline é a essencia de todo o disco, com solos sensacionais. O pop aparece sim, tanto no sentido de que esse é o disco mais acessivel da banda (o single I Might e Dawned On Me são exemplos), como na forma de power pop, em Born Alone, a provavel pior faixa do disco, porque não é possível contextualiza-la. Talvez esse seja o único problema do álbum, as faixas parecem que estão fora de ordem ou como se fosse a junção de dois discos diferentes, mas nada que simplesmente apertar o shuffle não resolva.

Melhor música: Art of Almost
Pior música: Born Alone
-

Vinícius Cunha

Grandes expectativas geram frustrações maiores ainda. The Whole Love foge dessa afirmação e o Wilco nos entrega um dos belos discos do ano. Jeff Tweedy e cia chegam aos doze anos de estrada sem grandes erros na discografia provando o motivo de serem rotulados como clássico de uma geração.

Logo após a primeira audição é perceptível que este oitavo disco de estúdio não chega ao padrão alcançado em Yankee Hotel Foxtrot (2002) ou Sky Blue Sky (2007), o que não é ruim. A banda retorna às raízes e experimenta novas fórmulas e a guitarra de Nels Cline em Art of Almost é a melhor representação disto. A faixa de abertura soa como se o Wilco emulasse o Radiohead de In Rainbows com um quê a mais e junto de One Sunday Morning, épico de 12 minutos, são os destaques.

Não há razões para não gostar de The Whole Love. O disco é o melhor esforço do sexteto em algum tempo com doses de alt-country, power-pop experimental e rock alternativoe a melhor pedida para a primavera que se anuncia.

Melhor faixa: Art of Almost
Pior faixa: Sunloathe

Priscila Maboni

Poderia estar nos melhores de 2011. Mas não foi dessa vez que o Wilco se superou. The Whole Love chega sim, para reafirmar que a banda, apesar de fazer uns pares de músicas – arrisco a dizer – meio insossas, ainda consegue produzir faixas dignas de muitos e muitos e muitos replays.

Entre as mais marcantes do oitavo álbum da carreira dos caras, que tem no currículo feitos como (o unânime) Yankee Hotel Foxtrot, destaque especial para Whole Love: longa, bem trabalhada, bem dosada.

No mesmo caminho, segue One Sunday Morning, também extensa e sem dúvida, uma das melhores em toda a existência do grupo. Mas pode-se dizer que do mesmo disco sai uma das piores, preguiçosa, rançosa. Falo de Capitol City. Chata também, Rising Red Lung poderia nem figurar aí entre as 12 de The Whole Love.

Art Of Almost, por sua vez, faz aquele balanço necessário ao disco, para que ele não caia no “uhum, ok, próximo!”. Mas isso tudo é besteira quando a gente lembra que o assunto é Wilco. E de dispensável, seja uma ou outra música, eles tem é nada.

Melhor música: Art of Almost
Pior música: Capitol City

Sobre Ana Clara Matta

Uma soma de todas as músicas que já escutei e todos os filmes aos quais assisti. / @_ana_c

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