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Há 20 anos Maracanã se transformava em palco do Rock in Rio | Rock 'n' Beats

Há 20 anos Maracanã se transformava em palco do Rock in Rio

Postado por Izadora Pimenta. Posted in Rock 'n' Beats

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Publicado em 18 janeiro, 2011 - 6 Comentários

por Davi Rocha e Izadora Pimenta

Há vinte anos, o Maracanã - Maraca para os  mais fanáticos e íntimos -- abrigava o segundo Rock In Rio já tendo no currículo um marco importantíssimo para os shows internacionais no Brasil (e até do mundo, podemos dizer): no ano anterior, a apresentação de Paul McCartney no estádio havia batido um recorde ao alcançar o maior público de um cantor solo: 184mil pessoas no dia 21 de abril de 1990. Praticamente o dobro do alcançado na primeira apresentação do mesmo no Morumbi, em 2010.

A Cidade do Rock havia sido demolida, mas a chama do festival, apesar de esta não ser uma das edições mais saudosas para o organizador Roberto Medina, continuava acesa. Foi quando os brasileiros puderam assistir a performances de artistas que estavam no auge -- o leque se abria para várias vertentes, de Guns ‘n’ Roses a George Michael, de A-Ha a Elba Ramalho e por aí vai -  em um gramado preparado para receber setecentas mil pessoas durante nove dias de evento. “Aquilo era um caldeirão fervendo de gente. Mas era lindo ver as arquibancadas tomadas, foi uma das primeiras vezes que me arrepiei num show de rock”, conta Fernando Lopes.

Os maiores cachês e shows

Guns ‘n’ Roses, talvez uma das maiores bandas da época, levou, junto com o cantor Prince, os maiores cachês do evento -- cada um recebeu a bagatela de 500 mil dólares. Alguns meses depois o Guns lançaria dos discos mais importantes da carreira deles, o duplo Use Your Illusion, que conta com clássicos como November Rain, Don’t Cry e a regravação de Knockin’ On Heaven’s Door. Para a banda, o show no Brasil foi “uma das melhores apresentações em todos os tempos”, em palavras de Axl Rose.

A banda Faith No More foi outra que, fazendo jus ao seu single Epic, fez um show épico na noite de 20 de janeiro de 1991. André Forastieri escreveu na Bizz, na época: “Não existe absolutamente nada, nem de longe, parecido com o Faith No More. O som deles é uma mutação imprevista, um frankenstein composto de hard rock, hardcore, hip hop; progressivices épicas na linha Rush-ELP e música de festa californiana. Quem tinha (ou tem) alguma dúvida sobre a originalidade do FNM, precisava estar no Maracanã na noite de domingo”. Fábio Martinelli, 38 anos, compartilha da opinião: “Eu não conseguia acreditar como aquela banda era tão estranha, complicada de rotular e ao mesmo tempo tão redonda e energética.”

O show do Faith No More foi o maior do evento, para 117 mil pessoas. E a banda recebeu cachê de 20 mil dólares, 25 vezes menos que a banda de Axl.

Cheiro de Rock In Rio II

Esse extenso texto cheio de números e exaltações megalomaníacas de um evento gigante como o Rock in Rio não basta, precisamos dizer que, de acordo com quem estava presente, o Maracanã parecia uma grande privada a céu aberto, com um cheiro de urina impregnado em todo o estádio. Muito rock ‘n’ roll.

Bandas brasileiras fugindo e Lobão expulso

Enquanto na primeira edição do Rock in Rio as bandas tentaram de todo jeito um lugar no palco do festival, disputando a tapa um espaço na escalação, na segunda edição os brasileiros fugiram do evento, devido ao tratamento privilegiado para os artistas internacionais. Como em todas as edições, aquela também contava com um line-up um tanto quanto estranho, misturando artistas brasileiros e grandes nomes do metal mundial.

Tanto foi que o cantor Lobão acabou fazendo o show mais curto da história do Rock in Rio, em que apresentou apenas uma música. Ele entrou no palco do Maracanã, cantou Vida Louca Vida e foi alvo de tantos objetos atirados em direção ao palco que, ao final da primeira canção, encerrou seu show. Em seguida, a bateria da Mangueira tentou driblar a plateia, mas sem muito sucesso.

Os Números do Rock In Rio II

A segunda edição foi transmitida ao vivo para 55 países, com audiência estimada em 550 milhões de pessoas.

Para iluminar o Maracanã foram 3 mil refletores, sendo 480 de aviões. O som do evento tinha 500000 watts de potência. O palco tinha 85 metros de comprimento por 25 de profundidade.

Depois de todas as comemorações de aniversário do Rock In Rio, resta esperar pelas surpresas que a edição de 2011 trará à Cidade do Rock. As especulações não faltam, o line-up vai se construíndo, e agora o festival encontra a barreira da facilidade da vinda de grandes bandas ao Brasil -- logo, para fazer história como todos os outros, precisa de nomes surpreendentes. Você já tem a sua sugestão?

