vBulletin stats
Lançamentos da semana: The Killers, Band of Horses, Grizzly Bear, Ben Folds Five e mais | Rock 'n' Beats

Lançamentos da semana: The Killers, Band of Horses, Grizzly Bear, Ben Folds Five e mais

Postado por Ana Clara Matta. Posted in Colunas, Destaque, Internacional, Lançamentos da Semana

Tags: , , , , , , , ,

Publicado em 18 setembro, 2012 - Nenhum Comentário

Aimee Mann – Charmer (Superego Records)
Até a gigante Billboard já definiu esse nicho como um gênero formado: o Pop Adulto. Se esse gênero se tornasse um verbete no dicionário ou uma seção de enciclopédia, ao seu lado, lá estaria uma foto de Aimee Mann. Aimee Mann é a definição máxima do pop adulto, fundindo sempre Fleetwood Mac, Joni Mitchell, Jazz e seu estilo próprio de “Singer/Songwriter”.

A cantora ficou célebre ao emprestar canções para a trilha do clássico moderno Magnólia, de Paul Thomas Anderson, e desde então mantém um belo plano-sequência: o filme de sua música não mudou. Charmer esconde sua melancolia e desilusão por trás de seu ritmo otimista, e guarda em sua manga algumas canções espetaculares, como Labrador, Soon Enough e Gamma Ray (que destoa do disco com uma guitarra alta em sua introdução).

Aimee MannLabrador

(Ana Clara Matta)

Band of Horses – Mirage Rock (Columbia)

Para seu 4o álbum, o Band of Horses trocou de produtor. O lendário Glyn Johns (Beatles, Stones, Who…) fez colidir o perfeccionismo dos dois primeiros álbuns (especialmente nos efeitos de voz) com seu estilo “foi o que foi”, limitando o número de overdubs e produzindo o álbum mais cru da banda.

Sem maquiagens, Mirage Rock traz “rock vintage” em Knock Knock e Feud, raízes country/folk em How To Live e Eletric Music, além da balada com bela letra Slow Hands of Time. E mesmo errando a mão na segunda parte de Dumpster World, Ben Bridwell se acha e faz lembrar Johnny Cash na derradeira Heartbreak on the 101.

Desde 2004, o Band of Horses cresce em público, mídia e qualidade. Após atingir o 7o lugar nas paradas americanas com Infinite Arms, parece dar mais um passo à frente em Mirage Rock.

Band of Horses -How to Live

(Lucas Brêda)

Ben Folds Five – The Sound Of The Life Of The Mind (ImaVeePee Records/Sony Music)

I’ll show you the life of the mind“. Essa frase é o brado violento de John Goodman no clímax de Barton Fink, dos irmãos Coen. Na cena em questão, tudo é brutal e exagerado, com Goodman louco de fúria e um corredor em chamas. Essa imagem não invoca as belas melodias em piano e a ironia sutil de Ben Folds em seu trabalho com o Ben Folds Five… não até o lançamento deste álbum, que pega emprestado o termo dos Coen, a tal “vida da mente”, para seu título.

Como que para justificar o título e a agressiva cena, o aguardado retorno do Ben Folds Five começa com o trovão Erase Me, faixa ácida e experimental (ora, para os padrões de Ben). Esse tom mais direto retorna na hilária Draw a Crowd e em Do it Anyway, mas as notas fortes do piano de Folds pontuam ainda melhor na tristeza de Sky High, um ponto alto musical construido a partir de um ponto baixo em vida. Apenas um dos destaques de um retorno que cumpre o que promete.

Ben Folds FiveErase Me

(Ana Clara Matta)

Dinosaur Jr. – I Bet on Sky (Jagjaguwar)

10 álbuns em 28 anos de carreira não é para qualquer banda, ainda mais quando se mantêm o nível musical de cada trabalho, esse é o privilégio do Dinosaur Jr.

I Bet On Sky é o terceiro disco do trio J Mascis, Lou Barlow e Murph, depois da volta em 2005. O sucessor de Farm (2009) chega com uma missão: provar que a banda dos veteranos está viva.

Produzido por J Mascis, I Bet on Sky é um disco reconhecível nas suas primeiras notas, rápido, verdadeiramente cru e que mais uma vez transforma os acertos do passado em algo novo. O resultado são letras melancólicas que remetem a um clima até nostálgico, guitarras construídas de maneira rústica, como no single Watch The Corners, faixa que tem um solo de guitarra de arrepiar nos seus dois minutos finais. A presença marcante de Barlow no baixo em Rode, e o peso das guitarras e dos riffs pesados de Recognition, uma das faixas mais instigantes deste trabalho da banda.

