Animal Kingdom – The Looking Away (Boombox/Mom+Pop)
Signs and Wonders, primeiro álbum do grupo Animal Kingdom, conquistou sim vários elogios, mas ainda em maior número, conquistou comparações. Uma fusão de dream pop e Coldplay, Radiohead e Sigur Rós, melodias cristalinas e refrões radiofônicos. Mas ainda faltava um diferencial, algo para tirar o Animal Kingdom da obscuridade e o destacar em uma cena tão competitiva. The Looking Away ainda não é o disco definitivo da banda, mas cumpre bem o seu papel.
Sintetizadores adicionam elementos oitentistas e dançantes nesse novo trabalho do Animal Kingdom, que mostra mais uma vez sua capacidade precisa na composições de pequenos hinos perdidos, como trio The Wave, Get Way With It e Strange Attractor, a última com riffs velozes de guitarra. O duo de faixas que encerram The Looking Away, outro destaque do álbum, prova de vez que este é um álbum bem pensado, em que cada letra dialoga entre si, e cada melodia dá continuidade para a paisagem criada pela anterior.
Animal Kingdom – Strange Attractor
(Ana Clara Matta)
The Cribs – In the Belly of the Brazen Bull (Wichita)
Ainda tô tentando entender a lógica de uma banda como o Cribs manter sua existência intacta. Tirando o disco de estreia, homônimo, de 2004, numa onda revisionista puxada pelo Libertines e pelo Strokes, não há nada de relevante feito pelo trio. Nada. Se havia esperança, após quatro discos, que a banda pudesse fazer algo relevante, ela pode se desfazer com esse quinto ábum, In The Belly Of The Brazen Bull.
Veja, não é um disco “ruim”: ele, ao menos, serve a seus propósitos hormonais. Coloque Come On, Be A No-One e Chi-Town alto e saia pulado. Ou ouça Pure O e a grandiosa (no sentido irônico, tomara) Back To The Bolthole, que fogem um tanto do padrão indie-do-cabelo-desgarrado-e-óculos-de-aro-grosso, e embale uma tarde ociosa. Mas tente evitar todo o resto constrangedor – nesse quesito, Jadded Youth, Anna e Uptight são imbatíveis: bocejantes e dispersivas (ainda tem o clichê da “música lentinha”, introspectiva, I Should Have Helped). E não, o resultado não tem nada a ver com a saída de Johnny Marr, que só acrescentou o mito – e não o talento – à banda.
O que se salva no Cribs hoje é que ele consegue ainda falar a uma juventude pululante e descerebrada (no que se refere à música). Não é algo fácil, eu creio, já que a concorrência é grande nesse nicho. Mas In The Belly… ainda tem a etiqueta – e, quem sabe, a faísca – de uma banda que se mostrou promissora no seu embrião, no turbilhão daquele momento. Só não sei se vale a pena esperar mais um disco. O Cribs já teve sua cota de paciência.
The Cribs – Come On, Be A No-One
(Fernando Lopes)
Damon Albarn – Dr. Dee (Virgin)
Pássaros cantando, um corvo isolado, badaladas de um sino e órgãos fúnebres de igreja. Não, não é a trilha sonora do Resident Evil (mas poderia ser do IV, lembra?). É The Golden Dawn, primeira faixa de Dr. Dee, álbum que Damon Albarn (Blur, Gorillaz, Rocket Juice & the Moon…) resolveu lançar. O “resolveu” é porque teria sido melhor se fosse um álbum Dr. Dee Soundtrack by Damon Albarn do que seu primeiro álbum solo de fato. Caso você não saiba, Dr.Dee é uma ópera inglesa renascentista assinada por Damon e dirigida por Rufus Norris. Ele mesmo definiu a trilha sonora como “estranha e pastoral folk”, e na faixa The Marvelous Dream (a melhor do disco) ouvimos exatamente isso.
