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Lançamentos da Semana: The Vaccines, Two Door Cinema Club, Animal Collective, Bob Mould e mais | Rock 'n' Beats

Lançamentos da Semana: The Vaccines, Two Door Cinema Club, Animal Collective, Bob Mould e mais

Postado por Ana Clara Matta. Posted in Colunas, Lançamentos da Semana

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Publicado em 04 setembro, 2012 - Nenhum Comentário

Animal Collective – Centipede Hz (Domino)

Centipede Hz é o álbum que veio com a difícil missão de suceder o aclamado Merriweather Post Pavilion, de 2009. Mas como se igualar a ao que foi considerado obra prima?

O álbum é o primeiro trabalho do Animal Collective a reunir novamente todos seus integrantes em estúdio desde Here Comes the Indian, de 2003. Essa reunião resultou em um trabalho que beira o brilhante.

O Animal Collective continua a trazer faixas carregadas de psicodelia e experimentalismo primorosos. As influências 70’s são claras em faixas Pulleys e Amanita, e dentro de um trabalho que poderia ser demasiado alternativo, a banda consegue inserir faixas como Monkey Riches, talvez a música mais “pop” do álbum. O novo trabalho do Animal é tanto uma evolução quanto um desdobrar de uma banda que vem de uma sequência de álbuns admiráveis, e que conseguiu o feito de não cair após o que parecia ser o ápice.

Animal CollectiveToday’s Supernatural

(Nathanna Raíssa)
Azure Ray – As Above So Below (Saddle Creek)

Maria Taylor tem uma das carreiras mais divergentes da música, quase como se trocasse de estilo a cada álbum ou banda nova. Depois de um belissimo album de folk no ano passado, Overlook, ela retornou com seu projeto principal, o Azure Ray.

Mas, As Above so Below não lembra pouco as antigas gravações do duo, e o Dream pop passa esquecido. Com uma base completamente eletrônica, o trabalho apesar de lindo, pode ser díficil de se digerir no início, em especial se o ouvinte quiser encontrar algum traço daquelas garotas que fizeram obras como Sleep e November. O peso dos sintetizadores cria uma atmosfera quase sombria que aumenta o contraste das vozes sobrepostas. Depois do choque inicial, dá para perceber toda a profundidade da obra e ouvir diversas camadas na música. Vale o lembrete: não espere Maria Taylor como conhece, seja lá em qual estilo isso possa ser, e aí torna-se mais fácil imergir no som.

Azure RayScattered Like Leaves

(Marina Bastos)
Bob Mould – Silver Age (Merge)

Coube a Dear Rosemary, faixa do último álbum do Foo Fighters com participação de Bob Mould, apresentar o estilo e o legado do frontman do Hüsker Dü e Sugar para toda uma nova geração. Esses padawans podem achar em cada riff de guitarra e cada refrão de estádio de Silver Age uma influência do Foo Fighters. Mas a inverso acontece aqui: a influenciada é a banda de Dave Grohl. Silver Age mostra um Mould que retoma sua carreira do ponto em que parou.

O disco já começa forte, com a mistura de hardcore (prepare-se para pulinhos), punk e metal das duas primeiras faixas. Mas é a brilhante The Descent que vai lhe tentar a ligar o repeat, o que seria um crime, visto que a quarta faixa, Briefest Moment traz o ponto forte do gênero, a nostalgia. O álbum corre coeso, com identidade própria forte, até que os dois últimos destaques formam o combo de Mould: Keep Believing e a ousada First Time Joy, que não esmaga seu sintetizador leve com guitarras até um refrão digno de abrir os shows da turnê. Silver Age pode ser traduzido com a era da prata, mas podemos livremente traduzir como idade dos cabelos prateados. Não esperem ossos doloridos e rugas de Mould: o garoto soube envelhecer bem.

Bob MouldThe Descent

(Ana Clara Matta)
Cat Power – Sun (Matador)

“Music is boring me to death”. Cat Power mudou muito desde que cantou Color and the Kids, no disco Moon Pix. Em Sun, a moça tirou o protagonismo de seu piano e se revezou também entre sintetizadores e batidas eletrônicas. O sol desse trabalho inspira canções mais animadas que as banhadas pela lua, há 14 anos.

Sun é o álbum mais destoante de sua discografia. As boas faixas Human Being e Cherokee até lembram um pouco seus trabalhos anteriores, mas fazem pensar que seriam bem melhores em outros arranjos. O disco apresenta letras que pouco condizem com a levada das canções, como na fraca Real Life e na ótima Ruin. Parte das desilusões nos versos têm sido atribuídas à sua recente separação conjugal, mas dizer que o álbum é fruto desse desencontro não é conveniente.

O disco também é marcado pela duplicidade das camadas vocais. Chan estabelece duelos vocais com ela mesma em todas as músicas, além de cantar em parceria com Iggy Pop na inacabável Nothing But Time.

