
Habacuque Lima e Mauro Motoki são dois amigos de infância brasilienses que acabaram se mudando para São Paulo para estudar o mesmo curso, Publicidade – Mauro na USP e Habacuque, na ESPM. E na mesma ESPM também estudava Vanessa Krongold, que atraiu a atenção de Habacuque ao cantar em uma rodinha de violão. Quando ela se juntou aos dois amigos, estava formado o The Maybees. Sim, o The Maybees.
Lá em meados dos anos 90, os três bebiam sons como 10.000 Maniacs, Cranberries, Pulp, Suede e Blur. Ganharam companheiros e assim despontaram na noite paulistana com composições próprias em inglês como Scream Queen e Onion Taste Hater. Deram uma cara pop à então chamada “cena indie” arriscando covers de Alanis Morrissette e Suzanne Vega. E tudo fluiu para que eles gravassem seu primeiro álbum, lançado pelo selo Polythene Pam. Depois veio também o primeiro clipe, para Scream Queen – o orgulho da banda, já que desbancou Ricky Martin na programação do TVZ.
Logo veio o segundo álbum, Picture Perfect, numa fase em que eles já estavam melhor relacionados dentro do cenário musical – conheceram um Los Hermanos iniciante e Vanessa era convidada para dividir vocais com o IRA!. Edgar Scandurra, aliás, participou do novo registro. Fernanda Takai, do Pato Fu, também. O Maybees tinha um dos melhores discos de rock nacional de todos os tempos e arrancava elogios por onde passava. Eis que surgiu a vontade de começar a compôr em português, o que eles até fizeram, incluindo em suas apresentações músicas como uma tal de Kriptonita.
Mas em 2001, o Maybees fez seu show de despedida porque as ideias que os integrantes tinham não batiam mais com a banda. Fim?
Na verdade, o fim do Maybees foi só o impulso para o começo de uma banda nova (mas não uma banda velha que havia mudado de nome). Em 2002, os mesmos integrantes subiam ao palco sob o nome de Supertrunfo, e apresentavam somente faixas em português. Com a necessidade de ser rebatizada, devido a inúmera quantidade de bandas com o mesmo nome, veio de Laranja Mecânica a inspiração para toda uma identidade: Ludov. Surgia então assim a Ludov como nós conhecemos, que em 2003 trouxe o EP Dois a Rodar, responsável por emplacar o sucesso Princesa.
Em 2012, após três discos gravados, a Ludov, hoje formada por Mauro, Vanessa, Habacuque, o baterista Paulo Chapolin e, ocasionalmente, Bruno Serroni (que também foi integrante do Pullovers, junto de Habacuque), completa 10 anos de existência e não para: além de comemorar o aniversário em grande estilo com uma turnê, eles planejam ainda lançar mais dois EPs de inéditas ainda esse ano (o último lançamento da banda foi o EP Minha Economia, de 2011).
O Rock ‘n’ Beats conversou por e-mail com Habacuque Lima para saber mais desses planos, e também recapitular um pouco da carreira da banda até então. Confira!

Qual foi o momento mais marcante da carreira da Ludov até então?
Tivemos muitos momentos bons na nossa carreira, felizmente. O prêmio do VMB com o clipe de Princesa foi um deles. Gravar o Disco Paralelo com a produção do Chico Neves, em dez dias no Rio de Janeiro, foi outro momento importantíssimo pra todos. Nosso primeiro show em São Luís/MA também foi algo inesquecível, assim como um show mais antigo no Centro Cultural SP, onde o fã clube Ludovicos [fã clube oficial da banda] encheu o palco com flores. Também fizemos uma viagem a Buenos Aires, onde gravamos o clipe de O Que Eu Procurava para a Disney Channel, que foi demais!
Vocês acabaram pegando uma fase de transição do costume de se consumir música pelo CD físico e pela televisão (o clipe de “Princesa” foi bastante destacado na MTV) para o costume de se baixar álbuns, de conhecer música pela internet – tanto que a forma de divulgação do último EP, para quem não pode obter a cópia física personalizada, foi a mais digital de todas. Como vocês analisam isso? O que mudou para a Ludov?
Mudou muita coisa. Não só a distribuição da música, a facilidade de encontrar videos e informações sobre a banda, mas também a maneira de gravar e lançar os discos. No nosso disco Caligrafia, de 2009, fizemos o lançamento de todas as músicas via internet, com pocket shows transmitidos em streaming e comentários sobre cada música. O envolvimento de quem realmente gosta da banda aumenta muito, a gente fica bem mais próximo do público, isso é ótimo.
O último EP (Minha Economia, 2011) é o exemplo máximo disso. Gravamos no estúdio 12 Dólares (do Mauro Motoki e Fabio Piczowski) em duas semanas e lançamos tudo na internet. Pra ter algum material físico, fizemos discos, capas e encartes nós mesmos, um a um. Isso limita a quantidade física do EP, mas também o torna muito mais raro e interessante pros que curtem a banda.
E como estão os planos para a turnê comemorativa de 10 anos da Ludov? Já pensaram em algum formato, locais, setlist…?
A gente ainda está fechando as datas e as cidades pra essa turnê, mas começamos a montar o set list. A ideia é fazer um apanhado geral nos nossos discos: pelo menos ter 90% das músicas prontas a serem tocadas a qualquer momento e poder variar bastante os shows.
Além disso temos as músicas novas que estão sendo lançadas desde o fim do ano passado e continuarão a ser lançadas esse ano.
Nesses dez anos, tem alguma coisa que vocês gostariam de ter feito enquanto banda e ainda não fizeram?
Acredito que o que falta (e que todo mundo cobra) é uma gravação de um DVD ao vivo. Nós já planejamos isso algumas vezes, mas nunca nos resolvemos a realmente fazer. Quem sabe não é a hora de aproveitar esse ano comemorativo pra finalmente fazer esse show não é?
Vocês planejam lançar mais dois EPs para esse ano, certo? Tem previsão de lançamento? E um novo álbum completo da Ludov, quando sai?
Sim, o plano é lançar mais uns 2 EPs ainda no primeiro semestre (se tudo der certo) e então preparar o álbum completo. Como foi dito em uma das perguntas anteriores, a facilidade de gravar e distribuir as músicas (digitalmente) faz com que nada nos impeça de fazer tudo ainda neste ano de 2012. Quem sabe até o fim do ano teremos os EPs, o disco e mais algumas surpresinhas, né?
Alguns dos integrantes possuem projetos paralelos (o Mauro, por exemplo, lançou um álbum solo no ano passado) e a Ludov faz poucos shows por ano, comparada a outras bandas. É uma opção de vocês ter esse espaço para se dedicarem a outros trabalhos também?
A gente tem feito poucos shows mesmo, menos do que gostaríamos. Não é uma opção pra ter mais espaço para outros trabalhos, mas é sim um pouco da influência que nossos compromissos pessoais tem sobre a agenda da banda. Mas o Ludov é com certeza a prioridade de todos os membros. É só uma questão de momento nas nossas vidas, que faz com que a gente precise de mais espaço para outras realizações.














fevereiro 10, 2012 às 19:49
O Picture Perfect é um belo disco mesmo.
há uns 3 meses atrás eu achei um cd-r com ele gravado.
foi uma felicidade só. Fazia uns 4 anos que eu não o ouvia.
fevereiro 11, 2012 às 11:08
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maio 3, 2012 às 12:30
Aguardo um show no Rio, heim!!! ;}
maio 4, 2012 às 00:28
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maio 4, 2012 às 12:50
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