Dirty Projectors – Swing Lo Magellan (Domino)
O que melhor define o Dirty Projectors? O cuidado com os arranjos, a graciosidade de suas melodias ou as vozes que cantam essas notas? Swing Lo Magellan é o disco que nos devolve a chance de entender a banda, depois de um aclamado Bitte Orca (2009). E há quem diga que desta vez está mais fácil.
Offspring Are Blank é uma bela introdução, lembrando do swing de Stillness Is The Move, até que a guitarra de David Longstreth pede passagem como um trem. David também está comprometido em liderar suas canções com o capricho de ter as vozes femininas não só com backing vocals, mas um coral que vira o instrumento principal. Além da chance de Amber ao estrelar The Socialites.
Se não é o experimentalismo, o que identifica o Dirty Projectors a força dos detalhes em alto e bom som.
Dirty Projectors – Just From Chervon
(Raphael Bispo)
JJAMZ – Suicide Pact (Dangerbird)
Entre as diversas bandas californianas que fazem um indie pop açucarado, o JJAMZ se destaca principalmente pela sua formação de supergrupo que conta com integrantes do Rilo Kiley, The Like, Phantom Planet e ainda o James Valentine, do Maroon 5. O disco de estréia, Suicide Pact, é, em parte, dividido entre canções simples feitas para se distrair, algumas belas baladas.
Em algums momentos, no entanto, a banda saí do lugar comum e vão além dessa sonoridade já batida; e o resultado são ótimas músicas como Heartbeat, LAX e Cleverly Distinguised. O uso de sintetizadores, o baixo marcante e os vocais de Z Berg dão uma maior identidade a banda, fazendo músicas dançantes e grudentas.
JJAMZ – Heartbeat
(Marina Bastos)
John Frusciante – Letur Lefr EP (Record Collection Music)
A melhor definição para o novo EP de John Frusciante é que ele só aguça ainda mais a expectativa pelo álbum que o músico lança em setembro. Letur-Lefr mistura influências do rock progressivo, hip hop, eletrônico e toda a musicalidade que brota da cabeça de John. São cinco faixas em que ele experimenta de tudo um pouco: teclados e bateria eletrônica em In Your Eyes. A mistura de hip hop, lírico e o vocal rasgado característico de todos os seus trabalhos solo em 909 Day. A mesma mistura, acrescentada de mais hip hop e apenas um backing vocal suave de John ao fundo vai ser encontrado em FM. Um ska progressivo na instrumental Glowe. E, por fim, In My Light é a faixa que mais se assemelha aos trabalhos já conhecidos de Frusciante, porém com uma desconstrução sob sintetizadores que parece ser uma das características que o músico vai carregar para a nova fase.
Um interessante e válido aperitivo para PBX Funicular Intaglio Zone.
John Frusciante – In Your Eyes
(Soraia Alves)
The Flaming Lips – The Flaming Lips and Heady Fwends (Warner Bros.)
Com tantas colaborações, caberia uma resenha faixa a faixa para The Flaming Lips and Heady Fwends, mas em resumo, o disco, que já foi lançado durante o Record Store Day mas agora ganha a versão oficial nas lojas, traz exatamente o que se poderia imaginar (sem muitas divagações) como resultado da parceria entre o The Flaming Lips e cada um de seus convidados. Desde a coisa mais eletrônica com Ke$ha em 2012, passando pela completa viagem por teclados, samples e reverberações em Ashes in the Air ao lado de Bon Iver, até a completa experimentação desconstrucional na parceria comYoko Ono.
A terceira faixa, Helping The Retarded To Know God é uma das mais bonitas do disco com arranjos suaves e belíssimos, características passadas pela turma do Edward Sharpe and the Magnetic Zeros, enquanto Supermoon Made Me Want to Pee, junto com o músico e produtor Prefuse 73 é uma enérgica psicodelia. No final, o álbum não soa como um novo trabalho do The Flaming Lips de fato, mas uma junção de faixas gravadas com compadres que preenchem o tempo como uma boa experimentação musical.
