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Entrevista: Japandroids | Rock 'n' Beats

Entrevista: Japandroids

Postado por Ana Clara Matta. Posted in Destaque, Entrevistas, Internacional

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Publicado em 22 maio, 2012 - 1 Comentário

Brian King pode ser um mestre do caos, da energia nada contida e do punk-rock/grunge juvenil em seu dever como frontman do duo Japandroids, mas o jovem canadense também é um homem bem sério e cerebral.

Em passagem recente ao Brasil, na qual o Japandroids realizou os dois primeiros shows da turnê do novo álbum Celebration Rock nas unidades paulista e gaúcha da casa noturna Beco, King conversou com o Rock ‘n’ Beats sobre o novo disco, a trajetória de carreira da dupla e as expectativas sobre o futuro. Tudo isso com muita eloquência e clareza de raciocínio. Confira:

Japandroids são conhecidos por sua energia crua nos palcos. De onde vem essa energia? Vocês possuem alguma forma de ritual ou preparação para canalizar toda essa energia no palco ou ela flui naturalmente?

A energia é quase que inteiramente natural. Ela deriva da prática extensa de liberação física durante a performance de música, e nós temos nos entregue a essa prática até os limites mais extremos desde os estágios mais iniciais. Nos direcionamos para esse estilo de performance originalmente estritamente para desviar a atenção do que nós consideramos inicialmente como uma habilidade reduzida para escrever e apresentar tradicionalmente canções similares a aquelas que nós amamos de outros artistas, isso lentamente se transformou em um mecanismo simbiótico intenso através do qual nós entregamos as músicas que escrevemos, e agora existe como o único jeito com o qual nós somos capazes de nos apresentar. Se, porém, raro e improvável como isso é, nós formos incapazes de canalizar a energia ritualística necessária para nos apresentar dessa maneira, álcool pode e deve ser usado como um acelerador para instigar tal liberação de energia.

Já que a banda tem essa forma de energia no palco, o que você espera da resposta da audiência para ela? E qual foi o show mais elétrico e empolgante que vocês já fizeram?

Idealmente, a audiência responde qualquer energia que é enviada para ela pela banda. Isso, por vez, serve apenas para aumentar o desejo da banda de reunir ainda mais energia e por aí vai até que, similar a uma batalha de atrito sem fim, tanto a banda quanto sua audiência tenham cada onça de energia que eles sejam capazes de conjurar, drenada, e possam subsequencialmente se encontrar no bar e descansar seus corpos cansados.

O show mais elétrico (e empolgante) que a banda já fez tem que ser em Barcelona em 2010 no Festival Primavera Sound, no qual a banda e sua audiência maximizaram a energia potencial recíproca descrita acima.

Em 2008, a banda considerou um fim prematuro. Como a crise foi resolvida ? Ela mudou muito na carreira da banda e influenciou o elogiado Post-Nothing?

De muitas maneiras, a crise nunca foi resolvida, e continua até esse dia, assombrando a banda a cada esquina. Se essa crise teve ou não um papel na formação da banda e/ou sua narrativa é de mínima consequência relativa à impressionante vontade da banda de continuar na maneira mais estridente possível, e enquanto isso pode requerir uma solução mais tangível e definitiva, esse dia não é hoje, e esse tempo não é agora. Sobre a carreira da banda (no que se relaciona aos elogios de Post-Nothing por críticos e fãs), isso não pode ser desconsiderado como (potencialmente) a motivação primária para, mesmo não resolvendo tal crise, pelo menos anestesiá-la até o ponto em que a banda poderia capitalizar sobre sua recentemente encontrada popularidade até um certo ponto.

Duos são uma tendência musical extremamente forte no momento, com grandes destaques em festivais para esse tipo de parceria musical, apesar deque alguns grupos como The Black Keys e The Kills estão ampliando seu palco com bandas de apoio e cantores. Você já sentiu a necessidade de incluir outros músicos no palco com você, com o objetivo de realizar algum tipo de visão musical?

A visão musical do Japandroids é (e tem sido) sem dúvida alguma o resultado das limitações inerentes a escrever e se apresentar como um duo, e enquanto a necessidade ou desejo de incluir outros músicos no palco e/ou no estúdio foi considerada no passado como excessiva e desnecessária, isso só continuará enquanto a banda estiver satisfeita com tais limitações e enquanto elas possam ser vistas como uma vantagem e não uma desvantagem. Como pode ser visto com o The Black Keys e/ou o The Kills, o aumento de suas formações no palco aconteceu bem mais tarde em suas carreiras, então, para discorrer sobre o assunto a respeito do Japandroids necessitaria de uma visão à longo prazo que ainda não existe.

E como a simplicidade na formação da banda influencia a escrita das canções?

A simplicidade na instrumentação apresenta sim um desafio durante o processo de composição, já que a maior parte das canções e sons que a banda está tentando (e já tentou) emular foram originalmente escritas e apresentadas por bandas de quatro, cinco integrantes. Criar uma música ou som comparável utilizando apenas uma guitarra no lugar de duas, e apenas bateria ao invés de bateria e baixo, significa que cada instrumento deve exercer o papel de dois, forçando o instrumentista a compensar usando sua própria habilidade. O som e as canções do Japandroids são essa “compensação” em ação.

O sucessor de Post-Nothing está chegando. Como foi o processo de composição e gravação nesse novo álbum? E quais são as expectativas da banda para esse disco?

A composição e gravação do mais novo álbum do Japandroids, Celebration Rock, não foi nada menos que um pesadelo em cada maneira imaginável. A jornada árdua de sua origem até sua conclusão foi documentada aqui: http://www.japandroids.com. Como esse seria o segundo álbum do Japandroids, a expectativa da banda era criar algo que fosse mais duro, pesado e um pouco mais baseado no Blues que o primeiro esforço, Post-Nothing.

Por último, mas não menos importante, como foi a experiência de abrir uma nova turnê aqui no Brasil? Quais eram suas expectativas em relação aos dois shows?

Antes da chegada ao Brasil, simplesmente não existia nenhuma expectativa, pelo menos no que diz respeito aos shows. Existiam bastante expectativas estereotipadas norte-americanas em relação às mulheres e o clima, entre outras coisas, sendo que os concertos em si eram considerados inicialmente como secundários em relação à viagem até mesmo com o objetivo de limitar propositalmente as expectativas, na esperança de prevenir contra qualquer desapontamento. Em retrospecto, esse foi um exercício completamente desnecessário, já que os shows se provaram extremamente prazerosos em todos os aspectos, com uma plateia entusiasmada reforçando uma banda entusiasmada. A única reclamação na qual eu consigo pensar para concluir é que a viagem foi muito curta, e não houveram shows suficientes. Esperamos corrigir isso da próxima vez.

Sobre Ana Clara Matta

Uma soma de todas as músicas que já escutei e todos os filmes aos quais assisti. / @_ana_c

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1 Comentário

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  1. Excelente e ainda não é muito conhecida, vamos aproveitar.

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