
Os vocais podem ser sussurados, mas o The xx levanta com seu novo disco discussões calorosas, e faz barulho. A roupagem pode ser mínima, mas os ouvidos atentos e o número de opiniões sobre Coexist é máximo. Coexist chegou aos ouvidos do público cercado de expectativas – o sucessor de um dos álbuns de estreia mais impressionantes dos últimos 10 anos, talvez – e dividiu fãs e haters, e uma longa seção cinza de indiferentes.
Para mostrar essa pluralidade, convocamos nossa equipe para mais um capítulo da série What did you expect, que já recebeu discos de Vaccines, Strokes, Arctic Monkeys, Wilco, Noel Gallagher… e recebe agora o trio formado por Romy, Oliver e Jamie. Diferentes opiniões coexistindo? Confira:

Exercícios na arte da repetição. Essa é a proposta do The xx. Batidas que repetem ritmicamente, gerando uma espécie de eletrônico hipnótico e minimalista. Repetição temática, com amores que se aproximam e afastam com a tensão invisível de pólos de um ímã. Repetição estética, que transforma todo um álbum em um forma única sem costuras aparentes. Muitos definiam o álbum de estreia do xx como um “álbum de uma música só”. Estavam errados. The xx, o álbum, era pontuado por singles instantâneos, memoráveis. Coexist, sim, é um disco de uma música só.
Coexist não é um álbum no qual os pontos altos são representados por músicas e refrões: o ponto alto aqui é o trabalho impecável de Jamie, único membro que não canta, mas cuja voz é ouvida claramente no álbum, através da percussão impecável de uma faixa fraca como Angels – um eco diluído, pálido, de The Wilhelm Scream de James Blake. O álbum parece acordar em Sunset e Missing, as duas grandes faixas, mas no geral, é entorpecido, um olhar blasé e anestesiado que iguala todos os sentimentos, amor, tristeza, perda, euforia, na mesma camada de indiferença. Durante Coexist, você implorará por um crescendo, uma ousadia, um sinal de vida.
Mas o que esperávamos dos minimalistas The xx? Como inovar na arte quando seu desenho já chegou à linha pura? Agora, são só exercícios na arte da repetição.
Melhor música: Missing
Pior música: Reunion
O que esperar do segundo álbum de uma banda que fez um primeiro cd arrebatador?
O xx foi pressionado pelo seu próprio sucesso com o trabalho de estreia. Era algo novo, uma mistura de sons pouco conhecida que rapidamente se tornou popular. Os fãs e a mídia esperavam que Coexist fosse tão inovador quanto xx, o que não aconteceu. O novo álbum dos ingleses tem uma sonoridade muito parecida ao disco anterior. Entretanto, esse segundo trabalho não tem, de cara, nenhum hit tão avassalador como Islands ou Basic Space, que tocaram aos montes nas rádios.
Os ótimos refrões, característica da banda, estão presentes no novo álbum. Angels, primeiro contato do público com Coexist, tem refrão repetitivo, mas gostoso (They would be/As in love with you as I am). Sunset tem batida rápida e bem sincronizada com as vozes de Romy Madley Croft e Oliver Sim, tornando-se a melhor música do cd.
Coexist não alcançou as expectativas geradas em cima do álbum, mas isso não quer dizer que o xx não evoluiu. Quando se faz um cd de estreia tão bom, é difícil superá-lo no trabalho seguinte.
Melhor música: Sunset
Pior música: Unfold
O álbum Coexist da banda The xx segue a linha do disco anterior. Mesmo com Romy Craft dizendo para separar o segundo álbum do primeiro, não tem como não comparar. É uma continuação e não há nada de inovador. Mudando um detalhe ou outro, as músicas continuam as mesmas e o disco parece uma coisa só.
A banda continua fazendo belas sobreposições de vozes, o que realmente caracteriza o The xx como algo singular. As melodias são simples e parece que o trio londrino resolveu não arriscar muito, mantendo a essência, valorizando a harmonia e as belas vozes.
Somente em músicas como Chained, Reunion e Tides a melodia arrisca um pouco mais de ritmo saindo da mesmice. Mesmo assim, o disco não supera a ideia de apresentar somente música ambiente enquanto uma festa de verdade não começa. Mas o estilo da banda The xx é esse. Harmonias puras, letras simples. Coexist é mais do mesmo, nada mudou.
Melhor música: Tides
Pior música: Try
O que esperar de Coexist?
Três anos depois de lançar o disco homônimo que além de ganhar a crítica, abarrotou uma pequena e entusiasmada legião de fãs, a expectativa para o segundo trabalho do The xx era grande.
Essa expectativa aumentou ainda mais depois que os singles Angels e Chained foram divulgados, e ao ver os vídeos amadores de faixas inéditas tocadas durante shows, que os fãs não hesitaram em postar imediatamente no Youtube. É exatamente Angels a faixa que abre caminho para o resto do álbum, que se passa entre o minimalismo e a riqueza de sons.
O primeiro álbum da banda podia praticamente ser dividido em duas partes, uma primeira com batidas suaves e faixas mais aceleradas, e uma segunda fase, mais fechada. No álbum de volta, essas delimitações são bem mais sutis, com músicas que se revezam entre o despojo e a densidão.
Se a vocalista Romy Madley Croft empresta sua bela voz para uma das faixas mais dançantes do álbum, Sunset, logo em seguida, em Missing, aparecem os vocais de Oliver Sim, em uma atmosfera que beira o sombrio, cantando que seu coração está batendo de uma forma diferente, numa daquelas faixas que você precisa ouvir de olhos fechados, para conseguir assimilar cada som.
É difícil dizer que Coexist supera o trabalho antecessor da banda. Eu consigo vê-lo como uma continuação quase linear, em que o The xx parece não buscar grande inovação, mas sim manter seu estilo e musicalidade, com canções sussurradas e intimistas. Aquela música pra ouvir de fones de ouvido, sem pensar em nada. Era o que eu esperava.
Melhor música: Missing
Pior música: Our Song
É tudo tão harmônico e simplista no novo álbum do The xx que não haveria um nome melhor para ele: Coexist. O som minimalista que marcou a estreia do The xx com seu álbum homônimo continua no segundo trabalho do trio. E é bonito. Seria curioso fazer uma contagem de quantos minutos o álbum tem de silêncio. Sim, pois em algumas faixas como Angels, o minimalismo do som é tão grande que parece que entre um teclado, uma marcação da bateria e o amor cantado por Romy Madley Croft há espaços de puro silêncio.
Não é inovador, mais ainda assim é um belíssimo trabalho. Um alívio, uma pausa, uma fuga em meio a tantos outros sons carregados de quase todo o tipo de influência. A divisão dos vocais feminino e masculino é um elemento de equilíbrio que não deixa o disco cair na “chatice”. Não dá pra dizer que há momentos “dançantes” em Coexist, mas sim faixas com mais trilhas e uma leve batida eletrônica, como Sunset. Isso reforça a coerência desse disco, que vai ser ouvido em looping infinito por muita gente.
Melhor música: Angels
Pior música: Our Song














setembro 4, 2012 às 12:37
[...] equipe do Rock ‘n’ Beats já falou aqui o que esperava de Coexist, e vocês, o que acharam da volta da [...]
setembro 11, 2012 às 20:02
[...] Essa é a discussão que foi firmada na arena do What did you expect, coluna que incluiu as opiniões de vários membros da equipe do Rock ‘n’ Beats sobre o polêmico e divisivo Coexist. Confere lá! [...]