No fim, soa como algo que você já tenha escutado por parte da banda, mas como aparece no release da gravadora Jagjaguwar “não há nada como um álbum do Dinosaur Jr., os melhores são reconhecíveis logo nas primeiras notas”.

Dinosaur Jr.Watch the Corners

(Cristie Joplin)

Gallows – Gallows (Bridge Nine Records)

Gallows é o disco que menos soa como seu nome. A banda está não só de vocalista novo, como também de uma identidade nova completa, é essa é tão fanstática quando nos tempos de Frank Carter. O EP de 2011, Death is Rebirth, já mostrava essa nova direção de maneira brutal e direta, mas é o novo disco que prova que como essa mudança está à altura de seu antigo legado. Wade MacNeil deu um tom hardcore para a banda que berrava a vida do punk rock. É mais pesado, mais violento, mais rápido e bem menos angustiante. Se ainda se restava alguma dúvida sobre o futuro do Gallows, basta se ouvir a progressão do primeiro single, Outsider Art, até o seu refrão explosivo para todas elas se dispersarem completamente na poeira deixada pelo passado.

GallowsOutsider Art

(Marina Bastos)

Grizzly Bear – Shields (Warp)

Para uma recente participação em certa trilha sonora, o Grizzly Bear lançou uma música que levava o título de “Slow Life” (vida lenta). Isso parece ser mais que um título de canção – parece ser o estilo de vida da banda, que não se apressa na composição. Lapida cada canção até o ponto em que as melodias soam complexas, porém completamente naturais. Tudo flui pelo seu ouvido, convidando a uma análise mais atenta.

Shields é mais um trabalho de nuances do grupo, e o sucessor perfeito de Veckatimest. Seja na psicodelia de faixas como Gun-Shy e Sleeping Ute, seja no pop-rock mais direto de Yet Again, Shields coloca o Grizzly Bear em uma posição privilegiada: vida inteligente na música pop atual.

Grizzly BearGun-Shy

(Ana Clara Matta)

How to Dress Well – Total Loss (Acéphale)

Falando tecnicamente do novo álbum do How to Dress Well, a descrição pode fazê-lo soar como mais um dentre tantos outros trabalhos que tomam por base o R&B e desenvolvem sonoridades mais sombrias sobre ele. Mas quem conhece o que Tom Krell fez em Love Remains (2010), sabe que ele não trabalha com obviedades. Total Loss é, faixa a faixa, um exercício de audição baseado nos detalhes. Belos e suaves detalhes.

Totalmente instrumental, a belíssima World I Need You, Won’t Be Without You é de mexer até com os corações mais duros. Os violinos substituem a voz marcante de Tom. E é interessante ver o quanto uma música de influências eruditas não fica perdida ou destoante no conjunto total, mesmo com faixas como How Many? se aproximando (bem sutilmente) do pop tradicional.

Say My Name or Say Whatever, & It Was U e Talking to You merecem muita atenção!

How to Dress Well& It Was U

(Soraia Alves)

Pet Shop Boys – Elysium (Astralwerks)

Ouvir Pet Shop Boys é fácil e delicioso. A banda é despretensiosa e dificilmente desagrada. Elysium, 11º álbum de estúdio da carreira do duo, passa a sensação de que os britânicos não mudaram o estilo, mas ao mesmo tempo, inovaram tentando captar – e acompanhar – as tendências atuais na música. Peso-pesado em quesito eletrônica, os Pet Shop Boys começaram a carreira na década de 80, época em que as músicas eram feitas para animar uma festa e não necessariamente possuir arranjos e letras profundas.

Elysium constitui pop dançantes (ouça A Face Like That) e ao mesmo tempo músicas como Invisible e Your Early Stuff, que faz você viajar sem sair do lugar. As faixas diferem-se uma das outras mostrando inovação e simplicidade, compondo ao mesmo tempo a essência do Pet Shop Boys. Os fãs do duo britânico podem ser seus pais. E em Elysium, eles convidam você, adolescente ou pré-adulto, para conhecer o pop oitentista com tendências musicais atuais.

Pet Shop BoysLeaving

(Luiza Aloi)

Robert Pollard – Jack Sells the Cow (GVB Inc.)

