vBulletin stats
Is This Indie: bandas brasileiras regravam primeiro álbum do Strokes | Rock 'n' Beats

Is This Indie: bandas brasileiras regravam disco “Is This It”, do Strokes

Postado por Rock 'n' Beats. Posted in Destaque, Especiais, Internacional, Is This Indie, Nacionais

Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

Publicado em 31 outubro, 2011 - 19 Comentários

is this indie rock 'n' beats

Arte por Vitor Brito Pereira

 

Lucio Ribeiro (Popload):

“Faz exatos dez anos que minha vida mudou, que a sua vida mudou. Por uma série de acontecimentos de 2001, mas um deles em especial: quando uma banda de filhinhos-de-papai resolveu lançar um disco de rock sujinho e absurdo de tão “normal”, mas que chacoalharia o rock de tal modo que, ouso dizer, ajudou meu nome a ser mantido onde estou até agora. Ajudou blogs como o Rock ‘n’ Beats a estar onde estão, do jeito que estão fazendo o que estão fazendo, neste longínquo outubro de 2011, reunindo um monte de banda indie boa para lançar um tributo abrasileirado ao Is This It, o disco que tornou então nossas vidas mais, digamos, movimentada.

Ao ser convidado para fazer essa abertura do disco Is This Indie, a homenagem brasileira do Rock ‘n’ Beats, fui ao Google buscar meus textos de 2001 no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, e na seção virtual Pensata, da Folha Online, para tentar sentir de novo o que eu senti com a chegada dos Strokes à cena, e alguns meses depois, a chegada do Is This It à cena.

Vendo os textos “empolgadinhos”, lembro-me da conversa que eu tive com meu editor para tentar cavar um bom espaço na Folha para registrarmos no jornal, em abril de 2001, “esse grupo novo que está surgindo”:

- Você não queria que a gente arriscasse a falar mais de bandas novas? Chegou a oportunidade. Eles são de Nova York, estão causando um barulho danado e tudo indica que é só o começo.

- Beleza, me dá o disco deles para eu ouvir, uma hora a gente dá os caras.

- Então, eles não têm disco. Não têm nem gravadora. Na verdade têm só três músicas.  Eu tenho duas delas. Estou tentando baixar a terceira no Napster, mas não estou conseguindo achar no Audiogalaxy ou no Kazaa. Vamos dar os caras JÁ?

- Como assim três músicas apenas? O que é Kazaa? O que o New York Times falou deles?

- O NYT nem sabe que eles existem. Poucos em Nova York sabem quem são eles. Eles estão estourando na Inglaterra, mas ainda um nível “alternativo”.

- Mas eles não são de Nova York? E o que você quer para eles? Não rola uma resenha de disco se eles não têm disco.

- Resenha de disco? A gente precisa dar uma capa para eles.

- Você não acha capa um pouco exagerado nesse caso?

- Eles têm um brasileiro na banda. O cara não fala português mas é carioca. E uma das duas músicas deles se chama The Modern Age.  Eles são a própria “era moderna”, mesmo parecendo um Velvet Underground adolescente e cheio de marra.

- Você é quem sabe. Depois de três meses a banda some e vão falar que a gente fica desperdiçando espaço. Mas vamos nessa.

Corte para 2011.

Reunião de pauta imaginária do site Rock ‘n’ Beats:

- Vamos fazer uma coletânea virtual bem legal só com banda indie brasileira do primeiro disco dos Strokes. A gente lança na semana antes de eles tocarem no Brasil pela segunda vez. Aproveitamos a falação em torno do show no festival, que esgotou os ingressos em poucas horas. Vamos chamar a Banda Uó, grupo goiano de tecnobrega paraense, para cantar o megaultrahit Last Nite.

- Demorô!”

