Friends – Manifest! (Fat Possum)
Friends fez jus ao hype e Manisfest! é uma das grandes estréias do ano. O vocal de Samantha Urbani é o principal motivo disso. A batida eletrônica com base funk que leva grande do disco não é algo novo, mas quando combinados com os suspiros, sussurados, gritos e melodia da voz de Urbani, a banda revigora o som quase datado em fins dos anos 70, e traz uma mistura perfeita de tons dance com um excelente indie pop.
Além disso, o som dos novaiorquinos é tão único que eles transitam desde a disco e funk, passando pelo pop vocal (A Thing Like This), pelas guitarras fortes (Ruins), e até por um eletronico bem mais pesado (A Light), de forma bem coesa, mantendo a essencia do grupo e sem deixar as músicas soarem antigas.
Friends – Friend Crush
(Marina Bastos)
Ladyhawke – Anxiety
Pip Brown tomou uma decisão corajosa em seu segundo disco solo: ela se inspirou em sua sindrome de Asperger e em como se sentia dependente de ansiolitos para escrever Anxiety. Apesar de parecer temáticas que não deveriam estar em um disco de eletropop, a idéia da cantora de escrever como terapia não falha, e o disco tem alguns ótimos momentos e canções bem dançantes.
Quando comparado com seu disco anterior, no entanto, por mais que as músicas estão bem mais eletrônicas e as guitarras ganharam o peso ideal, ainda tem algo algo faltando e as músicas não soam tão cativantes ou duradouras, com as exceções de Black White and Blue, Girl Like Me e Vanity. Ladyhawke conseguiu passar pela dificuldade do segundo álbum de uma maneira bem diferente agora resta ver como ela vai continuar.
Ladyhawke – Black White and Blue
(Marina Bastos)
Lettuce – Fly (Velour Music Group)
A reunião de músicos de alta competência do Lettuce não deixa dúvidas de que um novo trabalho da banda é sempre cheio de qualidade, embora este seja apenas o quarto álbum de estúdio nos 20 anos de existência do grupo. As 13 músicas de Fly misturam funk, soul, jazz e um balanço que agrada até aos mais conservadores. E para isso nem é preciso de um vocalista. A única faixa em que vozes são ouvidas é Do It Like You Do, que deixa um gostinho de “imagina se o álbum todo fosse assim”.
Quem se propor a ouvir Fly precisa apreciar as características de cada instrumento sem pressa. As faixas são longas, algumas beirando os sete minutos. Mas são minutos de uma interessante experiência musical, que não vem para competir em um mercado de “novidades”, mas serve para resgatar a elegância dos clássicos muito bem representado na versão de Slippin’ Into Darkness, do War.
Lettuce – Slippin’ Into Darkness
(Soraia Alves)
Liars – WIXIW (Mute)
Teclados e sintetizadores pesados formam o carro-chefe do novo álbum do trio novaiorquino Liars. A trilha toda é densa apresentando várias camadas ricas e bem trabalhadas de uma sonoridade que ora abusa da criação de sons ambientes (III Valley Prodigies), ora apenas se apropria de elementos eletrônicos para criar uma proximidade com o electro/indie atual (His and Mine Sensations).
O ritmo envolvente de WIXIW cresce ao longo do disco à medida que as faixas deixam de ser tão lentas e passam a manter uma batida cativante, mesmo que ainda carregadas de uma aura escura. Flood to Flood pode ser o melhor exemplo desta batida intensa e estimulante: a influência árabe deixa a canção sedutora enquanto o trio liderado por Angus Andrew mistura synths que fazem a faixa ser irresistível.
O experimentalismo de WIXIW é uma boa continuação para Sisterworld (2010), confirmando que o Liars, até agora, é uma banda que de fato só tem evoluído. E é isso que sempre esperamos, não?
Liars – Flood to Flood
(Soraia Alves)
Neil Young & Crazy Horse – Americana (Reprise)
Neil Young consegue evocar qualque paisagem ou sentimento em sua carreira versátil, e em Americana, disco que marca o retorno de sua parceria com a banda Crazy Horse, o canadense se revela como um hábil diretor de arte de um Western, fazendo uma caravana de diligências, forasteiros e suas botas poeirentas e mineradores gananciosos surgirem na mente do ouvinte mais imaginativo.
Americana quer reviver um EUA que já não existe mais, um EUA árido, repleto de tensões sociais, tradições e doses limitadas de um romantismo nostálgico, mas quer também trazer de volta a legitimidade para o gênero folk/americana, buscando para isso as raízes do gênero, com faixas que não remetem à décadas passadas… na verdade, retomam séculos. Timbres de guitarra incríveis mostram a cada instante que esse é um álbum que respeita o legado de Neil & Crazy Horse, mas é outro legado que ganha os holofotes, merecidos, aqui.
Neil Young & Crazy Horse – Oh Susannah
(Ana Clara Matta)
The Beach Boys – That’s why god made the radio (Capitol)
Ah, a boa e velha tradição da “turnê de retorno”. Vista pelos fãs de uma banda que se encontrava em hiato como a maior alegria possível, vista pela indústria como a fonte perfeita de lucro. É difícil não torcer o nariz quando uma banda resolve retornar para usufruir do peso de seu legado… mas é impossível torcer o nariz para o que é talvez o retorno mais aguardado da história do rock: os “velhos garotos” do The Beach Boys estão de volta.
That’s why god made the radio não é o álbum pelo qual estávamos esperando, mas se a onda quebra sobre o surfista em alguns momentos como a fraca The Private Life of Bill & Sue (a Kokomo deste álbum), o brilhantismo de Brian Wilson triunfa como um campeão em um tubo no Hawaii em faixas como Isn’t it time, mais despretensiosa, ou as pérolas From there and Back Again e Daybreak over the ocean, que provam aquilo que um certo Pet Sounds já havia declarado: o maior erro para um fã de música é julgar os geniais Beach Boys como apenas os inventores de um inofensivo surf rock californiano.
The Beach Boys – That’s why god made the radio
(Ana Clara Matta)
The Hives – Lex Hives (Disques Hives)
Se você baseia todo o seu guarda-roupa na combinação de apenas duas cores, existem grandes chances de que você pareça vestir sempre a mesma roupa. Esse é o caso da banda sueca The Hives. E se você baseia sua sonoridade em uma série restrita de melodias simples (e por vezes plagiadas ou sampleadas) e vocais energéticos, que se multiplicam em certos versos com a ajuda dos instrumentistas, existem grandes chances que todas as músicas soem iguais. Esse também é o caso da banda sueca The Hives, como prova o novo disco do grupo, Lex Hives.
Lex Hives carrega explosões de nitroglicerina punk/garage rock tão boas quanto as de qualquer outro álbum do Hives, hits prontos e excelentes como 1000 Answers, Take back the toys e a inspirada em ELO Go Right Ahead. Mas se o resultado cansa rápido em estúdio, parece ser feito sob medida para manter o ponto forte do Hives em movimento: a fama de um show que mais parece uma festa em P&B.
The Hives – Go Right Ahead
(Ana Clara Matta)













junho 8, 2012 às 14:24
[...] Confira a nossa opinião sobre o novo disco do Hives. [...]