Fiona Apple – The Idler Wheel is wiser than the Driver of the Screw, and Whipping Cords will serve you more than Ropes will ever do (Epic)
Ouvir a visceralidade de Fiona Apple em seu novo disco é um prazer aos amantes dos vocais femininos. Na inicial Every Single Night, Fiona canta que há borboletas em seu cérebro. E se essas borboletas são as responsáveis pela irresistível sequência posterior, Daredevil e Valentine, elas são abençoadas. Tudo em The Idler Wheel… é uma questão de balancear os opostos: simplicidade e sofisticação, intensidade e leveza.
Quando o piano pesa ou a percussão ganha batidas pulsantes, Fiona canta suave. Quando sua voz ganha grande poder emocional em tons mais altos, os arranjos são calmos e delicados, fazendo o quarto álbum da cantora ser sustentado pela tríade grande interpretação, arranjos impecáveis e letras marcantes.
Exigente e sem pressa (ela ficou 7 anos sem lançar um novo disco), Fiona levou um ano para chegar ao resultado de Werewolf exatamente como queria, e nós agradecemos tanto cuidado com uma das mais belas faixas do disco. Destaque também para a percussão intensa de Left Alone. Se em Jonathan Fiona diz “I don’t wanna talk about anything”, nós concordamos. É preferível ouvir The Idler Wheel… mais algumas vezes.
Fiona Apple – Werewolf:
Glen Hansard – Rhythm and Repose (ANTI-)
Obras de arte inspiradas, com o perdão do clichê, “iluminadas” surgem, muitas vezes, de momentos bem obscuros. Glen Hansard, nos últimos tempos, justifica aquela boa e velha frase do The Smiths: “see the luck I had can make a good man turn bad”. O término do relacionamento com Marketa Irglova, as tensões e uma crise deflagrada após um suícidio de um fã em pleno show do The Swell Season culminaram no fim do duo, e Glen conseguiu canalizar toda essa melancolia, que poderia afogar um indivíduo, no espetacular Rhythm and Repose.
As nuances de Rhythm and Repose o transformam em um álbum que cresce a cada audição. Essa evolução tem como bom exemplo a desconstruída, minimalista e desconfortável Philander, que não impressionou como single e se transforma em uma obra impecável no contexto do álbum. A sutileza de Philander e Talking with the wolves é equilibrada pela catarse de um trio de tirar o fôlego, High Hope, Bird of Sorrow e The Storm, It’s Coming. Ao fim de Rhythm and Repose, você estará exatamente no estado de espírito de Glen – o que pode ser indesejável em certos dias mais sombrios, mas não deixa de ser sublime.
Glen Hansard - Bird of Sorrow
(Ana Clara Matta)
Peaking Lights – Lucifer (Mexican Summer)
Dizem os românticos de plantão que quando um casal vive em harmonia todos ao seu redor percebem. Pelo jeito, Indra Dunis e Aaron Coyes estão vivendo um lindo momento juntos, que nós ouvintes percebemos em Lucifer. Embora a primeira impressão pelo nome do álbum seja de um trabalho mais pesado e diferente do seu aclamado antecessor 936, os synths calmos do duo voltam nesse disco, dessa vez, como que demonstrando a atmosfera em que o casal tem vivido após a chegada do primeiro filho, Makko. Beautiful Son é a maior e melhor prova disso. A beleza é devido, principalmente, ao singelo solo de guitarra.
Em meio a tanta “doçura”, a bateria eletrônica mais pulsante junto aos teclados de Live Love se destacam, embelezados pelos muitos ecos na voz de Indra. Sem grandes arranjos, o disco é simples, porém com arranjos mais detalhados do que o anterior, além de influências mais ricas caracterizando uma evolução no trabalho dos californianos.
Peaking Lights – Beautiful Son
(Soraia Alves)
The Intelligence – Everybody’s Got It Easy But Me (In The Red Records)
Em Like LA, primeira faixa do sétimo álbum do The Intelligence, Lars Finberg faz uma contagem nada tradicional que vai do 01 ao 44, e então apresenta a banda com um singelo “ladies and gentlemen, the band”. Eles começam sua apresentação com bateria marcada, teclados e guitarras básicas. Uma introdução irônica e um tanto “broxante”, mas que acaba não afetando o restante do disco que cresce não só na medida em que as faixas vão passando, mas, principalmente, à medida em que você o ouve várias vezes.
As variações do rock é que fazem Everybody’s Got It Easy But Me se tornar mais interessante. Assim, a pegada no estilo pos punk de Evil Is Easy não fica estranha seguida de uma faixa praticamente indie rock acústico, Techno Tuesday, que passa e dá lugar ao rock mais cru de The Entertainer. Tem muita distorção e um clima mais pesado em Sunny Backyard, melodia doce em Fidelity e um bom cover de Little Town Flirt de Del Shannon, com a participação da iconíca Shannon, da Shannon and the Clams. Depois de seis discos, o The Intelligence não parece cansado, ao contrário, estão mais revitalizados.
The Intelligence – Techno Tuesday
The Smashing Pumpkins – Oceania (EMI/Caroline Distribution)
“Há muito tempo eu não faço um álbum, mostro para 50 pessoas e as 50 pessoas dizem: ‘É um ótimo disco’. Isso não acontecia desde Mellon Collie”. Foi o que disse Billy Corgan (único membro da formação original, compositor e produtor do disco) sobre o novo álbum, que antes mesmo de ser lançado foi comparado ao álbum duplo mais vendido da década de 1990 e melhor trabalho do grupo, o Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995).
Oceania, de fato, é bom. Contudo, passa longe de ser a nova obra-prima de seu compositor. Diverso, o registro faz passeios bem guiados pelo eletrônico (One Diamond, One Heart), rock alternativo (Glissandra) e até o violão de Corgan (The Celestials). Talvez o Smashing Pumpkins de Oceania seja tão amargurado quanto aquele do Siamese Dream e de Gish, só que bem menos sujo e, com certeza, bem menor que o de Mellon Collie.
Smashing Pumpkins – The Celestials
(Lucas Brêda)















junho 20, 2012 às 16:56
Oi, Ana…
leio seus textos há algum tempo e resolvi comentar desta vez.
Na verdade é pra fazer um pedido: que tal um texto aprofundado sobre o Wilco?
Ouvi boatos de que há chance de que eles toquem no SWU esse ano…
Confere?
Não sei você, mas preferia ver o Wilco fora dos grandes festivais.
agosto 8, 2012 às 14:10
[...] Smashing Pumpkins lançou recentemente seu sétimo álbum, o Oceania (leia aqui o que achamos do disco), e continua em turnê de divulgação do [...]