Best Coast – The Only Place (Mexican Summer)
A terra na qual o sol nunca se põe. O estado da Califórnia já inspirou inúmeros sucessos da história da música, sejam eles obras-primas como uma certa California Girls, dos Beach Boys, sejam trabalhos grudentos de qualidade duvidosa, como a (quase) homônima de Katy Perry. Bethany Cosentino resolveu, em seu segundo álbum com o Best Coast, provar que seu amor pelo estado das ondas, praias e estrelas de cinema é maior que seu amor pela reverb e distorção, e abandonou de vez o lo-fi que marcou o primeiro trabalho da banda.
Com um som limpo, o Best Coast alterna momentos de melancolia sessentista (as brilhantes How they want me to be e Do you still love me like you used to) com pérolas do pop-punk de veraneio, como a faixa título e Why I Cry. Assim como o urso estampado na capa de The Only Place, animal símbolo do estado, o Best Coast abraçou a Califórnia de vez com The Only Place. O desafio é terminar o álbum e não comprar suas passagens para o éden descrito tão bem nas palavras de Cosentino.
Best Coast – The Only Place
(Ana Clara Matta)
Exitmusic – Passage (Secretly Canadian)
Ano passado, Aleksa Palladino (que também é atriz) e Devon Church lançaram o primeiro disco sob o nome de Exitmusic. From Silence, um EP de quatro canções, impressionou pelo clima gélido, dark, às vezes fantasmagórico. Agora, o casal (realmente casado) chega ao primeiro disco, Passage, tão sombrio e expressivo quanto.
O disco é praticamente uma extensão do EP, com títulos simples (a dupla quer que as atenções vão pra música e não pras letras), como The Night, The City, The Wanting, Storms, Stars e The Cold, (no EP, haviam The Sea, The Hours e The Silence), e atmosfera semelhante. Passage e The Night são grandiosas, com coros e instrumentação que corta como um vento gelado no inverno da Groelândia. The City e White Noise tocam o fundo da alma e mostram a voz de Aleksa bem próxima da de Alison Goldfrapp, no disco de estreia, Felt Mountain, de 2000. Aliás, se há um parentesco direto pra Passage, é esse.
É como se Goldfrapp tivesse perdido a mão, a razão e o tesão pelo sombrio e introspectivo e o Exitmusic tivesse herdado tal honra. É pra ouvir enfrentando seus fantasmas mais íntimos. E admirá-los.
Exitmusic – White Noise
(Fernando Lopes)
Gossip – A Joyful Noise (Columbia)
Em uma pequena janela no tempo, perdemos dois ícones da música “disco”: Robin Gibb, dos Bee Gees e Donna Summer. Mas o que A Joyful Noise, novo álbum do trio Gossip, declara com muita bravura é que essas mortes trágicas não levam à morte das pistas de dança – o espírito da música Disco, Dance ou qualquer outro rótulo que se aplique, está vivo e com a bpm forte como a dos sinais vitais de um coração.
O sucessor de Music For Men dá mais um passo na direção do comercial, e soa como um álbum que poderia ter saído da voz não da Beth Ditto que gritava Standing In The Way of Control na década passada, porém de Madonna e Lady Gaga. Isso é um retrocesso? Apenas em decepções como a dupla que encerra o álbum. Afinal, momentos como o baixo potente da brilhante Melody Emergency, a guitarra ritmada de Horns e as ótimas Perfect World e Into the Wild cumprem exatamente aquela que é a missão primordial da música dance – tornar impossível para o ouvinte a apatia e convidar todos para a dança, seja no coração da vida noturna, seja no meio da sala de estar.
Gossip – Melody Emergency
(Ana Clara Matta)
Violens – True (Slumberland)
Acho que qualquer banda que compõe canções como Totally True e Unfolding Black Wings merece um tanto de crédito. É com elas que o trio nova-iorquino Violens recheia seu segundo disco, True. Não há nada aqui de espetacularmente genial, novo ou inovador – e quem tem sua educação musical lá nos anos 1980 poderá identificar tal raiz de criação com ainda mais força. Mas True é um bom disco, a despeito de qualquer pretensão.
Não só pelas duas citadas, mas por todas as outras dez músicas, True, com sua imersão no dream pop e no pós-punk, se destaca da produção corriqueira. Sariza Spring tem um baixo grandioso; Lavender Forces é gótica, um minuto e meio de ruídos e distorções; All Night Low é mais “punk”, acelerada, um No Age com vocal etéreo; Every Melting Degree, acredite, lembra bastante Blow It Up, do Vaccines; e So Hard To See tem um apelo morrisseyniano. Se nada disso lhe convencer, tente a elegante Through The Window.
Aparenta uma mistureba sem sentido. Não é. É só o reflexo de uma grande verdade da música pop que o Violens aprendeu bem: referências bem usadas resultam em ótimas canções.
Violens – Totally True















junho 14, 2012 às 15:28
[...] meio ao sol, piscina e bebidas, o vídeo da faixa que dá nome ao recém lançado álbum da banda também serve para deixar mais do que gravada a marca deles: Best Coast was [...]
julho 11, 2012 às 17:31
[...] o duo Best Coast traz seu mais recente disco, The Only Place, que soa como uma bela homenagem à Califórnia com seu som de ondas [...]