
10- Jónsi – Go
Não podemos dizer que ele é uma revelação do ano, pois todos já o conheciam. No entanto, sua carreira solo nos forneceu um artista praticamente novo. Jónsi, vocalista da banda islandesa Sigur Rós, mostrou em seu álbum, Go, uma nova forma de ouvirmos uma música acompanhada por uma voz tão bela. Agora, os falsetes, quase cem por cento presentes nas músicas lentas e tristonhas de Sigur Rós, dividem seu lugar com uma voz natural (mas ainda assim, incomum) muito mais participativa neste novo material. O álbum apresenta músicas formadas por um eletrônico pop multi-instrumental, contendo letras de mensagens positivas e ritmos, muitas vezes, dançantes. Com um disco solo tão diferente dos que costumamos ouvir, Jónsi terá de seguir uma carreira dupla, ou qualquer desistência será uma grande perda para a música.
Jónsi – Go Do
9 – Sufjan Stevens – The Age of Adz
Em 2010, nasceu The Age of Adz, o primeiro álbum desde Illinois, um dos mais (se não o mais) aclamados álbuns da década 00. Dessa vez, Sufjan Stevens, o gênio do folk, é substituído pelo então renascido gênio da música eletrônica, Sufjan Stevens. O que está em foco nas novas faixas são temas inspirados na arte apocalíptica e humana de Royal Robertson (1930 – 1997). Agora, ouvimos músicas sem apelo poético e metafórico. Sexo, religião, vida, morte, amor: estes são os temas tratados no álbum, mas todos de forma superficial. Narrativas, não mais. Toda a atenção, agora, é focada na espontaneidade. O aspecto eletrônico é o principal diferencial do novo álbum: muitas vezes caótico, outras vezes, tranquilo, mas sempre cru, verdadeiro, assim como é nossa vida. E se o problema é o eletrônico frenético, saiba que a multi-instrumentalidade ainda está lá. Em segundo plano, sim, mas presentes em todas as músicas, auxiliando os sintetizadores a fazer o trabalho mais importante: o de passar a lógica e emoção humana.
Sufjan Stevens – Age of Adz
8 – Marcelo Jeneci – Feito Para Acabar
Em Feito Para Acabar, Jeneci constrói uma obra-prima da música brasileira que resgata elementos há muito esquecidos e/ou subestimados no cenário atual. Todo o brega romântico, as sanfonas rebuscadas que floreiam as músicas sertanejas, a inserção de uma orquestra, tudo isso mostrando a presença de bons professores na vida desse paulistano. E Jeneci, um cara recheado com parcerias e currículo invejáveis, sabe muito bem trazer todas essas influências para o momento atual. É música para ouvir, mas também para sentir, desgustar, destrinchar, acabar com os preconceitos e se jogar nas levadas.
Marcelo Jeneci – Por Que Nós?
7 – The Walkmen – Lisbon
Quantos discos uma banda precisa para chegar à perfeição? No caso do Walkmen, seis. Lisbon é o seu auge, sua perfeição. Pode parecer muito em tempos que uma banda é hypada com apenas um EP, mas é preferível seguir o sábio William Blake, com sua máxima “a estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria”. O Walkmen cunhou sua música lentamente; e atingiu a perfeição com a bateria descompassada de Matt Barrick; o vocal dramático de Hamilton Leithauser, quebrando frases e palavras; e com suas guitarras dedilhadas e por vezes furiosas. Há brilhantismo nas cordas e sopros de Stranded, e no lamento da definitiva Woe Is me. A pergunta que fica é: o que vem depois do palácio da sabedoria?