“O show do Faith No More foi uma catarse musical”

Fábio Martinelli

Eu só queria mesmo ver o Faith No More, que abriria pro Guns ‘n’ Roses, mas meu primo do interior me ligou dizendo os dias que ele queria ir. Entre as escolhidas por ele, a loirinha pop Debbie Gibson. Só se explica por algum fetiche, mas fui lá pra acompanhar o moleque. Levei uma bandeira do Flamengo e fiquei me divertindo durante o show do A-ha pulando com ela toda vez que câmera mostrava o público. Acabei aparecendo várias vezes ao vivo na Globo, pro orgulho da família.

Musicalmente, a coisa esquentou no chamado “dia do Rock pesado”. O show do Faith no More foi uma catarse musical. Eu não conseguia acreditar como aquela banda era tão estranha, complicada de rotular e ao mesmo tempo tão redonda e energética. Axl Rose era a grande personalidade do Rock naquele ano, mas a presença do Mike Patton derrubou o queixo de todo mundo. As pessoas cantavam felizes a melodia do solo de Pigs of War, um dos vários covers do show. Também rolou um jingle gringo da Nestlé. No fim do show eu sabia que minha vida tinha acabado de mudar, outra vez dentre várias que o Rock faria isso comigo. O meu primo só falava que o Guns ia ser muito melhor.

Começou o show do Guns ‘n’ Roses, a multidão se apertava na pista, que formou várias “correntezas”, sendo impossível manter o lugar. Me perdi do meu primo, desencanei e fui sentar nas cadeiras do Maraca, achando aquele Hard Rock certinho e careta demais depois da insanidade do show anterior. No final do show, finalmente aparece meu primo, pálido, com uma cara triste e sem camisa. Ele teve uma dor de barriga assim que o show começou, correu pra um banheiro, onde ficou por 2 horas, acabando com o papel e tendo que dar um fim muito pouco nobre à sua camisa. Óbvio que virou piada interna a imitação da “coreografia” dele no show que ele tanto queria ver.

“Foi uma das primeiras vezes que me arrepiei num show de rock”

Fernando Lopes

Em 1991, eu estava prestes a fazer 19 anos e, veja só, havia acabado de entrar na faculdade. Eu não lembro quanto custava o ingresso, mas meu pai me presentou pelo feito. E eu abusei. Queria ver Guns ‘n’ Roses, Faith No More e INXS. Escolhi, então, o primeiro final de semana -- ele comprou ingresso para dois dias. De quebra, pelos dias que escolhi, acabei vendo também dois shows do Billy Idol, que se revelaram bem bons, principalmente porque ele fazia ao vivo aquela versão tosqueira de “LA Woman”, dos Doors. Os Titãs também fizeram um baita show.

O mais legal dessa edição, além de eu já ser “de maior”, foi ter curtido meu primeiro grande evento com meu irmão mais novo, que tinha na época 15 anos (fomos nós dois apenas, com a ideia de encontrar meu irmão mais velho, que tinha 20). Eu tomava conta dele, tomando umas brejas juntos. É marcante esse show, porque ele não estaria mais entre nós no Rock In Rio seguinte, em 2001, já que morreu num acidente de carro em 1999. Como não encontramos meu irmão mais velho, curtimos dois dias só nós. E não encontramos nosso irmão mais velho porque era uma bagunça só o entorno do Maracanã (e, claro, não havia celular em 1991). Havia muita gente andando em todas as direções, já que tinha várias entradas pro estádio -- arquibancadas, pista etc. -- e quase nenhuma informação.

Em 1991, embora eu só quisesse várzea, bagunça, mulherada, cerveja, aquela desorganização me chamou a atenção. Era um desrespeito, embora, tenho certeza, quase ninguém ligava (o Brasil ainda era um quase-virgem de shows internacionais e ventos desse porte). Mas, ok, eu estava prestes a fazer 19 anos, então digamos que bastava tomar umas que o resto era bobagem. Foi preciso beber muito -- e eu nem sabia ainda. Marcamos com nosso irmão mais velho na rampa do metrô (ou ali por perto) e ficamos tomando umas lá. Ele não apareceu, mas quando vimos já estávamos um tanto alterados (eu mais, claro, já que meu irmão mais novo era menor de idade e nem acompanhava o ritmo). Foi o suficiente para suportar a muvuca lá dentro do Maraca. Aquilo era um caldeirão fervendo de gente. Mas era lindo ver as arquibancadas tomadas (quando o Guns subiu ao palco, vou dizer, foi uma das primeiras vezes que me arrepiei num show de rock: sei lá quantas milhares de pessoas, um mar de gente, todas delirando em ver ao vivo a banda mais importante daquela atualidade).

