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Resenha: Sigur Rós parte para mais uma viagem em Valtari | Rock 'n' Beats

Resenha: Sigur Rós parte para mais uma viagem em Valtari

Postado por Ana Clara Matta. Posted in Destaque, Internacional, Resenhas

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Publicado em 27 maio, 2012 - 1 Comentário

Por: Ana Clara Matta

Chegamos à um ponto na história da música em que o gênero musical mais produzido é o da “música de fundo”. Esse fenômeno foi sim, condicionado por gravadoras e artistas cada vez menos originais, mais superproduzidos e mercadológicos. Mas a indústria busca o que o público demanda. E dessa maneira, podemos traçar a origem desse fenômeno nos nossos próprios hábitos de escuta. Enquanto a “música de fundo”, que nos distrai mas não nos afeta, era restrita aos elevadores, boates ou consultórios de dentista, hoje ela está em nossas casas, rodando eternamente no player de preferência do ouvinte enquanto esse trabalha, passeia pela internet ou interage com os amigos nas redes sociais. Mas algumas bandas não se contentam com essa escravidão das músicas de fundo. Elas exigem sua atenção completa – e por vezes, conseguem. O Sigur Rós consegue, sempre conseguiu e mais uma vez te prende em seu universo com o espectral Valtari.

A combinação do som post-rock complexo e cheio de camadas da banda islandesa e das letras, indecifráveis mantras para quase que a totalidade dos ouvintes, cria um fenômeno na música do Sigur Rós que não pode ser observado em nenhuma, sem exageros, nenhuma outra banda da atualidade. O som é cinematográfico, e as interpretações são tão abertas, que a música acessa suas memórias pessoais, seu repertório cultural de filmes, livros, eventos e paisagens, e forma uma imagem mental completamente subjetiva. A mesma canção da banda que pode parecer triste e lembrar a pobreza, a desolação, a morte, para um, pode evocar o triunfo, o fantástico, o mágico, perante os ouvidos de outro fã.

Valtari, como qualquer álbum do Sigur Rós, exige entrega. Mas recompensa a entrega com uma experiência que só não pode ser chamada de única pois existem ( ), Ágætis Byrjun, entre outros frutos da mente do quase-élfico Jónsi Birgisson. Valtari está na vizinhança desses álbuns mencionados, pontos altos da carreira dos islandeses.

O álbum começa assombrando o ouvinte com as etéreas Ég Anda e Ekki Múkk, mas tem seu primeiro momento arrepiante com o “crescendo” de Varúõ, que ganha coros e guitarras distorcidas e velozes com a aproximação de seu final. Após a explosão de Varúõ, o piano introduz a calmaria de Rembihnútur, sutil mas sem zonas de conforto quando insere ruídos e reverbs, culminando em mais um fim grandioso. Dauðalogn e Varðeldur formam um belo par, trazendo guitarras tocadas com arco e notas completamente melancólicas de piano, combinadas, com efeito devastador. Valtari, a faixa título, é também a mais ousada de todo o álbum, com sons que te fazem buscar a origem, um significado, uma fonte. Quando o álbum acaba, é difícil reunir as forças para abandonar o mundo criado pelo Sigur Rós.

A capa de Valtari não poderia ser mais precisa. Um barco, flutuando não na linha da água, mas em pleno ar. Parece impossível. Surreal. Misterioso. Exatamente como a arte do Sigur Rós. Mas também faz o mesmo convite irrecusável do disco: embarque, sem perguntar como, ou por que, ou qual é o destino final e conheça um mundo que você nem imaginaria existir.

Nota: 8,5

Sobre Ana Clara Matta

Uma soma de todas as músicas que já escutei e todos os filmes aos quais assisti. / @_ana_c

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1 Comentário

Existem atualmente 1 Comentário no Resenha: Sigur Rós parte para mais uma viagem em Valtari. Deixe seu comentário

  1. quase que eu choro só lendo a resenha hehe. os caras são foda! massa que eu ainda senti aquela resistência da primeira ‘escutada’, então tô curtindo o álbum cada vez mais dia pós dia.

  2. [...] comunicação entre si. Varúõ é o grande destaque de Valtari, álbum mais recente do Sigur Rós, resenhado por nós. Não deixe de [...]

  3. [...] Daí aos poucos, escutando músicas de Neon Indian, Unicorn Kid, Grimes, Ellie Goulding, Sleep Party People e agora que sem querer eu encontrei o Sigur Rós (Rosa da Vitória), uma banda islandesa, em que, como disse uma resenha que lí: “O som é cinematográfico, e as interpretações são tão abertas, que a música acessa suas memórias pessoais, seu repertório cultural de filmes, livros, eventos e paisagens, e forma uma imagem mental completamente subjetiva. A mesma canção da banda que pode parecer triste e lembrar a pobreza, a desolação, a morte, para um, pode evocar o triunfo, o fantástico, o mágico, perante os ouvidos de outro fã”. fonte [...]

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