The Walkmen – Woe Is Me
6 – Band of Horses – Infinite Arms
Factory, Compliments e Laredo é uma trinca que já valeria colocar Infinite Arms em qualquer lista dos melhores do ano. O Band Of Horses chega ao terceiro disco com o mesmo indie-country-rock que marcou seus dois primeiros trabalhos e fez a cabeça da crítica mundo afora. A diferença é que aqui a banda está mais acessível e traduz melhor sua realidade, cantando o interior dos EUA com melancolia e uma boa dose de energia, ideais para encher os bares sujos de beira de estrada, sob o sol escaldante, sempre aplacado por chapéus de caubói. Enquanto nossa música sertaneja finca o pé na baboseira universitária descartável, o Band Of Horses abraça a tradição do lado de lá da Linha do Equador.
Band of Horses – Compliments
5 – LCD Soundsystem – This is Happening
Por trás do LCD Soundsystem, tem alguém que faz arte. Ele domina sua técnica, mexe com a legião de ouvintes que formou – e a geração de fãs que criou, sem opiniões unânimes. This is Happening soa como álbum. Vai para as pistas sem desgastar outras fórmulas que não sejam as de James Murphy, de linhas bem definidas, às vezes minimalista, frequentemente repetitivas, mas não cansativas, enquanto a gente fica esperando o clímax de cada faixa. Seja para gritar com garotas bêbadas, ou partir para casa sem remorsos. Eles fingem que são bons e fingem bem.
LCD Soundsystem – You Wanted a Hit
4 – Beach House – Teen Dream
“More, you want more, you tell me, only time can run me”… O mantra cantado até o fade em Walking In The Park traduz o que foi 2010 para o Beach House. Depois de dois discos sombrios, a dupla Alex Scally e Victoria Legrand cria Teen Dream, pra mostrar que a maturidade chegou, que pode traçar seu caminho sozinho e que quer mais, muito mais, além de ser “aquela banda que (só) os críticos gostam”. Teen Dream tem a poesia de Silver Soul, uma preciosidade; e o equilíbrio entre o sacro e o profano-praiano em Zebra e Norway. As letras ainda são pouco profundas, mas o clima grandioso das músicas compensa. Ninguém segura mais o talento desabrochado do Beach House.
Beach House – Walk In The Park
3 – Ben Folds – Lonely Avenue
Toda a ousadia de um grande expoente do piano pop se junta à genialidade literária do inglês Nick Hornby. Letra e música deixam de ser somente apaixonadas uma pela outra e decidem se casar. É assim que surge Lonely Avenue, 11 pérolas que descorrem desde a perda da esperança à uma paixão incontrolável pela poeta Saskia Hamilton abrilhantadas por harmonias cativantes que já fazem parte do repertório de Ben Folds, admirado pelo escritor. E, sem sombra de dúvidas, Rob Fleming guardaria essa peça interessante da música pop em sua coleção de vinil.
Ben Folds – Saskia Hamilton
2 – The National – High Violet
Depois de dois discos belíssimos como Alligator e Boxer, o The National mostrou que ainda é capaz de inovar-se com o High Violet. As músicas têm a bateria marcante e o vocal inconfundível de Matt Berninger de sempre, mas também se tornaram mais encorpadas e o uso das cordas e do piano foi melhor aproveitado. São 11 belíssimas peças de uma história de um amor perdido, está tudo ali: a tristeza, a culpa, o desespero, a urgência, o medo, as marcas deixadas, a ingenuidade de tentar se recuperar e até se chegar a superação. Uma obra completa e coesa para ser ouvida por inteiro, sentida em cada acorde. É possível apenas pela voz de Berninger sentir o seu medo, sua incapacidade de seguir em frente em Afraid of Everyone; da mesma forma que sabe-se que em Vanderlyle Crybaby Geeks, a história não precisa ser explicada, ele foi escutada e seu sentimento se estendeu para o ouvinte, como uma sensação sinestésica se é capaz de viver o High Violet e não apenas ouví-lo.