 

Marcelo Costa (Scream & Yell):

“Quando o Scream & Yell reuniu, em dezembro de 2009, um grupo seleto de jornalistas, blogueiros, músicos e amantes de música pretendendo eleger os 20 melhores discos dos anos 00, o primeiro lugar já tinha dono. Muitos queriam que fosse um disco do Wilco, outros do Radiohead e ainda havia aqueles que acreditavam que o Arcade Fire fosse o dono do álbum mais emblemático dos anos 00, mas a coroa, desde 25 de setembro de 2001, já tinha sido tomada por cinco moradores de Manhattan.

O barulho de Is This It começou, na verdade, alguns meses antes, quando o EP The Modern Age, com a faixa título mais Last Nite e Barely Legal, chegou às lojas – e à internet. O burburinho foi mais rápido que a internet discada da época poderia supor e o hype se formou. Sem sequer ter um disco lançado, os Strokes transformaram-se na grande promessa do novo milênio lotando páginas de jornais e revistas ao redor do mundo – Brasil incluso, né Lúcio Ribeiro : P

O bafafá era tanto em torno do grupo que uma loja em São Paulo, a Velvet Cds, vendeu – no mínimo – 300 cópias de um bootleg que juntava o badalado primeiro single com faixas ao vivo e demo-tapes (brincava-se no balcão que eles mereciam um “disco de latão” pela vendagem estratosférica do CD hoje raro) numa demonstração de que a cobrança pelo primeiro disco seria imensa: o público queria os Strokes, e queria já.

Veio então o single Hard to Explain em junho, e o álbum Is This It, em setembro. O barulho do hype não garantiu ao Strokes nem o Top 20 da Billboard (o disco bateu no número 33 do chart norte-americano), mas o estrago já estava feito: a molecada dos anos 00 já tinha um disco de rock para chamar de seu, e dezenas de bandas começaram a surgir dos dois lados do Atlântico em um movimento cinicamente apelidado de Novo Rock (que de novo só tinha a idade dos integrantes).

A aura de Is This It pode surpreender alguns, mas, tendo História do Rock como exemplo, discos como este não se tornam retratos de época por acaso. O que Julian, Nikolai, Albert, Fabrizio e Nick conseguiram com este disco foi condensar um pequeno fragmento de juventude em pouco mais de 36 minutos de música. Não qualquer juventude, mas a juventude de seu tempo, do tempo em que eles viviam. É como se eles olhassem nos olhos dos amigos com certo desleixo e dissessem: é isso.

Muita coisa aconteceu de 2001 pra cá, mas Is This It ainda carrega um frescor que inspira muita gente, como os 14 nomes que o Rock ‘n’ Beats reúne nesta coletânea exclusiva e comemorativa. Do carioca Cícero aos pernambucanos da Volver; dos gaúchos da Pública aos baianos do Vivendo do Ócio; dos paranaenses do Charme Chulo aos goianos da Banda Uó e aos paulistas da Jennifer Lo-Fi, entre outros, um leque de possibilidades de revisão de um repertório brilhante.

É uma homenagem especial não só para um álbum que completa 10 anos, mas também para uma banda que chega ao Brasil cercada de mistérios. O mesmo hype que os elevou ao posto de sensação pop agora quer enterrá-los ao final desta turnê. Se sim ou se não, é assunto para outro momento. O que importa é que, ironicamente, eles mesmos sabem que todo mundo esteve cantando as mesmas músicas nos últimos 10 anos. E agora você pode ouvi-las novamente… mas de forma diferente.

É bom namorar o passado, mas lembre-se: estamos em 2011. Aperte o play e sorria. Is This It.

Há dez anos um grupo de cinco novaiorquinos chamado The Strokes lançou Is This It. Para homenagear o disco, o Rock ‘n’ Beats convidou bandas brasileiras para tocá-lo na na íntegra em uma releitura particular deste emblemático álbum – incluímos duas faixas bônus ao projeto, uma segunda versão de Last Nite e uma música nunca gravada pelo Strokes. E o resultado é Is This Indie, muito bem apresentado pelos jornalistas Lucio Ribeiro e Marcelo Costa.

