
Arte por Vitor Brito Pereira
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Lucio Ribeiro (Popload):
“Faz exatos dez anos que minha vida mudou, que a sua vida mudou. Por uma série de acontecimentos de 2001, mas um deles em especial: quando uma banda de filhinhos-de-papai resolveu lançar um disco de rock sujinho e absurdo de tão “normal”, mas que chacoalharia o rock de tal modo que, ouso dizer, ajudou meu nome a ser mantido onde estou até agora. Ajudou blogs como o Rock ‘n’ Beats a estar onde estão, do jeito que estão fazendo o que estão fazendo, neste longínquo outubro de 2011, reunindo um monte de banda indie boa para lançar um tributo abrasileirado ao Is This It, o disco que tornou então nossas vidas mais, digamos, movimentada.
Ao ser convidado para fazer essa abertura do disco Is This Indie, a homenagem brasileira do Rock ‘n’ Beats, fui ao Google buscar meus textos de 2001 no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, e na seção virtual Pensata, da Folha Online, para tentar sentir de novo o que eu senti com a chegada dos Strokes à cena, e alguns meses depois, a chegada do Is This It à cena.
Vendo os textos “empolgadinhos”, lembro-me da conversa que eu tive com meu editor para tentar cavar um bom espaço na Folha para registrarmos no jornal, em abril de 2001, “esse grupo novo que está surgindo”:
- Você não queria que a gente arriscasse a falar mais de bandas novas? Chegou a oportunidade. Eles são de Nova York, estão causando um barulho danado e tudo indica que é só o começo.
- Beleza, me dá o disco deles para eu ouvir, uma hora a gente dá os caras.
- Então, eles não têm disco. Não têm nem gravadora. Na verdade têm só três músicas. Eu tenho duas delas. Estou tentando baixar a terceira no Napster, mas não estou conseguindo achar no Audiogalaxy ou no Kazaa. Vamos dar os caras JÁ?
- Como assim três músicas apenas? O que é Kazaa? O que o New York Times falou deles?
- O NYT nem sabe que eles existem. Poucos em Nova York sabem quem são eles. Eles estão estourando na Inglaterra, mas ainda um nível “alternativo”.
- Mas eles não são de Nova York? E o que você quer para eles? Não rola uma resenha de disco se eles não têm disco.
- Resenha de disco? A gente precisa dar uma capa para eles.
- Você não acha capa um pouco exagerado nesse caso?
- Eles têm um brasileiro na banda. O cara não fala português mas é carioca. E uma das duas músicas deles se chama The Modern Age. Eles são a própria “era moderna”, mesmo parecendo um Velvet Underground adolescente e cheio de marra.
- Você é quem sabe. Depois de três meses a banda some e vão falar que a gente fica desperdiçando espaço. Mas vamos nessa.
Corte para 2011.
Reunião de pauta imaginária do site Rock ‘n’ Beats:
- Vamos fazer uma coletânea virtual bem legal só com banda indie brasileira do primeiro disco dos Strokes. A gente lança na semana antes de eles tocarem no Brasil pela segunda vez. Aproveitamos a falação em torno do show no festival, que esgotou os ingressos em poucas horas. Vamos chamar a Banda Uó, grupo goiano de tecnobrega paraense, para cantar o megaultrahit Last Nite.
- Demorô!”
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Marcelo Costa (Scream & Yell):
“Quando o Scream & Yell reuniu, em dezembro de 2009, um grupo seleto de jornalistas, blogueiros, músicos e amantes de música pretendendo eleger os 20 melhores discos dos anos 00, o primeiro lugar já tinha dono. Muitos queriam que fosse um disco do Wilco, outros do Radiohead e ainda havia aqueles que acreditavam que o Arcade Fire fosse o dono do álbum mais emblemático dos anos 00, mas a coroa, desde 25 de setembro de 2001, já tinha sido tomada por cinco moradores de Manhattan.
O barulho de Is This It começou, na verdade, alguns meses antes, quando o EP The Modern Age, com a faixa título mais Last Nite e Barely Legal, chegou às lojas – e à internet. O burburinho foi mais rápido que a internet discada da época poderia supor e o hype se formou. Sem sequer ter um disco lançado, os Strokes transformaram-se na grande promessa do novo milênio lotando páginas de jornais e revistas ao redor do mundo – Brasil incluso, né Lúcio Ribeiro : P
O bafafá era tanto em torno do grupo que uma loja em São Paulo, a Velvet Cds, vendeu – no mínimo – 300 cópias de um bootleg que juntava o badalado primeiro single com faixas ao vivo e demo-tapes (brincava-se no balcão que eles mereciam um “disco de latão” pela vendagem estratosférica do CD hoje raro) numa demonstração de que a cobrança pelo primeiro disco seria imensa: o público queria os Strokes, e queria já.
