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Entrevista: de contrato assinado com gravadora, Fernando Ventura fala sobre o projeto Grandphone Vancouver | Rock 'n' Beats

Entrevista: de contrato assinado com gravadora, Fernando Ventura fala sobre o projeto Grandphone Vancouver

Postado por Ana Clara Matta. Posted in Destaque, Entrevistas, Nacionais

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Publicado em 24 julho, 2012 - Nenhum Comentário

Os dias áureos do videoclipe como mídia que arrastava audiências e ocupava o horário nobre, e em alguns casos, toda a programação de diversos canais, estão se afastando, enquanto a internet ganha força. Mas isso não diminuiu o poder que um excelente videoclipe tem de alavancar a carreira e atrair toda a atenção do público para uma banda. Curiosamente, o melhor exemplo recente desse tipo de “clipe dos novos tempos” é um herdeiro direto de outros virais, uma homenagem à toda história do videoclipe, de Thriller ao Ok Go: Miss Me, da Grandphone Vancouver.

Miss Me é fruto da mente e dos esforços acadêmicos e musicais de Fernando Ventura, que conversou com o Rock’n'Beats sobre este trabalho de faculdade que ganhou a atenção até mesmo do público internacional na febre 9GAG, sobre influências, tanto visuais quanto musicais, e sobre as oportunidades e armadilhas do futuro do projeto. Confira!

Antes de qualquer outra pergunta, uma curiosidade: por que Grandphone Vancouver? O que inspirou o complexo nome do projeto, e qual é a relação, pessoal ou metafórica, que o som tem com o Canadá?

Há uma música no segundo disco do Coldplay chamada Amsterdam, e eu realmente tenho um outro tipo de ligação com ela. Assim que montei minha primeira banda autoral pensei em homenageá-la, acabou que encontrei um nome genérico, foi quando montei o Bruxelas. Acho que gosto dos nomes que as cidades possuem, Vancouver deriva disso também, e Grandphone era apenas algo que soava bem aos meus ouvidos, somei os dois e aprovei a junção, tem uma boa fonética para mim.

Quando vi o clipe de Miss Me, meu primeiro pensamento me levou para o trabalho do Michel Gondry e sua fixação com paródias inusitadas, retratada em Rebobine Por Favor. Como surgiu o conceito do vídeo de Miss Me?

Pois é, admiro bastante o Michel Gondry, o conheci através de um dos clipes do geniais do Foo Fighters, a música era Everlong, que por sinal está dentro do clipe de Miss Me, ele é uma grande inspiração no que tento fazer como diretor. O interessante é que não sabia de Rebobine, mas me lembro de alguém ter relacionado em um dos comentários que li, achei incrível. Não se pode esquecer que o Grandphone Vancouver foi utilizado para um trabalho de conclusão de curso, Arte & Mídia pela Universidade Federal de Campina Grande, o conceito de Miss Me, surgiu por meio do projeto de pesquisa, onde abordo resumidamente a história do videoclipe.

Qual é o clipe parodiado em Miss Me que você mais curtiu revisitar? E se você pudesse voltar no tempo e aproveitar o conceito original de um desses vídeos, qual seria o eleito?

Um dos que eu mais gostei de ter feito, embora eu não participe da coreografia, foi o do Fatboy SlimPraise You, dirigido e atuado pelo Spike Jonze, não nego que dançava com o pessoal nos ensaios (risos). Sobre aproveitar o roteiro original de um dos clipes citados, eu teria optado pelo OK GO, o clipe de Here it comes again é simplesmente formidável.

Você esteve em cada parte do processo de produção de Miss Me, da composição até a direção do clipe. Você pretende manter essa abordagem mais pessoal, acompanhando cada passo, no futuro da sua carreira, ou tem parcerias em mente? E como foi o desafio de filmar tudo aquilo em plano-sequência?

