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Entrevista: Lulu Grave e Henrique Laurindo do The Tamborines falam sobre o lançamento de Camera & Tremor e da vida em Londres

Postado por Rafael Martins. Posted in Entrevistas

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Publicado em 02 agosto, 2010 - Nenhum Comentário

Hoje (02) é dia do lançamento do álbum Camera & Tremor do The Tamborines, banda brasileira que mudou para Londres em 2002 em busca de um mercado que lhe propiciasse meios para viver da própria música sem que fosse necessário adequá-la à moda do momento ou à formulas estereotipadas.

Em meio a efervescência cultural londrina, a banda lançou alguns EPs e inclusive gravou com o produtor Brian O’Shaughnessy que já trabalhou com o My Bloody Valentine, dividiu o palco com Mark Gardener que era do Ride e tocou ao lado de Razorlight, Television Personalities e Primal Scream, entre outros.

Lulu Grave e Henrique Laurindo falaram com o Rock n´Beats sobre tocarem numa banda tipicamente “do it yourself”, mercado fonográfico e o por que eles não tocam samba, além do novo disco.

Rock n´Beats -- Como você avalia este período em que o The Tamborines está em Londres?
Lulu Grave - Como um período de mudanças e de aprendizado. Londres é nossa casa hoje em dia.
Henrique Laurindo - Por enquanto tem sido maravilhoso. Obviamente aprendemos e amadurecemos muito, mas acima de tudo tem sido muito divertido.

Você sentiu alguma dificuldade a mais pela banda ser brasileira?
LG -
Na verdade, não. Não sentimos que a nacionalidade tenha tido impacto na forma como somos recebidos. Alias, por vivermos aqui (Londres), acabamos sendo vistos como uma banda londrina.
HL - Talvez a única dificuldade de ser brasileiro aqui é em relação a questão do visto. Uma vez ou outra aparece um “engraçadinho” dizendo: “ah vocês são brasileiros? Por que vocês não tocam samba?” Mas a gente já ouvia essa mesma pergunta quando estávamos no Brasil, então estamos acostumados.

Fora a circulação de dinheiro quais as diferenças que você enxerga entre o mercado independente brasileiro e o britânico?
HL -
Fora o dinheiro e suas conseqüências? Nenhuma diferença. Porém, não dá pra excluir esse fator. Aqui há um fluxo muito maior de eventos culturais em geral e “indie rock” é um mercado estruturado. Outra coisa, não sei se isso é cultural, mas aqui ainda se “compra” música: CDs, vinis, downloads, etc. O que proporciona a bandas do nosso nível um suporte para financiar equipamento, turnês e gravações.
Pelo que tenho acompanhado muita gente no Brasil que se diz “indie” e “integro” não vê problema nenhum em fazer download pirata de um álbum do Radiohead ou um do A Place To Bury Strangers, sem se importar ou entender de que a primeira foi financiada por uma major durante anos e provavelmente nem precisa vender discos para lotar estádios, enquanto a ultima ainda tocava pra 50 pessoas e dormia no sofá de amigos até não muito tempo atrás.
LG - A impressão que tenho, é que aqui o rock independente é mais inserido num contexto profissional. É realmente um setor do mercado da música e não há vergonha nenhuma em querer viver disso como profissão.

Depois de certo tempo vivendo em Londres, o que mudou na sua visão em relação ao Brasil?
LG -
Acabamos perdendo um pouco do contacto com a realidade brasileira. Em relação ao rock independente, por relatos de amigos nossos que vivem no Brasil e estão fazendo música, a impressão que temos é que a cena melhorou muito.

Como cada integrante concilia a banda com a vida pessoal?
LG -
Numa boa. Temos que confessar que fica um pouco mais fácil quando a banda só tem 2 ou 3 integrantes. Mas o importante é cada um saber claramente quais são suas prioridades.
HL - De certo modo, minha vida pessoal é a banda…

Qual é a dinâmica de trabalho da banda? Por exemplo, o processo de composição, contados para shows, tratamento com a imprensa, etc?
HL
-- Tudo feito por nós mesmos. Nós somos o típico exemplo de DIY (“do it yourself”). As composições são geralmente minhas, a Lu contribui nos arranjos. Nós temos o nosso próprio selo que gerencia os lançamentos, imprensa e shows. É bastante trabalho, mas vale a pena porque tudo acaba sendo dentro do conceito do Tamborines e do caminho que temos traçado para banda.

Como foram as gravações de Camera & Tremor, quem produziu e por qual gravadora vai ser lançado?
LG - Passamos um bom tempo trabalhando nas gravações do nosso álbum. Nós mesmos produzimos e vai sair no dia 2 de Agosto pelo nosso selo Beat-Mo Records.

Qual a tática do The Tamborines para se destacar num período em que as informações ficam velhas em minutos?
LG -
Não acredito que temos uma tática… Claro que temos um plano de vida que é fazer música. Acreditamos no nosso trabalho e vamos tocando e tentando mostrar nosso som para o maior número de pessoas.

Quais as perspectivas da banda hoje?
HL -
Estamos trabalhando bastante no lançamento do álbum que sai em agosto. Depois disso vamos sair em turnê e queremos começar a gravar musicas novas. E esse é o ciclo.

Como você vê o mercado fonográfico nesta era pós Napters? Você acredita que as gravadoras estão lidando de forma correta em relação a isto? Qual o rumo que você acredita que as coisas tomaram, tanto em relação a industria quanto ao artista?
LG -
O mercado certamente mudou muito principalmente em relação aos métodos de atingir o publico. São novas formas de marketing, nossas formas de promoção e mesmo produtos. Ao mesmo tempo em que hoje em dia ficou muito mais fácil para as bandas e selos independentes se desvincularem das grandes gravadoras, o mercado foi bombardeado com muita informação. Para nos tem sido ótimo porque temos as ferramentas para fazermos nossas próprias gravações e montar nosso próprio selo.

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