The National – Afraid of Everyone
1- Arcade Fire – The Suburbs

“2009, 2010, Wanna make a record how I felt then”. Month of may
E assim The Suburbs foi feito. O melhor álbum do ano é também o mais sincero. Se a obra-prima de 2004, Funeral, esbanjava energia, curiosidade e intensidade como uma criança que se decepcionava com o funcionamento das coisas, e Neon Bible era díficil e sombrio como um adolescente que se rebelava contra a instituição e abraçava o obscuro, The Suburbs é um disco adulto. Um disco que versa sobre a nostalgia sem idealizar o passado, e vê um futuro sem muitos caminhos abertos. Tudo já foi decidido. As guerras já foram lutadas. Agora é deixar que a vida siga seu rumo.
Uma figura recorrente nas letras de Butler, Chassagne e compania é a figura do carro, que estampa as 8 capas de The Suburbs. Se em In The Backseat, música que encerra Funeral, Regine canta que apesar de estar aprendendo a dirigir, prefere o conforto do banco de trás, no qual não recebe nenhuma atenção, em The Suburbs o aprendizado já acabou nos subúrbios e o Arcade Fire já dirige. Dirigir significa liberdade e responsabilidade, coisas que surgiram com o inevitável sucesso. Os garotos do ônibus, mencionados em Wasted Hours, esperam pela liberdade. O Arcade Fire não. E com esse sucesso, eles estão finalmente prontos para começar. Apesar dos ouvintes “moderninhos” e fúteis de Rococo. Apesar da indústria sedenta de Ready to Start.
Muitos fãs reclamaram de The Suburbs. Do seu tamanho, por exemplo. Mas nada ali podia ser retirado, ou a história contada através de suas faixas perderia um capítulo. Retirar Sprawl I e sua frase final sufocante? Suburban War, a música mais underrated do ano? A dúvida pessoal e as influências Springsteenianas de City With no Children? Nada podia ser deixado para trás. E para os que reclamaram da falta daquela intensidade multi-instrumental presente em Wake Up e Rebellion… É exatamente essa falta de intensidade que torna The Suburbs um álbum assustador. Enquanto Win Butler planeja sua vida adulta, seus filhos, a sobrevivência nesse mundo que se expande geograficamente e se contrai em possibilidades, ele abandona as armas, os tambores e os violinos e diz: “Sometimes I can’t believe it, I’m moving past the feeling”. É por frases como esta, que assombram e ecoam em nossos ouvidos, que The Suburbs é o melhor álbum de 2010.
Arcade Fire – The Suburbs













dezembro 10, 2010 às 23:15
[...] This post was mentioned on Twitter by Rock 'n' Beats, juniorpassini, Magda Silva, nacim elias, Danilo Galindo and others. Danilo Galindo said: Esperar outro disco em primeiro é difícil né RT @rocknbeats Os 50 Melhores Discos de 2010 (10-1) http://bit.ly/e8zw0V [...]
dezembro 11, 2010 às 03:20
Achei a lista demais, só trocaria o Walkmen pela Joanna Newsom no top 10! Ela fez falta nessa lista, hein?
dezembro 11, 2010 às 11:26
Po, serio que walkmen e Jonsi foram um dos 10 discos do ano pra voces?! :S
A lista ser pop eu entendo, mas dos discos do Top 10 que ouvi, nao pensaria em nenhum dos 2…
dezembro 13, 2010 às 11:21
Pow nao entrou nem The Drums, Best Coast…mas concordo e assino embaixo com esse Arcade Fire em primeiro.
dezembro 13, 2010 às 12:03
The Drums entrou no top 50 =)
dezembro 13, 2010 às 16:24
[...] a cada dia, um álbum na íntegra (hoje tá rolando The Suburbs, do Arcade Fire, o álbum que o Rock ‘n’ Beats elegeu como o melhor do ano) Novos Clássicos às 0h, 8h e 16h – novidades do rock nacional e internacional Novos Nomes [...]
dezembro 13, 2010 às 16:48
Interessante a lista… apesar de não concordar com CDs gringos e brasileiros misturados… mas onde estão: Marlango, Stone Temple Pilots, White Apple Tree, Kent, entre outros?
e Marcelo Jeneci é poderia até empatar em 1º com o Arcade Fire, mesmo assim, não acho que o Arcade Melhor de 2010.