The Flaming Lips featuring Yoko Ono – Do It!
(Soraia Alves)
The Offspring – Days Go By (Columbia)
Seria fácil condensar as críticas do desastroso novo álbum do The Offspring em uma só música: Cruising California (Bumpin’ In My Trunk), uma bizarrice hip hop, pop, electro, punk que se fosse cantada por Avril Lavigne não faria diferença. Mas buscando outros pontos, descobrimos que o refrão da faixa que inicia o nono álbum da banda faz todo sentido depois de ouvirDays Go By inteiro: “’Cause the future is now and now I’m disappearing” diz a letra de The Future Is Now, uma das poucas músicas que salvam no disco ao lado de Secrets From The Underground e Diving By Zero. Numa tentativa mais “engraçada” e de mistura de estilos, OC Guns até passa. O resto, infelizmente, não gera nem grande atenção.
A sensação passada pelo álbum é mesmo o de uma banda lutando sem muitos esforços para se manter no mercado musical cujo êxito da tentativa (se houver) deve ser creditada aos fãs mais fiéis, do contrário, o The Offspring está mesmo desaparecendo.
The Offspring – The Future Is Now
(Soraia Alves)
George Lewis Jr chamou atenção em 2010 com seu debut, Forget, sob o nome de Twin Shadow. Para seu segundo disco, Lewis preferiu não mexer na fórmula carregada de anos 80’ que lhe rendeu elogios, mas apostou em sutis diferenças que deixam Confess mais interessante, especialmente pelas guitarras que assumem posição de liderança sobre os sintetizadores. São elas que indicam a direção de cada canção e ressaltam a mistura pop/rock combinada ao eletrônico.
O clima dançante, de batidas marcantes contrasta com as letras diretas de versos como “You’re the golden light, and if I chase after you doesn’t mean that it’s true” (Golden Light), ou “But I don’t give a damn about your dreams” (You Call Me On).
A pulsante Five Seconds é, com certeza, a grade faixa de Confess. Mas o disco não é feito apenas de um poderoso single.You Call Me On, Run My Heart, Patient, When The Movies Over, também são destaques numa obra que para alguns pode até soar como uma colagem indie/new wave deslocada no tempo, mas é um registro que se posiciona de forma elegante no mercado, sem pecar ao resgatar elementos que se mostram com grande poder comercial e viciante até hoje.
Twin Shadow – Five Seconds
(Soraia Alves)
Zac Brown Band – Uncaged (Atlantic/Southern Ground)
No mundo indie, a apreciação do country e do bluegrass é algo completamente relativo, tido como aceitável quando Turner, Cosentino e outros nomes apresentam suas versões para estrelas como Cline e Lynn, ou quando surge como forte influência no trabalho de sensações como Mumford and Sons, mas normalmente banhado em preconceitos. Zac Brown, sua banda e participações como Trombone Shorty e Amos Lee podiam ter ajudado a mudar esse jogo com o livre e inventivo Uncaged, mas a missão não foi completa.
O padrão de influências tradicionais da Zac Brown Band, que oscila entre o som “Família Buscapé” do Avett Brothers (a impecável The Wind) e a suavidade de James Taylor (em Day That I Die), às vezes em uma só música (como na excelente Natural Disaster), está de volta, mas com intrusos como o reggae jamaicano desastroso com traços de Mraz de Island Song, o soul Hawthorniano cool de Overnight e o southern rock de Uncaged. Mas nada é novo, e quando Zac chega ao limite do autoplágio em Sweet Annie, com ecos da linda Colder Weather, Uncaged se transforma em decepção.
Zac Brown Band – The Wind
(Ana Clara Matta)
















outubro 23, 2012 às 18:52
[...] outros lançamentos se destacaram no universo pop e de hits dançantes nesse ano. Primeiro veio Twin Shadow com Confess, seguido de Ellie Goulding e seu Halcyon, e agora, Diamond Rings com Free [...]