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Lançamentos da semana: Frank Ocean, Angus Stone, Old Crow Medicine Show e mais | Rock 'n' Beats

Lançamentos da semana: Frank Ocean, Angus Stone, Old Crow Medicine Show e mais

Postado por Ana Clara Matta. Posted in Colunas, Lançamentos da Semana

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Publicado em 17 julho, 2012 - Nenhum Comentário

albertacrossAlberta Cross – Songs of Patience (ATO)

O segundo álbum do agora duo Alberta Cross é um revival do rock do fim dos anos 90’ e começo dos 2000, com arranjos pouco reinventados e que ainda vêem no refrão crescente a forma mais eficaz de evolução da música. Por outro lado, a boa trinca inicial Magnolia, Crate of Gold e Lay Down causam uma boa impressão e deixam o álbum mais interessante, além de mostrar de quais fontes a dupla tem bebido, como a clara referência ao trabalho do Band of Horses, mesmo que não tão consistente.

Songs of Patience parece um disco baseado nas preferências musicais de Petter Ericson Stakee e Terry Wolfers, misturando um som que em alguns momentos lembra a finada banda Jet e outras bandas contemporâneas, e que simplesmente nasceu patenteado pelo duo Alberta Cross.

Alberta Cross – Magnolia

(Soraia Alves)

Angus Stone – Broken Brights (Nettwerk)

Ao ouvir a primeira faixa, River Love, provavelmente você vai pensar que todo o resto de Broken Brights consiste em músicas baseadas no country e no folk. Embora essas sejam mesmo suas grandes influências, Angus Stone, dessa vez sem a irmã Julia, apresenta mais do que a mescla dos gêneros que já o tornou conhecido, em uma produção que preza pelos instrumentos limpos e diretos casados a sua voz também extremamente clara e forte.

As guitarras de Bird on the Buffalo são o “charme” rock’ n’ roll para a balada pop romântica. Embora já tenha sido tocada antes, The Blue Door é um dos destaques do disco, sendo responsável até mesmo por uma melhor percepção do álbum todo. A música cowboy combina uma marcante guitarra à suavidade de uma flauta doce e ressalta a opção de Angus por uma sonoridade limpa. Only a Woman e Be What You Be também merecem atenção, sendo que a última seja talvez sua maior experimentação no álbum, soando quase como o rock percussivo e swingado da Dave Matthews Band. Um trabalho simplista, mas bonito e que merece ser ouvido.

Angus Stone – The Blue Door

(Soraia Alves)

Frank Ocean – Channel Orange (Def Jam)

De repente o nome Frank Ocean foi lido pelo mais variado número de portais, sites e blogs de música. O rapper que trouxe a luz sua orientação sexual causou polêmica e despertou comentários sobre um possível oportunismo e tentativa de chamar atenção, já que lançaria seu disco de estreia, Channel Orange, há poucos dias do que foi comentado.

Isso fazendo sentido ou não, a mixtape nostalgia,ULTRA e participações colaborativas no disco do Odd Future foram apenas pequenas deixas para que o verdadeiro Ocean ganhasse seu espaço dentro da música atual como cantor solo.

O R&B e o Soul dão toda sustentação ao primeiro álbum de Frank, principalmente em faixas como Thinking Bout You, Sweet Life e Crack Rock. A introdução afiada de referências eletrônicas, sintetizadores e teclados também podem ser facilmente identificadas, sendo sabiamente usadas em faixas como Super Rich Kids e Pyramids, trazendo dentro de um mesmo disco uma ambientação nova sem se desligar de suas origens. As guitarras devidamente dedilhadas também se adequam ao ideal de Ocean em canções como Forrest Gump e Sierra Leone, onde a sensualidade impera.

Channel Orange impressiona por soar agradável até mesmo para o ouvinte mais chato, ao mesmo tempo em que é um trabalhado multifacetado, que tira o melhor de cada estilo e integra a sua sonoridade sem parecer um grande problema.

Frank OceanCrack Rock

(Fernando Galassi)

Old Crow Medicine Show – Carry Me Back (ATO)

O folk, e de maneira mais ampla, a cultura dos EUA nutrem uma fixação intensa com um determinado período da história do país: a lei seca. Contos de contrabandistas (bootleggers), bares clandestinos e ferrovias perigosas nunca abandonam os trilhos do consciente coletivo do país. Três bandas resolveram reviver esses dias em uma turnê pelos trens do país. Mas enquanto o potencial pop/crossover era representado pelo Mumford and Sons, e o Edward Sharpe remetia muito mais aos dias do Flower Power, os anos 70, uma banda parecia carregar o estandarte da turnê perfeitamente.

O Old Crow Medicine Show parece tão legítimo em seu gênero que afasta os fãs menos ousados do indie-folk atual. Em Carry Me Back toda a nostalgia da banda, o frenesi febril do bluegrass e seus instrumentos, se revela em cada faixa como Bootlegger’s Boy e Sewanee Mountain Catfight. Mas para os que preferem permanecer como primos mais distantes da família Buscapé, baladas suaves criam o equilíbrio na obra.

Old Crow Medicine ShowLevi

(Ana Clara Matta)

Right Away, Great Captain! – The Lost Sea

Andy Hull nunca pareceu um grande fã de baixos volumes ou sussurros. Até mesmo os momentos mais delicados da carreira de sua banda Manchester Orchestra são raridades nas setlists do grupo, que afirma categoricamente “The dirtier the sound, the best I breathe” em Shake it out. Mas a veia sensível aos ruídos mais imperceptíveis de Hull é direcionada completamente para outro projeto, o ambicioso e fugaz Right Away, Great Captain!.

O projeto solo Right Away, Great Captain! lançou três álbuns, acompanhando o mesmo arco de história e o mesmo personagem. Mas para encerrar sua aventura pelo folk, Hull lançou The Lost Sea, um álbum de faixas rejeitadas, um braço de mar não desbravado pelo capitão. O resultado é uma obra instigante, lo-fi repleta de um desespero quieto que remete imediatamente ao Bright Eyes, Neutral Milk Hotel e The Mountain Goats.

Right Away, Great Captain!Are You The Light?

(Ana Clara Matta)

Sobre Ana Clara Matta

Uma soma de todas as músicas que já escutei e todos os filmes aos quais assisti. / @_ana_c

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