
30- The Black Belles – The Black Belles
Jack White acertou a mão. Suas pupilas do The Black Belles, que lançaram recentemente seu debut pela Third Man Records, são provavelmente a melhor aposta do workaholic ex-líder do The White Stripes. Sombrias e delicadas, com um toque de anos 60 ali, outro toque de sanfona aqui, a música feita pelas meninas possui um resultado bastante charmoso, representado com maestria por faixas como Wishing Well e Leave You With a Letter.
O trabalho mais impecável é na combinação dos vocais arrastados e ameaçadores com as melodias bem trabalhadas e, muitas vezes, um tanto alegres. O clima é de um filme de terror divertido, mas, antes disso, o resultado é inovador, intenso e digno de figurar em qualquer lista de melhores do ano.
The Black Belles – Wishing Well
29 – Wooden Shjips – West
Garage rock, riffs sujos, solos hipnóticos, lisergia e muitas referências fazem do West um tributo a psicodelia, produzido por ninguém menos que Peter Kember (Sonic Bloom do Spacemen 3). Ripley Johnson leva o ouvinte a uma viagem alucinante pelo space rock, abrindo com a excelente Black Smoke Rise, passando pelas influências do The Doors e pela eletrizante Lazy Bones, para finalizar com uma música tocada de trás para frente, Rising.
Como proposto pela banda, o disco é a trilha sonora ideal para se deitar num espaço aberto, contemplando o universo e a imensidão.
Wooden Shjips – Black Smoke Rise
28- Florence + The Machine – Ceremonials
Florence Welch estourou com uma canção pop tão impressionante e poderosa que parecia causar uma catarse irrefréavel, um hino capaz de fazer até o mais pessimista e ranzinza se sentir leve, estranhamente renovado. Como superar uma Dog Days Are Over? Lançando um álbum repleto de “Dog Days Are Over“s, não como cópias exatas, mas similares em espírito, e efeito. Uma celebração, uma verdadeira cerimônia, por vezes obscura e densa, mas nunca opressora e sufocante.
A capacidade de Welch de providenciar refrões para uma geração que os anseia é novamente comprovada, com destaque para faixas como Shake it Out, No Light No Light e Never Let Me Go. E se a plateia desafinará nesses refrões, a voz da cantora e compositora não vacila, e dá a sustentação necessária para a estrutura de suas canções. Florence prova em Ceremonials que o pop não deve nunca se envergonhar de ser grandioso, de fazer dançar, de provocar alívio.
Florence + The Machine – Shake it Out
27 – Feist – Metals
Em 2011, Leslie Feist fabricou uma peça de qualidade, com resistência à oxidação pelo tempo: Metals. Um álbum pesado, como o nome, e paradoxalmente tão leve quanto qualquer joia. Metals é marcado por canções fortes, seja na surpreendente e inquieta A Commotion, na doce The Circle Married the Line, ou, ainda, na romântica Bittersweet Melodies. Tudo sempre arrematado com percussões impecáveis.
A firmeza de Metals está na forma como Feist decidiu conduzir os rumos de sua carreira, passeando pelo indie pop, e por vezes flertando com outros estilos, como o jazz das faixas How Come You Never Go There e Anti-Pioneer. O perfeito equilíbrio de seus metais faz Feist se juntar a Florence Welch, Adele e outras grandes cantoras que se destacaram nesse ano.
Feist – The Bad In Each Other
26 – Skying – The Horrors
A psicodelia proposta pelo The Horrors em Skying é evidente desde a capa do álbum. As longas faixas recheadas de teclados, sintetizadores, vocais baixos e prolongados e um toque eletrônico fazem do substituto de Primary Colours (2009) um disco bem diferente, mas que ao mesmo tempo condiz com a evolução que os ingleses vêm propondo.
É clichê falar de amadurecimento, mas não há como fugir de tal análise com o Horrors em seu terceiro disco, afinal ele foi totalmente produzido pela banda. Eles continuam não escondendo suas influências (como o My Bloody Valentine), e mostram que conseguem caminhar pelas trilhas que os atraem, sem se fechar na bolha hype que os fizeram queridinhos da imprensa britânica, ou se perdendo em busca de uma identidade.
Skying é um álbum denso em sua sonoridade, mas que ao mesmo tempo traz canções reconfortantes como Still Life. Um álbum de grandes músicas como You Said, I Can See Through You, Dive In e da belíssima Moving Further Away. É o hype mais que firmado. É o The Horrors consolidado.
The Horrors – I Can See Through You
25- Wu Lyf – Go Tell Fire To The Mountain
O quarteto britânico é uma das gratas surpresas do ano com Go Tell Fire To The Mountain, excêntrico disco de estreia. A estética lo-fi domina o álbum e vai além das músicas mal resolvidas e sujas do EP Heavy Pop/Concrete Gold. O pop é adicionando sem medo a mistura que tem post-punk, math rock e caracteriza uma roupagem radiofônica ao grupo aproximando mais ouvintes.
We Bros, DIRT e Such a Sad Puppy Dog provam que as composições trilham para refrões pegajosos e crescem a cada audição. Não que o trabalho deles seja totalmente diferente, mas rompe com a mesmice no enlace entre a poluição sonora, a voz rouca de Ellery Roberts e letras politizadas. Um disco que pode passar despercebido aos ouvidos menos treinados, mas um clássico em potencial.