Sun é um disco ousado, mas que não combina com sua dona nem em seus sinterizadores nem em sua medianidade.

Cat PowerRuin

(Luiz Fernando Motta)

Deerhoof – Breakup Song (Polyvinyl)

O que mais chama atenção em Breakup Song é a mistura da fragilidade da voz de Satomi Matsuzaki com riffs pesados de guitarra, ou com a bateria marcada, ou com a linha de baixo ditando o ritmo, ou com os sintetizadores, ou com qualquer um dos diversos elementos usados para compor as faixas. Parece que não há regras para o Deerhoof: tudo é válido. Mas é um tudo coerente ao experimentalismo proposto por eles e que marcou seus primeiros trabalhos. É só conferir The Trouble With Candyhands, que encanta mais pela exploração do ritmo latino, do que pela letra em si, é verdade, mas não deixa de encantar.

Breakup Song supera numa boa Deerhoof vs. Evil (2011). A banda consegue unir em seu experimentalismo uma faixa como Flower, quase um reggae psicodélico com pitada de soul/funk do Jackson 5 e uma faixa com veia oriental como Mothball the Fleet sem soar estranho. Um feito a ser considerado.

DeerhoofThe Trouble With Candyhands

(Soraia Alves)

The Fresh & Onlys – Long Slow Dance (Mexican Summer)

Como seria se o The Smiths ainda estivesse em atividade?

A banda americana The Fresh & Onlys nos dá um pouquinho dessa resposta em Long Slow Dance. Esse é o quarto álbum do grupo formado em 2008, em San Francisco. A comparação com a clássica banda de Morrissey é inegável, desde a sonoridade um tanto quanto depressiva ao timbre da voz de Tim Cohen, que lembra muito a do vocalista do The Smiths. Os californianos soam como os Smiths com uma pitadinha de surf music.

Mas o The Fresh & Onlys é muito mais do que uma banda que lembra o The Smiths. As músicas de Long Slow Dance são gostosas, boas de ouvir. Esse é o tipo de cd que você põe para tocar novamente logo depois de ouvi-lo de cabo a rabo. Os destaques são as quatro primeiras faixas (20 Days and 20 Nights, Yes or No, Long Slow Dance e Presence of Mind) e No Regard, que parece que foi escrita e cantada por Morrissey.

Se você é fã de The Smiths, não vai se decepcionar ouvindo Long Slow Dance.

The Fresh and OnlysPresence of Mind

(Caio Menezes)

Jens Lekman – I Know What Love Isn’t (Secretly Canadian)

Uma belíssima introdução que usa somente o som do um piano na primeira faixa do disco mostra a que veio Jens Lekman. Lançando seu terceiro álbum de estúdio, o suéco constrói em dez faixas melodias no mínimo maravilhosas. As letras, em sua maioria desenvolvendo histórias de amor – bem sucedidas ou não -, são acompanhadas por uma base instrumental muito bem feita. Piano, violino, flauta e até um sax incrementam, acompanham, mas não impedem que a voz do cantor passe despercebida. Uma voz melancólica para cantar sobre uma desilusão amorosa (como em She Just Don’t Want You Anymore) ou para, ao longo de seis minutos da música The World Moves On, criar uma canção sem refrão (apenas duas frases são repetidas ao longo da música) que passeia sobre momentos da vida. Uma verdadeira obra-prima.

Jens LekmanShe Just Don’t Want You Anymore

(Luiza Aloi)
Matchbox Twenty – North (Atlantic)

North marca a volta do Matchbox Twenty depois que os integrantes passaram 10 anos separados e o vocalista Rob Thomas lançou dois álbuns solo. O disco levou quase dois anos para ficar pronto e como o próprio vocalista mencionou em entrevista à Billboard, as influências são variadas, de The Kinks a Maroon 5. Ouvindo North, é difícil encontrar a parte The Kinks do trabalho, talvez Radio tenha uma leve (bem leve) inspiração nos ingleses. Já a vibe Maroon 5 é bem nítida, chegando a ser explícita mesmo em Put Your Hands Up.

A banda que ficou conhecida por seu pop romântico eternizado em hits como Push, soa familiar em momentos como Parade, Overjoyed, I Will e English Town, músicas que podem embalar momentos a dois ou a fossa daqueles que até hoje ouvem (mesmo que escondidos) Unwell, mas que não despontarão nas rádios, nem serão lembrados daqui algum tempo. O Matchbox Twenty parece que não sabe mais onde se encaixar e essa dúvida lhe custou um disco e uma nada impressionante volta ao mercado.

Matchbox TwentyEnglish Town

(Soraia Alves)

The Sheepdogs – The Sheepdogs (Atlantic)

Os canadenses da banda The Sheepdogs tiveram Patrick Carney, baterista do Black Keys como produtor deste quarto disco de estúdio. A influência é levemente perceptível. Os riffs são criativos, os solos bem executados. As letras bem escritas encaixam em harmonias deliciosas. Difícil pontuar, mas Ewan’s Blue possui todos esses elementos e disputa pelo lugar de melhor do disco.

