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Lançamentos da semana: Metric, Maximo Park, The Tallest Man on Earth e mais | Rock 'n' Beats

Lançamentos da semana: Metric, Maximo Park, The Tallest Man on Earth e mais

Postado por Ana Clara Matta. Posted in Colunas, Destaque, Lançamentos da Semana

Publicado em 13 junho, 2012 - Nenhum Comentário

Bobby Womack – The Bravest Man in the Universe (XL)

Damon Albarn não dá tiro no escuro. Ainda mais na companhia de Richard Russell na produção do álbum. Sem gravar há 18 anos, Bobby Womack retorna com o excelente The Bravest Man In The Universe que transita com autoridade pelo trip hop, soul e gospel.

Próximo de completar 70 anos, Bobby brilha intensamente em temas como Dayglo Reflection, que conta com participação da emergente diva Lana Del Rey, e na dançante Love is Gonna Lift You Up.

The Bravest Man In The Universe reflete a alma do cantor americano e fica claro logo na faixa título (Bobby acabou de se livrar em definitivo de um câncer no cólon). A voz de Bobby ecoa límpida nos versos “I once was lost/ but now I’m found”.

Destaque do disco é a homenagem feita a Gil Scott–Heron na introdução da bela Stupid, que sincroniza tímido piano e drum’n bass com a voz de Gil, anunciando a entrada triunfal de Bobby atacando a alienação da comunicação. TBMITU sem grandes invenções é dos melhores registros do ano.

Bobby WomackStupid

(Vinicius Cunha)

Dent May – Do Things (Paw Tracks)

Tudo é muito tranquilo e sinestésico no mundo do Dent May. As 10 músicas de Do Things vão misturando uma batida aqui, uma distorção ali, e no fim soam sempre como uma trilha relaxante e descompromissada. E dessa vez sem ukelele, como no primeiro disco dele.

Pela mistura de funk, soul e eletrônico, Don’t Wait Too Long acaba sendo a faixa mais interessante do disco, que aborda temas leves já mostrados pelos títulos Fun, Best Friend, Wedding Day. Como na vida, uma pequena melancolia aparece camuflada em faixas como em Find It, mas até quando divaga sobre o sentido da vida, Dent May soa otimista. E contrariando Elis Regina, em Parents, May só deseja ser diferente das gerações passadas (“We don’t want to be just like our parents”) mesmo que seu som não seja tão inovador assim.

Dent MayBest Friend

(Soraia Alves)

The Hundred in the Hands – Red Night (Warp)

O sol se pôs para o The Hundred in the Hands. Se o primeiro disco do duo, que chegou aos nossos ouvidos como grata surpresa no período 09/10 e sua explosão synth-pop, era um álbum ensolarado que pegava carona em uma tendência popularizada pelo The Naked and Famous, Red Night é um álbum soturno e sufocante de música eletrônica, com influências de shoegaze e momentos que deixariam os ingleses do Ladytron orgulhosos.

Tunnels é um oásis de vida no álbum arrastado. Vocais etéreos dominam destaques como SF Summer, e batidas esparsas são o foco de Faded, mas a atmosfera de Red Night é tão rarefeita que é difícil se sentir contagiado, conquistado pelo disco, e como o vento noturno, o novo álbum do The Hundred in the hands é frio, agradável e passageiro.

The Hundred in the HandsTunnels

(Ana Clara Matta)

Jukebox the Ghost – Safe Travels (Yep Roc)

Algumas bandas almejam Grammys, listas de melhores e mais influentes da década, clássicos instantâneos. Enquanto isso, algumas simplesmente se contentam com a mais cômoda zona de conforto, uma fidelidade desmedida ao seu “estilo” criado e uma falta de pretensão patológica. O segundo caso se aplica perfeitamente ao Jukebox the Ghost, que acaba de lançar mais um álbum (o terceiro da banda, Safe Travels) que parece destinado a funcionar como trilha sonora de filmes da cena indie com excêntricos (porém adoráveis) personagens principais e conflitos filosóficos simples.