Além de lembrar a importância do disco, escolhemos bandas de sete estados brasileiros pensando em representar a diversidade da atual música independente brasileira. A coletânea não mostra necessariamente as aceleradas guitarras do Strokes, mas a criatividade de quem ajuda a construir a identidade de um período da produção nacional. São 14 bandas de sete estados deste país, cada uma tocou uma faixa.

A coletânea também serve como um esquenta para a quinta edição do festival Planeta Terra que traz os rapazes ao Brasil. O Strokes é a atração principal do festival, que tem ainda shows de Peter Bjorn and John, White Lies, Interpol, Beady Eye, entre outros.

Conheça as faixas e as bandas participantes do Is This Indie:

VolverIs This It

A faixa-título que abre o disco ganhou, com a banda Volver, uma nova atmosfera. A introdução da música do Strokes — marcada pela bateria que precede o vocal arrastado de Julian Casablancas — foi substituída por notas alegres de piano, simulando os riffs de guitarra que compõem a canção original. O resultado final é uma versão feita de acordes limpos e arranjos característicos dos pernambucanos, acompanhados de estilo e sotaque peculiares do vocalista Bruno Souto. (Luiza Judice)

Vivendo do ÓcioThe Modern Age

A música que começou tudo. The Modern Age, que emprestou seu título para o primeiro EP do Strokes e iniciou uma verdadeira guerra de gravadoras pela banda, ganha na versão da banda baiana Vivendo do Ócio um apoio extra ao seu riff marcado de guitarra e bateria: palmas rítmicas. Um dos maiores clássicos dos novaiorquinos, com seu ótimo solo e a voz de Jajá encarnando o estilo único de Julian Casablancas. (Ana Clara Matta)

João e Os Poetas de Cabelo SoltoSoma

>De primeira, pode parecer que os campineiros da João e Os Poetas de Cabelo Solto fizeram uma versão bastante fiel à dos novaiorquinos – o vocal de Lucas Camporezzi segue na mesma linha de Julian Casablancas, e o instrumental é praticamente idêntico. Mas vindo de uma banda que tem metais em sua composição, a gente pode esperar mais: e eles dão. A combinação dos metais mais coro que chega à faixa é imperdível. (Izadora Pimenta)

CíceroBarely Legal

Para Cícero, a releitura que fez de Barely Legal foi como engatar numa continuação do que já vinha sido trabalhado em Canções de Apartamento. Pra quem já curtiu o teaser, o cantor rebate dizendo que a melhor parte você ainda não ouviu: a guitarra.  A faixa deixa de ter o vocal desleixado com batidas garageiras e vai de encontro a um som doce, intimista e bem aplicado, que encanta já nos primeiros segundos. Palavras de um grande entusiasta traduzem a proposta de Cícero: “Aquela MPB clássica, que vai aos poucos realmente se desconstruindo e vira um rock ruidoso e quebrado. Como se essa mistura fosse a coisa mais natural do mundo.” (Fernando Galassi)

SabonetesSomeday

A versão que a banda paranaense Sabonetes fez para Someday pode ser considerada um acústico da música de Julian e cia. Esqueça a bateria e as guitarras que marcam o ritmo da original, o instrumento que se destaca agora é o teclado. Aliás, a “nova” Someday é basicamente isso: teclado, voz e uma singela percussão. Uma espécie de calma e nostalgia paira na música. Old days… dez anos… someday. (Soraia Alves)

PúblicaAlone Together

Os gaúchos da Pública reconstruiram Alone, Together - presença frequente nos últimos set lists do Strokes  - de tal maneira que vai ser impossível ouvir a original da mesma forma após dar o play nessa versão. Marcada por guitarras e baterias furiosas na original, a faixa é transformada em uma baladinha boa para ouvir ao final da tarde pela turma de Pedro Metz. (Izadora Pimenta)

