Cursive – I Am Gemini (Saddle Creek)
A idéia é bem batida: irmãos gêmeos, o bem e o mal, a dualidade da vida, anjos e demonios, etc, mas vindo de Tim Kasher até algo contado inúmeras vezes pode soar extremamente complexo. Assim, I Am Gemini é um disco conceitual com uma imensa história e diversos personagens por trás.
Warmer Warmer e The Sun and The Moon trazem um Kasher bem acessivel e contagiante, enquanto This House is Alive mostra a densidade aguardada. Já Gemini e várias outras músicas têm fortes influências teatrais. Infelizmente, o post-hardcore que o Cursive faz tão bem ficou bem esquecido no meio de tantas idéias experimentais.
Não é de forma alguma o melhor trabalho da banda, nem o mais ousado, ambos títulos ainda pertencem ao The Ugly Organ, de 2003, mas é uma peça que merece atenção tanto pelo bom trabalho quanto porquê é a única forma de acompanhar as diversas reviravoltas do conto.
Cursive – The Sun and The Moon
fun. – Some Nights (Atlantic Records)
Some Nights é um disco ambicioso. O fun. foi influenciado por Kanye West a fazer “um grandioso testemunho artistico”, pelas palavras de Andrew Dost. Isso seria o suficiente para destruir uma banda, mas eles fizeram o dever de casa direito: passaram nove meses no estúdio, concentraram-se na qualidade e o resultado é um ótimo disco.
Com produção de Jeff Bhasker, pela 1º vez trabalhando com uma banda de rock, o trio novaiorquino foi capaz de criar pequenas crônicas dos tempos atuais. O disco não deve sobreviver ao teste do tempo, mas sem dúvida é um dos trabalhos mais divertidos do momento e deve ser ouvido sem preconceito, isto é, esqueça a ligação da banda com o Paramore e com Glee. Há algumas derrapadas e alguns exageros no meio do álbum, mas, em geral, Some Nights é uma mistura poderosa de indie pop, batida energêtica, hip hop, rock teatral, vigor e desespero juvenil.
fun. – Some Nights
Grimes – Visions (4AD)
A produção de trilhas sonoras para filmes de ficção científica seria o trabalho perfeito para Claire Boucher, que artisticamente atende por Grimes. Visions, seu terceiro álbum é um conto pós-moderno onde a eletrônica dialoga com gêneros como a new age e o dream pop.
Os desavisados, no primeiro contato, podem confundi-la com Björk. Semelhanças que vão da voz etérea e passam pelo vestuário exótico que ambas usam. Claire atualiza o som produzido pela islandesa neste lançamento e soa como se Robyn encontrasse Fever Ray para uma jam.
Os singles Genesis e Oblivion são canções pop que não devem nada ao que de melhor se produz na música. Refrões grudentos para cantar junto e dançar sem compromisso na explosões de humanismo por trás dos sintetizadores que caracterizam o registro da multi instrumentista. Grimes é aposta certeira nas listas de final de ano.
Grimes- Genesis
Princeton – Remembrance of Things To Come (Hit City U.S.A.)
Para um compositor que se arrisca na missão de possuir dois ou mais projetos diferentes, é impossível (ou, pelo menos, bem difícil) compartimentar o processo criativo, impedir que as influências que movem um projeto também se infiltrem nas fundações de outro.
Jesse Kivel, combinando forças com seu irmão Matt no grupo de indie-pop Princeton, é prova viva dessa teoria, e Remembrance of things to come, novo álbum do Princeton, se afasta de vez das comparações com o indie universitário de inspirações world music do Vampire Weekend para soar como uma versão mais complexa e intrigante dos flertes com a música eletrônica do duo Kisses, seu projeto paralelo. Os violinos impecáveis de Andre e Loise e o piano de Oklahoma ainda revelam cartões postais do velho Princeton, mas ótimos momentos como Holding Teeth, To The Alps e Florida mostram que a banda, como nas férias de um ano letivo, trocou os halls solenes da Ivy League pelo verão dos trópicos.
Princeton – To the alps
Sleigh Bells – Reign of Terror (Mom+Pop Music)
Tem algo de extremamente icônico e preciso na imagem escolhida por Alexis Krauss e Derek Miller para estampar a capa de Reign of Terror, segundo álbum do projeto Sleigh Bells. Um jovial tênis Keds, que poderia estar percorrendo corredores de escolas dos EUA, entre panelinhas, cheerleaders e atletas, escaninhos, sujo de sangue. Essa é a equação do Sleigh Bells: juntar o pop teen, contagiante, com a violência brutal de uma guitarra impiedosa.
Reign of Terror carrega um título que parece indicar para caminhos ainda mais agressivos que o elogiado Treats. Mas é, surpreendentemente, um álbum mais suave e polido (com exceções como Demons). Os grandes destaques do álbum são momentos em que o Sleigh Bells permanece fiel ao seu estilo, com as incríveis Comeback Kid e Crush, e Reign of Terror, às vezes, se aproxima do limiar perigoso da simples repetição, deixando no ar a pergunta: o Sleigh Bells ainda possui cartas na manga? Tudo indica que sim, eles só não estão as utilizando ainda.
Sleigh Bells – Comeback kid
The Chieftains – Voice of Ages (Hear/Concorde)
50 anos de carreira, colaborações com nomes como Mick Jagger e Van Morrisson e o status de banda mais icônica da história do Irish Folk. O céu é o limite para o The Chieftains? Não, nem mesmo o céu contém Paddy Moloney e cia., e em Voice of Ages até mesmo uma faixa com participação da astronauta Cady Coleman, gravada no espaço, convive com diversos clássicos da música irlandesa interpretados por nomes do indie-folk, country, pop e bluegrass.
Voice of Ages apresenta um espectro tão amplo que funciona como retrato de todo um gênero. Entre os destaques do álbum, baladas carregadas perfeitamente por Bon Iver, Pistol Annies e The Civil Wars e momentos agitados como as participações do The Decemberists e Punch Brothers, prontas para inspirar sapateados e danças através da Irlanda, ou tentativas em qualquer pub, festa de São Patrício ou filial da Irlanda no Brasil.
The Chieftains e Bon Iver – Down in the willow garden
















Nenhum Comentário
Nenhum Comentário em Lançamentos da semana: Sleigh Bells, The Chieftains, Cursive, fun., Grimes e Princeton. Talvez você queira deixar um Comentário