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As 10 melhores estreias internacionais de 2011 | Rock 'n' Beats

As 10 melhores estreias internacionais de 2011

Postado por Ana Clara Matta. Posted in Destaque, Especiais, Listas, Melhores de 2011

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Publicado em 15 dezembro, 2011 - Nenhum Comentário

No teatro, nas artes plásticas e no cinema, a noite de estreia é uma noite de gala. Com direito à black-tie, vestidos de festa, tapete vermelho e flashes incessantes de fotógrafos. Na música? A limousine pode ser substituída por uma van ou um ônibus em condições duvidosas, o tapete vermelho leva a um pequeno palco de um festival independente, e não existem códigos de vestimenta ou fotógrafos, que estão ocupados na missão de perseguir a maior estrela do momento.

Mas a estreia, no mundo da música, define tudo. Estrear bem é uma missão para poucos (e bons). Um bom disco de estreia define a identidade de uma banda, apresenta sua sonoridade como um abre-alas apresenta um tema de desfile de carnaval. Dez bandas souberam muito bem como estrear, e estão hoje na nossa lista de maiores revelações do ano. Não demora para que esses grupos já ganhem seus tapetes vermelhos, fotógrafos e trajes de gala.

10- Of monsters and men
Islândia, um país conhecido mundialmente pelo frio, pela paisagem peculiar, pelos vulcões e por artistas extremamente experimentais. Mas a mais recente produção da terra de Björk e Sigur Rós mostra que nem só de experimentação vive a Islândia: o país gelado também sabe fazer Indie-Pop da melhor qualidade, e exportou em 2011 um dos discos mais cantaroláveis do ano, My Head is an Animal, estreia do grupo Of Monsters and Men.

O grupo reúne em faixas viciantes como Little Talks e Sloom influências como o balkan folk de Beirut e Gogol Bordello, os coros do Arcade Fire, os duetos do The XX, e toques de Mumford and Sons e Kate Nash. Ou seja: uma fórmula de sucesso que não ficará restrita aos pequenos palcos islandeses por muito tempo.

Of Monsters and MenLittle Talks

(Ana Clara Matta)

9- Grouplove
Sabe aqueles discos que te fazem dançar e cantar beeem alto? Pois é, o Grouplove lançou um desses em 2011, com Never Trust a Happy Song. Com faixas prontas pra festa, como Spun, Lovely Cup e Tongue Tied o quinteto californiano veio pra trazer uma pitada de ironia, como o título do disco sugere, mas sem que isso fosse o norte do álbum. E largou 12 músicas sem demasiada pretensão. E eis que temos aqui indie pop, leve, solto…

Mas não pense que o álbum é assim todo fácil de ser digerido. Close Your Eyes and Count To Ten, por exemplo, é aquele tipo de música que decola, depois aterrisa novamente, dando uma ideia geral do material. Não, não há resquícios de genialidade ali, mas também não é nada mal. Nada mesmo! Never Trust a Happy Song vem com força, até fazendo a memória se esforçar na busca por referências e passar rapidamente por um Modest Mouse. E tem até melancolia, explícita na forma de ser cantado. Aqui a banda mostra um de seus pontos fortes: o fato de explorar o uso de vocais femininos e masculinos.

Se vai resistir ao tempo, calma lá. Deixa eles tocarem aí, por favor! Que 2011 ao menos merecia uma surpresa dessas!

GrouploveColours

(Priscila Maboni)

8- The Horrible Crowes
Um filme noir em forma de álbum, com personagens solitários, que rondam a New Jersey noturna, em meio a amores atormentados e crimes violentos. Esse é Elsie, disco de estreia do The Horrible Crowes, projeto paralelo de Brian Fallon (The Gaslight Anthem) e do guitarrista Ian Perkins.

O The Horrible Crowes não é apenas um projeto paralelo, conquista o status de uma das melhores estreias do ano ao substituir os gritos, a agressividade, o punk e a influência dominante de Springsteen do Gaslight Anthem por uma calmaria soul-rock, influenciada por Afghan Whigs, The National e Tom Waits, e chega até aos sussurros em Cherry Blossoms, Sugar, e I Believe Jesus Brought Us Together. Mudança que, ao invés de reduzir, aumentou a intensidade das letras de Fallon.

The Horrible CrowesBlood Loss

(Ana Clara Matta)

7- Cults
O Cults surgiu do nada no início de 2010 com a cativante Go Outside, que rapidamente espalhou-se pelos blogs de música. Pouco mais de um ano depois de sua primeira aparição, o Cults mostra que da fonte de onde beberam havia muito mais.

O auto-intitulado disco de estreia da banda embala com um dream-pop cativante, letras melancólicas que lembram angústias da juventude “Oh my god, I’m stuck in the same lame tradition (…) Please don’t tell me you know the plans for my life…” (Oh My God), reforçada pela voz de Madeline Follin, que dá o ar de esperança característico dessa fase da vida.

Em uma época em que bandas pipocam todos os dias e “promessas” aparecem a todo tempo na mídia e nas redes sociais, Madeline Follin e Brian Oblivion provam que as vezes vale à pena “acreditar no hype”.

CultsOh My God

(Breno Oliveira)

6- The Weeknd
A estreia de um projeto sofisticado digna de rasgados elogios só deu mais trabalho a Abel Tesfaye, o jovem produtor que assina sob a alcunha de The Weeknd.House of Balloons foi a estreia da trilogia proposta pelo Weeknd, a fusão do R&B com as tendências somadas de chillwave e dubstep foi tão bem aceita que falar mal de Weeknd em 2011 é correr o risco de levar pedrada.