Vespas MandarinasLast Nite

Em 1977, Iggy Pop lançou, na companhia de David Bowie, Lust For Life, presença frequente nas pistas de dança e em listas de melhores músicas de todos os tempos. Em 2001, o Strokes lançou Last Nite, presença frequente nas pistas de dança e em listas de melhores músicas de todos os tempos. Em 2011, a Vespas Mandarinas pegou as duas e colocou em uma só, simplesmente. (Izadora Pimenta)

VolantesHard To Explain

As linhas melódicas da gravação original ganham um clima atmosférico nesta versão dos gaúchos do Volantes. O quinteto optou por não explorar a explosão punk-pop sujo da estreia dos novaiorquinos e criou uma leitura delicada de Hard To Explain. O vocal de Arthur Teixeira é o destaque da faixa. Na pose de trovador, ele esperar a companhia do restante do grupo, sendo responsável pelo sublimes minutos inicias que ao poucos se rendem à garagem de Julian e cia. (Vinícius Cunha)

R SigmaNew York City Cops

Um dos momentos mais “punk” de Is This It, com seu ritmo acelerado e seu conteúdo polêmico, New York City Cops tem sua fúria controlada pela banda R. Sigma, que troca a catarse por uma guitarra mais cristalina, acompanhando sutilmente o ritmo marcado da bateria e baixo. O refrão perde o acompanhamento instrumental, em uma medida ousada, e até um trecho de “Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones” ganha espaço na mistura. (Ana Clara Matta)

Suéteres - Trying Your Luck

O Strokes encontra o rock do interior na releitura do Suéteres para Trying Your Luck. O quarteto de Pirassununga-SP não banca de rogado e traz essa interpretação inspirada da composição que versa sobre as mudanças na vida amorosa de um homem. Em pouco mais de quatro minutos, o Suéteres desconstrói a versão original inserindo vocais sussurantes, instrumental folk e até solo de guitarra. A desilusão amorosa escrita por Julian Casablancas fica bem mais dolorida na cartilha da terra da aguardente. (Vinícius Cunha)

Charme Chulo - Take It Or Leave It

Trazer a moda de viola para o universo indie. Um desafio que o Charme Chulo aceitou e executou com competência em sua versão de Take It Or Leave It. O rock sujo dos Strokes encontrou na viola caipira desses curitibanos a possibilidade de romper com um universo que é cada vez mais difícil se reinventar. A faixa ganha fôlego no universo sertanejo colocando em xeque aqueles conceitos prévios sobre o gênero. O rock regional e dançante se apresenta aberto às experiências pontuado pelo sotaque do vocalista Igor Filus e pela guitarra que presta homenagem com riff agudos, característicos dos novaiorquinos. (Vinícius Cunha)

Jennifer Lo-FiWhen It Started

A faixa ganhou um tratamento completamente inovador nas mãos da banda Jennifer Lo-Fi. As influências do post-rock transparecem nessa versão de When it started, que deixa suas origens garageiras e submerge o ouvinte com uma produção claustrofóbica e experimental, metais e distorções. Uma verdadeira reinvenção. (Ana Clara Matta)

Banda UóRosa

10 entre 10 pessoas que conhecem Strokes sabem cantar ou ao menos balbuciar Last Nite, a música mais popular de Is This It. Pra representar tamanha popularidade, nada mais adequado que um novo fenômeno agradável ao povão com seu New Melody, a Banda Uó. A desconstrução da faixa é total, transformando um rock de voz rasgada em um eletrobrega com pegada chill out, repleto de sintetizadores e uma letra inusitada: um cara que quer tirar a prostituta Rosa da sua rotina de trabalho. É uma das faixas-bônus desta coletânea, que já ganhou até videoclipe(Fernando Galassi)

VisitantesSagganuts

Sagganuts é considerada raridade. Não está em nenhum álbum oficial do Strokes, mas por ter sido apresentada ao vivo lá por 2000, poderia estar em Is This It. Os Visitantes mantiveram a energia da música que já foi comparada com Run Run Run, do The Velvet Underground. A reação ao ouvir é empolgante, e fica a pergunta: por que o Strokes nunca gravou oficialmente a canção?. (Soraia Alves)

Baixe o release do projeto.