O piano-pop do trio só melhora, e em Safe Travels, soa como uma mistura do trabalho de Ben Folds Five com letras que mais parecem pertencer a um disco do They might be giants ou Loudon Wainwright III. A banda acerta perfeitamente em Don’t let me fall behind, Dead e na power-pop Ghosts in Empty Houses, enquanto erra na arrastada Devils on our side. Na última faixa, The Spiritual, Safe Travels busca novos horizontes de maneira repentina – mas já era tarde demais, e o álbum cai na armadilha da falta de expressividade.

Jukebox the ghostDead

(Ana Clara Matta)

Maximo Park – The National Health (Self-Release)

O quarto álbum dos ingleses do Maximo Park vai te enganar algumas vezes. Primeiro engano: o nome, The National Health dá a ideia de uma temática majoritariamente política no disco, o que não acontece. Embora a faixa-título traga uma letra provocativa no estilo pós-punk que a banda revitalizou nos anos 2000 (“England is sick and I’m a casualty”), faixas como This is What Becomes of the Broken Hearted dominam o restante do álbum fazendo a amargura romântica sobrepujar qualquer relevância social. Segundo engano: ao ouvir o piano pesado da faixa introdutória, When I Was Wild, provavelmente você vai pensar que mais desses arranjos estarão nas outras músicas, o que também não acontece. São as guitarras rápidas e a bateria pulsante que dominam.

Por fim, The National Health até que engana como um bom disco, principalmente nos momentos de mais energia (Write This Down) e mais sombrios (Banlieue), em que Paul Smith sabe usar a voz exatamente para guiar a “emoção” da música. Mas é melhor nem comparar com o distante A Certain Trigger (2005), porque aí ele não engana mais.

Maximo ParkWrite This Down

(Soraia Alves)

Metric – Synthetica (MMI/Mom + Pop)

Os canadenses do Metric estão de volta depois de três anos com Synthetica. O quinto disco de estúdio é o resultado de dez anos de carreira e soa futurista, mas com o pé no orgânico. O sucessor de Fantasies já mostra seu potencial com Youth Without Youth – primeiro single – que mescla indie rock, a brilhante voz de Emily Haines e eletrônica.

O quarteto deixa de lado as guitarras que eram constantes nos álbuns anteriores e sofisticam sua sonoridade. A adição de sintetizadores como na faixa de abertura Artificial Nocturne tiram o grupo da zona de conforto. Produzido pelo guitarrista Jimmy Shaw, Synthetica não é uma resposta fácil sobre a dualidade entre o ‘antigo’ e o ‘novo’, mas uma reflexão precisa sobre as transformações das mentes humanas e que ainda conta com a participação da lenda Lou Reed na ótima The Wanderlust.

MetricArtificial Nocturne

(Vinicius Cunha)

The Tallest Man on Earth – There’s No Leaving Now (Dead Oceans)

Kristian Mattson sabe muito bem que o destino separou para sua carreira musical uma trágica sombra: a de um dos maiores gênios da história da música, Bob Dylan. O sueco Mattson não tenta fugir dessa sombra, pois ele também sabe muito bem que com seu timbre de voz, que só surgiu no mundo da música uma vez antes, e seu folk de dedilhados rápidos e estruturas extremamente melódicas, qualquer resistência ao rótulo de “discípulo de Dylan” é fútil.

O The Tallest Man On Earth não gasta sua energia criativa tentando se afastar de comparações – a gasta firmando o seu nome como compositor, músico e cantor folk, mostrando o seu talento único. Em There’s no leaving now, novo álbum do projeto, Mattson abraça um som mais complexo e refinado que o que comandava seus momentos mais rústicos, chegando até ao quase soft rock na incrível There’s no leaving now. A lap steel brilha em 1904 e na principal concorrente para o posto de obra-prima do artista, Bright Lanterns. Um dia, quem sabe, estaremos elegendo o “novo” Tallest Man on Earth, o usando como peso em comparações elogiosas. Esse dia, tudo indica, não está tão distante assim.

The Tallest man on earthBright Lanterns

(Ana Clara Matta)

Sobre Ana Clara Matta

Uma soma de todas as músicas que já escutei e todos os filmes aos quais assisti. / @_ana_c

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