
por Ana Clara Matta, Danielly Friedrich, Guilherme Alves e Izadora Pimenta
Você já descobriu que seu melhor amigo era na verdade nascido em algum local próximo da constelação de Betelgeuse? Já escolheu o melhor bife no Restaurante no fim do universo? Quantos shows do Disaster Area você já assistiu (e como estão seus tímpanos agora)? Você sabe o que se passa na mente de um vaso de petúnias? Não importa. A resposta para todas essas perguntas, e para qualquer outra que envolva tudo que está contido nesse universo (e em todos os outros) é 42. Será que poderiam ser 42… músicas?
Hoje o mundo comemora o Dia da Toalha, uma celebração direcionada ao humor britânico incomparável e a análise sociológica afiada do saudoso Douglas Adams, autor da série O Guia do Mochileiro das Galáxias. Para honrar o legado dessa mente criativa, que falecia no dia 11 de maio de 2001, convidamos 42 pessoas (não conseguimos entrar em contato com nenhum golfinho ou rato, infelizmente) para serem “Deep thinker”s por um dia e nos contarem: qual é a música que traz a resposta para a vida, o universo e tudo o mais?
Essas músicas são o acompanhamento perfeito para a sua toalha: acalmam a Besta Voraz de Traal, possuem letras mais significativas e agradáveis que a poesia Vogon e respondem, de acordo com nossos convidados, à pergunta fundamental de maneira ainda mais precisa que o computador de Magrathea.
Não entendeu absolutamente nada do texto acima? Não entre em pânico, “frood”, e também não se deprima como o Andróide Marvin. Apenas busque o sentido da vida, ou no mínimo, uma boa distração para esse dia, nessas 42 músicas.
“Com letra forte e motivacional, marcou muito porque passei por um momento nebuloso na família: aos 10 anos perdi minha tia de uma hora para a outra. Como a letra sugere, alguns momentos, bons ou ruins, são para ser lembrados. E essa foi a primeira vez que percebi que a vida poderia ter trilha sonora para demarcar momentos importantes”
“Marcus Mumford e seus comparsas desvendaram nesta canção o que é a vida e o que é ser gente. Ela é melancólica sem ser triste, forte o suficiente para gritar admitindo fraqueza e esperançosa mesmo sem ser necessariamente feliz. Prosaica e poética, pronta para encontrar seu tamanho verdadeiro fora de si mesma.”
“Fora ser criada por uma inteligência superior, é fascinante, extraordinária e completamente óbvia. É o nosso 42 musical.”
“Pra mim, é o hino dos anos 90.”
“Além das lembranças de quando eu via esse clipe na MTV, no meio dos anos 90, até hoje me diz muito sobre como ficar mais velho e crescer muda nossas percepções e que tudo na vida vai da forma como você encara. Eu sempre acreditei que essa energia positiva deve permear tudo que acontece em nossas vidas.”
“Foi o primeiro rock que eu escutei na vida, no velho Gradiente do meu pai. Eu devia ter uns 11 anos, foi como um soco na cabeça e um chute no peito. Nunca havia escutado nada parecido antes, me senti atropelado por aquele som, mudou a minha vida. Se hoje eu faço música, a culpa é desse disco. Mais especificamente, dessa música.”
“Eu tinha 7 anos e ouvi ao acaso a canção “Yesterday”, dos Beatles no rádio. Me lembro exatamente da sensação que tive naquele momento, fiquei hipnotizado em frente a radiola até a música acabar… Quando ela acabou, minha vida começou.”
“‘Radiohead é o sentido da vida, do universo e tudo mais e seu argumento é inválido.’ Foi a música que me fez explodir a cabeça com Radiohead, fora que fala do sentido da vida. O sentido da vida é não questionar o sentido da vida.”
“Ela é tão tão importante que pode definir minha existência pela forma em que ritmo e melodia são conduzidos, meio tortos. Tudo é extremamente emocional. A letra casa com essa esfera toda, falando pra eu abrir os olhos, aproveitar o máximo de tudo na vida e perceber que tudo acaba, que até quem você mais ama um dia vai embora.”
“Não sei se poderia dizer que ela define minha existência, mas tem um significado muito importante para mim. É o tipo de música que surge a partir de uma ideia muito pessoal, mas conforme é concebida, extrapola o âmbito da experiência individual e fala de assuntos universais com rara beleza.”