Baixe aqui a coletânea completa

 

Sobre Rock 'n' Beats

Veja outros artigos de Rock 'n' Beats

Comente usando o Facebook!

19 Comentários

Existem atualmente 19 Comentários no Is This Indie: bandas brasileiras regravam disco “Is This It”, do Strokes. Deixe seu comentário

  1. [...] participaram do albúm “Is this Indie” com uma versão de “Soma”. O trabalho é uma releitura do álbum “Is this it” do The [...]

  2. [...] Diários de Anteontem estará no próximo álbum da banda, com lançamento previsto para este ano. O último lançamento da Suéteres foi uma versão para a faixa Trying Your Luck, do Strokes, parte da nossa coletânea Is This Indie. [...]

  3. [...] perto disso. Com isso ampliou a base de fãs, rendendo convites para participar das coletâneas “Is This Indie” (em homenagem aos 10 anos do disco de estréia do The Strokes) e “Re-Trato” (celebrando os [...]

  4. [...] Para fazer download do disco, só clicar aqui. [...]

  5. [...] Publicado em 23 agosto, 2012 – Nenhum Comentário Não só de novas versões da Jovem Guarda vivem os Sabonetes. A banda de Curitiba participou do programa Rock S/ Dono, que faz parte da programação da USPfm (93.7 em São Paulo), e fez duas ótimas apresentações de música que adoramos. A primeira é da música Hey da banda Pixies, seguido pela versão Someday do The Strokes (em uma versão bem diferente da feita para nossa coletânea). [...]

  6. [...] loop as well as the tribute album made by Brazilian bands on the tenth anniversary of Is This It, Is This Indie.  This week’s song comes from the album and I have to admit I love it simply because it is [...]

  7. [...] 10 anos em 2011 o Rock ‘n’ Beats juntou uma galera e fez uma homenagem e titularam: Is this Indie, com as bandas : Volver, Cícero, R.Sigma e entre [...]

  8. […] história – sendo, sobretudo, parte essencial para que algumas músicas da nossa coletânea Is This Indie criassem vida. Sem o Daniel Corrêa, talvez nunca teríamos ouvido Barely Legal na versão de […]

  9. […] Com o Rock ‘n’ Beats ajudei na produção da releitura do disco “This Is It” da banda The Strokes. As músicas foram gravadas pelas próprias bandas, enviadas ao Rock ‘n’ Beats e reunidas no disco. Postamos o álbum com textos de Lúcio Ribeiro, Marcelo Costa e resenha do disco por boa parte da equipe do site. Link. […]

  10. […] no projeto: concepção e produção (com Davi Rocha)   Publicado em 31/10/2011 no Rock ‘n’ Beats   Há dez anos um grupo de cinco novaiorquinos chamado The Strokes lançou Is This It. Para […]

