Alt-J – An Awesome Wave [Infectious Records]
O quarteto britanico alt-J é uma das revelações do ano. An Awesome Wave, seu disco de estréia, mostra um pop ótimo, com várias influencias de eletronica, e um estilo vocal bem diferente. Joe Newmanmistura seus suspiros e fala rápida com a cantoria de diversos backing vocals, fazendo assim sua voz soar também como instrumento, o mais marcante da sonoridade da banda.
A atmosfera dançante do single, Brezeblocks e de Fitzpleasure, se misturam com músicas mais calmas para se relaxar como Something Good e Taro. No meio do álbum, ainda há enxerto de pianos e guitarras. alt-J é mais um nome para se ficar atento e este disco de estréia, mostra bem isso.
Azealia Banks – 1991 [EP] [Digital Release] [Interscope]
Azealia Banks é um notável exemplo de alguém que soube muito bem aproveitar o hype. A rapper americana nos últimos seis meses deu muito o que falar entre entrevistas impactantes e várias colaborações com outros artistas. Seguindo a linha simples de se chegar para causar impacto, falar o que der na cabeça sem se importar, além de não fazer o que já era esperado, tudo isso bem refletido no seu hit 212.
1991, o primeiro EP oficial, traz as já conhecidas e excelentes 212 e Liquorice, e duas músicas inéditas : 1991 e Van Vogue. Todas são excelentes, Banks tem uma boca suja, mas consegue fazer as letras funcionarem em perfeito fusão com a base eletronica sempre muito dançante. Ainda é um pouco cedo para dizer, mas 1991 soa como uma das grandes estreias da música atual, e Azealia parece estar pronta para ainda fazer muito barulho.
Azealia Banks – Van Vogue
Edward Sharpe and the Magnetic Zeros – Here [Community Music/Vagrant]
Here é um disco mais suave que seu antecessor, Up From Below, embora mantenha os mesmos elementos que destacaram o country/folk do Edward Sharpe and the Magnetic Zeros: vocais em coro, palmas, assobios e arranjos que valorizam a percussão e os instrumentos de cordas em faixas que abusam de altos e baixos como evolução harmônica. Há também uma inversão em como os vocais de Alex Ebert e Jade Castrinos se apresentam em relação ao álbum de 2009. Enquanto ele mostra mais suavidade em vocais menos densos, ela vem com mais firmeza.
I Don’t Wanna Pray traz o folk mais clássico da banda. One Love To Another é um quase folk-reggae. Já os quase 6 minutos de Mayla são o momento mais bonito de Here com as vozes em coro, teclados estendidos, instrumentos de sopro e percussão impecável. No geral, o registro delicado do Edward Sharpe and the Magnetic Zeros mostra uma faceta mais rebuscada da banda e é uma bela evolução como segundo trabalho.
Edward Sharpe and the Magnetic Zeros – Mayla
Gemma Ray – Island Fire [Bronze Rat]
Island Fire é um álbum que evolui de um começo sem graça para um final dramaticamente lindo. A falta de impacto do início se dá por Alight! Alive! soar igual a tantos indie/pop por aí, e Put Your Brain In Gear, apesar de gostosa, é só mais uma faixa que resgata o surf-rock. Runaway, por sua vez já começa a apresentar a delicadeza e densidade que aparecerão mais forte na bela Troup De Loup. A partir daí, o álbum só cresce.
São os teclados? O baixo? A voz indiscutivelmente deliciosa da britânica? A guitarra que ela mesma toca? Tudo isso junto é o que faz o quarto álbum de Gemma Ray ser bom. O surf-rock melancólico de Flood And A Fire é outra boa faixa.
As duas últimas músicas, How Do I Get To Carnegie Hall? e Eaten By The Monster Of Love são bons covers do duo Sparks que também participam das novas versões. Os pianos e multivocais deixam o final de Island Fire semelhantes a uma cena dramática de um musical: envolvente.
Gemma Ray (with Sparks) – How Do I Get To Carnegie Hall?
Regina Spektor – What We Saw From the Cheap Seats [Sire/Warner Bros.]