Veio então o single Hard to Explain em junho, e o álbum Is This It, em setembro. O barulho do hype não garantiu ao Strokes nem o Top 20 da Billboard (o disco bateu no número 33 do chart norte-americano), mas o estrago já estava feito: a molecada dos anos 00 já tinha um disco de rock para chamar de seu, e dezenas de bandas começaram a surgir dos dois lados do Atlântico em um movimento cinicamente apelidado de Novo Rock (que de novo só tinha a idade dos integrantes).
A aura de Is This It pode surpreender alguns, mas, tendo História do Rock como exemplo, discos como este não se tornam retratos de época por acaso. O que Julian, Nikolai, Albert, Fabrizio e Nick conseguiram com este disco foi condensar um pequeno fragmento de juventude em pouco mais de 36 minutos de música. Não qualquer juventude, mas a juventude de seu tempo, do tempo em que eles viviam. É como se eles olhassem nos olhos dos amigos com certo desleixo e dissessem: é isso.
Muita coisa aconteceu de 2001 pra cá, mas Is This It ainda carrega um frescor que inspira muita gente, como os 14 nomes que o Rock ‘n’ Beats reúne nesta coletânea exclusiva e comemorativa. Do carioca Cícero aos pernambucanos da Volver; dos gaúchos da Pública aos baianos do Vivendo do Ócio; dos paranaenses do Charme Chulo aos goianos da Banda Uó e aos paulistas da Jennifer Lo-Fi, entre outros, um leque de possibilidades de revisão de um repertório brilhante.
É uma homenagem especial não só para um álbum que completa 10 anos, mas também para uma banda que chega ao Brasil cercada de mistérios. O mesmo hype que os elevou ao posto de sensação pop agora quer enterrá-los ao final desta turnê. Se sim ou se não, é assunto para outro momento. O que importa é que, ironicamente, eles mesmos sabem que todo mundo esteve cantando as mesmas músicas nos últimos 10 anos. E agora você pode ouvi-las novamente… mas de forma diferente.
É bom namorar o passado, mas lembre-se: estamos em 2011. Aperte o play e sorria. Is This It.“

Há dez anos um grupo de cinco novaiorquinos chamado The Strokes lançou Is This It. Para homenagear o disco, o Rock ‘n’ Beats convidou bandas brasileiras para tocá-lo na na íntegra em uma releitura particular deste emblemático álbum – incluímos duas faixas bônus ao projeto, uma segunda versão de Last Nite e uma música nunca gravada pelo Strokes. E o resultado é Is This Indie, muito bem apresentado pelos jornalistas Lucio Ribeiro e Marcelo Costa.
Além de lembrar a importância do disco, escolhemos bandas de sete estados brasileiros pensando em representar a diversidade da atual música independente brasileira. A coletânea não mostra necessariamente as aceleradas guitarras do Strokes, mas a criatividade de quem ajuda a construir a identidade de um período da produção nacional. São 14 bandas de sete estados deste país, cada uma tocou uma faixa.
O download da Is This Indie será disponibilizado em primeira mão nesta sexta-feira para quem for à festa de lançamento no Beco 203, em São Paulo. Quem não estiver por lá vai ter de esperar mais um pouquinho: o disco estará no Rock ‘n’ Beats em breve também.
A coletânea também serve como um esquenta para a quinta edição do festival Planeta Terra que traz os rapazes ao Brasil. O Strokes é a atração principal do festival, que tem ainda shows de Peter Bjorn and John, White Lies, Interpol, Beady Eye, entre outros.