  11. […] Publicado em 31/10/2011 no Rock ‘n’ Beats Há dez anos um grupo de cinco novaiorquinos chamado The Strokes lançou Is This It. Para homenagear o disco, o Rock ‘n’ Beats convidou bandas brasileiras para tocá-lo na na íntegra em uma releitura particular deste emblemático álbum – incluímos duas faixas bônus ao projeto, uma segunda versão de Last Nite e uma música nunca gravada pelo Strokes. E o resultado é Is This Indie, muito bem apresentado pelos jornalistas Lucio Ribeiro e Marcelo Costa. Além de lembrar a importância do disco, escolhemos bandas de sete estados brasileiros pensando em representar a diversidade da atual música independente brasileira. A coletânea não mostra necessariamente as aceleradas guitarras do Strokes, mas a criatividade de quem ajuda a construir a identidade de um período da produção nacional. São 14 bandas de sete estados deste país, cada uma tocou uma faixa. O download da Is This Indie  será disponibilizado em primeira mão nesta sexta-feira para quem for à festa de lançamento no Beco 203, em São Paulo. Quem não estiver por lá vai ter de esperar mais um pouquinho: o disco estará no Rock ‘n’ Beats em breve também. A coletânea também serve como um esquenta para a quinta edição do festival Planeta Terra que traz os rapazes ao Brasil. O Strokes é a atração principal do festival, que tem ainda shows de Peter Bjorn and John, White Lies, Interpol, Beady Eye, entre outros. Conheça as faixas e as bandas participantes do Is This Indie: Volver – Is This It A faixa-título que abre o disco ganhou, com a banda Volver, uma nova atmosfera. A introdução da música do Strokes — marcada pela bateria que precede o vocal arrastado de Julian Casablancas — foi substituída por notas alegres de piano, simulando os riffs de guitarra que compõem a canção original. O resultado final é uma versão feita de acordes limpos e arranjos característicos dos pernambucanos, acompanhados de estilo e sotaque peculiares do vocalista Bruno Souto. (Luiza Judice) Vivendo do Ócio – The Modern Age A música que começou tudo. The Modern Age, que emprestou seu título para o primeiro EP doStrokes e iniciou uma verdadeira guerra de gravadoras pela banda, ganha na versão da banda baiana Vivendo do Ócio um apoio extra ao seu riff marcado de guitarra e bateria: palmas rítmicas. Um dos maiores clássicos dos novaiorquinos, com seu ótimo solo e a voz de Jajá encarnando o estilo único de Julian Casablancas. (Ana Clara Matta) João e Os Poetas de Cabelo Solto – Soma >De primeira, pode parecer que os campineiros da João e Os Poetas de Cabelo Solto fizeram uma versão bastante fiel à dos novaiorquinos – o vocal de Lucas Camporezzi segue na mesma linha deJulian Casablancas, e o instrumental é praticamente idêntico. Mas vindo de uma banda que tem metais em sua composição, a gente pode esperar mais: e eles dão. A combinação dos metais mais coro que chega à faixa é imperdível. (Izadora Pimenta) Cícero – Barely Legal Para Cícero, a releitura que fez de Barely Legal foi como engatar numa continuação do que já vinha sido trabalhado em Canções de Apartamento. Pra quem já curtiu o teaser, o cantor rebate dizendo que a melhor parte você ainda não ouviu: a guitarra.  A faixa deixa de ter o vocal desleixado com batidas garageiras e vai de encontro a um som doce, intimista e bem aplicado, que encanta já nos primeiros segundos. Palavras de um grande entusiasta traduzem a proposta de Cícero: “Aquela MPB clássica, que vai aos poucos realmente se desconstruindo e vira um rock ruidoso e quebrado. Como se essa mistura fosse a coisa mais natural do mundo.” (Fernando Galassi) Sabonetes – Someday A versão que a banda paranaense Sabonetes fez para Someday pode ser considerada um acústico da música de Julian e cia. Esqueça a bateria e as guitarras que marcam o ritmo da original, o instrumento que se destaca agora é o teclado. Aliás, a “nova” Someday é basicamente isso: teclado, voz e uma singela percussão. Uma espécie de calma e nostalgia paira na música. Old days… dez anos… someday. (Soraia Alves) Pública – Alone Together Os gaúchos da Pública reconstruiram Alone, Together - presença frequente nos últimos set lists doStrokes  - de tal maneira que vai ser impossível ouvir a original da mesma forma após dar o play