Cee Lo Green e Kings of Leon são os melhores.
dezembro 14, 2010 às 23:07
A rasgação de seda no Arcade Fire é justa! Caso não leve o posto de primeiro lugar na maioria das listas, com certeza, ele aparecerá em todas não importando a posição o que já o torna vencedor.
E esse Marcelo Jeneci no meio dos grandes hein?! Também é digno! Embora uma lista só de discos brasileiros seja interessante pra descobrir e redescobrirmos as bandas daqui. Só assim o Jeneci tomaria o primeiro lugar do Arcade Fire.
dezembro 14, 2010 às 23:12
Também fizemos uma lista dos 10 melhores discos nacionais.
Tá aqui ó: http://www.rocknbeats.com.br/2010/12/10/os-10-melhores-discos-nacionais-de-2010/
=)
dezembro 15, 2010 às 11:38
[...] (veja no site) Álbuns nacionais 1. Marcelo Jeneci – Feito Pra Acabar 2. Tulipa Ruiz – Efêmera 3. Holger – Sunga 4. Apanhador Só – Apanhador Só 5. Cérebro Eletrônico – Deus e o Diabo no Liquidificador 6. Garotas Suecas – Escaldante Banda 7. Do Amor – Do Amor 8. Sabonetes – Sabonetes 9. Mombojó – Amigo do Tempo 10. Venus Volts – Venus Volts Is Dead [...]
dezembro 15, 2010 às 21:41
[...] É possível imaginar todos nos bastidores babando pela presença da banda, que tocou cinco canções do mais recente disco, The Suburbs, um melhores do ano, segundo o conceito de meio mundo, e definitivamente o melhor na nossa opinião, aqui do Rock’n'Beats. [...]
dezembro 16, 2010 às 16:12
[...] se depender dos donos do melhor álbum de 2010, The Suburbs, essa arte de juntar músicas em um pacote realmente está mais viva do que [...]
dezembro 21, 2010 às 20:29
[...] Dream, lançado em janeiro de 2010 e presente na 4º posição dos 50 melhores discos de 2010 do Rock ‘n’ Beats, é a prova da maturidade do Beach House. Para mostrar que não são mais “aquela banda [...]
janeiro 3, 2011 às 19:10
[...] E para quem acha que o projeto não emplacou, Jónsi ficou em décimo lugar na nossa lista de 50 melhores álbuns de 2010, com o álbum [...]
janeiro 7, 2011 às 09:19
[...] foi eleito pelo Rock’n'Beats um dos melhores discos de 2010. Com esse trabalho, parece que tudo que o Walkmen faz é cool. Mas, é preciso saber: o quão cool [...]
janeiro 7, 2011 às 15:34
[...] trailer chegou ao YouTube recentemente, e quem diria, revela um novo talento do homem que criou o 9º melhor álbum de 2010, de acordo com o Rock ‘n’ Beats: Sufjan Stevens ganharia de você no Pac-Man. O gênio [...]
janeiro 13, 2011 às 14:23
[...] nossos canadenses favoritos. O Arcade Fire está na lista de indicados para melhor álbum do ano (se depender da gente, já ganhou), melhor álbum alternativo do ano e melhor performance de rock, performance essa que eles terão a [...]
janeiro 28, 2011 às 23:21
Bem, apenas conheço os dois primeiros dessa Top10 então não tenho muito o que falar. Apenas digo que The Suburbs e High Violet me fascinaram e acho interessante ve-los nas listas de melhores do ano. Musica bem trabalhada e de conteúdo. E, infelizmente, não tem o prestígio que merecem na mídia, que impera o descartável e o fútil.