WU LYF – DIRT
24 – Yuck – Yuck
O Yuck foi a banda em 2011. Talvez você possa nem se lembrar direito – e é até justificável: a banda deu as caras em 2010, com dois singles sensacionais (e vídeos idem), Rubber e Georgia, e, em janeiro, como num passe de mágica, com o lançamento do primeiro disco, homônimo, a banda explodiu como “a grande sensação”. Quem não soubesse quem era o Yuck tava por fora. Problema algum: em pouco tempo, todo mundo sabia qual era desse quarteto londrino. Teve até show no Brasil, em junho.
O disco ajudou um bocado, a despeito de todo o hype. Canções noventistas, sem fincar estaca na obviedade do grunge, valiam cada elogio: Get Away, The Wall, Shook Down, Holing Out, Suicide Policeman, Slutter… O disco era todo de grandes singles de guitarras sujas, vocais preguiçosos e/ou gritados, baixo forte e melodias muitas vezes grudentas, sobre assuntos sanguinolentos e apaixonantes, dignos de roteiros de filmes B das antigas. O Yuck arrancou adjetivos apaixonados. Foi merecido. Resta saber o quanto dura o encanto.
Yuck – Get Away
23- Arctic Monkeys – Suck it and See
“Suck It and See” é simplesmente mais um pé na porta do Arctic Monkeys, se fazer seu bom som já não surpreende mais, o quarteto mostra que não tem medo de envelhecer, mudar, evoluir e bater os ombros para quem quiser olhar somente para trás.
Alguns podem achar que a banda já foi melhor e, talvez, até já tenha passado o tempo quem foi mais relevante tendo seu momento de maior destaque no que era moda. Sem tanta nostalgia, é possível ver no Arctic Monkeys uma carreira de evolução. Esse último disco mostra os garotos cresceram, sem grandes crises de identidade, com a mesma irreverência, mas com objetivos melhor estabelecidos. A caminho de tornar-se a grande banda de rock da nossa geração.
Arctic Monkeys – Don’t sit down ’cause I’ve moved your chair
22 – The Kills – Blood Pressures
Chegar ao quarto álbum em uma união estável da banda e que já dura a quase dez anos sem deixar de perder o fôlego inicial não é pra qualquer um. Jamie Hince e Alison Mosshart são os nomes que fazem com que o pulso do The Kills ainda pulse, e com vigor. Blood Pressures que foi lançado no primeiro semestre do ano seguiu firme nas playlists e setlists de muita festa rocker alternativa por todo canto até agora.
VV e Hotel ainda caminham entre a voz marcada e despretensiosa, riffs distorcidos num rock encardidinho e soturno, além de passar de lambuja por um indie lo-fi repleto de batidas ritmadas, até baqueta vira percussão. Blood Pressures mostra que a experiência é indispensável e ainda é sim possível fazer um bom rock alternativo sem forçar a pose, usando mais do argumento “rock” e menos do alternativo.
The Kills – Satellite
21 – Radiohead – The King Of Limbs
The King Of Limbs, à primeira audição, pode não ser um álbum fácil – tanto que, precipitadamente, alguns o veem como uma das grandes decepções do ano. Mas o caráter intimista que o Radiohead alcança em suas poucas oito faixas o torna bastante único. A voz sussurrada de Thom Yorke, junto ao experimentalismo proposto, proporcionam uma viagem mental impressionante – é um álbum para quebrar a cabeça, para refletir e, depois, se apaixonar.
Até hoje não sabemos exatamente o que o Radiohead quis dizer com The King Of Limbs – não era uma coletânea de lados B, como muitos pensavam, e sim músicas extremamente ricas – mas às vezes é melhor deixar subentendido mesmo.
Radiohead – Give Up The Ghost

















dezembro 15, 2011 às 07:32
Eu gosto do blog de vocês. Mesmo ele sendo Indie eu gosto.
dezembro 15, 2011 às 08:35
[...] <<30-21 [...]
dezembro 15, 2011 às 20:25
Finalmente uma lista que tenha Yucy, Arctic Monkeys, The Kills e o Radiohead!
dezembro 16, 2011 às 08:19
Florence merecia uma posição melhor.
dezembro 16, 2011 às 10:12
[...] >>30-21 Tweet(function() { var po = document.createElement('script'); po.type = 'text/javascript'; po.async = true; po.src = 'https://apis.google.com/js/plusone.js'; var s = document.getElementsByTagName('script')[0]; s.parentNode.insertBefore(po, s); })(); [...]
janeiro 4, 2012 às 09:20
[...] agora! Se ainda não foi motivo suficiente, o último álbum dela, Metals, figou na nossa lista dos melhores discos de [...]
janeiro 6, 2012 às 12:59
[...] Em uma apresentação enérgica, o quarteto demonstra ao vivo e com honra porque ficou entre os melhores de 2011 e mantém aquele o aspecto de ‘sujeira’ no [...]
janeiro 16, 2012 às 13:55
[...] que traz shows imperdíveis de Florence + The Machine, na turnê do seu álbum Ceremonials (bem colocado em nossa lista de melhores do ano), do popstar e produtor Bruno Mars, da herdeira musical de Amy, Dionne Bromfield, da banda Rox e do [...]