nessa versão. Marcada por guitarras e baterias furiosas na original, a faixa é transformada em uma baladinha boa para ouvir ao final da tarde pela turma de Pedro Metz. (Izadora Pimenta) Vespas Mandarinas – Last Nite Em 1977, Iggy Pop lançou, na companhia de David Bowie, Lust For Life, presença frequente nas pistas de dança e em listas de melhores músicas de todos os tempos. Em 2001, o Strokes lançouLast Nite, presença frequente nas pistas de dança e em listas de melhores músicas de todos os tempos. Em 2011, a Vespas Mandarinas pegou as duas e colocou em uma só, simplesmente. (Izadora Pimenta) Volantes – Hard To Explain As linhas melódicas da gravação original ganham um clima atmosférico nesta versão dos gaúchos do Volantes. O quinteto optou por não explorar a explosão punk-pop sujo da estreia dos novaiorquinos e criou uma leitura delicada de Hard To Explain. O vocal de Arthur Teixeira é o destaque da faixa. Na pose de trovador, ele esperar a companhia do restante do grupo, sendo responsável pelo sublimes minutos inicias que ao poucos se rendem à garagem de Julian e cia. (Vinícius Cunha) R Sigma – New York City Cops Um dos momentos mais “punk” de Is This It, com seu ritmo acelerado e seu conteúdo polêmico, New York City Cops tem sua fúria controlada pela banda R. Sigma, que troca a catarse por uma guitarra mais cristalina, acompanhando sutilmente o ritmo marcado da bateria e baixo. O refrão perde o acompanhamento instrumental, em uma medida ousada, e até um trecho de “Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones” ganha espaço na mistura. (Ana Clara Matta) Suéteres - Trying Your Luck O Strokes encontra o rock do interior na releitura do Suéteres para Trying Your Luck. O quarteto de Pirassununga-SP não banca de rogado e traz essa interpretação inspirada da composição que versa sobre as mudanças na vida amorosa de um homem. Em pouco mais de quatro minutos, o Suéteresdesconstrói a versão original inserindo vocais sussurantes, instrumental folk e até solo de guitarra. A desilusão amorosa escrita por Julian Casablancas fica bem mais dolorida na cartilha da terra da aguardente. (Vinícius Cunha) Charme Chulo - Take It Or Leave It Trazer a moda de viola para o universo indie. Um desafio que o Charme Chulo aceitou e executou com competência em sua versão de Take It Or Leave It. O rock sujo dos Strokes encontrou na viola caipira desses curitibanos a possibilidade de romper com um universo que é cada vez mais difícil se reinventar. A faixa ganha fôlego no universo sertanejo colocando em xeque aqueles conceitos prévios sobre o gênero. O rock regional e dançante se apresenta aberto às experiências pontuado pelo sotaque do vocalista Igor Filus e pela guitarra que presta homenagem com riff agudos, característicos dos novaiorquinos. (Vinícius Cunha) Jennifer Lo-Fi – When It Started A faixa ganhou um tratamento completamente inovador nas mãos da banda Jennifer Lo-Fi. As influências do post-rock transparecem nessa versão de When it started, que deixa suas origens garageiras e submerge o ouvinte com uma produção claustrofóbica e experimental, metais e distorções. Uma verdadeira reinvenção. (Ana Clara Matta) Banda Uó – Rosa 10 entre 10 pessoas que conhecem Strokes sabem cantar ou ao menos balbuciar Last Nite, a música mais popular de Is This It. Pra representar tamanha popularidade, nada mais adequado que um novo fenômeno agradável ao povão com seu New Melody, a Banda Uó. A desconstrução da faixa é total, transformando um rock de voz rasgada em um eletrobrega com pegada chill out, repleto de sintetizadores e uma letra inusitada: um cara que quer tirar a prostituta Rosa da sua rotina de trabalho. É uma das faixas-bônus desta coletânea, que já ganhou até videoclipe (Fernando Galassi) Visitantes – Sagganuts Sagganuts é considerada raridade. Não está em nenhum álbum oficial do Strokes, mas por ter sido apresentada ao vivo lá por 2000, poderia estar em Is This It. Os Visitantes mantiveram a energia da música que já foi comparada com Run Run Run, do The Velvet Underground. A reação ao ouvir é empolgante, e fica a pergunta: por que o Strokes nunca gravou oficialmente a canção?. (Soraia Alves)Para ouvir o tributo, clique aqui (Facebook) […]

Deixe seu comentário

RocknBeats