O Grandphone Vancouver surgiu e deve permanecer bem pessoal, sou eu inserido em cada passo que o projeto tomar, quero filmar meus próprios clipes, quero ter domínio sobre o que produzo, entretanto isso não inviabiliza parcerias, por sinal, acabo de firmar uma delas com a SODA VIRTUAL, empresa premiadíssima no ramo de web design, eles irão assinar a capa e o site da banda em breve. Sobre o desafio de filmar tudo em plano-sequencia, a maior dificuldade foi perder uma boa parte da manhã na marcação de cada personagem, só tivemos um dia na rua, para ensaiar e filmar. Dirigir por volta de 70 pessoas e ainda por cima ser protagonista da coisa …não foi fácil, mas tive amigos me auxiliando, essa suporte facilitou muito, trabalhei com uma equipe muito dedicada, me senti em casa.

O clipe de Miss Me revela uma paleta bem eclética de artistas reverenciados. Quais são as principais influências sonoras da Grandphone Vancouver? Em que solo estão fixas as fundações do grupo?

Embora tenha escolhido o inglês como língua para compor, a admiração pela música brasileira é evidente no que escuto, sou fã inconteste do Caetano Veloso, tenho quase todos os vinis, cito Belchior, Fagner, Guilherme Arantes, Gonzaguinha, enfim, chover no molhado. Entretanto, se for buscar aqueles que estão substancialmente envolvidos com o que crio, não tenho como me desvencilhar do som que faz o Coldplay, Keane ou Radiohead, A-ha entre outros.

O nordeste, local de origem do projeto, é uma região de intensa produção cultural e história rica na música brasileira. Como isso o influencia musicalmente, e quais são os pontos positivos e desafios de se inserir na cena independente da região?

Como citei anteriormente, sou muito apegado a música brasileira, compor em inglês não rompe meus laços com o que se faz ou o que se fez no país, neste quesito sou muito nacionalista. Adoro ser nordestino, os que vieram daqui são motivo de orgulho para qualquer brasileiro, citei Caetano, Fagner, Belchior, podia dizer, Gil, Bethânia, Zé Ramalho, Raul, Geraldo Azevedo, Luiz Gonzaga, são vários. Quanto a estar inserido numa cena independente espero poder te dizer em breve com mais precisão, pois o Grandphone Vancouver até o momento não saiu da minha casa, ainda sou eu diante do computador tentando honrar os compromissos, não me sinto inserida numa ainda.

Algumas bandas que estouraram com virais, como Ok Go, Hollerado e Banda mais bonita da cidade, lutam para ganhar seus espaços na mídia através da música e mudar a percepção do público de uma banda “audiovisual” ou apostam em clipes cada vez mais ousados, no caso do OK Go, se tornando basicamente conhecidos apenas por seus clipes. Como você percebe esse sucesso repentino através de um clipe e como você pretende escapar das armadilhas dessa forma de ascensão?

É fato, gerei uma informação relevante a nível nacional abastecendo momentaneamente os meios de comunicação, que vivem disso, aliás. Todo este alvoroço passa rapidinho, é muito volátil em relação às milhares de informações geradas todos os dias. Acredito que o mais interessante é justamente essa abrangência que a sua música consegue ganhar com sua viralização, depois que o top hit do youtube se vai, ficam aqueles que se relacionam de maneira mais verdadeira com o que fazemos.

Quais são suas expectativas para a recém-firmada parceria com a Deckdisc e para o futuro do Grandphone Vancouver?

Eu espero que seja um bom primeiro passo, as músicas devem estar disponíveis em breve no iTunes pelo selo da Deckdisc, acredito que há algo de promissor nesta parceria, sou muito novo para a mídia, foi tudo muito instantâneo, o projeto parece ter uma vida própria, a medida que o mesmo for amadurecendo as oportunidades virão, não tenho pressa, continuarei trabalhando naquilo que achar válido para mim, e a música pertence a este quesito.

Sobre Ana Clara Matta

Uma soma de todas as músicas que já escutei e todos os filmes aos quais assisti. / @_ana_c

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