“Os orientais já diziam, o tempo é cíclico. O retrô é moderno, penteados e ideologias somem e reaparecem, pessoas nascem e morrem e nascem. A História se repete. Bela lembrança para os tempos em que quase todo mundo quer ser a novidade. Viva Shirley Bassey!”
“A letra é muito sincera, sentimental e dá uma sensação melancólica, mas positiva sobre a vida. Um hino.”
“Mellon Collie talvez tenha sido o disco que eu mais ouvi na minha vida. Muzzle em especial é a música melancólica mais otimista que eu conheço. A letra é linda e uma passagem em especial me define, tanto que tenho tatuada no meu peito: ‘And the world so hard to understand is the world your can’t live without.”
“Essa música me traz muita alegria!”
“Porque ‘I’m alive, I’m alive, I’m alive, yeah!”
“Ela sintetiza pra mim como o universo funciona: tudo está no seu devido lugar, por mais que algumas coisas sejam confusas ou nem sempre você tenha paciência pra lidar com os percalços do caminho. A vida é assim e, apesar de não acreditar em destino ou coisas do tipo, quando você se esforça, as coisas acabam acontecendo.”
“Ela certamente não define minha existência, mas está alçada a este patamar do meu entendimento por uma razão biográfica e, portanto, absolutamente particular.”
“Porque ela é instrumental; já que ninguém sabe qual é A Questão, não faz sentido a resposta ser cantada. E entre ’42′ e essas linhas de guitarra do Fripp, eu fico com a segunda opção, muito obrigado.”
“Adorava ouvir esta música sem parar enquanto meu pai tomava sua cervejinha. Pedia que voltasse o tocador de vinil sempre que terminava a música. Já que minha existência no mundo depende de meu pai, fica aqui minha homenagem a este que, não só me trouxe ao mundo mas também colocou um pouco de rock na minha vida. Obrigado, pai.”
“Na frase mais significativa da letra, Ian diz que carregamos nossas histórias escritas em nossa pele. E isso é o resumo de uma vida. Nas cicatrizes está a nossa história. Tudo o que vivemos é o que nos faz ser a pessoa que somos.”
“Difícil escolher apenas uma música. Porém, quando mais jovem, quando divagações sobre a vida e o universo estavam borbulhando em minha cabeça, ‘No Quarter’ do Led Zeppelin poderia ter sido a trilha sonora dessas divagações. A música me passa um sentimento sublime e misterioso, algo espiritual, além do que se vê.”
“Uma harmonia linda, com uma letra matadora. Existe uma lenda que o Brian Wilson fez essa música em 3 minutos, eu acho isso inacreditável, esse é o tipo de mágica que espero um dia conseguir fazer.”
“Simples em arranjo, mas de narrativa dramática e poética, é um registro que dividiu minha vida em dois. Fez parte de um marco da transição de pensamento amoroso, ao mesmo tempo em que abriu portas para explicar um pouco da minha existência dentro desde monstro ruidoso chamado mundo.”
“Toda vez que escuto essa música sinto por alguns minutos que sou personagem de um filme e as respostas pra todas as minhas questões já estão prontas, escritas e dirigidas por um autor que teve bom gosto na hora de escolher a trilha sonora.”
“Desde aprender a tocá-la na guitarra até o momento em que a vi ao vivo pela primeira vez – e até os dias atuais -, a canção sempre está por perto. Quando passo tempos sem ouví-la, é como sentar num bar com o melhor amigo das antigas, mas cuja companhia foi distanciada pela vida: todas as histórias voltam em questão de minutos.”
“Essa música justifica minha existência pelas belas curvas melódicas e pela complexidade de uma simples história de amor. E nada mais justificável que as palavras de Caio Fernando Abreu: A grande epopéia da vida humana, assim, é o amor.”
“Eu me identifico com essa música porque ela traz boas lembranças e fala sobre otimismo, superação e ser feliz fazendo o que gosta. Acho que se uma música marca um momento da sua vida, é porque ela respondeu tudo o que você queria saber naquele momento. Por isso eu escolho essa, marcou um momento importante pra mim.”
“Na música, Stevie faz as malas e volta para um lugar onde o ar é puro, onde ele não vai mais precisar sentar e ficar vendo pessoas morrerem de fome, de guerra. E nem precisa ir de carro porque lá todos aprenderam a voar.”