Depois de revelar seus planos com House Of Balloons, as coisas só ficaram mais difíceis para Abel, algo ali entre a cobrança e a necessidade de superação, dividindo a sua atenção com projetos de outros artistas que pediram a sua colaboração – quem gosta das referências de soul e acha que está pronto para fazer música para o futuro precisa dos toques de The Weeknd, quem gosta de referências soul e quer se mostrar antenado coloca House Of Balloons em destaque na prateleira da estante da sala pronto para receber os convidados para a festa.

The WeekndThe Knowing

(Raphael Bispo)

5- The Black Belles
O que esperar de quatro moças apadrinhadas por ninguém menos que Jack White? Com um pé no garage rock dos anos 60, a estreia do Black Belles coloca muito marmanjo de queixo caído tamanha é a competência desse quarteto.

As bruxinhas não inventam e vão direto ao que interessa em sua estreia homônima: rock básico, riffs chiclete e vocais sombrios dignos de trilha sonora de filmes de terror noir. A pegada dark de horror está nas 11 músicas do registro que, a princípio, não apresenta pretensões de que grupo queira chegar ao mainstream. Mas quando se trata de Jack White, mesmo que ele esteja nos bastidores, a certeza é de sucesso.

É quase impossível resistir ao charmoso minimalismo das pupilas de Jack White, que abusando da estética gótica garantem boas doses de rock ‘n’ roll como em Not Tonight e What Can I Do?. O tempo dirá se o feitiço desta boa estreia é duradouro ou se não passa apenas de mágica barata.
The Black BellesWhat Can I Do?

(Vinícius Cunha)

4- Tennis
Depois de concluir a faculdade, o casal Patrick Riley e Alaina Moore vendeu tudo o que tinha e comprou um veleiro (o Cape Dory do título), com o qual viajaram por alto-mar durante sete meses. No final a dupla começou a compor sobre a viagem e assim surgiu o Tennis.

Mesmo que não tivesse talento, já teríamos aí uma fórmula pré-fabricada para o hype que a banda alcançou. Mas Cape Dory prova que por trás de uma história bonita há um duo que se mostrou capaz de transcrever todas as experiências em alto-mar em um disco coeso e que, mesmo abordar uma sonoridade batida nos tempos atuais, possui uma sinceridade que dificilmente seria alcançados sem que a viagem tivesse acontecido.

O recurso, muito usado na literatura e por atores buscando imergir em seus papeis teve o melhor dos efeitos possíveis às composições de Patrick e Alaina e o grande desafio do Tennis agora talvez seja manter a inspiração em seu segundo trabalho, sem se tornar repetitivo ou maçante.

Se a resposta for positiva, temos desde já um forte candidato para as listas de fim do ano que vem.
TennisSouth Carolina

(Breno Oliveira)

3- Yuck
É impossível ouvir ao Yuck sem perceber de cara todas as suas influências, colhidas no início dos anos 90. O grupo tem sim um pouco de Dinosaur Jr, Teenage Fanclub, Sonic Youth, Pixies, Pavement, e todas essa sbandas que marcaram o Indie no início da década passada.

Mas é a despreocupação que o grupo tem desse estigma que faz o Yuck brilhar. Desde a “mid-tempo” Get Away, faixa que abre o disco, até a última, Rubber, notamos que a banda não tem medo nenhum de parecer com seus percussores e, em vez disso, prefere aproveitar toda a riqueza existente na música dessa época sem exageros.

O Yuck sabe que não é a salvação do rock e nem quer isso. Mesmo assim, do seu modo, o grupo traz para um público que ainda brincava de carrinho enquanto rolava o último Hollywood Rock o que o rock da década de 90 tem de de melhor.
YuckGeorgia

(Breno Oliveira)

2- Foster the People
Junte um escritor de jingles de comerciais, um hit viral com letra polêmica e várias influências moderninhas, isso pode até ser uma fórmula simples para o sucesso, mas também é o jeito mais básico de se explicar o Foster the People. Synthpop de melhor qualidade encontrando MGMT, Passion Pit, Phoenix e qualquer outra banda dançante que esteve nas paradas nos últimos anos.

Torches é o pop perfeito com muitos toques de alternativo, são dez músicas grudentas e com cara de single, todas prontas para funcionar nas pistas e nas rádios. O disco não é original, mas quando se tem batidas marcantes, vocais em falsete, experimentações, niilismo, referências culturais e diversão, quem se importa?

Foster the PeopleHelena Beat

(Marina Bastos)

1- The Vaccines
A vacina para dar sobrevida ao rock não é composta de elementos muito complexos. Os ingleses ganharam muitos elogios mesmo antes de dar seu debut ao mundo, quando o trabalho foi lançado, bem-humorados, brincaram com o hype no nome do disco: O que você esperava do The Vaccines?

Eles tem o espírito e o humor indie da década passada desacreditando do falatório como fez o Arctic Monkeys (com quem fizeram turnê em 2011). Os trunfos dessa banda não está na inovação, mas porque sem enrolação, eles tocam seus intrumentos e criam hits com uma simplicidade digna de ser chamada de rock. Era o frescor que precisávamos. Um disco de meia-hora que, em pouquíssimo tempo, você sabe cantar todas as músicas.

The Vaccines estão no topo dessa lista porque não decepcionaram, ignoraram o hype e responderam tão crus quanto podiam. E, mais que isso, porque os jovens ainda querem dançar ao som de rock.

The VaccinesNorgaard

(Raphael Bispo)

Sobre Ana Clara Matta

Uma soma de todas as músicas que já escutei e todos os filmes aos quais assisti. / @_ana_c

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