Clap Your Hands Say Yeah – Hysterical (Self-Release)
Quem disse que quatro anos de descanso não resultam em um bom trabalho? Hysterical, lançamento do Clap Your Hands Say Yeah, desfaz o mal entendido do irregular Some Loud Thunder, de 2007, trazendo 12 composições que exploram um som acessível de transições suaves entre as músicas.
Same Mistake soa fantástica abrindo o álbum: ritmo acelerado, vocal preguiçoso e guitarras atmosféricas. Faixa à moda antiga e tudo que os fãs esperavam há tempos. A elegância fica por conta de Misspent Youth. Melancólica, ela é embalada pelo diálogo entre guitarra e teclas de piano que deixam espaços pontuais para Alec cantar sobre “a glória de uma juventude desperdiçada”.
No fundo, Hysterical é hipnótico e deve muito a produção de John Congleton. Ele conferiu encanto e dinâmica ao grupo. Ritmo, tom e instrumentação são potencializados comprovando que não foi em vão o destaque dado a estreia do quinteto em 2005.
Clap Your Hands Say Yeah – Same Mistake
Jens Lekman – An Argument With Myself (Secretly Canadian)
Desde março, quando Waiting For Kirsten foi disponibilizada na internet, os fãs sabem que Jens Lekman finalmente voltou. A história do cantor perseguindo Kirsten Dunst por bares e hoteis de Gothenburg pode ser mais engraçada na versão ao vivo, quando o mesmo conta como escreveu a música. Mesmo assim, é uma das músicas mais divertidas do ano, empatando com a faixa-título, auto-explicativa.
Depois de quatro anos sem lançar material novo, a ideia de apenas um EP com 5 músicas pode desapontar um pouco, mas as músicas fazem jus a espera. Com um som bem mais tropical do que se podia imaginar para um sueco, o álbum traz guitarras de surf rock e batidas de reggae. São apenas 17 minutos, mas, depois de ouví-los, cada pessoa é capaz de se imaginar na pele de Lekman, que traduz seus pensamentos completamente em cada uma das músicas.
Jens Lekman – An Argument With Myself
Megafaun – Megafaun (Hometapes)
Do desmembramento da banda DeYarmond Edison nasceram dois novos grupos: Justin Vernon e a simplicidade acústica de seu Bon Iver e o experimental Megafaun. Em 2011, os dois grupos se encontraram em um meio termo. Enquanto Bon Iver se arriscou em um disco complexo, o Megafaun simplificou suas melodias. E o resultado foram dois grandes álbuns autoentitulados, destinados a marcarem as carreiras de seus criadores.
Megafaun, o álbum, não é apenas o álbum mais completo e equibrado do trio folk. É um dos álbuns mais completos e equibrados do ano, paciente, longo e imersivo, com influências que variam de clássicos como Grateful Dead e CSNY a bandas recentes como Wilco e Fleet Foxes. Metais na instrumental Isadora, guitarras “Western” em Scorned, faixas acessíveis como State Meant e Second Friend e experimentais como o quase “folk/dubstep” de These Words, e acima de tudo, o convite irrecusável da faixa de abertura Real Slow transformam Megafaun em um dos álbuns mais interessantes de 2011, cuja grande ambição é transformar o experimental em uma experiência de “easy listening” ímpar.
Megafaun – These Words
Tammar – Visits (Suicide Squeeze Records)
Por muito pouco esse disco de estreia do Tammar não é perfeito. Há um solo de guitarra aqui e ali sobrando, o que quebra por vezes o barato, mas de resto, desde a abertura impressionante de Heavy Tonight até o fechamento com Frost Meter, são sete músicas pra fazer girar sua cabeça de um modo como pouca gente consegue hoje. Visits, o primeiro álbum desse quinteto de Indiana, Esteites, é pura hipnose: loops envolventes de guitarras, pedais arrepiantes, vocais preguiçosos…
Experimente fechar os olhos e não viajar com a inebriante The Last Line. Ou entrar num espectro de luzes brilhantes com Yung Jun. Impossível. O Tammar resgata as dementes vibrações psicodélicas do Spacemen 3 (inclusive da fase menos adorada, de Recurring) e do 13Th Floor Elevators, e, a partir da mente contaminada de Dave Walter, apresenta sua sessão privada de psiquiatria sonora. Um ácido bem ajambrado num laboratório de primeira não faria tanto efeito.
Tammar – The Last Line













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