Conheça as faixas e as bandas participantes do Is This Indie:
Volver – Is This It
A faixa-título que abre o disco ganhou, com a banda Volver, uma nova atmosfera. A introdução da música do Strokes — marcada pela bateria que precede o vocal arrastado de Julian Casablancas — foi substituída por notas alegres de piano, simulando os riffs de guitarra que compõem a canção original. O resultado final é uma versão feita de acordes limpos e arranjos característicos dos pernambucanos, acompanhados de estilo e sotaque peculiares do vocalista Bruno Souto. (Luiza Judice)
Vivendo do Ócio – The Modern Age
A música que começou tudo. The Modern Age, que emprestou seu título para o primeiro EP do Strokes e iniciou uma verdadeira guerra de gravadoras pela banda, ganha na versão da banda baiana Vivendo do Ócio um apoio extra ao seu riff marcado de guitarra e bateria: palmas rítmicas. Um dos maiores clássicos dos novaiorquinos, com seu ótimo solo e a voz de Jajá encarnando o estilo único de Julian Casablancas. (Ana Clara Matta)
João e Os Poetas de Cabelo Solto – Soma
>De primeira, pode parecer que os campineiros da João e Os Poetas de Cabelo Solto fizeram uma versão bastante fiel à dos novaiorquinos – o vocal de Lucas Camporezzi segue na mesma linha de Julian Casablancas, e o instrumental é praticamente idêntico. Mas vindo de uma banda que tem metais em sua composição, a gente pode esperar mais: e eles dão. A combinação dos metais mais coro que chega à faixa é imperdível. (Izadora Pimenta)
Cícero – Barely Legal
Para Cícero, a releitura que fez de Barely Legal foi como engatar numa continuação do que já vinha sido trabalhado em Canções de Apartamento. Pra quem já curtiu o teaser, o cantor rebate dizendo que a melhor parte você ainda não ouviu: a guitarra. A faixa deixa de ter o vocal desleixado com batidas garageiras e vai de encontro a um som doce, intimista e bem aplicado, que encanta já nos primeiros segundos. Palavras de um grande entusiasta traduzem a proposta de Cícero: “Aquela MPB clássica, que vai aos poucos realmente se desconstruindo e vira um rock ruidoso e quebrado. Como se essa mistura fosse a coisa mais natural do mundo.” (Fernando Galassi)
Sabonetes – Someday
A versão que a banda paranaense Sabonetes fez para Someday pode ser considerada um acústico da música de Julian e cia. Esqueça a bateria e as guitarras que marcam o ritmo da original, o instrumento que se destaca agora é o teclado. Aliás, a “nova” Someday é basicamente isso: teclado, voz e uma singela percussão. Uma espécie de calma e nostalgia paira na música. Old days… dez anos… someday. (Soraia Alves)
Pública – Alone Together
Os gaúchos da Pública reconstruiram Alone, Together - presença frequente nos últimos set lists do Strokes - de tal maneira que vai ser impossível ouvir a original da mesma forma após dar o play nessa versão. Marcada por guitarras e baterias furiosas na original, a faixa é transformada em uma baladinha boa para ouvir ao final da tarde pela turma de Pedro Metz. (Izadora Pimenta)
Vespas Mandarinas – Last Nite
Em 1977, Iggy Pop lançou, na companhia de David Bowie, Lust For Life, presença frequente nas pistas de dança e em listas de melhores músicas de todos os tempos. Em 2001, o Strokes lançou Last Nite, presença frequente nas pistas de dança e em listas de melhores músicas de todos os tempos. Em 2011, a Vespas Mandarinas pegou as duas e colocou em uma só, simplesmente. (Izadora Pimenta)
Volantes – Hard To Explain
As linhas melódicas da gravação original ganham um clima atmosférico nesta versão dos gaúchos do Volantes. O quinteto optou por não explorar a explosão punk-pop sujo da estreia dos novaiorquinos e criou uma leitura delicada de Hard To Explain. O vocal de Arthur Teixeira é o destaque da faixa. Na pose de trovador, ele esperar a companhia do restante do grupo, sendo responsável pelo sublimes minutos inicias que ao poucos se rendem à garagem de Julian e cia. (Vinícius Cunha)
R Sigma – New York City Cops
Um dos momentos mais “punk” de Is This It, com seu ritmo acelerado e seu conteúdo polêmico, New York City Cops tem sua fúria controlada pela banda R. Sigma, que troca a catarse por uma guitarra mais cristalina, acompanhando sutilmente o ritmo marcado da bateria e baixo. O refrão perde o acompanhamento instrumental, em uma medida ousada, e até um trecho de “Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones” ganha espaço na mistura. (Ana Clara Matta)