Robert Pollard lançou seu 18º disco solo e algum número quase impossivel de se contar de sua carreira. E Jack Sells the Cow ainda assim consegue soar diferente de boa parte de sua discografia. Ou melhor, o experimentalismo do Guided by Voices aparece em algum ponto em quase todas as músicas; a energia do Boston Spaceships também pode ser encontrada em Tight But Normal Squeeze; o lirismo, a irreverência, o entusiasmo que marcaram sua carreira em alguns álbums clássicos estão todos presentes. Mas a obra soa apenas como um amotoado muito confuso de b-sides dos melhores tempos de Pollard, não tem coesão ou algo que amarre as músicas em si mesmas, nem entre elas.

Apesar de tudo, ainda é um disco de um dos compositores mais geniais que já existiram e canções como Rank The Nurse e Fighting the Smoke compensam, em parte, as falhas.

Robert PollardRank the Nurse

(Marina Bastos)

The Jon Spencer Blues Explosion – Meat and Bone (Boombox/Mom + Pop)

Peso, crueza, garrafas quebradas, carne e osso. O Jon Spencer Blues Explosion vem provar em Meat and Bone que não perdeu a mão, mesmo depois de um hiato de oito anos. A sensação que o álbum passa é de que foi gravado sem frescura, com os músicos se divertindo em uma jam session num fundo de garagem qualquer. Os três integrantes provam que são bons de barulho, com explosões em forma de riffs sujos, sem dispensar as características “bluezeiras” e inspirações também no rockabilly e soul. Em meio a gemidos e muitos gritos de “come on”, o vocalista e produotor do disco Jon Spencer ordena a bagunça, que, no fim das contas, se faz bastante coesa e swingada.

Faixas como a arrebatadora Bag of Bones e a distorcida Ice Cream Killer estão entre os melhores trabalhos já lançados pelo trio. Mas o destaque mesmo fica por conta de Bottle Baby, na qual Spencer arrebenta no spoken word enquanto riffs melódicos quebram a crueza do punk em um refrão delicioso. Para apreciar Meat and Bone, do começo ao fim, basta estar a fim de muito barulho e rock’n’roll.

The Jon Spencer Blues ExplosionBag of Bones

(Luiz Fernando Motta)

The Killers – Battle Born (Island)

Quatro anos depois, o Killers apresenta Batte Born, com a missão saciar fãs que aguardavam ansiosamente o lançamento de um novo trabalho da banda de Las Vegas.

Antes de apresentar o álbum, a banda não poupou esforços para deixar os fãs ao mesmo tempo apreensivos e animados. Seria Battle Born tão bom quanto o single Runaways? Valeria à pena assistir aos teasers divulgados sucessivamente? Para a tristeza dos fãs, a resposta é não.

Battle Born começa morno com Flesh and Bones, tem seu ápice com Runaways, e depois entra em uma sucessão de faixas que se revezam entre o mediano e o medíocre. Parece ter sido diluído no trabalho solo de Brandon Flowers, anestesiado, sem propósito.

Este é o álbum que marca um Killers decadente, aparentemente incapaz de produzir faixas marcantes como Read my mind, intensas como When you were young, explosivas como Mr. Brightside ou dançantes como Spaceman. Resta agora esperar e torcer por redenção em um próximo trabalho.

The KillersRunaways

(Nathanna Raíssa)

The Wilderness of Manitoba – Island of Echoes (Pheromone Recordings)

“Ilha de ecos”, repetições, sons que refletem pelas paredes e nos remetem a outras fontes. Uma escolha impecável de título, a feita pela banda folk canadense The Wilderness of Manitoba, que lançou um dos melhores álbuns do seu país natal no ano a partir da saudação direta a diferentes influências. O grupo não esconde sua inspiração, afinal, seria impossível esconder: a faixa Echoes é Fleetwood Mac puro, da fase Rumours, enquanto The Aral Sea/Southern Winds e White Woods mostra o grupo jovem se curvando à obra de Crosby, Stills, Nash e Young.

Tudo é feito com esmero, e se o disco começa com a cansativa Morning Sun, cresce a cada canção até atingir níveis etéreos dignos de Bon Iver. Não é um álbum de ruptura, e sim um álbum de continuidade. Mas nesse caso, agradecemos a falta de grandes fraturas, pois aqui, elas representam também a ausência de qualquer queda.

The Wilderness of ManitobaEchoes

(Ana Clara Matta)

Sobre Ana Clara Matta

Uma soma de todas as músicas que já escutei e todos os filmes aos quais assisti. / @_ana_c

Veja outros artigos de Ana Clara Matta

Comente usando o Facebook!

Nenhum Comentário

Nenhum Comentário em Lançamentos da semana: The Killers, Band of Horses, Grizzly Bear, Ben Folds Five e mais. Talvez você queira deixar um Comentário

Deixe seu comentário

RocknBeats