Em uma das melhores canções do disco, Javelina!, puramente instrumental, parece ter sido feita no improviso e quem ouve no disco mentalmente agradece por terem gravado algo tão excelente. Provocando um misto de emoções em menos de três minutos a canção é completamente imprevisível. Ouça com fones de ouvido.

The Sheepdogs é aquela banda que vale a pena ficar de olho, mesmo não sendo novata no cenário musical.

The SheepdogsLaid Back

(Luiza Aloi)
Stars – The North (ATO)
O Stars mostra em The North que a versatilidade é seu diferencial. Os duetos de Amy Millan e Torquil Campbell passeiam pela doçura e melancolia das belas canções pop orquestradas e dão identidade às experimentações eletrônicas. Acostumado aos diálogos no cinema, o vocalista e também ator disse que a companhia de uma mulher permite que eles falem de relacionamentos, tema central do disco, de uma maneira menos egoísta do que outras bandas.

The Theory of Relativity abre bem os trabalhos, nos preparando para a presença dos sintetizadores, que aparecem recorrentemente ao longo do álbum. Hold On When You Get Love and Let Go When You Give It é um synth-Pop muito bem dosado, que tem um refrão irresistível. As baladas têm seu ponto forte em The 400, que remete à melancolia do Death Cab For Cutie em Transatlanticism. Porém, Backlights peca por seu excesso de açúcar e A Song is a Weapon, com sua letra politizada, não empolga.

The North surpreende por ser um disco competente e de fácil de digestão. Pode não agradar integralmente, mas deve atrair a atenção do ouvinte em pelo menos um de seus pontos fortes.

StarsHold on When You Get Love and Let Go When you Give It

(Luiz Fernando Motta)
Two Door Cinema Club – Beacon (Kitsune/Glassnote)

É complicado quando uma banda surge com um EP ou álbum debut muito bom e precisa provar que é ainda melhor em um segundo disco. Esse é o caso do Two Door Cinema Club, que impressionou com Tourist History em 2010, e dois anos depois mostra em Beacon que seu pop/rock/indie/eletrônico continua gostoso e animando, mas sem gerar tanto impacto quanto o anterior.

É nos riffs frenéticos da guitarra que o 2DCC baseia seu trabalho, e é o que dá singularidade à banda. Faixas como Wake Up e Someday evidenciam a sonoridade pulsante que figura no disco todo, que também traz pequenas mudanças se comparadas ao álbum antecessor, como a bateria menos eletrônica. Evoluções, mas em um produto um pouco menos interessante.

A resenha completa de Beacon você confere aqui.

Two Door Cinema ClubSleep Alone

(Soraia Alves)
Two Gallants – The Bloom and the Blight (ATO)

Depois de 5 anos em hiato, o Two Gallants retorna com seu quarto álbum. O duo de San Francisco ainda mantem as caracteristicas-chave: a mistura de blues, punk e folk; a estética lo-fi; os vocais de Adam Stephens ocilando entre a serenidade e o desespero total e a bateria de Tyson Vogel marcante e quebrada.
No entanto, tem algo diferente em The Bloom and the Blight: é Two Gallants como conhecido, só que com uma força e intensidade muito maior. O disco tem uma coesão impressionante apesar de permutar entre os gêneros, e todos os elementos da sonoridade da banda parecem ampliados ao extremo sem causar qualquer prejuízo às canções. Entre músicas bem pesadas como Halcyon Days e Ride Away, e baladas que remetem ao disco solo de Stephens, como Broken Eyes, tudo parece se encaixar por completo. My Love Won’t Wait merece o destaque por refletir tudo isso em menos de 4 minutos.
Two GallantsMy love won’t wait

(Marina Bastos)
The Vaccines – The Vaccines Come of Age (Columbia)

Justin Young não é um ícone adolescente e não é o herói de ninguém… por enquanto. Mas The Vaccines Come Of Age, novo álbum de sua banda The Vaccines, ele prova que pode sim vir a conquistar esses títulos um dia. A energia da estreia ágil do Vaccines não diminuiu, mas foi canalizada em músicas mais longas e trabalhadas que revelam uma banda mais madura. Se o que você espera dos Vaccines é o revival agitado do rock sessentista e do garage rock deve sair satisfeito, com faixas como Teenage Icon e No Hope, mas outras influências surgem como influências no baixo post-punk e na batida surf-rock de Ghost Town e no peso punk de Bad Mood.

O que você achou desse amadurecimento repentino do The Vaccines? Confira as opiniões da equipe do Rock `n`Beats na coluna What did you expect?

The VaccinesTeenage Icon

(Ana Clara Matta)

Sobre Ana Clara Matta

Uma soma de todas as músicas que já escutei e todos os filmes aos quais assisti. / @_ana_c

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