
Tunde Adebimpe (Foto: Fernando Galassi/Rock'n'Beats)
Há menos de seis meses, uma das bandas mais importantes da última década fez uma apresentação que tinha tudo para ser histórica, mas esbarrou em um público desatento, impaciente e que queria mais é que o show acabasse para que sua banda preferida subisse logo ao palco.
Quem foi ao Festival Planeta Terra 2012 certamente vai se lembrar de cara do show do Broken Social Scene. No penúltimo show de sua carreira, a banda que provavelmente era a mais “diferenciada musicalmente” do festival acabou passando despercebida em meio a fãs dos Strokes, que eram maioria no recinto.
O Lollapalooza também teve o seu estranho no ninho. O TV on the Radio é uma banda do Brooklin, dessas que as pessoas costumam chamar de “hipster” – de maneira pejorativa -, cujo brilhantismo vem do encontro das mentes de Tunde Adebimpe, Dave Sitek e Kyp Malone, mas que conta ainda com Jaleel Bunton em sua formação, para não ser injusto com ninguém. O som é desses difíceis de encaixar em um estilo só, mas transita pelo eletrônico, pós-punk, soul e toda sorte de influências.

Kyp Malone (Foto: Fernando Galassi/Rock 'n' Beats)
A história aqui é um pouco diferente. Ao contrário do BSS, o TV on the Radio encontra-se no auge de sua carreira, depois de emplacar seu quarto álbum certeiro. Mas ambas acabaram mostrando seu verdadeiro potencial em uma apresentação fora de festivais. Na véspera do primeiro dia do Lollapalooza, Adebimpe e cia fizeram uma apresentação na festa fechada promovida pela bebida 51 Ice, naquele esquema open-bar só para convidados que você tanto ouviu falar em 2011.
Em síntese, os shows foram praticamente iguais até mesmo no setlist, com uma duração relativamente maior no show de sexta e direito a bis, por motivos óbvios. Mas apesar do público no Cine Joia ser quase tão alheio à existência da banda quanto o grande palco armado para 75.000 fãs do Foo Fighters, a apresentação intimista permitiu uma interação muito maior entre público e banda. De perto, a dança frenética e os movimentos bruscos do vocalista fazem muito mais sentido do que quando vistos de um telão; as melodias vão direto dos PAs para os tímpanos, sem passar por conversas entediadas e, mesmo contra a vontade, é impossível não prestar atenção e ver que há algo muito bom acontecendo a apenas alguns metros de distância.

Dave Sitek (Foto: Fernando Galassi/Rock 'n' Beats)
Ao vivo, o TV on the Radio dá às suas composições a pegada “rocker” que falta em seus álbums de estúdio. Faixas como The Wrong Way, Staring at the Sun, Blues from Down Here e muitas outras se transformam em épicos interpretados com energia por toda a banda. Nas duas apresentações, Adebimpe mostra-se um frontman completo: dança, acena, vai de um lado pro outro e tenta puxar conversa com a plateia. A diferença é que, em um palco só deles, o público responde, com palmas, coros e – acreditem – rodas de mosh, durante o cover de Waiting Room, do Fugazi. E aí surge o espaço para mais comparações com o apoteótico último show do Broken Social Scene no Circo Voador, que durou mais de duas horas e só acabou porque a banda não tinha mais o que tocar.
Pra não dizer que o show da banda no Lolla não teve nada melhor que o da véspera, rolou a participação de Dave Navarro em Repetition, um dos pontos altos de todo o festival e a prova absoulta que o TV on the Radio tem, sim, pique pra comandar um show desse porte. Uma pena que em uma noite que no fundo se tratava de um show do Foo Fighters com bandas de abertura de luxo (como no festival de 6 meses atrás), nem se Kurt Cobain ressuscitasse e fizesse um show do Nirvana, o público responderia à altura.
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maio 1, 2012 às 16:12
Realmete os caras são uns monstros, pena que o público não percebeu tamanha qualidade