Apesar do calor, as pessoas se espremiam -- e talvez não houvesse outro jeito, tal a quantidade de gente e o espaço diminuto, aifinal por maior que seja o Maracanã o espaço ainda era limitado pelo fosso da Geral (ainda existia Geral naquela época) e pelo gradil. Lembro-me perfeitamente, como hoje, quando o Faith No More começou. Eu estava bem próximo do palco e usava um ridículo chapéu preto, que eu achava cool naqueles tempos. Quem só quisesse ver o show, parado, teria que sumir dali ou dançaria-pogaria-pularia junto, por osmose. Às primeiras notas, meu chapéu foi pro saco, já era. Todo mundo pulando, batendo cabeça, esquecendo o calor. E a gente junto, afinal por que não?

Mas não aguentei por muito tempo. Nem meu irmão. Duas horas e tanto depois, no final do Guns, quase no BIS, tivemos que sair da muvuca e ir para as arquibancadas, que já estavam abertas (eram mais caras, se não me engano, que o ingresso da pista, é mole?). Precisávamos comer algo, o que também foi um martírio, porque mesmo a menor das filas era muito grande, tal a quantidade de gente.

Mas valeu. A visão dali de cima, sentados, era impressionante. Milhares e milhares de loucos pulando, luzes iluminando um mar de gente, o coro de todas aquelas gargantas… É a imagem que mais guardo na memória desses dois dias que entrei no Maraca pra ver o Rock In Rio. É uma imagem que nenhuma TV conseguiu captar, nem ao vivo, nem em edições posteriores, já bem trabalhadas. Tanto que ofuscou o fraquíssimo INXS que eu eu tanto queria ver (o Billy Idol no segundo dia foi ainda melhor do que o primeiro e roubou a cena total).

A minha maior frustração dessa edição foi não ver o Happy Mondays, esses sim um dos meus grandes ídolos na época. Isso porque eles caíram de paraquedas no line-up. Foram convidados de última hora, pela desistência de não lembro que banda -- provavelmente uma banda bem ruim. De cara, levantou-se toda aquela polêmica das drogas -- confirmadíssima com apreensões da Polícia Federal, como se viu em todos os jornais. O Happy Mondays era a banda na Inglaterra, a que mais causava, a que tinha as melhores músicas, e só fato deles estarem ali era um feito e tanto da produção. Foi o único show do HM no Brasil. Uma pena. Se soubesse antes, teria comprado ingresso, voltado ao Rio e enfretado até o desgosto de ouvir o A-Ha e o Information Society, mesmo com o HM totalmente deslocado.

Ainda assim, foi um final de semana inesquecível. Pro meu irmão caçula também. Foi a iniciação dele nesse tipo de evento (foi comigo ainda em um bocado de Hollywood Rock e afins). E foi, mais do que isso, a minha entrada na “era adulta”. Dezoito para dezenove anos, cuidando do irmão, bebendo com ele e levando-o são e salvo pra casa, naqueles ônibus abarrotados (sempre o bom e velho 433 ou 434, que iam pra Ipanema), sem um arranhão. Achei engraçado quando meus pais falaram que tinham orgulho de mim. Devia ter aproveitado que estava em alta e pedido grana para mais uma semana no Rio. Teria sido um abuso?

Sobre Izadora Pimenta

izadora@rocknbeats.com.br

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6 Comentários

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  2. Eu estava lá também. Tinha 15 anos e ver Faith No More mudou minha vida… :) (para melhor, lógico rs)

  3. Tá errado. O show com maior pblico foi o de a-ha. Cerca de 198 mil pessoas pagaram para o show. A banda entrou para o Guinnes Book por causa disso.

    Pode pesquisar.

  4. 20 anos já?

    Eu fui em dois dias, bem tosqueiras e pop. O dia do A-ha tava abarrotado, no final do show deles começou a cair um pé d’agua digno de verão e lá pelas 2h da manhã o Happy Mondays foi ao palco. Foi muito bom, pois toda a massa tinha ido embora e só ficou os malucos, deu pra chegar bem perto do palco. O que voava daquelas garrafas tipo squeeze no palco, atiradas pelo público. O alvo principal era o Bez e o Shaun Ryder. Os dois só se deviando.

    Nem parece que já se foram 20 anos.

  5. caraca!! já faz isso tudo!!20 anos!!!não existia nem celular msn orkut windons…ai mais foi muito louco!!! eu fui no ultimo dia 27 de janeiro de 1991 estavamos na guerra do iraque………eu tinha 17 anos….inesquecivel!!

  6. “Se soubesse antes, teria comprado ingresso, voltado ao Rio e enfretado até o desgosto de ouvir o A-Ha e o Information Society”
    Pra sua informação o A-ha teve o maior publico daquele festival, 198.000 pessoas recorde de publico, superando Guns ‘n’ Roses e George Michael que eram um dos principais artistas do festival.

  7. Eu fui a todos os dias estava com uma credencial que bebia e comia todos os dias, da globo, para mim foi muito bom, pena que passa muito rápido.
    passei mal pois tinha bebido e tomava um remedio para emagrecer, pois quando cai em mim estava tomando uma ducha para acordar , tiarando isso foi muito bom e assisti todos os shows. INESQUECIVEL.

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