
Julho de 2012. Ainda estamos distantes de preocupações com Natal, listas de final de ano definitivas ou com aquele dia em que todos os seus amigos compartilharão uma música do R.E.M. nas redes sociais, dia 12 de dezembro, o tal fim do mundo. Mas seis meses já se passaram, o feto do ano que se forma já está com seus sistemas bem desenvolvidos e nos já temos algumas pérolas para afirmar que 2012 pode não figurar, ainda, entre os anos mais impressionantes dos últimos tempos no mundo da música, mas já deixou sua marca.
2012 até agora foi o ano dos retornos: The Beach Boys, Blur, Fiona Apple, Cat Power, Garbage (as três últimas, mostrando que o ano está afinado com o espírito “girl power”) e Leonard Cohen estão entre os artistas e bandas que abandonaram o exílio e nos agraciaram com novos lançamentos. Também é um ano que já nos deu inúmeros singles brilhantes, grandes clipes e quanto aos shows… só o nosso bolso sabe como está difícil acompanhar.
O ano ainda guarda lançamentos bombásticos no segundo semestre, com promessas de bandas como The Killers, Phoenix e Grizzly Bear. Mas a equipe do Rock ‘n’ Beats resolveu vasculhar as playlists e os lançamentos para levantar, na opinião pessoal de cada membro, as melhores faixas nacionais e internacionais desses 6 meses. Afinal, caso o fim do ano seja realmente the end of the world as we know it, é melhor aproveitar o momento e reverenciar, enquanto há tempo, tudo de bom que passou por nossos fones em 2012. Confira!
Internacional: Mystery Jets – Someone Purer
“Give me rock n’ roll!” em Someone Purer, soa como um grito de guerra, algo que sintetiza o quarto álbum do Mystery Jets. São os londrinos mirando novamente a lista de bandas britânicas mais interessantes dos últimos anos, ainda que as influências da faixa e de todo o disco tenham origem no velho Texas. Sem a companhia de uma Kate Nash ou Laura Marling, aqui a banda deixa de lado seu flerte prodigioso com o synthpop, para explorar um futuro com outros matizes, agradavelmente os do rock.
Nacional: Curumin – Passarinho
Metafórica, romântica e com refrões que te pegam fácil. Passarinho, letra de MC Russo Papusso, é o sopro de leveza no eletrônico Arrocha, de Curumin. Em outros tempos, certamente essa canção seria a trilha de bailinhos e tocaria dia e noite nas rádios, oferecida por e para enamorados dos quatro cantos do país. Mas os nossos dias são selvagens. Cabe às listas espertas não deixar que pérolas pop passem despercebidas entre seus gigas de novas músicas, semanalmente renovados.
Internacional: Glen Hansard – Bird of Sorrow
A qualidade impressionante de Bird of Sorrow não deveria ser permitida. A nova obra-prima de Glen Hansard, compositor que já ganhou até um Oscar mas não expressa timidez em relação a se superar, deveria ser ruim. Dessa maneira, ela não convidaria ao repeat, que pode ser extremamente prejudicial para o ouvinte. Glen canalizou toda a sua tristeza em uma só música, que canta ao vivo com os dentes cerrados de dor e os olhos marejados.
Nacional: Cambriana – The Sad Facts
Se cada música cumprisse seu destino, The Sad Facts já estaria na trilha sonora de algum remake do cinema adolescente dos anos 80. Já definiram por aí The Sad Facts como uma Footloose para deprimidos. Se você já imaginou o que aconteceria se o Phoenix, ou o Grizzly Bear, ou AIR, decidissem lançar um disco de reinvenções de Kenny Loggins, esse é o resultado.
Internacional: Hot Chip – Motion Sickness
Normalmente, uma banda tem que escolher uma boa música para ser a primeira faixa de um álbum. Sabe como é que é, quando a primeira faixa não te cativa, você já fica com um pé atrás com o que vem a seguir, quando você ouve o resto. O Hot Chip, pelo jeito, sabe bem disso, mas acabou exagerando na dose (não que eu ache ruim): a primeira faixa do álbum não é só boa, é a melhor. Desse e de todos os álbuns do primeiro semestre.
Nacional: Turtle Giant – We Were Kids
Os brasileiros nômades do Turtle Giant foram, pra mim, a maior descoberta nacional de 2012 até agora. O som deles me ganhou de primeira, entrou direto pra minha playlist do dia-a-dia e de lá não saiu. A faixa We Were Kids é animada, nostálgica, melódica, agitada. É boa para se ouvir em casa, descansando após um dia de trabalho, ou na balada com os amigos. Melhor do ano, até agora.
Internacional: Cloud Nothings – Cut You
Uma das canções de amor mais doentes dos últimos tempos, como a maioria das coisas que a gente tá acostumado a ver do Cloud Nothings. Disputou espaço na escolha com a igualmente excelente Clear Eye Clouded Mind, do Nada Surf.
