Alanis Morissette – Havoc and Bright Lights (Collective Sounds)
Alanis Morissette está de volta depois de quatro anos do lançamento do mediano Flavors of Entanglement. O novo trabalho soa coerente com a linha “momento da vida” que a cantora adotou há tempos em sua carreira. E esse é um registro feliz: Alanis finalmente encontrou um amor que a fez parar de sofrer com pés na bunda, se casou, teve um filho e está mais otimista. Daí surgem faixas bonitas e delicadas como Will You Be My Girlfriend e Magical Child, esta feita para seu filho. Certos temas como a opressão à mulher e críticas ao modelo hollywoodiano de vida também estão presentes, em Woman Down e Celebrity, respectivamente. Apesar da temática, Woman Down é uma tentativa frustrante de mistura eletrônica e figura nos pontos baixos do disco, ao lado da baladas chatas ‘Til You e Win and Win.
Havoc And Bright Lights não tem o vigor dos primeiros discos de Alanis, que apostou em fórmulas básicas e batidas nas canções. Guardian primeiro single do disco, por exemplo, soa simplista demais, porém, familiarmente “Alanis”, o que a faz integrar o rol das boas faixas. Merecem atenção ainda, o piano de Havoc, o resgate ao rock/pop noventista de Lens e Empathy e o peso das guitarras em meio a um belo arranjo de violino de Numb, que parece resgatar a inquietude de uma Alanis agora adormecida.
Alanis Morissette – Numb
Divine Fits – A Thing Called Divine Fits (Merge)
Encarar o Divine Fits como supergrupo não é o melhor dos caminhos quando se trata do gênero indie. O rock potente com boas doses de guitarras e sintetizadores da banda formada por Britt Daniel (Spoon), Dan Boeckner (Wolf Parade e Handsome Furs) e Sam Brown (New Bomb Turks) chega sem a necessidade de impactar e surpreende com estes 11 temas de A Thing Called Divine Fits.
O synthpop My Love Is Real, primeira faixa do álbum, sugere um flerte com o som do Kraftwerk. A combinação de riffs de guitarra, sintetizadores e a voz grave de Boeckner apresentam o dinamismo do registro. Produzido por Nick Launay, a estreia também propõe uma atualização da new wave com a boa For Your Heart. O ponto alto do disco fica por conta da versão de Shivers, do The Boy Next Door, em que o solo de guitarra casa com a angustiada performance de Britt. O Divine Fits não deve nada aos trabalhos anteriores de seus integrantes.
Divine Fits – My Love is Real
Minus the Bear – Infinity Overhead (Dangerbird)
Adolescentes que acabam de encontrar a coleção de vinis de seus pais, e resolvem sintetizar tudo em uma só banda, um só disco. Essa parece ser a origem do Minus the Bear, pelo menos a contada em cada nota de Infinity Overhead, novo álbum da banda e sucessor do moderadamente criticado Omni. Cada riff e refrão épico do stadium rock, cada linha cristalina de sintetizador do synthpop e principalmente, cada trejeito vocal e meandro rítmico do progressivo está presente, sem vergonha nenhuma da nostalgia oitentista que toma conta da banda. A grande força está nos singles, contagiantes como Steel and Blood e Lonely Gun. Mas o maior destaque é Toska, uma fatia perfeita de new prog-rock que encontra o vocalista Snider canalizando seu lado Peter Gabriel e a banda explodindo em experimentações acertadas ao fim.
A influência do Genesis continua em Listing e Heaven is a ghost town (com excelentre letra, falha ao se tornar enjoativa). Cada ingrediente do Minus the Bear está aqui, presente. Mas o cozinheiro por vezes erra a mão, e os ingredientes em quantidade exagerada fazem o bolo desandar.
Minus The Bear – Toska
Wild Nothing – Nocturne (Captured Tracks)
Ao ouvir de relance, Nocturne parece soar um prolongamento de Gemini, aclamado disco de estreia do Wild Nothing lançado em 2010. Mas com um pouco de atenção é possível perceber que há sutis evoluções no trabalho da banda de Jack Tatum.
A fórmula é a mesma do debut (em time que está ganhando não se mexe, certo?), mas com um trabalho instrumental mais apurado e melodias redondas, cativantes e cheias de camadas em 11 pequenas pérolas do Dream Pop, além da grande melhoria na qualidade de gravação, que nos permite perceber cada um desses detalhes.
Notar pouco a pouco cada uma dessas pequenas diferenças em relação a Gemini, é uma experiência que pode ser comparada a rever ao mesmo filme novamente em blu-ray em alta definição e som surround. Faça isso, no repeat, e não se arrependerá.
Wild Nothing – Shadow

















dezembro 21, 2012 às 18:19
[...] prova disso. A faixa que está no mais recente disco da cantora, Havoc and Bright Lights (resenha aqui), é simples, porém belo e delicadamente [...]