
Por Ana Clara Matta e Soraia Alves
Eles usam seu endereço, o lugar em que cresceram e fixaram suas raízes, em posição de destaque no nome da banda, mas têm como objetivo a formação de uma banda global, que enriquece seu som absorvendo influências de todos os cantos do planeta. O som do Alabama Shakes não pode mais ser contido nas fronteiras de um estado ou país. A banda, que lançou seu excelente primeiro álbum Boys & Girls em 2012 (no Brasil, lançado em junho pela LAB 344), já é um sucesso mundial e presença garantida em várias listas de revelações do ano, hype justificado no instrumental cru e na voz de Brittany Howard, uma mistura de Janis Joplin, Tina Turner e Tracy Chapman.
O Rock ‘n’ Beats conversou com Heath Fogg, guitarrista do grupo, sobre o sucesso do primeiro álbum, planos futuros (que podem envolver o Brasil) e sobre a origem do som do Alabama Shakes. Confira!
Qual você acha que é o motivo da ótima recepção de Boys and Girls pela crítica e pelo público?
Saber realmente o porquê da ótima recepção é difícil para mim. Nós esperamos que seja por causa das canções e da conexão que as pessoas estão tendo com elas. Essas canções são obviamente realmente especiais para nós. Talvez, também seja por que o álbum tem uma sonoridade tão crua e sem excesso de produção. Devem existir algumas pessoas que não gostam desse som cru mas talvez outros o acham diferente nesse dia e época de discos muito produzidos. Honestamente, nós nunca pensamos que tantas pessoas escutariam esse disco.
Os gêneros soul e blues possuem uma história extremamente política, religiosa e rica. Sendo do sul dos EUA, como que esse plano de fundo histórico é sentido pela banda, que reinventa esses gêneros nos tempos modernos?
Antes de mais nada, nós nos consideramos uma banda de rock ‘n’ roll. Soul e blues são definitivamente influências importantes no no nosso som e nós somos, claramente, fãs. Nós somos influenciados pela música de todas as partes do planeta. Sim, nós escutamos muita música Southern, mas nós escutamos músicas originadas em todos os lugares. Esse é o tipo de banda que queremos ser. Uma que não é limitada por regiões ou gêneros. Em termos de religião e política, nós geralmente tentamos permanecer neutros quando se trata disso e nas raias externas. Nossa música pode ser um reflexo do nosso amadurecimento no sul, mas não acho que estamos tentando fazer nenhuma grande declaração religiosa ou política em nossa música. Pelo menos não por enquanto. Não sei se um dia faremos.
Muscle Shoals, o estúdio lendário, é vizinho de Athens, Alabama. Até que ponto o ambiente da cidade e a presença do templo de um gênero como esse estúdio influenciou o Alabama Shakes?
Para mim, crescendo, Muscle Shoals foi sempre esse mistério lendário. Eu sabia que o Lynyrd Skynyrd cantou sobre ele, e eu sabia que nossa escola jogava contra o Muscle Shoals no futebol, mas eu nunca realmente direcionava meus pensamentos para a música que era feita lá. Não foi até o dia em que aprendi que os Rolling Stones haviam gravado lá que eu realmente entendi a importância do Muscle Shoals. Foi quando eu comecei a pesquisar sobre a música gravada no Muscle Shoals e os músicos que trabalharam lá. Dizer que fomos influenciados por Muscle Shoals seria muito amplo. Eu sou influenciado pelo Muscle Shoals, mas bandas como o The Drive-By Truckers ou Paul Simon tiveram tanta influência em mim quanto Percy Sledge ou Wilson Pickett.
Alabama Shakes foi a banda de abertura de parte da nova turnê carregada de Blues de Jack White. A reverência pela música do passado faz com que a sinergia com Jack se torne mais fácil? Como a turnê aconteceu? Podemos esperar mais passos nessa parceria?
Nós fizemos seis shows com Jack em maio nos EUA, dois em Nashville, um em Asheville, dois em New York e um em Detroit. O relacionamento começou no fim de 2011 quando nós nos apresentamos na gravadora de Jack, Third Man Records. Nós então lançamos um 7” com algumas canções que apresentamos naquela noite no início desse ano.
Foi uma experiência incrível. Jack é um ídolo nosso e poder compartilhar o palco com ele foi tremendo. Nós aprendemos muito naquela turnê em termos de como fazer um show. Nós esperamos fazer mais parcerias com ele no futuro. Seria divertido realizar mais gravações.
Em várias entrevistas vocês parecem bem ligados aos seus lares, com uma atenção especial à vida em família no caso de Steve. Como vocês planejam suas turnês para continuarem motivados mesmo com a distância?
Tem sido uma loucura desde janeiro e especialmente após o lançamento do álbum. É incrível ter a chance de ver o mundo e visitar todos esses lugares novos e tocar para tantas pessoas maravilhosas. Nós amamos isso. Ao mesmo tempo, nós adoramos estar em casa com nossas famílias. Isso é muito importante para nós. Eu acho que o plano é ter um pouco mais de equilíbrio quando chegarmos ao outono (nossa primavera) e em 2013. Nós entendemos que precisamos de ficar bastante na estrada agora em apoio ao nosso disco e como não estivemos ainda na maioria dos locais. Mas esperamos a conquista de mais tempo caseiro em breve.
O hype que cerca Boys & Girls faz da tarefa de escrever um segundo álbum mais intimidadora? Quais são seus planos para o futuro?
Nós temos algumas novas canções que começamos a apresentar ao vivo recentemente. E alguma novíssimas nas quais estamos trabalhando. Mal podemos esperar para compôr e gravar novamente. Temos várias ideias flutuando por aí. O plano agora é começar a trabalhar em um novo álbum no início de 2013. Não temos certeza sobre quando estará completo ou quando será lançado mas é empolgante pensar nisso. Mais empolgante do que intimidador, francamente. Nós fazemos álbuns para nós mesmos, com a esperança de que as pessoas os amem na mesma medida que nós.
Brittany mencionou em uma entrevista que a banda pode passar pelo Brasil em 2013. Vocês tiveram algum contato com os fãs brasileiros? Vocês sabem da resposta deles ao disco?
Nós ouvimos falar que existem muitos posts no facebook pedindo para que nós toquemos no Brasil. Parece que há uma empolgação aí em baixo que nos deixa muito feliz. Se você tivesse nos contado no ano passado que pessoas do Brasil, Austrália, África do Sul e outros países pelo mundo estariam ouvindo nosso disco, nós teríamos falado que você estava doida. Nós esperamos ir ao Brasil em breve. Está sendo conversado, então acontecerá em algum ponto do futuro. Mal podemos esperar! Escutamos tantas coisas incríveis sobre o Brasil.

















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