Por Izadora Pimenta
Colaboração: Danielly Friedrich
Rodrigo Lemos é um cara que constantemente se reinventa – sem deixar para trás suas antigas aspirações. Vindo da prolífica banda Poléxia, que chegou ao fim em 2009, ele resolveu continuar seguindo os passos do mundo da música. Mas, ao invés de apenas viver neste mundo, Lemos o abraçou.
Figura constante na cena curitibana e ultimamente envolvido n’A Banda Mais Bonita da Cidade e no Naked Girls And Aeroplanes, projeto com os conterrâneos do Sabonetes, ele também encontrou um espaço na agenda – duas semanas – para gravar o primeiro álbum de seu próprio projeto, o Lemoskine, que foi apresentado pela primeira vez em um EP, lançado em 2010.
Toda a Casa Crua, produzido parte por Lemos e parte por John Ulhôa (Pato Fu), foi um álbum urgente, mas objetivo. Definindo o Lemoskine como um “projeto solo com um monte de gente”, Lemos acredita que este seja um caminho inverso ao que fez durante sua trajetória: já que ele participa das ideias de todo mundo, por que todo mundo não participaria da ideia dele?
Confira abaixo a nossa entrevista completa com o músico:
Rock ‘n’ Beats: No que Toda a Casa Crua se difere do primeiro EP do Lemoskine? Como foi a criação deste álbum?
Rodrigo Lemos: Foi um outro momento. O EP é uma compilação de coisas que eu vinha fazendo, músicas que eu enviava no fim do ano pros amigos por e-mail… Já o álbum, por incrível que pareça, foi feito de uma maneira muito rápida e urgente. Como eu estou envolvido como outros projetos, como a Banda Mais Bonita da Cidade, e a gente tá bem ativo, fazendo bastante show… Metade do pessoal que toca no Lemoskine também toca na Banda Mais Bonita… Então foi meio que uma coisa encaixada na agenda mesmo, da gente. Músicas novas, repertório mais direto, mais cru, ao ponto. Em duas semanas de gravação a gente tinha um disco pronto.
Duas semanas?
É, praticamente em duas semanas. A gente teve aí uma pré-produção, que contou com 1 mês de ensaio, mais ou menos, e duas semanas gravando: uma sem o John e outra com o John Ulhôa [Pato Fu].
E como foi a participação do John na produção do álbum?
Ele produziu apenas três das dez faixas do disco, mas são faixas que a gente escolheu a dedo, que a gente achava que tinha a cara dele fazer mesmo. Nas outras faixas sou eu mesmo que assino a produção.
O que a gente pode esperar do disco em relação ao Toda a Casa Crua, em relação às influências, composições…
Eu não sei direito. Não tem nada específico, mas tem dois discos que eu ouvi bastante enquanto a gente tava ensaiando essas músicas novas… Eu acho que a maneira como o disco foi feito, gravado e produzido tem a ver com estes dois artistas. Um deles é a Feist, com o The Reminder. Eu tava assistindo o documentário dela que tem a produção deste disco e acho que tem muita coisa a ver, essa coisa de ser cru e valorizar o take que é meio imperfeito, que não tá perfeitinho mas tem alguma coisa legal, uma personalidade… E eu vejo muito isso nos discos dela. E tem outro disco que é muito legal, o Zii e Zie, do Caetano, que foi uma grande influência por ter a personagem feminina bem evidente em todas as músicas, assim como este meu.
Você é muito presente na cena curitibana, sempre fazendo participação em outras bandas… Como que este fator ajudou no amadurecimento para a criação do Lemoskine?
Acho que na verdade o Lemoskine foi mais um fruto dessa coisa toda. Desde que a Poléxia terminou, em 2009, eu comecei a fazer participação em vários projetos de outros amigos. O que aconteceu com o Lemoskine foi o caminho inverso, na verdade. Foi surgindo a necessidade de eu ter um trabalho meu, solo, mas também que os meus amigos, as pessoas que estavam em volta também pudessem participar, interagir… E aí foi isso, é meio que um trabalho solo, mas com a participação de um monte de gente.
Você acredita que tudo o que fez não só na Poléxia como nas outras bandas acabou influenciando não só na maneira, como também no som?
Acho que sim. O som é meio que um retrato do momento, por exemplo: já pego as músicas que a gente começou no começo do projeto e as outras que fizemos pra esse disco que a gente vai lançar, e a sonoridade é bem distante uma da outra. Mas acho que é normal você não querer ficar preso a uma coisa só. Mas acabou influenciando de várias maneiras sim, com certeza.
O Toda A Casa Crua vem sendo conhecido pelo público através de streamings-relâmpago. Você acha que esta estratégia instiga o público? E qual a previsão de lançamento do álbum?
Eu acho que sim, tenho visto bastante gente compartilhar na timeline, comentar… Acho que vai criando uma expectativa. Até o fim deste mês deve rolar o lançamento virtual de fato e, no final de agosto, a gente faz o show de lançamento do disco aqui em Curitiba, no Teatro Paiol.
Como você tem muitos projetos, há vezes em que você pensa duas vezes para não ficar um pouco maluco, para não confundir o propósito de tudo…?
Eu vou ficar maluco de qualquer jeito. Então eu sempre tento ficar maluco no jeito bom da coisa, porque eu tenho vontade de fazer muitas coisas mesmo. Eu fui descobrindo ao longo do tempo que isto é uma característica minha. Eu não gosto de estar envolvido com uma coisa só, em relação a música. Eu só faço isso da vida! Então você quer se envolver com várias coisas mesmo. Esses dias me perguntaram se era uma válvula de escape ter um projeto paralelo. Mas eu não sei se mais um projeto pra uma pessoa que tem um monte de projeto funciona de válvula de escape. Acho que é só como aquela pessoa que tem vontade de falar outro idioma…
* O Rodrigo Lemos liberou um streaming-relâmpago de Toda a Casa Crua exclusivo para o Rock ‘n’ Beats! Clica aqui e corre para dar o play! Você só tem até o fim da tarde.
Se chegou atrasado, dá pra curtir aqui uma das faixas do álbum, intitulada Música de Novela:
O Lemoskine busca por uma vaga no VMB, premiação anual da MTV Brasil, através da votação do Aposta MTV. Se você curtiu o som, dá um pulo lá.


















Nenhum Comentário
Nenhum Comentário em Entrevista: Rodrigo Lemos fala sobre o primeiro álbum do Lemoskine. Talvez você queira deixar um Comentário