Obviamente todo o instrumental de Dr. Dee é belo com a participação da BBC Philharmonic Orchestra. Interessante também a influência de percussão africana em Preparation. Mas tudo funciona muito bem na ópera, não em ouvidos aleatórios. A Man Of England e Edward Kelley, por exmplo, são líricos demais, enquanto 9 Point Star é apenas um som de transição ficando tudo desconexo sem nenhuma cena para acompanhar. Dificilmente alguém vai selecionar alguma das 18 faixas de Dr. Dee para ouvir no dia a dia, simplesmente porque não funciona. É chato demais.Talvez não seja à toa que Damon já andou dizendo que está preparando o segundo álbum.
Damon Albarn – The Marvelous Dream
(Soraia Alves)
Keane – Strangeland (Island)
Os ingleses do Keane colecionam estereótipos, preconceitos e ataques da crítica e de fãs desde sua fundação. Primeiro, era “a banda que não utilizava guitarras”. Em um segundo momento, a popularização do gênero post-britpop e o crescente exército de fãs ardorosos e críticos raivosos de bandas como Coldplay, Travis e outras, geraram o mito de que o Keane era apenas mais um em gênero padronizado e anêmico. Então, chegou os experimentos new-wave de Perfect Symmetry e hip-hop do EP Night Train – nesse momento, tudo parecia perdido em meio à revolta geral, às notas em tablóides e aos boatos.
Mas eis que chega Strangeland para desvincular o Keane de qualquer rótulo que não seja o de uma boa banda, por seu próprio mérito. Com mais exemplos do excelente ofício de Tim Rice-Oxley como compositor, que apesar de canalizar Bruce Springsteen em On the Road e Radiohead em Black Rain, cria a coleção mais coesa, bem lapidada e fundamentada em sua própria identidade que o Keane já produziu.
Keane – The Starting Line
(Ana Clara Matta)
Kindness – World, You Need a Change of Mind (Casablanca/Terrible Records)
Ainda há espaço para surpresa na música? Para Adam Bainbridge, sim. A prova é World, You Need A Change Of Mind, disco de estreia do Kindness. O projeto capitaneado pelo jovem londrino justifica os cinco anos de composição de espera com 10 faixas que transitam da dance music ao funk com naturalidade.
Kindness é o encontro entre o LCD Soundsystem sem os gritos de James Murphy com a malemolência de Toro Y Moi. Guitarras funkeadas, baixo deslizante, reverbs saturados no vocal possuem dosagem perfeita em álbum de alusivo título. World, You Need a Change of Mind mostra um Adam pronto para ser absorvido pela indústria e com cacife para o desafio. Gee Up, Swingin’ Party e Cyan são trunfos e conquistam na primeira experiência.
Bainbridge não é mais um Ariel Pink perdido na música e esta estreia é o pouco do muito que ele tem a oferecer com a mudança que sugere.
Kindness – Cyan
PS I Love You – Death Dreams (Paper Bag Records)
Os altos riffs de guitarra acompanhados do vocal mais gritado do que cantado de Paul Saulnier deixam clara a influência do punk em Death Dreams, segundo álbum de estúdio do PS I Love You. O nome do disco também já apresenta a temática desse trabalho que aborda a vida de uma forma que passa o limite do realismo e se torna extremamente pessimista.Tantas queixas e sentenças de insatisfação eterna (“never be free”) contrastam com a energia dos instrumentos bem representada em Princess Towers.
O nada de novo do disco pode ser percebido já na segunda faixa, Sentimental Dishes que é tão semelhante a tantas outras no mundo da música que nem parece estar em um disco que é lançamento. Mas a melancolia cantada por Paul funciona como forma de extravasar a rabugice da vida sem se afundar em acordes dramáticos e tristes. A bateria sempre forte e as guitarras carregadas parecem mostrar que pra curtir uma deprê não precisa necessariamente se afundar em Radiohead. Ainda dá pra ser um pouco punk e rabugento em 2012.
PS I Love You – Princess Towers














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