Regina Spektor lança o sexto disco da carreira com uma fórmula que dá certo: voz doce cantando sentimentos lindos, como amor e esperança. E outros nem tão nobres, como a amargura. Em What We Saw From the Cheap Seats, porém, ela acrescenta um novo elemento aos pianos e melodias suaves: beatbox, mais notável em uma das melhores faixas do disco, All The Rowboats.
O seu brilhantismo continua sendo percebido nos ritmos que aplacam a mente. Exemplo alcançado em Oh Marcello, no refrão deliciosamente pegajoso. Já a baladinha Don’t Leave Me (Ne Me Quitte Pas), veio pronta pra tocar na rádio e tem tudo o que uma boa música pop precisa.
What We Saw From the Cheap Seats é bom para vários momentos. Acompanha um coração partido e quem gosta dessas súbitas jogadas que Regina faz. Seja com a voz, letras ou com os socos de realismo que impõe.
Regina Spektor – Oh Marcello
Do refrão de Baby Come Home ao remix de F*** Yeah, o disco do Scissor Sisters é marcante, não por ser um trabalho revolucionário ou rebuscado, mas por seu poder de explorar o lado mais comercial da música. Keep Your Shoes, por exemplo, poderia estar no álbum de qualquer cantora pop como Jennifer Lopez, o que já aponta o fator “gruda na cabeça” do disco todo. O interessante é que a banda faz uma mistura de épocas e estilos nessa busca pelo “pop mais pop de todos os pop’s”. Inevitable parece um mix de Bee Gees, George Michael e backing vocal gospel. Em seguida, Only The Horses é o electro/dance/pop que toda balada toca atualmente, enquanto a bateria e o teclado de Year Of Living Dangerously desperta uma nostalgia até em quem não viveu nos anos 80.
Sem grandes letras ou arranjos, essa mistura é o que dá graça ao disco, quase fazendo o ouvinte querer pular para a próxima faixa para adivinhar a influência por trás dela. É isso o que não deixa Magic Hour passar batido como só um lançamento agitadinho. Um álbum grudento, dançante e surpreendente.
Scissor Sisters – Only The Horse
Sigur Rós – Valtari (XL)
É possível afirmar que uma enorme porcentagem das músicas que chegam aos nossos ouvidos diariamente chegam em línguas as quais entendemos, seja perfeitamente ou parcialmente: português, inglês e espanhol. A ideia de um álbum em uma língua totalmente estranha, na qual você não é capaz de identificar nem mesmo uma palavra, está associada a um preconceito tão forte e com raízes tão profundas que leva muitas bandas originadas fora do eixo EUA/UK a adotarem o inglês quando buscam o mercado internacional.
O Sigur Rós não vê essa barreira como uma desvantagem, e mais uma vez utiliza sua linguagem como arma para criar paisagens hipnóticas e fascinantes em Valtari. Com momentos de melancolia profunda como Dauðalogn e a triunfante Varúõ, Valtari é mais uma jornada incrível de uma banda que se recusa a viajar por trilhas já abertas.
Leia a resenha completa aqui.
Sigur Rós – Ekki Múkk
(Ana Clara Matta)
The Walkmen – Heaven (Fat Possum/Bella Union)
“I’m not your heartbreaker, some tender ballad player”, Hamilton Leithauser diz em uma das faixas do novo álbum do The Walkmen, a sublime e eletrizante Heartbreaker. Sim, o Walkmen não é uma banda que se especializou, com o tempo, em baladas confortáveis e macias. Mas um fato é inegável: os rugidos de Leithauser foram domados, a rajada da bateria se transformou em um ritmo mais suave e cristalino e o som e a fúria de faixas como a clássica The Rat foram substituídos pela sofisticação e classe de faixas como Love is Luck e Nightingales, apenas dois dos inúmeros destaques de Heaven, novo álbum da banda.
Heaven chega com a missão difícil de suceder uma quase-obra-prima, Lisbon, de 2010, mas não decepciona em momento algum. Muito pelo contrário: o Walkmen nunca soou tão grandioso, remetendo a ícones como Bob Dylan ou U2 (especialmente na ótima Witch), e mostrando um amadurecimento que poucos grupos que trocam suas camisetas por ternos realmente conseguem realizar de maneira sonora.
The Walkmen – Heaven
(Ana Clara Matta)















junho 5, 2012 às 10:57
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