Suéteres - Trying Your Luck
O Strokes encontra o rock do interior na releitura do Suéteres para Trying Your Luck. O quarteto de Pirassununga-SP não banca de rogado e traz essa interpretação inspirada da composição que versa sobre as mudanças na vida amorosa de um homem. Em pouco mais de quatro minutos, o Suéteres desconstrói a versão original inserindo vocais sussurantes, instrumental folk e até solo de guitarra. A desilusão amorosa escrita por Julian Casablancas fica bem mais dolorida na cartilha da terra da aguardente. (Vinícius Cunha)
Charme Chulo - Take It Or Leave It
Trazer a moda de viola para o universo indie. Um desafio que o Charme Chulo aceitou e executou com competência em sua versão de Take It Or Leave It. O rock sujo dos Strokes encontrou na viola caipira desses curitibanos a possibilidade de romper com um universo que é cada vez mais difícil se reinventar. A faixa ganha fôlego no universo sertanejo colocando em xeque aqueles conceitos prévios sobre o gênero. O rock regional e dançante se apresenta aberto às experiências pontuado pelo sotaque do vocalista Igor Filus e pela guitarra que presta homenagem com riff agudos, característicos dos novaiorquinos. (Vinícius Cunha)
Jennifer Lo-Fi – When It Started
A faixa ganhou um tratamento completamente inovador nas mãos da banda Jennifer Lo-Fi. As influências do post-rock transparecem nessa versão de When it started, que deixa suas origens garageiras e submerge o ouvinte com uma produção claustrofóbica e experimental, metais e distorções. Uma verdadeira reinvenção. (Ana Clara Matta)
Banda Uó – Rosa
10 entre 10 pessoas que conhecem Strokes sabem cantar ou ao menos balbuciar Last Nite, a música mais popular de Is This It. Pra representar tamanha popularidade, nada mais adequado que um novo fenômeno agradável ao povão com seu New Melody, a Banda Uó. A desconstrução da faixa é total, transformando um rock de voz rasgada em um eletrobrega com pegada chill out, repleto de sintetizadores e uma letra inusitada: um cara que quer tirar a prostituta Rosa da sua rotina de trabalho. É uma das faixas-bônus desta coletânea, que já ganhou até videoclipe(Fernando Galassi)
Visitantes – Sagganuts
Sagganuts é considerada raridade. Não está em nenhum álbum oficial do Strokes, mas por ter sido apresentada ao vivo lá por 2000, poderia estar em Is This It. Os Visitantes mantiveram a energia da música que já foi comparada com Run Run Run, do The Velvet Underground. A reação ao ouvir é empolgante, e fica a pergunta: por que o Strokes nunca gravou oficialmente a canção?. (Soraia Alves)















março 28, 2012 às 14:15
[...] participaram do albúm “Is this Indie” com uma versão de “Soma”. O trabalho é uma releitura do álbum “Is this it” do The [...]
março 30, 2012 às 12:02
[...] Diários de Anteontem estará no próximo álbum da banda, com lançamento previsto para este ano. O último lançamento da Suéteres foi uma versão para a faixa Trying Your Luck, do Strokes, parte da nossa coletânea Is This Indie. [...]
abril 24, 2012 às 03:33
[...] Clique AQUI para ouvir e baixar. [...]
maio 31, 2012 às 11:48
[...] perto disso. Com isso ampliou a base de fãs, rendendo convites para participar das coletâneas “Is This Indie” (em homenagem aos 10 anos do disco de estréia do The Strokes) e “Re-Trato” (celebrando os [...]
junho 22, 2012 às 13:10
[...] Para fazer download do disco, só clicar aqui. [...]
agosto 23, 2012 às 12:03
[...] Publicado em 23 agosto, 2012 – Nenhum Comentário Não só de novas versões da Jovem Guarda vivem os Sabonetes. A banda de Curitiba participou do programa Rock S/ Dono, que faz parte da programação da USPfm (93.7 em São Paulo), e fez duas ótimas apresentações de música que adoramos. A primeira é da música Hey da banda Pixies, seguido pela versão Someday do The Strokes (em uma versão bem diferente da feita para nossa coletânea). [...]
dezembro 10, 2012 às 08:15
[...] loop as well as the tribute album made by Brazilian bands on the tenth anniversary of Is This It, Is This Indie. This week’s song comes from the album and I have to admit I love it simply because it is [...]