“Eu flutuei com a simplicidade dessa música. A pergunta simples dela incorporou a complexidade de uma emoção que eu estava experimentando pela primeira vez. Isso iluminou o poder da música e a enraizou em mim.”
“Vou escolher uma música que é a música minha e da minha mulher!”
“É uma canção passional ao extremo, ilustra uma intensidade sempre presente. Uma paixão conduzida sem clichês, com elegância, algum sarcasmo.”
“Porque é uma referência que escuto desde garoto e influenciou minha forma de escrever rap.”
“A letra menciona a ideia de que a Babilônia não está tão longe, pela quantidade que se consome no mundo moderno. Graças a isso, o tão falado Paraíso vem como um lugar sem nome. E “Blunt Of Judah” representa a ideia de que sua vida é o que você quiser, afinal você faz da sua vida o que você quiser.”
“Esta música é tão enigmática quanto o significado do 42. Me acompanha desde a adolescência e já assumiu diversos significados. É uma música sobre amor não correspondido? É uma música sobre desespero? É uma música de redenção? Pode ser tudo.É uma canção que encanta, emociona e se (in)define a cada vez que é tocada.”
“Minha música da vida no momento é um resgate da adolescência: Ela fala de uma suposta crise de meia idade, pela qual eu posso estar passando; mas que certamente o Rivers Cuomo nem estava perto de sentir na época em que escreveu o álbum “Pinkerton”. Ou seja, é um placebo pra quem acha que está velho.”
“Minha música é “Let It Be”, dos Beatles. Porque ela está no disco de mesmo nome, lançado em 1970. Portanto, há 42 anos…. E ela diz para let it be. Deixa estar. Como se estivesse dizendo “deixa tudo como está”. Não se interesse pelo resto. Pra que respostas? Fique com as perguntas.”
“Eu acho a letra divertida, seca e esperta. É a mistura dum rapper atual com a produção dum cara das antigas (Rick Rubin). É como o Hip-Hop deveria ser, pra mim. Tem a ver comigo no sentido dele se posicionar como um cara de boa, tranquilo e tentando se manter longe de problemas. Mas se eles vierem, que venham com tudo.”
“Nossa, muito difícil definir apenas uma música! Acho que mudo muito as coisas que penso e que gosto, então vou dizer a música que mais tem me tocado de uns 10 anos pra cá, sempre que a escuto é inevitável que me emocione muito! Só a menção do nome me passa uma paz e uma ternura que dá vontade de sair flutuando!”
“É só ouvir seus 5 segundos iniciais que eu começo a dançar, pular, batucar, bater a cabeça ou seja lá o que for mais fácil no momento. Se o dia está ruim, é só apertar o Play que ela irá melhorá-lo, e foi com ela que eu aprendi que você não deve viver uma vida padrão só porque as pessoas acham que deve ser assim.”
“Foi a primeira música não-juvenil que me fez chorar. Cartola ‘só’ descobriu o segredo da humanidade: ‘uns choram por prazer, e outros com saudade’. É isso.”
“A música, por mais ‘insanamente’ repetitiva que seja, nos mostra que o que importa está em nossa volta. Não importa para o que você olhe, você sempre verá o mundo, e em algum momento, você vai encontrar sua resposta around the world.”
“John Lennon sabia das coisas. O refrão dessa música é simples e fundamental.”
maio 25, 2012 às 16:17
[...] Post no Rock’n'Beats com 42 músicas sobre nossa dúvida existencial >> aqui [...]
maio 25, 2012 às 17:24
How many roads must a man walk down before you can call him a man? How many seas must a white dove sail before she can sleep in the sand? 42.
maio 29, 2012 às 11:18
[...] representa minha vida, através de uma movimentação referente ao dia da toalha e orgulho Nerd (leia aqui). Eu deveria escolher uma música e falar um pouco dela, mas acabei me estendendo demais e meu [...]
junho 1, 2012 às 12:16
O melhor video, a melhor música, a melhor interpretação. Apesar de Justice não ser uma das minhas duplas favoritas, mas com certeza um grande e excepcional banda que conseguiu revolucionar o eletronico. Civilization monstra a grandeza, os medos e falhas e como tudo pode ruir diante do Universo.