Nacional: Cambriana – Safe Rock
Quase chegaram a este primeiro lugar faixas como Chegar Em Mim, da CéU e Silêncio #3, da João e os Poetas de Cabelo Solto. Mas esta faixa do álbum todo impecável da Cambriana é uma coisa de outro mundo. Sempre me dá a sensação de que estou dentro de um filme que ainda vai acontecer. E como eu gosto de músicas que me transportam sem complicações para outros lugares…
Internacional: Andrew Bird – Eyeoneye
Break it Yourself é um dos discos mais belos do ano, a ponto de ser uma tarefa bem difícil escolher os destaques da obra. Mas o flerte de Andrew Bird com o indie rock, no single Eyeoneye, tem um peso e urgência inéditos em suas canções anteriores. Isso tudo sem perder sua conhecida qualidade e a grandeza dada pelas várias camadas musicais características do cantor. Andrew Bird energético e em tons de rock é algo que merece ser ouvido.
Internacional: The Maccabees – Went Away
Em meio a um refrão violento em que é possível encaixar várias coisas da vida (trabalho, pessoas, coisas), o Maccabees empurra guela abaixo uma das mais significativas músicas da carreira com uma sonoridade ainda inédita. Soou bem. Marcou e não quer largar mais quem ouviu. Impessoal e intransferível.
Internacional: Grimes – Oblivion
Colorida no ponto certo e obscura no seu limite, Oblivion é em síntese (e sintetizadores) experimental e popular. Não que ela esteja em cima do muro: Claire Boucher escolheu o jeito difícil – brincar nessa fronteira mesmo sozinha até que o público viesse ao seu encontro. “It’s my point of view… see you on a dark night”. Vou gostar de lembrar de 2012 como o ano em que Grimes ganhou (e mereceu) holofotes.
Nacional: Céu – Chegar em mim
Toquem os sinos, batam os tambores, cada lançamento da Céu é digno de um pouco mais de atenção. Segura do seu trabalho, a pérola que arremata Caravana Sereia Bloom, é uma canção singela e de produção cuidadosa. Da situação do órgão, a guitarra que brilha na farra da bateria, do balanço do baixo, feitos para conquistar como o feitiço do canto da Sereia.
Internacional: Michael Kiwanuka – Home Again
Faixa que dá nome ao primeiro (e fabuloso) álbum de Kiwanuka, Home Again traz um frescor ante aos percalços de qualquer jornada. Mesmo cantada baixinho, explora todas as nuances da grande voz desse inglês de apenas 24 anos. Esperançosa e cheia de cores, funciona como um bálsamo de tranquilidade no meio de tantos hits eletrônicos e pré-fabricados típicos da nossa geração.
Nacional: BNegão e os Seletores de Frequência – Essa é pra tocar no baile
Preparem a roupa do baile porque depois de um hiato de nove anos BNegão e sua trupe voltaram com vontade colocar todo mundo pra mexer. Com um vocal cheio de vigor e um instrumental faz um groove na caixa torácica de qualquer ser humano, Essa é pra tocar no baile, se não for uma das grandes músicas nacionais de 2012, pelo menos vai fazer todo mundo balançar. Tente ficar parado por sua conta e risco, apenas.
Internacional: Bruce Springsteen – Land of Hope and Dreams
Toda a grandeza do disco Wrecking Ball sintetizada em uma música. O coral “religioso”, a crescente emoção na voz de Bruce, o saxofone, a guitarra e uma letra maravilhosa. Quem não quem encontrar essa terra de esperança e sonhos descrita por ele? Quem não quer embarcar nesse trem que leva perdedores e vencedores?
Nacional: Mahmundi – Desaguar
“A boa nova que corre por aí” é Mahmundi, e Desaguar é a música que melhor mostra a delicadeza dançante de Marcela Vale. Os teclados e a batida que resgatam os anos 80 mostram também que é possível um indie pop brasileiro não ficar devendo aos gringos e deixa expectativas para o que mais pode vir da cantora.
Internacional: Blur – Under The Westway
Damon Albarn faz parte do seleto grupo do qual fazem parte nomes como Morrissey e Jeff Buckley. Eles possuem o dom sobrenatural de fazer a melancolia soar bela e tem em Under The Westway seu mais novo exemplar. Com uma sensibilidade pop única, a balada do quarteto ecoa Beatles do clássico Hey Jude em ritmo sincopado guiado por bela e simples linha de piano tocada por pelo vocalista. O romantismo cai muito bem ao Blur neste lamento londrino capaz de inflamar os corações mais gélidos.
Nacional: SILVA – 2012
Esqueça os tons dramáticos do tão anunciado fim do mundo para 2012. A canção do capixaba Lúcio Souza é o avesso do apocalipse. Com forte apelo pop que remete a Passion Pit, 2012 tem um pé no synthpop sem esquecer a brasilidade. Aqui temos um SILVA menos percussivo e disposto a se aventurar sem medo da diversão entre coros, batidas eletrônicas e violões em sua bossa digital.
















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